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Laserterapia e Fonoaudiologia


A laserterapia é uma tecnologia não térmica, que ativa e potencializa a atividade celular provocando reações orgânicas (biológicas) e ocasionando uma melhora sistêmica no organismo. Ela já vem sendo usada por diversos profissionais com o objeto de fornecer ao organismo energia para promover mudanças bioquímicas no meio intracelular e promover a ativação de enzimas antioxidantes, permitindo que o organismo retome sua homeostase (equilíbrio) e seu bom funcionamento.

O Conselho Federal de Fonoaudiologia – CFFa por meio da Resolução CFFa n° 541 de 15 de março de 2019, dispõe sobre o uso do recurso de Laser de Baixa Intensidade – LBI por fonoaudiólogos. A resolução garante aos profissionais o uso desse recurso somente para fins fonoaudiológicos, podendo ser aplicados nas áreas de atuação relacionadas à Motricidade Orofacial, Fala, Disfagia e Voz. O fonoaudiólogo é responsável por selecionar os parâmetros dosimétricos mais adequados para cada paciente, de acordo com a necessidade clínica e o modelo do equipamento utilizado.

Na Fonoaudiologia, o laser usado é o vermelho e o infravermelho de baixa potência, pois tem como benefício o treino muscular e acelera o ganho de força, melhorando o desempenho dos músculos durante a execução de diversas funções, como a fala. Além disso, melhora o fluxo salivar tanto em pacientes com xerostomia (falta de saliva) como na inibição da produção nos quadros onde há sialorreia (excesso de saliva).

Dessa forma, a laserterapia é uma tecnologia complementar aos exercícios fonoaudiológicos que auxilia principalmente as crianças com paralisia cerebral que apresentam alterações de tônus muscular dos músculos orofaciais, nas funções da mastigação, sialorreia e disfagia (alterações na mastigação, deglutição e broncoaspiração).

É indicado também nos casos de paralisia facial, fono estética, respirador oral, disfunção temporomandibular (DTM), apnéia do sono, disfagia, nas fissuras de mama em decorrência do aleitamento materno (pega errada) entre outros. Pacientes neurológicos, em doenças autoimunes onde haja comprometimento do neurônio motor (EM, ELA, Guillain-Barré, AVE, TCE, entre outras.)

Um outro recurso utilizado na terapia com o laser é o ILIB (Intravascular Laser Irradiation of Blood), método que consiste na irradiação vermelha intravascular no sangue. É realizado através de uma pulseira específica colocada na artéria radial no punho. Tem efeito antioxidante sistêmico (melhora o funcionamento de todos os órgãos), imunomodulador (melhora da imunidade), controle de inflamações, melhora da qualidade do sono e do sistema respiratório.

O número de sessões de laserterapia é feito conforme indicação fonoaudiológica e frequência do paciente. O recurso deve estar sempre associado à fonoterapia, sendo usado de forma complementar. Procure um fonoaudiólogo habilitado para fazer esse procedimento.

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Deglutição e Pares Cranianos


Qual é o controle neurológico nas Fases da Deglutição?


Nas 4 fases da deglutição, são envolvidas muitas estruturas, tanto moles como duras. Para compreendermos melhor estas fases, discorreremos sobre a anatomia de algumas estruturas que realizam ou participam da deglutição.


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As estruturas duras são os ossos: hióide, esfenóide, mandíbula e vértebras cervicais.


Os músculos e outros tecidos importantes são: a orofaringe, músculos constritores faríngeos, palato mole, língua – genioglosso, hioglosso e estiloglosso, epiglote, esôfago, cartilagens cricóide e tireóide, e os músculos do pescoço.


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Os nervos encefálicos são:


Trigêmeo V (motor e sensitivo)


Facial VII (motor e sensitivo)


Glossofaríngeo IX (motor e sensitivo)


Vago X (motor e sensitivo)


Hipoglosso XII (motor) e Spinal – Cervical (motor)


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Se considerarmos que o pescoço necessita estar bem posicionado para uma deglutição harmoniosa, poderíamos também incluir o nervo Acessório XI.


O controle neurológico da deglutição foi estudado através de: eletromiografias, estudo de

lesões no sistema nervoso central e periférico, remoção de músculos específicos e também por estimulação elétrica (Miller, 1986).  O controle neurológico da deglutição envolve 4 grandes componentes (Dodds, 1989; Dodds, Stewart, & Logemann, 1990):


1. fibras sensoriais aferentes contidas nos nervos encefálicos,

2. fibras cerebrais, do mesencéfalo e cerebelares que fazem sinapse com os centros da

deglutição no tronco cerebral,

3. os pares centrais da deglutição no tronco cerebral, e

4. as fibras motoras eferentes contidas nos nervos encefálicos.


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Visualizando a Fase Oral


Sensorial                                                                                                   Motor


V (forma e textura)                                    BOCA                                          VII


VII e IX (paladar)                                       LÍNGUA                                         XII


V (posição da ATM)                               MANDÍBULA                                     V


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Controle Motor da Fase Oral


Músculos da mastigação – ramo mandibular V-3


Esfíncter do lábio e os músculos da face – VII


Língua:       Músculos intrínsecos – XII


                   Músculos extrínsecos – Alça Cervical C1 – C2


                   Palatoglosso – X


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Visualizando a Fase Faríngea


Sensorial                                                                                                      Motor


V e IX                                                      PALATO                                     V, VII, IX e X


IX                                                             LÍNGUA                                       V, VII e XII


V e X                                                      FARINGE                                        IX e X


X                                                             LARINGE                                       IX e X


                                                       CRICOFARÍNGEO                                   X7


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Sequência motora da Fase Faríngea 


