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Afasia: Dificuldade na comunicação após lesões cerebrais

Junho é o mês de conscientização da Afasia.

Você sabe o que é Afasia?

Certamente conhece ou conheceu alguém que tenha afasia. Ou a palavra Afasia é nova para você?

Embora o nome não seja tão divulgado ou tenha tanta familiaridade como o Autismo, a Afasia também merece ganhar a atenção para o que ela significa. É importante que falemos um pouco sobre sua etiologia.

A Afasia é proveniente de distúrbios que geralmente não geram danos progressivos (situações como acidente vascular cerebral, a encefalite e o traumatismo craniano). Além disso, interessante salientar que nesses casos a Afasia tende a não se agravar. Por outro lado, a Afasia pode piorar consideravelmente quando ela resulta de algum distúrbio progressivo, tal como a demência ou um tumor cerebral que se desenvolve.

Ela pode ser considerada como um comprometimento adquirido da linguagem e que tem como resultado problemas de compreensão e de produção tanto de palavras quanto de frases e discursos. A Afasia também é responsável pela disfunção dos chamados centros de linguagem no córtex cerebral e no núcleo de base.

 Quais são os sintomas mais comuns da Afasia?

É impossível mencionar os sintomas sem falar sobre a Afasia de Wernicke e a Afasia de Broca, pois cada uma delas mostra uma particularidade; e os sinais estão presentes nela. Portanto, veja os principais pontos que estão incluídos nesses tipos.

 – Afasia de Wernicke (pertence ao grupo das afasias fluentes) Nesse caso, o paciente geralmente utiliza um discurso fluente e cheio de jargões, mas é notável a ocorrência de palavras e de fonemas muitas vezes sem uma sequência. Por isso, é comum que haja uma espécie de amontoado de palavras. Outra característica muito frequente é a não consciência da clareza da pronúncia. Ou seja, as pessoas incluídas nessa tipologia não têm ciência se seu discurso está sendo compreensível aos seus interlocutores. O comprometimento da função auditiva e da escrita também pode ser notado. Esta última, para se ter ideia, pode ser fluente. No entanto, a escrita tende a mostrar muitos erros e a não contar com palavras substantivas.

 – Afasia de Broca (pertence ao grupo das afasias não fluentes) As pessoas que estão incluídas nessa tipologia costumam ter uma boa compreensão e conceituam relativamente bem. Porém, sua capacidade de formar as palavras pode ficar prejudicada. O indivíduo tende a enfrentar algumas situações de frustração provenientes de sua tentativa de tentar se comunicar, pois a Afasia interfere na execução da fala e da escrita. Além disso, a incapacidade de nomear objetos (chamada de anomia) pode ser notada em pacientes. A repetição e a prosódia prejudicada também são claramente percebidas. O diagnóstico É interessante ressaltar que para se chegar ao diagnóstico da Afasia, podemos ter dois eixos para seguir: o comum e o incomum. Porém, vale salientar que isso se refere ao que chamamos de diagnóstico diferencial. Veja a seguir: – Diagnóstico diferencial comum – – Acidente vascular cerebral isquêmico; – Hemorragia intracerebral; – Doença de Alzheimer; – Traumatismo cranioencefálico traumático; – Diagnóstico diferencial incomum – – Hematoma subdural; – Hemorragia subaracnoide; – Enxaqueca; – Encefalite herpética.

 Além disso, o diagnóstico também pode ser possibilitado a partir de uma investigação feita pela exclusão de outros problemas de comunicação, testes à beira do leito e testes neuropsicológicos, exames de imagem do cérebro.

 Tratamento Para proporcionar uma intervenção eficaz da Afasia, é interessante fazer uma abordagem mais ampla. “O tratamento deve ser individualizado para abordar os déficits residuais, as necessidades e prioridades de comunicação do indivíduo, além dos recursos disponíveis” (BMJ Best Practice, 2020).

Vale lembrar que o especialista também pode tratar certas lesões causas pela Afasia (lesão de massa, por exemplo). Fonoaudiólogos e instrumentos amplificadores de comunicação também são indicados.