Movimento da língua para trás em direção ao palato mole: V, VII e XIIMovimento do palato mole em direção à língua: VElevação palatal e constrição da parede posterior da faringe: V, IX e XElevação do hióide e da língua: VII, XII e segmento espinal C1-3A epiglote desce e a laringe eleva: IX e XAção dos constritores faríngeos: IX e XAbertura do esfíncter cricofaríngeo: XApós a deglutição o palato mole retorna a posição de repouso: VA língua retorna para a posição de repouso: XII e C1-3A laringe reabre e desce: IX, X e C1-3


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       Visualizando a Fase Esofágica


Sensorial                                                                                                                Motor


X (nervo laringeal superior)                 Esfíncter esofageal superior                              X


X (nervo laringeal recorrente)                       Esôfago inferior                                        X


X (ramos torácicos)                              Esfíncter esofageal inferior                              X





Bibliografia


http://www.fag.edu.br/professores/karin/Fonoaudiologia/Morfofisiologia%20da%20Comunica%E7%E3o/Degluti%E7%E3o%20normal.pdf


Irene Marchesan http://www.cefac.br/library/artigos/dc2765f95e3b4e862958ce113e332880.pdf


Erica Sitta


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Ronco, Apnéia e Fonoaudiologia.



 A fonoaudiologia e o sono possuem uma relação mais antiga do que se conhece. Desde o final da década de 90 e início dos anos 2000, os profissionais da área de motricidade orofacial, já observavam a relação entre as alterações das estruturas e funções do sistema estomatognático nos indivíduos roncadores e com apneia obstrutiva do sono. Alguns trabalhos publicados nesta época já citavam alterações como: aumento do volume lingual tanto lateralmente como longitudinalmente, aumento da altura do dorso de língua e denteamento de suas bordas, véu palatino e úvula alongados, hiperemiados e edemaciados além de alterações funcionais da mastigação e da deglutição. Entretanto, somente a partir de 2009, com um trabalho publicado na American Journal of Respiratory and Critical Care intitulado “Efeitos dos exercícios orofaríngeos em pacientes com apneia obstrutiva do sono moderada”, com grande repercussão internacional que a fonoaudiologia se consagrou como uma possibilidade de tratamento em pacientes com apneia obstrutiva do sono.

O estudo, realizado no Instituto do coração da Universidade de São Paulo (INCOR) divulgou a primeira evidência científica sobre a eficácia de um programa de exercícios fonoaudiológicos em pacientes com AOS moderada. Dentre eles, uma redução de 40% no IAH, aumento significativo da saturação periférica de oxigênio noturna, redução significativa na medida da circunferência cervical e melhoras significativas das escalas de sonolência diurna de Epworth, do questionário de ronco de Berlim e da qualidade de sono de Pittsburgh.


De lá para cá, muitos outros estudos foram desenvolvidos e além dos benefícios descritos no trabalho citado, já se sabe que os programas de exercícios fonoaudiológicos são capazes de reduzir a frequência do ronco em 36%  e a sua intensidade em até 59%, reduzir o índice de despertares, promover o aumento da força da língua e reduzir seu o volume e quantidade de gordura e promover um aumento de 30% para 65% na adesão ao tratamento por CPAP.  Além disso, existe um relato de dois casos de indivíduos com apneia obstrutiva do sono grave que após a terapia miofuncional orofacial houve a normalização do IAH em um deles e a redução para o grau leve no outro. Cabe comentar que neste segundo caso, houve um ganho de peso durante o tratamento. Embora esse estudo seja apenas um relato de casos, os dados chamam a atenção para dois pontos: o primeiro, é a eficácia que um programa terapêutico individualizado pode oferecer para cada paciente que pode oferecer melhoras ainda mais significativas aos dos programas já descritos na literatura. O segundo, é o fato de que a terapia miofuncional orofacial é capaz de promover melhoras significativas, mesmo mediante a ganho de peso. Este estudo também demonstrou melhoras importantes em todos os parâmetros de saturação periférica de oxigênio noturna. Por outro lado não são todos os pacientes com AOS grave que obterão esse tipo de resultado e faltam pesquisas com um maior número de indivíduos que demonstrem esse tipo de melhora em pacientes com AOS grave.

A boa notícia é que não para por aí. A fonoaudiologia do sono está em expansão. Além da motricidade orofacial, outras especialidades têm realizado estudos sobre a relação entre a apneia obstrutiva do sono e suas áreas de atuação. Nos dois últimos simpósios de fonoaudiologia do sono, foram apresentados trabalhos que demonstraram que indivíduos com apneia obstrutiva do sono apresentam alterações vocais, de deglutição, piora da gagueira, prejuízo no desenvolvimento processamento auditivo central e limitação na evolução de tarefas de linguagem em idosos. O que amplia o entendimento a respeito das consequências da AOS nos indivíduos.

Embora já tenhamos evidências científicas relevantes, cabe dizer que a prática clínica é ainda mais ampla. Nem sempre chegam casos redondos, condizentes com o perfil dos pacientes incluídos nos estudos citados. Atualmente, tenho recebido uma demanda de pacientes que estavam bem adaptados por anos ao CPAP e queixam o início de uma dificuldade no seu uso. Referem que há uma “briga” com o aparelho e manifestam desejo de abandonar seu uso. Em sua maioria, meia idade e idosos. Quando avalio estes pacientes observo um prejuízo muscular não só trazido pela idade como alterações funcionais de mastigação e deglutição que acabam atrapalhando a manutenção do fechamento da cavidade oral durante o sono causando fuga, despertares recorrentes por boca seca e uma baita sonolência no dia seguinte. O foco do trabalho fonoaudiológico nestes casos, é entender a dificuldade do paciente e trabalhar a musculatura para que o mesmo volte a ficar bem adaptado no CPAP, que é o tratamento padrão ouro.


Além disso, existem os pacientes que não aceitaram ou não se adaptaram ao CPAP ou ao aparelho intra oral e os que não estão dispostos a se submeterem à cirurgia. A fonoaudiologia é uma excelente alternativa para estes casos e oferece ótimos resultados incluindo melhoras expressivas no IAH, redução do grau de severidade, dos índices de saturação noturnos, dos despertares e microdespertares e redução dos eventos de apneia obstrutiva. Por outro lado, também existem os casos onde a cirurgia foi feita ou o paciente já faz uso de AIO, mas têm melhores resultados quando associados à terapia fonoaudiológica, chegando a eliminar a apneia residual.

Antes de finalizar, gostaria de citar um papel ainda pouco conhecido que o fonoaudiólogo do sono vem desempenhando na sua prática clínica: a identificação dos pacientes com AOS. Através da nossa avaliação identificamos um “perfil de roncador” em alguns indivíduos que chegam à clínica por outros motivos que não o sono, como por exemplo disfunção têmporo mandibular, disfonia ou disfagia. Nestes casos, as informações são passadas ao profissional responsável pelo caso, que solicita o exame de polissonografia e o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono é realizado. Isso é maravilhoso tendo em vista que a AOS é uma doença de alta prevalência, porém subdiagnosticada. Desde que comecei a atuar na área de medicina do sono, ajudei a identificar a apneia obstrutiva do sono em quase 100% dos pacientes idosos saudáveis ou com disfagia grave que me procuraram e sequer fizeram queixas do sono. Alguns inclusive já com quadros de sonolência excessiva diurna, declínio cognitivo e/ou início de quadros de hipertensão arterial.

Finalmente, gostaria de lembrar que a apneia obstrutiva do sono é uma doença multifatorial. Alguns indivíduos conseguem reunir mais de um fator de risco para sua ocorrência. O sucesso terapêutico destes indivíduos muitas vezes se encontrará na combinação de dois ou mais tratamentos disponíveis e que deverão ser escolhidos e combinados com base na individualidade de cada caso. Seja lá quais forem eles, uma coisa é certa: havendo distúrbios miofuncionais, a associação do trabalho fonoaudiológico pode ser a peça chave para o sucesso do tratamento.




Fonte:https://www.biologix.com.br/2020/07/28/fonoaudiologia-ronco-e-apneia-obstrutiva-do-sono/

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Disfagia em Pacientes Oncológicos

 

  • Disfagia é um evento muito comum nos pacientes com câncer de cabeça e pescoço

A deglutição é definida como o transporte de saliva, líquidos ou alimentos da boca até o estômago. A deglutição envolve as mesmas estruturas e os mesmos órgãos da fala, como por exemplo, lábios, língua, dentes, laringe, faringe.

Podemos compreender a deglutição em algumas fases. A fase antecipatória, que antecede a alimentação, é a escolha do alimento, cheiro, cores e temperatura que favorece a preparação da boca para receber o alimento. A fase oral captura e manipulação do bolo alimentar. Fase faríngea é passagem do alimento da boca ao esôfago. E a última fase é a esofágica, que envolve a movimentação da musculatura do esôfago e transporte do bolo ao estômago.

Qualquer alteração ou dificuldade neste processo é chamada de Disfagia. Atualmente a disfagia é considerada uma doença, pois apresentam variadas causas, inúmeros sintomas e podem levar a outras complicações sérias como a desnutrição, desidratação, pneumonia e até a morte.

A inabilidade ou dificuldade de deglutir saliva, líquidos ou alimentos ocorre por fatores neurológicos, por exemplo, após AVCs (acidente vascular cerebral), fatores mecânicos, como presença de traqueostomia, uso prolongado de sonda de alimentação, após o tratamento do câncer e demais fatores, inclusive causas ainda desconhecidas.

O paciente pode apresentar desde sintomas leves a graves. Como exemplo, podemos citar: dificuldade para mastigar alguns tipos de alimento, demora durante a alimentação, sensação de alimento parado na “garganta”, saída de líquidos pelo nariz tosse ou engasgos, até falta de ar ao se alimentar.

Algumas vezes a disfagia pode ser silenciosa e não apresentar nenhum sintoma, dificultando o diagnóstico e a procura por tratamento adequado. É extremamente importante estarmos atentos a nossa alimentação e de nossos familiares, em caso de dúvidas procurarem atendimento médico e fonoaudiológico. Só profissionais especializados na deglutição e suas alterações podem realizar uma correta avaliação, um diagnóstico preciso e o tratamento adequado.

Disfagia e Qualidade de Vida

Segundo a Organização Mundial da Saúde qualidade de vida é a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações, satisfação no trabalho, na vida familiar, social e condições ambientais. Ou seja, a qualidade de vida é definida pelo próprio sujeito. O que pode favorecer a qualidade de vida de um paciente não necessariamente também favorece outro paciente, mesmo que estes apresentem a mesma doença.

O conceito de saúde é amplo, ter saúde não é meramente a ausência de doença e sim apresentar qualidade de vida. A perspectiva a ser avaliada, o ponto de vista a ser considerado quando se fala em qualidade de vida deverá ser sempre o do paciente. Desta forma, é imperativo que o próprio doente avalie geralmente através de questionários sua qualidade de vida frente à doença que este apresenta.