 Referências BMJ Best Practice. Avaliação da afasia. 2018. Disponível em: https://bestpractice.bmj.com/topics/pt-br/973#referencePop8. HICKOCK, George. The cortical organization of speech processing: Feedback control and predictive coding the context of a dual-stream model. NCBI – National Center for Biotechnology Information. Bethesda, v. 45, n. 6, p. 393 – 402, Nov. 2012.
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AVC em Lobo Frontal

  


 Os lobos frontais estão envolvidos nas funções executivas (tomada de decisões, planejamento, solução de problemas e raciocínio), no controle motor voluntário, na cognição, na inteligência, na atenção, no processamento e na expressão da linguagem, na motivação, etc. Apresentam como subestruturas o córtex pré-frontal (dorsolateral, ventromedial, orbitofrontal e medial), envolvido nas chamadas funções superiores, os córtices pré-motor e motor primário, e a área de Broca. Lesões nos lobos frontais, de acordo com suas sub-regiões, podem levar a paralisias motoras (córtices pré-motor e motor primário), comportamento desinibido, irritabilidade e comportamento explosivo, conduta social inadequada e dificuldades na tomada de decisões, dificuldades nas interações sociais, alterações do humor, déficit na expressão da linguagem e alterações da personalidade. Os lobos temporais estão relacionados a memória, audição, processamento e percepção de informações sonoras, reconhecimento de faces e objetos, capacidade de entender a linguagem, processamento visual de ordem superior e regulação das reações emocionais. Têm como subestruturas a amígdala, o córtex auditivo primário, a área de Wernicke e os giros temporais. A lesão dos lobos temporais pode resultar em agnosias, prejuízo da memória e da compreensão da linguagem. Os lobos parietais estão envolvidos na percepção e na integração da informação somatossensorial (tato, pressão, temperatura e dor), no processamento visuoespacial, na atenção, na orientação espacial e na representação numérica. Apresentam como subestruturas o córtex somestésico, o lobo parietal superior e inferior e o pré-cuneos. A lesão dos lobos parietais pode levar a perda da habilidade em localizar e reconhecer objetos e partes do corpo (heminegligência), dificuldade em discriminar a informação sensorial, desorientação e falta de coordenação. Quevedo, João; Izquierdo, Ivan (2019-10-24). Neurobiologia dos Transtornos Psiquiátricos (Locais do Kindle 428-430). Artmed Editora. Edição do Kindle.
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Entenda o AVC e previna-se!


O que é AVC?

O acidente vascular cerebral, ou derrame cerebral como é popularmente conhecido, ocorre quando há um entupimento ou o rompimento dos vasos que levam sangue ao cérebro provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea adequada.  Segundo a Organização Mundial de Saúde o AVC pode ser definido como “um sinal clínico de desenvolvimento rápido de uma perturbação focal da função cerebral de possível origem vascular e com mais de 24 horas.” Sendo assim compreendido como uma dificuldade em maior ou menor grau de fornecimento de sangue em uma determinada área do cérebro, ocasionando sofrimento ou morte desta área, consequentemente acarretando perda ou diminuição das funções.




Em 2010, a secretaria de saúde de São Paulo fez um alerta para o risco de AVC para crianças com até 14 anos, pois em 2008 ocorreram 266 casos e 177 em 2009.


Tipos de AVC


Isquêmico: entupimento dos vasos que levam sangue ao cérebro.
 O AVC isquêmico pode ocorrer nas seguintes situações;
- TROMBOSE ARTERIAL: É a formação de um coágulo de sangue (como se o sangue “endurecesse”) dentro de um vaso, geralmente sobre uma placa de gordura (aterosclerose), levando a uma obstrução total ou parcial. Os locais mais frequentes são as artérias carótidas e cerebrais. Assim, se houver obstrução total da carótida direita, por exemplo, “à parte da frente da metade direita do cérebro” estará comprometida, determinando problemas (paralisia, perda de sensibilidade, etc.) na metade esquerda do corpo.
- EMBOLIA CEREBRAL: Surge quando um coágulo (formado num coração doente por arritmia, problema de válvula, etc.) ou uma placa de gordura (ateroma), que se desprende ou se quebra geralmente das artérias carótidas, correm através de uma artéria até encontrar um ponto mais estreito, não conseguindo passar e obstruindo a passagem se sangue.

Hemorrágico: rompimento do vaso provocando sangramento no cérebro. As hemorragias intracranianas são classificadas de acordo com a localização (extradural, subdural, subaracnóide, intraventricular, intracerebral), a natureza do vaso rompido (arterial, capilar, venoso) ou a causa (primária ou espontânea, secundária ou provocada). Os dois principais sub tipos de AVC hemorrágicos são as Hemorragias Intracerebrais e as Hemorragias Subaracnóides.