Qualquer alteração na deglutição que impeça uma alimentação segura, eficiente e confortável é definida como disfagia. Ela pode trazer limitações funcionais e complicações importantes, como entrada de alimento em via aérea (laringe, traquéia e pulmões), pneumonia e desnutrição, interferindo na qualidade de vida.
Quando se fala em qualidade de vida em disfagia vários aspectos do dia-a-dia podem estar comprometidos, assim como interferências na parte física, emocional, psicológica afetando inclusive o convívio social do indivíduo.

Muitos indivíduos que apresentam disfagia demonstram dificuldade em vários aspectos da sua vida. Sentem que lidar com o problema da alimentação é muito difícil, muitas vezes já não sentem o mesmo desejo de comer a comida preferida como faziam antes, referem que há demora em se alimentar e que a comida esfria no prato, não conseguem selecionar os alimentos que podem comer, pois sentem dificuldades tanto com líquidos quanto com sólidos, muitas vezes sentem medo de se alimentar, resolvem não sair mais de casa para almoçar/jantar fora com amigos ou familiares, isolam-se dentro da própria casa, sentem-se desanimados e a alimentação que deveria ter função social, de descontração é perdida e já não há mais prazer em se alimentar.

É importante conhecer a visão do paciente que apresenta dificuldade de engolir (deglutir), pois só assim poderemos entender como estes indivíduos vivem sua dificuldade durante sua alimentação, desta forma auxiliá-los mais breve possível em seu correto tratamento.


Fonte: oncofisio.com

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A importância da fala no processo de alfabetização


Leandra Falcão
Fonoaudióloga e Psicopedagoga 
Especialista em Linguagem e Alfabetização 
Pós graduanda em Análise do Comportamento 


O processo de alfabetização é uma fase complexa e muito importante no desenvolvimento infantil, envolvendo vários outros momentos vividos e experiências adquiridas pelo bebê desde o nascimento. O aprendizado da alfabetização se baseia muito na oralidade, ou seja, em como falamos os sons da fala. A utilização dos fonemas e sons será associado aos elementos visuais. Oriento os pais, que articulem corretamente as palavras e estimulem seus filhos a visualizarem o gesto articulatório, ou seja, o movimento que a boca faz ao produzir os sons que compõem nossa fala.

A aquisição de todos os fonemas da fala deve acontecer até os 4 anos de idade. A partir dessa idade é muito importante que a criança esteja falando tudo bem certinho, caso contrário, ela pode criar o hábito cada vez mais forte de falar errado e pode ouvir errado aquilo que é falado e reproduzir na fase da alfabetização. Daí podem surgir prejuízos porque o pequeno que fala errado porque escuta errado, vai se apoiar na oralidade sem perceber que está fazendo errado.

Por que alguns pequenos falam errado e como isso impacta no processo de alfabetização?

Quando a criança fala errado, existem duas possibilidades para que isso aconteça, ou não consegue falar certinho porque não consegue articular e produzir o som da maneira correta ou é porque ela não escuta determinado som corretamente e acaba reproduzindo da forma como escuta. Em alguns casos acontecem as duas coisas e as chances de ter prejuízos na alfabetização são ainda mais altas. As trocas mais comuns em casos que envolvem a percepção auditiva são p/b, t/d, f/v, x/j, etc.

Isso acontece porque esses sons têm o mesmo ponto articulatório e se diferenciam somente pela sonoridade (vibração na prega vocal) e algumas crianças não conseguem perceber essa diferença, por isso geralmente são as letrinhas mais trocadas na escrita. Por exemplo, se a criança fala “faca” ao invés de “vaca” porque ela troca a letrinha f por v, ela provavelmente vai escrever errado, da mesma forma como fala.

Alguns fatores como respirar muito pela boca, bebês com muita alergia, rinite e sinusite podem causar esses prejuízos na audição que podem virar, lá na frente, falhas na alfabetização. O uso prolongado de bicos artificiais (chupetas e mamadeira), também comprometerão o desenvolvimento correto para a articulação da fala. Importante ressaltar que a retirada dos bicos artificiais devem ocorrer até o segundo ano de vida, a fim de não comprometer esse processo da aprendizagem da fala. Dessa forma é importante procurar um fonoaudiólogo especializado para identificar na avaliação de onde vem essa troca na fala  e assim direcionar melhor a intervenção e conseguir um tratamento eficaz.

Imagens autorizadas



*Ao repostar dê os devidos créditos.




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Dificuldades para engolir? Pode ser Disfagia!!!

 Dificuldades para engolir? Pode ser Disfagia!!!

 Dificuldades para engolir podem estar associadas a doenças graves ou apenas ao processo de envelhecimento, mas em ambos os casos há necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre o que está acontecendo, porque é possível tomar providências para corrigir ou atenuar o problema.


 O que é a disfagia e quais são suas causas mais frequentes?

 Disfagia é uma dificuldade na sequência dos movimentos da boca até o estômago ao engolir alimento, líquido, comprimido, ou mesmo a saliva. E isso pode acontecer por problema neurológico, câncer, algum trauma em região de cabeça e pescoço, transtorno emocional, próteses dentárias mal adaptadas e no idoso devido ao próprio envelhecimento. 


 Por que é comum que os idosos se engasguem, mesmo que não tenham uma doença grave? Quais os riscos?

 Se as pessoas idosas engasgam, alguma coisa está errada, e elas devem ser avaliadas por profissional especialista na área. Com o processo do envelhecimento, o indivíduo fica propenso a perder massa muscular, consequentemente perde força na musculatura responsável pela deglutição. O engasgo é como um aviso ao corpo: "Opa! Alguma coisa não está descendo certo!". Aí vêm as tosses ou espirros para proteger as vias respiratórias. Os riscos estão relacionados ao comprometimento de vias respiratórias, levando a pneumonias ou outras complicações.


 De que forma a fonoaudiologia pode prevenir ou corrigir o problema?

 É importante fazer uma avaliação detalhada dos órgãos fonoarticulatórios, que são as mesmas estruturas da fala e da deglutição, assim como da funcionalidade dessas estruturas, responsáveis pela respiração, fonação, articulação, mastigação, deglutição. Após a avaliação é traçado um plano de tratamento para o restabelecimento da função de deglutição, minimizando riscos de complicações respiratórias. Muitas vezes são necessários ajustes nas consistências alimentares, ou seja, mudanças na “grossura” do que a pessoa come, associados aos exercícios de motricidade oral.





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Alfabetização em época de Pandemia!!!


 Como os pais podem ajudar seus filhos nesse processo de aprendizagem? Compartilhe essa informação!!!

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Vídeo sobre Apraxia verbal de Fala na Infância - AFI



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Dia 14 de maio - Dia da Conscientização da Apraxia de Fala na Infância AFI

 Atraso na Fala? Pode ser Apraxia de Fala.

Conscientização da Apraxia de Fala na Infância - 14 de maio.
Quando uma criança apresenta um “atraso na fala” é importante investigar e buscar ajuda. Infelizmente, aqui no Brasil, as orientações: “ah espera! com o tempo ele vai falar, ele deve estar acomodado ou é falta de estímulos!” ainda predominam para muitos casos. Até profissionais orientam os pais dessa forma.
Demorar para falar ou falar pouco pode ocorrer por vários motivos, como por exemplo: devido perda auditiva, por falta de estímulos, por algum problema genético, pode ser um sinal de Autismo, pode ser um sinal de Deficiência Intelectual, pode ser um Distúrbio Específico de Linguagem (DEL) ou ainda, pode ser que essa criança tenha uma Apraxia de Fala.
Você já ouviu falar em Apraxia de Fala em crianças?
Aqui no Brasil, esse diagnóstico é pouco divulgado e pouco conhecido pelos profissionais.
Seguindo a recomendação da Associação Norte Americana de Apraxia de Fala na Infância (CASANA) e me baseando nos materiais por eles fornecidos, decidi participar deste DIA DE CONSCIENTIZAÇÃO.
O que é Apraxia de Fala?
É um distúrbio neurológico que afeta a produção motora da fala. Afeta a capacidade da criança em produzir os sons da fala, de sequencializar esses sons para formação de sílabas e palavras.
Falar é uma habilidade altamente complexa e que depende de vários fatores. Crianças com Apraxia apresentam muita dificuldade para planejar, programar e executar os movimentos dos lábios, língua, mandíbula, para produzir os sons da fala.
Por exemplo, para produzir o som do P juntamos os dois lábios, para produzir o som do F o lábio inferior fica em contato com os dentes superiores. Para uma criança com Apraxia, planejar esses movimentos é uma tarefa muito difícil ou a criança pode conseguir fazer de forma isolada mas não consegue sequencializar os movimentos para formar uma palavra.
Existem algumas características da Apraxia e que nos ajudam a diferenciá-la de outros tipos de atrasos e distúrbios da fala e da linguagem.
Quais são os principais sinais? Quando suspeitar de uma Apraxia de Fala?
Todos ou alguns desses sinais poderão estão presentes:Quando bebês, geralmente são mais quietinhos, balbuciam pouco;Crianças pequenas que não falam ou falam muito pouco.Dificuldade para produzir vogais e consoantes (crianças com limitado repertório de sons);Crianças que falam usando apenas vogais. Por exemplo, fala “ao” para pato ou que fala apenas uma sílaba da palavra.Palavras monossílabas são mais fáceis (a criança pode falar “boi” mas não consegue falar “boca”).Pode ocorrer perdas de palavras previamente faladas (alguns pais, relatam, “ele falou “bola” uma vez e nunca mais falou”).Crianças que usam muitos gestos (como não conseguem se comunicar verbalmente, passam a usar gestos). Os pais percebem que os gestos ocorrem para substituir a fala;Entonação diferente, com pouco variação, pouca melodia na fala, acentuação inadequada. Também pode ser observada, em alguns casos, uma fala mais lentificada.Crianças mais velhas (4/5 anos): fala ininteligível (falam, mas com muitas trocas, até mesmo os pais têm dificuldade para entendê-los).Crianças que tem dificuldade na movimentação de lábios (não consegue fazer bico, ou mandar um beijinho, por ex.), com dificuldade para movimentar a língua (para fora, para cima, para os lados, estalar a língua); não consegue encher as bochechas com ar; podem não conseguir tomar no canudinho; sopro fraco. A criança pode ter dificuldade para fazer movimentos isolados e principalmente para sequencializar esses movimentos. Olhando para a boca da criança, os pais observam que é uma “boca que se movimenta pouco”. Alguns pais relatam: “tenho a impressão que a boca dele não funciona muito bem”.Algumas crianças com Apraxia podem ter dificuldades para se alimentar. Não mastigam direito, preferem consistências mais pastosas ou engolem pedaços inteiros sem mastigar bem. Não coordenam os movimentos, às vezes, ficam o alimento na boca por mais tempo, demonstram não saber o que fazer com o alimento;Algumas crianças podem ter dificuldade para controlar a saliva (babam – sialorréia);Podem ter pobre coordenação motora global e fina. Crianças desajeitadas, às vezes, “estabanadas”;Crianças que já fazem Terapia Fonoaudiológica e que os pais não estão percebendo melhoras, não progridem;A Apraxia de Fala é considerado um diagnóstico complexo na Fonoaudiologia, e que necessita de tratamento intensivo e a longo prazo. Não se trata de um “simples atraso na fala”.Como Ajudar?
1. Crianças pequenas que não falam ou que falam pouco, os pais devem procurar uma Fonoaudióloga que tenha experiência, na área de Linguagem Infantil, para uma Avaliação da Fala e da Linguagem.
2. Aos 2 anos já é possível suspeitar de um quadro de Apraxia, que poderá ser confirmado no decorrer das terapias (há indicação de Terapia Diagnóstica). A partir dos 3 anos de idade, a criança já pode ter condições de realizar tarefas específicas e que ajudarão no diagnóstico. O importante é que mesmo que haja uma suspeita, a terapia Fonoaudiológica já poderá ser direcionada. A intervenção precoce nos distúrbios de fala e de linguagem são essenciais.
3. Crianças que já estão em Terapia Fonoaudiológica e que não estão progredindo de forma significativa, é preciso ficar atentos e o diagnóstico de Apraxia deverá ser considerado.
4. Com terapia individual, intensiva (média de 2 a 3 sessões por semana), o Fonoaudiólogo poderá oferecer à criança, práticas de planejamento, programação e produção dos movimentos da fala. A terapia deve ser agradável à criança.
5. Os pais, cuidadores e professores devem ser orientados e receberem apoios de como ajudar.
O que realmente é importante?
Com terapia adequada e suporte da família e da escola, crianças com Apraxia poderão ter evoluções e irão progredir nas suas habilidades de fala.
A gravidade do quadro varia, desde casos mais leves até quadros mais severos, e que podem, necessitar de meios de comunicação alternativa.
Nos quadros mais severos de Apraxia, o desenvolvimento intelectual/cognitivo poderá ser prejudicado. A ausência ou o desenvolvimento alterado da fala poderá afetar o processo de aprendizagem e o rendimento pedagógico.
A intervenção precoce é muito importante e contribui para resultados mais eficazes.
O que uma criança com Apraxia gostaria de falar para nós...Fico nervosa e irritada quando você me pergunta alguma coisa que eu não vou ser capaz de dizer;