- HEMORRAGIAS INTRACEREBRAIS: O sangramento ocorre diretamente no parênquima cerebral. Uma idade mais avançada e uma história de AVC prévio são os principais fatores de riscos para ocasionar uma hemorragia intracerebral. O sangue arterial irrompe sobre pressão e destrói ou desloca o tecido cerebral. Quando o paciente sobrevive a uma hemorragia cerebral, o sangue e o tecido necrosado são removidos por fagócitos. O tecido cerebral destruído é parcialmente substituído por tecido conectivo, glia e vasos sanguíneos neoformados, deixando uma cavidade encolhida e cheia de líquido. Os locais mais afetados são o putâmen, caudado, ponte, cerebelo, tálamo ou substância branca profunda.
O quadro clínico é determinado pela localização e tamanho do hematoma. Ele se caracteriza por cefaleia, vômitos e evolução de sinais focais motores ou sensoriais de minutos a horas. A consciência por vezes se altera desde o início, sendo esta frequentemente uma característica proeminente nas primeiras 24 a 48 horas nos hematomas moderados e grandes. O diagnóstico e a localização são facilmente estabelecidos pela Tomografia Computadorizada, que mostra a elevada densidade do sangue agudo.

- HEMORRAGIAS SUBARACNÓIDE: Ocorre com menos frequência do que a hemorragia intracerebral. Na hemorragia subaracnóide, o sangue extravasa de um vaso arterial para o espaço subaracnóide. O sangue de uma artéria rompida é liberado com uma pressão quase equivalente à pressão arterial sistêmica, ao contrário da hemorragia intracerebral, onde a ruptura arteriolar ocorre mais gradualmente e com pressões menores. A súbita liberação de sangue sob pressão leva a um traumatismo celular direto, bem como rápido aumento da pressão intracraniana. Ela é causada mais comumente pelo vazamento de sangue a partir de um aneurisma cerebral.  Outras causas secundárias que podem ocasionar hemorragias subaracnóide incluem malformações arteriovenosas, distúrbios hemorrágicos ou anticoagulação, traumatismo, amiloidose e trombose do seio central. Os sinais e sintomas incluem início abrupto de uma forte cefaleia, vômitos, alterações da consciência e coma; essas alterações ocorrem frequentemente na ausência de sinais focais de localização. A hemorragia subaracnóide afeta pacientes mais jovens e mulheres mais frequentes que os homens. A mortalidade é elevada, podendo chegar até 70% nos quadros mais graves. Entre os que sobrevivem, novos sangramentos imediatamente subsequentes e déficits neurológicos isquêmico tardios por vasoespasmo podem ocasionar uma grave morbidade.  




Tratamento de AVC

O tratamento e a reabilitação da pessoa vitimada por um AVC dependerá sempre das particularidades que envolvam cada caso. Há recursos terapêuticos que podem auxiliar na restauração das funções afetadas. Para que o paciente possa ter uma melhor recuperação e qualidade de vida, é fundamental que ele seja analisado e tratado por uma equipe multidisciplinar de profissionais da saúde, fisioterapeutas, médicos, psicólogos e demais profissionais. Seja qual for o tipo do acidente, as consequências são bastante danosas. Além de estar entre as principais causas de morte mundiais, o AVC é uma das patologias que mais incapacitam para a realização das atividades cotidianas.

Conforme a região cerebral atingida, bem como de acordo com a extensão das lesões, o AVC pode oscilar entre dois opostos. Os de menor intensidade praticamente não deixam sequelas. Os mais graves, todavia, podem levar as pessoas à morte ou a um estado de absoluta dependência, sem condições, por vezes, de nem mesmo sair da cama.

A pessoa pode sofrer diversas complicações, como alterações comportamentais e cognitivas, dificuldades na fala, dificuldade para se alimentar, constipação intestinal, epilepsia vascular, depressão e outras implicações decorrentes da imobilidade e pelo acometimento muscular. Um dos fatores determinantes para os tipos de consequências provocadas é o tempo decorrido entre o início do AVC e o recebimento do tratamento necessário. Para que o risco de sequelas seja significativamente reduzido, o correto é que a vítima seja levada imediatamente ao hospital.
        Entretanto, ressalta-se alguns sintomas mais característicos do quadro clínico:
• Perda súbita de força em um dos lados do corpo;
• Perda da fala ou compreensão da fala;
• Perda da visão completa de um olho ou de metade do campo visual de ambos os olhos;
• Perda de consciência;
• Convulsões;
• Perda da coordenação;
• Alteração da marcha

Os danos são consideravelmente maiores quando o atendimento demora mais de 3 horas para ser iniciado, entretanto com o avanço neurocientífico, sabe-se que o AVC pode causar danos depois de apenas 3 minutos.


Conforme Prado, 2011, existem fatores de risco que podem causar o AVC, alguns são modificáveis e outros não.

Fator de risco não-modificável: A idade. A cada década, após os 55 anos de idade, o risco de ter um AVC dobra. Estima-se que em 2050, só no Brasil, serão mais de 16 milhões de pessoas com mais de 80 anos. Dados do Hospital Albert Einstein indicam que após os 80 anos os casos de AVC são bem mais comuns em mulheres.

Fatores de risco modificáveis: Pressão alta, diabetes, colesterol alto, obesidade, etilismo, tabagismo (quem fuma tem 600% a mais de chance de ter um AVC) e sedentarismo.

Geralmente os AVCs ocasionam lesão em apenas um lado do cérebro, porém como os nervos do cérebro cruzam em direção ao outro lado do corpo, os sintomas ocorrem no lado oposto ao lado lesado do cérebro.


Prevenção

Muitos fatores de risco contribuem para o seu aparecimento. Alguns desses fatores não podem ser modificados, como a idade, a raça, a constituição genética e o sexo. Outros fatores, entretanto, podem ser diagnosticados e tratados, tais como a hipertensão arterial (pressão alta), a diabetes mellitus, as doenças cardíacas, a enxaqueca, o uso de anticoncepcionais hormonais, a ingestão de bebidas alcoólicas, o fumo, o sedentarismo (falta de atividades físicas) e a obesidade. A adequação dos hábitos de vida diária é primordial para a prevenção do AVC.

Cuidados pós AVC

Em trabalho realizado por Perlini e Faro (2005) falando sobre o cuidar do acidentado vascular cerebral, as autoras trazem apontamentos sobre as mais diversas situações que necessitam ser desempenhadas pelos familiares destes indivíduos, pois dependendo da intensidade do AVC, se faz necessário todo um trabalho em conjunto procurando melhoras significativas o mais breve possível, pois segundo elas,
A realização de atividades de reabilitação é uma forma do indivíduo enfrentar a doença crônica e de “assumir novos encargos”. Os exercícios fisioterápicos e/ou fonoaudiológicos são vistos pelo paciente e familiares como uma possibilidade, a curto prazo, de retorno “ao que era antes do AVC”. Porém, por ser o progresso muito lento, muitas vezes, as dificuldades e a dor durante a realização dos exercícios frustram essas expectativas. A consciência dessa situação gera sentimentos de desanimo que associado a outras dificuldades, como de transporte e recursos financeiros, com o passar do tempo levam a uma diminuição na adesão ao tratamento e paciente e família vão gradativamente “abandonando” os exercícios. Os cuidados relacionados à atividade física do sequelado de AVC exigem tratamento prolongado e contínuo, em torno de oito meses a um ano. (PERLINI E FARO, 2005, p. 161)

Também as autoras, através de suas pesquisas, apresentam uma tabela demonstrando quais os cuidados com os acidentados vasculares necessitam desde o hospital até o ambiente familiar:
Piassaroli(2012,p.135-136) contribui com significativas sugestões e orientações:
• Orientar o cuidador a avaliar a integridade da pele, dos cabelos, das unhas e a higiene bucal  do paciente, principalmente quando o mesmo  encontrar-se no leito;
• Para maior segurança e independência do paciente no banho, recomenda-se o uso de barras de apoio na parede, o uso de tapetes antiderrapantes e a utilização de uma cadeira no boxe;
• Orientar quanto ao posicionamento na cama  e na postura sentada;
• O posicionamento adequado do paciente precisa ser considerado em relação ao ambiente, de modo a incentivá-lo a olhar para o lado  comprometido, proporcionar-lhe todos os estímulos visuais, auditivos e sensitivos;
• Orientar os cuidadores a estimular o paciente  a utilizar o lado afetado, como por exemplo,  ao dialogar com o paciente posicionar-se ao  lado do membro comprometido;
• O uso de chinelo deve ser evitado, pois dificulta o andar do paciente. Utilizar sapatos com solado antiderrapante, fácil de colocar e retirar  sozinho;
• As camas não devem ser muito baixas, pois dificultam os movimentos de sentar e de levantar;
• Usar fitas adesivas antiderrapantes em pisos escorregadios;
• Instalar corrimãos para oferecer mais segurança ao paciente;
• Estimular sempre o familiar a realizar atividades com o paciente, de modo que ele não fique acomodado ou dependente. Isso evita que o mesmo perca a força muscular, agilidade, interesse e ânimo, essenciais à manutenção da  independência funcional e na prevenção de  quedas;
• Evitar exercícios que estimulem o padrão flexor, como por exemplo, não realizar exercícios de apertar bolinhas com a mão comprometida,  pois esses exercícios fortalecem a musculatura  flexora que é padrão no paciente com AVC;
• Não excluir o paciente afásico da conversação ou responder por ele; manter orações curtas e  simples, sem muita informação; proporcionar  tempo para o paciente responder e trocar de  assunto; organizar as perguntas de forma que  elas possam ser respondidas com sim, não, ou alguma outra forma de resposta;
• A dança terapia é um método que fornece estímulos, despertando áreas adormecidas, possibilitando autoconhecimento físico, fazendo  com que os pacientes criem consciência de  ultrapassar seus próprios limites, auxiliando no desenvolvimento do cognitivo, memória,  bem-estar geral, coordenação muscular. Essa  terapia traz grandes benefícios, como diminuição da rigidez muscular, auto-expressão, interação do paciente consigo mesmo e com  os outros, inclusão social e melhorar a qualidade de vida;
• Incentivar o treino em ações bimanuais;
• Manter ambientes bem iluminados, para evitar acidentes domésticos;
• Cuidados com o ombro comprometido durante manipulações, visto que é frequente a dor e a subluxação devido a anatomia da articulação  glenoumeral, que predispõe ao quadro;
• Proporcionar ao paciente ambientes ricos em  estímulos visuais, auditivos e sensitivos;
• Auxílio a deambulação(locomoção, caminhada), quando necessário,  com auxílio de andador, bengala, órtese ou  muleta, de acordo com o quadro do paciente.