Eu tenho a resposta na minha cabeça, mas preciso de mais tempo para eu responder do meu jeito, da melhor forma que eu consigo; Eu gostaria que você soubesse que sou inteligente, apesar de eu não falar bem ainda; Tenho vontade de me esconder quando você me pede para usar as minhas palavras ou para mostrar o que já consigo falar; É assustador pra mim, estar com pessoas novas que não me entendem, que não entendem o que eu preciso ou que eu quero; Me sinto mal quando as crianças dizem que falo de um jeito engraçado;Às vezes, eu uso gestos, aponto para “falar” e mostrar o que eu quero te dizer; Eu me sinto feliz quando você fala que está orgulhoso de mim e que eu estou aprendendo a falar; Eu gostaria que você falasse para as outras crianças que mesmo que eu não fale bem, eu também quero brincar e jogar com eles; Tem momentos, que prefiro ficar sozinha, e não quero ficar repetindo ou falando; Muitas vezes, eu não sei o que fazer quando eu não consigo falar. Eu posso ficar chateada, triste, com raiva, me tornar agressiva, porque é muito difícil para mim. Entenda isso! Tem coisas que eu sei fazer bem e fico feliz quando você percebe isso. Não olhe apenas para a dificuldade que tenho na fala. Posso ter outras habilidades; Preciso do seu amor, da sua paciência, da sua compreensão.
Fonte:atrasonafala.com.br
Leandra Falcão
Fonoaudióloga
Especialista em Linguagem e Fala
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VPPB - Vertigem Posicional Paroxística Benigna e Manobras

 

O que é VPPB?

vertigem postural paroxística benigna (VPPB), descrita pela primeira vez por Barany em 1921, é caracterizada por uma sensação de movimento anormal (vertigem) que é desencadeada por determinadas posições/movimentos. Estas posições desencadeiam um movimento ocular específico designado nistagmo

É o quadro clínico mais comum de vertigem e estima-se que corresponda a cerca de 50% dos doentes com disfunção vestibular periférica e que pelo menos 20% dos pacientes que recorrem a uma consulta por vertigem apresentam VPPB. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais frequente a partir dos 60 anos.

Os canais semicirculares são estruturas que fazem parte do nosso ouvido interno, desempenhando uma função importante no equilíbrio do nosso corpo. Os canais semicirculares existem nas 3 dimensões do espaço e detetam as acelerações angulares da cabeça. A vertigem posicional paroxística benigna é frequentemente atribuída à canalitíase: os cristais de carbonato de cálcio (otocónias) existentes no utrículo “soltam-se” e entram nos canais semicirculares levando a um movimento inapropriado da endolinfa com os movimentos da cabeça (veja imagens superiores). Parece existir também cupulolitíase que ocorre quando as particulas aderem à cupula da crista ampular.

O canal semicircular mais frequentemente envolvido é o canal posterior seguido do canal horizontal e menos frequentemente o canal superior (veja imagens).

Os sintomas são muito incomodativos para o doente e geralmente há boa resposta ao tratamento com as manobras de reposicionamento.

Saiba, de seguida, o que provoca a VPPB.

Causas da VPPB

A causa mais frequente para a VPPB é a idiopática (causas desconhecidas). A segunda causa mais comum são os traumatismos cefálicos. Nos restantes casos a VPPB parece ser um “efeito” de uma série de patologias vestibulares como a doença de Meniére, Nevrite vesibular, Cirurgia de ouvido etc..

Saiba, de seguida, quais são os sintomas da VPPB.