Referências Bibliográficas:  

PERLINI, Nara. FARO, Ana Cristina. Cuidar de pessoa incapacitada por acidente vascular cerebral no domicílio: o fazer do cuidador familiar. Revista Esc Enfermagem USP, 2005. Disponível em http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v39n2/05.pdf Acesso em 03/10/2012

PIASSAROLI, Cláudia. Et al. Modelos de Reabilitação Fisioterápica em Pacientes Adultos com Sequelas de AVC Isquêmico. Revista de neurociências, 2012. Disponível emhttp://www.revistaneurociencias.com.br/edicoes/2012/RN2001/revisao%2020%2001/634%20revisao.pdf Acesso em 03/10/2012

PRADO, Wilame. AVC é a doença que mais mata no Brasil. Disponível emhttp://www.odiario.com/blogs/wilameprado/2011/08/30/avc-e-a-doenca-que-mais-mata-no-brasil/ Acesso em 03/10/2012

RODRIGUES, Ubirajara. Avanços Estratégicos: Rede de atenção ao AVC terá reforço de R$ 437 milhões. Disponível emhttp://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/2963/162/rede-de-atencao-ao-avc-tera-reforco-de-r$-437-mi.html Acesso em 03/10/2012

SISSAUDE. Rápido atendimento ao paciente com AVC pode diminuir risco de sequelas. Disponível emhttp://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=15306  Acesso em 03/10/2012
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Derrame Cerebral e engasgos


Pacientes podem apresentar engasgos após derrame


Depois de um derrame o paciente pode apresentar engasgos, um déficit na deglutição chamado de disfagia. A pessoa engole porém de forma errada, o organismo reage para se proteger evitando que o alimento, água caia nos pulmões. O paciente precisa de um acompanhamento fonoaudiológico para aprender exercícios e manobras facilitadoras para engolir sem correr o risco de adquirir  pneumonia broncoaspirativa que pode levar a óbito.
Geralmente o trabalho é iniciado dentro do próprio hospital. Depois poderá dar continuidade no consultório de um fonoaudiólogo e se tem dificuldades de locomoção o atendimento poderá ser domiciliar.

A Manobra de Heimlich
Método pré-hospitalar de eliminar a obstrução das vias aéreas superiores causada por corpo estranho.
 



Teste para verificar a deglutição

  • Engole somente com os lábios fechados?
  • O queixo fica com furinhos quando engole?
  • Faz movimentos com a cabeça para ajudar a engolir?
  • Quando engole, sobram alimentos na boca?
  • Engasga freqüentemente?
  • Coloca a língua entre os dentes?
  • Tem dificuldade de engolir algum alimento? Qual?
Se a resposta for sim para uma ou mais perguntas, procure um fonoaudiólogo!



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Portaria do Ministério da Saúde insere o Fonoaudiólogo no tratamento do AVC

Atendimento aos pacientes com AVC

O Ministério da Saúde (MS) publicou a portaria 665/2012 que regulamenta os critérios de habilitação dos estabelecimentos hospitalares como Centro de Atendimento de Urgência aos Pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com o Art. 6º da Portaria, serão habilitados como Centros de Atendimento de Urgência Tipo II e III os estabelecimentos hospitalares que desempenham o papel de referência para atendimento aos pacientes com AVC e realizem atendimento de forma multiprofissional, com a inclusão de fisioterapia e fonoaudiologia. No tipo II,  deve haver o suporte diário de fonoaudiólogo, e no tipo III, um fonoaudiólogo para cada dez leitos, seis horas por dia.
A alta prevalência do AVC e sua importância como causa de morbidade e mortalidade no Brasil, bem como a necessidade de organização e implementação das Redes de Atenção à Saúde no território nacional estão entre as justificativas apresentadas para elaboração do documento.
“A Fonoaudiologia segue, felizmente, em frente. Consolidando campos de prática, ampliando mercado de trabalho e deixando de ser privilégio das classes economicamente favorecidas”, comemorou a professora Ana Caline Nóbrega, do Núcleo de MO e Disfagia do Departamento de Fonoaudiologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). 


Fonte: Assessoria de Comunicação do CREFONO4.
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Disfagia: reflexos orais, tipos de disfagia, reflexos de proteção

Ótimo livro que indico à profissionais para orientar familiares


Reflexos orais de alimentação


- Reflexo de Procura: também conhecido por reflexo dos quatro pontos cardeais, é 
desencadeado ao tocar os cantos laterais, superior e inferior dos lábios ou bochechas. A 
criança abre a boca, vira a cabeça e move a língua na direção em que ocorreu o estímulo. 
Este reflexo está presente ao nascimento e começa a desaparecer a partir do terceiro e 
quarto mês, quando a criança começa a levar a mão à boca e inicia-se um processo de 
adequação da sensibilidade oral (Cesa et al., 2004).

- Reflexo de Sucção: presente na vida intra uterina, começa a tornar-se voluntário por 
volta dos quatro meses de idade. É uma continuidade do reflexo de procura, após a 
criança introduzir o estímulo em sua cavidade oral, o contato deste com a porção anterior 
da língua, desencadeia um processo de movimentos rítmicos de sucção (Cesa et al., 
2004).

- Reflexo de Deglutição: também presente na vida intra uterina e torna-se voluntário a 
partir do quarto mês, quando há aperfeiçoamento da coordenação com a sucção e a 
respiração (Cesa et al., 2004).

Reflexos orais de proteção a alimentação


- Reflexo de Vômito: está presente ao nascimento e torna-se mais posterior até o sétimo 
mês. Este reflexo permanece  presente na vida adulta, sendo elicitado no recém nascido 
tocando-se na porção anterior da língua (Cesa et al., 2004).


- Reflexo de Mordida: presente ao nascimento e suprimido por volta do sétimo mês com 
o aparecimento da mastigação. Pode ser observado exercendo-se uma pressão no 
rebordo gengival e, como resposta, o recém nascido realiza um movimento rítmico de 
fechar e abrir a mandíbula (Cesa et al., 2004)


Disfagias


A deglutição pode ser prejudicada devido a processos mecânicos que dificultam a 
passagem do bolo, como falta de secreção salivar, fraqueza das estruturas musculares 
responsáveis pela propulsão do alimento ou disfunção na rede neural que coordena e 
controla a deglutição (Filho et al., 2000a).
O termo disfagia refere-se a um sintoma comum de diversas doenças congênitas ou 
adquiridas, permanentes ou transitórias, relacionado a qualquer alteração no ato de 
engolir que dificulte ou impeça e ingestão oral segura, eficiente e confortável (Alves, 
2003).
Portanto, a disfagia caracteriza-se por um distúrbio da deglutição ou qualquer 
dificuldade do trânsito do bolo alimentar da boca ao estômago, associado a complicações, 
tais como: desnutrição, pneumonia aspirativa, penetração laríngea, presença de saliva ou 
restos alimentares no vestíbulo laríngeo antes, durante ou após a deglutição (Rosado et 
al., 2005; Marcolino et al., 2009).Na literatura são apresentadas diferentes formas de classificação das disfagias. 
Para fins didáticos  apresentam-se as classificações relacionadas à três aspectos: à
etiologia, aos comprometimentos das fases da deglutição e ao grau do distúrbio.