VPPB - sintomas

Os doentes com VPPB apresentam como principal sintoma episódios recorrentes de vertigem com duração de segundos. Os episódios são desencadeados por movimentos específicos da cabeça (olhar para cima, deitar, virar na cama…) A vertigem pode vir acompanhada de náuseas e vómitos.

As queixas auditivas como perda auditiva ou acufeno (“zumbido no ouvido”) estão ausentes bem como outras queixas do foro neurológico. Podem haver queixas de desequilíbrio entre episódios de vertigem.

O tempo de duração de sintomas é variável mas, sem tratamento os episódios de vertigem podem recorrer durante semanas ou meses.

O principal sinal é a resposta positiva às manobras provocatórias que desencadeiam a vertigem e um movimento ocular típico (nistagmo) permitindo identificar o canal semicircular e o ouvido afetado.

Relativamente à intensidade dos sintomas, a VPPB pode variar bastante de caso para caso, até ao ponto de ser suficientemente grave de forma a incapacitar o doente para trabalhar/executar as atividades de vida diária.

É uma patologia que pode causar stress e ansiedade marcadas ao doente devido à intensidade dos sintomas e ao medo de realizar determinados movimentos que podem desencadear a vertigem.

Diagnóstico da VPPB

diagnóstico é feito, habitualmente, pelo médico otorrinolaringologista (especialista em otorrinolaringologia (muitas vezes, abreviada para Otorrino ou ORL), através da história clínica e exame físico do doente.

O diagnóstico é feito em doentes com episódios de vertigem recorrentes e curtos (<1 minuto) que são provocados por determinadas posições da cabeça, e é confirmado pela presença de um nistagmo de características específicas durante a manobra provocadora.

A manobra provocadora mais frequentemente utilizada é a manobra de Dix-Hallpike em que o doente é deitado para trás numa posição específica. Ver imagens.

Os meios auxiliares de diagnóstico (MCDT), apesar de não serem realizados com o objetivo de diagnosticar a VPPB, devem ser efetuados quando necessário para diagnóstico diferencial.

Complicações da VPPB

As principais complicações da VPPB realacionam-se com as manobras de reposicionamento e são:

  • Náuseas e vómitos que podem ser muito intensos;
  • Falha no reposicionamento (o que irá implicar repetir o procedimento e/ou investigar outras causas);
  • Agravamento da vertigem após as manobras (por exemplo quando há entrada dos debris em outros canais semicirculares, quando há dispersão de debris, entre outros).

VPPB tem cura?

A VPPB é tratada com eficácia, na maioria dos casos, com as manobras de reposicionamento. A VPPB e intratável numa minoria de doentes. A taxa de recorrência ronda os 10-25%.

Saiba, de seguida, como tratar a VPPB.

VPPB - tratamento

O tratamento faz-se com as manobras de reposicionamento de partículas realizadas no consultório do médico.

As manobras usadas para o canal semicircular posterior são a manobra de Eppley ou a manobra de Semont. Estas manobras vão permitir que as partículas migrem novamente do canal semicircular para o utrículo. As manobras podem ser repetidas posteriormente, sendo muitas vezes necessário mais que uma sessão para conseguir atingir os resultados desejados. É um procedimento simples e não invasivo, realizado no consultório e que tem uma taxa de sucesso acima de 95%.

Após o reposicionamento, com sucesso, cerca de 37% dos doentes apresentam desequilíbrio ou tontura leve não posicional. Esta ocorre mais frequentemente em idosos ou em doentes com VPPB durante mais de 1 semana antes de iniciar tratamento.

Alguns exercícios para o domicílio (por exemplo, os exercícios de Brandt-Daroff) podem ser realizados, no entanto estes são menos eficazes que as manobras de reposicionamento realizadas em consultório.

A restrição de movimentos da cabeça após as manobras de reposicionamento (com ou sem recurso a colar cervical) pode ser realizada apesar de não haver consenso relativamente ao seu benefício.

Os medicamentos (ou remédios) não têm grande utilidade no tratamento da VPPB. O tratamento medicamentoso só poderá ter interesse se a frequência de episódios de vertigem for muito elevada e com pouco controlo com as manobras de reposicionamento. Nesses casos, a medicação utilizada poderão ser os supressores vestibulares e os anti-eméticos.

A reabilitação vestibular não substitui as manobras de reposicionamento, porém alguns estudos parecem mostrar melhores resultados com a terapêutica combinada, com menos recorrência da doença e menos desequilíbrio após a crise.

A cirurgia (ou operação) é reservada para os casos em que há falha nas manobras de reposicionamento e os sintomas persistem no tempo.

O doente nunca deve, em caso algum, automedicar-se ou tentar fazer qualquer tipo de tratamento caseiro ou natural sem consultar com um profissional experiente. O tratamento farmacológico é utilizado para atenuar os sintomas, porém, não reposicionam os otólitos. Algumas vezes, a medicação mascara a doença, causando falsa impressão de melhora ou cura, por vezes, o paciente para com a medicação e os sintomas reaparecem. Os profissionais envolvidos no tratamento da VPPB são: médicos otoneurologistas, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. 

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Como se constrói a Linguagem na criança?


 


Desde pequenos já existe a comunicação, mas esta não é feita por meio oral. A linguagem é um sistema de símbolos culturais internalizados, e é utilizada com o fim último de comunicação social. Assim como no caso da inteligência e do pensamento, o seu desenvolvimento passa também por períodos até que a criança chegue a utilização de frases e múltiplas palavras.

Ao nascer, a criança não entende o que lhe é dito. Somente aos poucos começa a atribuir um sentido ao que escuta. Do mesmo modo acontece com a produção da linguagem falada. O entendimento e a produção da linguagem falada evoluem.