Classificação das disfagias segundo a etiologia


- Disfagia induzida por drogas:  é a disfagia desencadeada ou agravada pelo efeito 
colateral de  alguns medicamentos. O efeito das drogas pode afetar o sistema nervoso 
central, sistema nervoso periférico, sistema muscular ou a produção de saliva (Filho et al., 
2000a).
- Disfagia mecânica:  é a disfagia proveniente de alterações estruturais e o controle 
neutral encontra-se preservado. Podem ser decorrentes de câncer ou de seu tratamento, 
traumas, infecções virais, inflamações teciduais, presença de traqueostomia (ASHA, 
2004).
- Disfagia neurogênica: relacionada à alterações do sistema nervoso central ou 
periférico, podendo estar presentes como sequelas de traumatismo cranioencefálico, 
tumor cerebral, paralisia facial, acidente vascular cerebral, doenças degenerativas, entre 
outros (ASHA, 2004).
- Disfagia psicogênica:  decorrente de  quadros ansiosos, depressivos ou mesmo 
conversivos (ASHA, 2004).


Classificação das disfagias segundo as fases da deglutição
- Disfagia oral: ocorre quando há comprometimento das fases preparatória oral e oral. 
Pode estar presente nos casos de dificuldade ou ausência de vedamento labial, problemas 
durante a mastigação, apraxia oral, paralisia unilateral de língua, entre outros (Macedo et 
al., 1998).


- Disfagia faríngea: quando há comprometimento da fase faríngea, como nos casos de 
paralisias faríngeas e/ou laríngeas, ou laringectomias parciais (Macedo et al., 1998).- Disfagia orofaríngea: na maioria dos casos são observadas alterações nas fases oral e 
faríngea, devido à estreita relação entre os eventos de ambas as fases. Ocorre com 
frequência nos casos de ressecções das estruturas da boca e nas doenças neurológicas 
(Macedo et al., 1998).


- Disfagia esofageana: ocorre quando há alterações estruturais no esôfago ou ainda pode 
relacionar-se à esofagite ou refluxo gastroesofágico (RGE) causando alterações e 
modificações na fase esofágica da deglutição (Filho et al., 2000a).


Classificação das disfagias segundo o grau de comprometimento
- Disfagia leve: ocorre quando o controle e transporte do bolo alimentar estão atrasados e 
lentos, sem sinais de penetração laríngea na ausculta cervical. É esperado que o paciente 
adquira compensações para as dificuldades em pelo menos uma consistência e que 
mantenha a alimentação por via oral (Jesus, 2008).


- Disfagia moderada: o paciente apresenta comprometimentos semelhantes à disfagia 
leve, porém observam-se sinais de penetração laríngea e risco de aspiração na ausculta 
cervical para duas consistências.  O paciente necessita de manobras facilitadoras para 
minimizar os riscos de aspiração e, dependendo do estado de saúde, a alimentação pode 
ocorrer por via mista (oral e alternativa) ou exclusivamente por via alternativa (Jesus, 
2008).


- Disfagia severa: caracteriza-se por presença de aspiração substancial com sinais de 
alteração respiratória e  ausência ou falha da deglutição completa do bolo alimentar,
impossibilitando a alimentação por via oral (Jesus, 2008).


Sinais e sintomas da disfagia


Os comprometimentos da fase oral caracterizam-se por alterações no vedamento 
labial, mobilidade da  língua, mastigação, reflexos orais, fechamento velofaríngeo e na 
percepção sensorial gustativa, de temperatura e textura do alimento (Pilz, 1999).Os pacientes com alterações na fase faríngea apresentam engasgo, tosse, náusea, 
regurgitação nasal ou dificuldade respiratória por aspiração. Esses sintomas são 
provocados pelo atraso ou ausência no reflexo de deglutição, incoordenação no 
fechamento do EES, redução na contração da musculatura da laringe, alteração na 
elevação e fechamento da laringe (Pilz, 1999).
A disfagia esofagiana pode ser decorrente de alterações estruturais do esôfago, 
esofagite e RGE. As principais queixas são de dor ao deglutir (odinofagia), dor torácica, 
sensação de pressão durante a passagem do alimento, vômito e regurgitação do alimento
(Pilz, 1999).
A entrada de alimento ou secreção na laringe em região subglótica denomina-se 
aspiração e caracteriza-se como um dos principais indicativos de disfagia e um grave 
sintoma, pois dependendo do estado de saúde geral do paciente, da quantidade e
frequência da aspiração pode provocar alterações respiratórias, como pneumonia (Pilz, 
1999).
Há três mecanismos que protegem os pulmões contra a aspiração. São eles: tosse, 
fechamento laríngeo e deglutição. Se algum desses mecanismos falhar ainda há a 
possibilidade de eliminar o material aspirado por meio da ação ciliar  das células da 
traquéia (Pilz, 1999).
A disfagia pode gerar complicações secundárias que devem ser diagnosticadas 
precocemente, pois indicam o agravamento clínico e podem levar o paciente ao óbito. A 
modificação do nível de consciência, a desidratação, a desnutrição e a pneumonia 
constituem esses sinais clínicos secundários (Filho et al., 2000a). 
O acúmulo de secreção provocado por aspiração maciça, redução da sensibilidade 
laríngea ou da força muscular  dos músculos respiratórios pode comprometer o  sistema 
nervoso central, reduzindo o nível de alerta e, consequentemente, o nível de consciência 
(Filho et al., 2000a).
A desidratação e a desnutrição podem se manifestar quando o preparo,  o volume, 
as vias de introdução da dieta e a distribuição de nutrientes não estão adequados para o 
paciente disfágico (Filho et al., 2000a).

Na criança, os sintomas clínicos da disfagia podem gerar aversão para comer 
determinados alimentos, aumento do tempo gasto na alimentação e ingestão de dieta 
especial (Aurélio et al., 2002).
Cabe ressaltar também outros sintomas da disfagia, como o esforço ao engolir e a 
ejeção oral comprometida, que podem decorrer de alterações na mastigação, dificultando
a trituração do alimento (Marchesan, 2003a).
A aspiração pode trazer complicações clínicas, tais como pneumonias bacterianas 
de repetição, e dependendo do volume e da constância da aspiração, causar desidratação 
e desnutrição. Contudo, a aspiração pode apresentar-se com uma discreta sintomatologia, 
envolvendo ausência ou diminuição do reflexo de tosse. Quando isso ocorre, a aspiração 
traqueal pode ocorrer silenciosamente, como consequência da diminuição da sensibilidade 
laríngea. A aspiração silenciosa é definida como a penetração de saliva ou alimento 
abaixo do nível das pregas vocais, sem sintomas de tosse, engasgo ou qualquer indicativo 
de dificuldade de deglutição (Curado et al., 2005). 
Outros sinais frequentes são: pigarro frequente, modificação da qualidade vocal 
após alimentação, recusa alimentar, necessidade de ingestão de líquido  durante a 
alimentação de sólido e isolamento social (Cola et al., 2008; Marcolino et al., 2009).

Fonte: http://www.medicina.ufmg.br/fon/arquivos/monografias/20091/2/priscilapimentel_tcc_fono_2009.pdf
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NIH Stroke Scale International - Escala Internacional de AVC


A escala internacional de acidente vascular cerebral (AVC) do National Institute of Health (NIHSS Internacional) é uma iniciativa de entidades nacionais e internacionais públicas, assim como privadas e académicas. Estas organizações dedicam-se à promoção da melhoria da prestação de cuidados de saúde ao doente com AVC.
*A escala de AVC do NIH (NIHSS) é um instrumento de uso sistemático que permite uma avaliação quantitativa dos défices neurológicos relacionados com o AVC. Esta escala foi inicialmente desenhada como instrumento de investigação, para medir o estado neurológico inicial nos ensaios clínicos da fase aguda do AVC. Actualmente, a escala é utilizada generalizadamente na valorização do carácter agudo do AVC, na determinação do tratamento mais apropriado e na previsão do prognóstico do doente.

A NIHSS pode então ser usada como instrumento de avaliação clínica para documentar o estado neurológico no doente com AVC agudo. Esta escala é válida para prever o tamanho da lesão e a gravidade do AVC. A NIHSS tem revelado valor prognóstico, tanto a curto como a longo prazo, nos doentes com AVC. Adicionalmente, a escala serve para monitorizar o estado do doente, útil no planeamento dos cuidados, e permite uma linguagem comum para troca de informações entre os profissionais de saúde. A NIHSS foi desenvolvida para ser um instrumento simples, válido e fiável, que pode ser aplicado à cabeceira do doente de forma consistente por médicos, enfermeiros ou terapeutas.*
**A NIHSS é uma escala com 15 itens de exame neurológico para avaliação do efeito do AVC agudo no nível de consciência, linguagem, negligência, perda de campo visual, movimentos oculares, força muscular, ataxia, disartria e perda sensitiva. Um observador treinado classifica a capacidade do doente para responder a questões e efectuar manobras. Cada item classifica-se em 3 a 5 graus, correspondendo 0 a normal; há a hipótese de itens não testáveis. A avaliação completa de um doente requer menos de 10 minutos.

A determinação da gravidade do AVC depende da capacidade do observador para avaliar o doente de forma fiável e consistente.**

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