Existem diferentes tipos de linguagem: a corporal, a falada, a escrita e a gráfica. Para se comunicar a criança utiliza, tanto a linguagem corporal ( mímica, gestos, etc.) como a linguagem falada. Lógico que ela ainda não fala, mas já produz linguagem. Vamos ver como!

O desenvolvimento da linguagem se divide em dois estádios: pré – lingüístico, quando o bebê usa de modo comunicativo os sons, sem palavras ou gramática; e o lingüístico, quando usa palavras.

No estádio pré – lingüístico a criança, de princípio, usa o choro para se comunicar, podendo ser rica em expressão emocional. Logo ao nascer este choro ainda é indiferenciado, porque nem a mãe sabe o que ele significa, mas aos poucos começa a ficar cheio de significados e é possível, pelo menos para a mãe, saber se o bebê está chorando de fome, de cólica, por estar se sentindo desconfortável, por querer colo etc. è importante ressaltar que é a relação do bebê com sua mãe, ou com a pessoa que cuida dele, que lhe dá elementos para compreender seu choro.

Além do choro, a criança começa a produzir o arrulho, que é a emissão de um som gutural, que sai da garganta, que se assemelha ao arrulho dos pombos. O balbucio ocorre de repente, por volta dos 6-10 meses, e caracteriza – se pela produção e repetição de sons de consoantes e vogais como “ma – ma – ma – ma”, que muitas vezes é confundido com a primeira palavra do bebê.

No desenvolvimento da linguagem, os bebês começam imitando casualmente os sons que ouvem, através da ecolalia. Por exemplo: os bebês repetem repetidas vezes os sons como o “da – da – da”, ou “ma – ma – ma – ma”. Por isso as crianças que tem problema de audição, não evoluem para além do balbucio, já que não são capazes de escutar.

Por volta dos 10 meses, os bebês imitam deliberadamente os sons que ouvem, deixando clara a importância da estimulação externa para o desenvolvimento da linguagem. Ao final do primeiro ano, o bebê já tem certa noção de comunicação, uma idéia de referência e um conjunto de sinais para se comunicar com aqueles que cuidam dele.

O estádio lingüístico está pronto para se estabelecer. Sendo assim, contando com a maturação do aparelho fonador da criança e da sua aprendizagem anterior, ela começa a dizer suas primeiras palavras.

fala lingüística se inicia geralmente no final do segundo ano, quando a criança pronuncia a mesma combinação de sons para se referir a uma pessoa, um objeto, um animal ou um acontecimento. Por exemplo, se a criança disser apo quando vir a água na mamadeira, no copo, na torneira, no banheiro etc., podemos afirmar que ela já esta falando por meio de palavras. Espera – se que aos 18 meses a criança já tenha um vocabulário de aproximadamente 50 palavras, no entanto ainda apresenta características da fala pré – lingüística e não revela frustração se não for compreendida.

Na fase inicial da fala lingüística a criança costuma dizer uma única palavra, atribuindo a ela no entanto o valor de frase. Por exemplo, diz ua, apontando para porta de casa, expressando um pensamento completo; eu quero ir pra rua. Essas palavras com valor de frases são chamadas holófrases.

A partir daqui acontece uma “explosão de nomes”, e o vocabulário cresce muito. Aos 2 anos espera – se que as crianças sejam capazes de utilizar um vocabulário de mais de cem palavras.

Entre os 2 e 3 anos as crianças começam a adquirir os primeiros fundamentos de sintaxe, começando assim a se preocupar com as regras gramaticais. Usam, para tanto, o que chamamos de super – regularização, que é uma aplicação das regras gramaticais a todos os casos, sem considerar as exceções. É por isso que a criança quer comprar “pães”, traze – los nas “mães”. Aos 6 anos a criança fala utilizando frases longas, tentando utilizar corretamente as normas gramaticais.

Chomsky defende a ideia de que a estrutura da linguagem é, em grande parte, especificada biologicamente (nativista). Skinner afirma que a linguagem é aprendida inteiramente por meio de experiência (empirista). Piaget consegue chegar mais perto de uma compreensão do desenvolvimento da linguagem que atenda melhor a realidade observada. Segundo ele tanto o biológico quanto as interações com o mundo social são importantes para o desenvolvimento da linguagem (interacionista).

Dentro da óptica interacionista, da qual Piaget é adepto, o aparecimento da linguagem seria decorrência de algumas das aquisições do período sensório – motor, já que ela adquiriu a capacidade de simbolizar ao final daquele estádio de desenvolvimento da inteligência. Soma – se a isso a capacidade imitativa da criança. As primeiras palavras são intimamente relacionadas com os desejos me ações da criança.

O egocentrismo da criança pré – operatório também se faz presente na linguagem que ela exibi. Desse modo, ela usa frequentemente a fala egocêntrica, ou privada, na qual fala sem nenhuma intenção muita clara de realmente se comunicar com o outro, centrada em sua própria atividade. É como se a criança falasse em voz alta para si mesma. Contudo ela também usa a linguagem socializada, que tem como objetivo se fazer entendida pelo interlocutor.

Já de acordo com Vygostisky “não basta apenas que a criança esteja ‘exposta’ à interação social, ela deve estar ‘pronta’, no que se refere à maturação, desenvolver o (s) estágio (s) para compreender o que a sociedade tem para lhe transmitir:

  • Sensório – motor, de 0 a 18/24 meses, que precede a linguagem;

  • Pré – operatório, de 1;6/2 anos a 7/8 anos, fase das representações, dos símbolos;

  • Operatório – concreto, de 7/8 a 11/12 anos, estágio da construção da lógica;

  • Operatório – formal, de 11/12 anos em diante, fase em que a criança raciocina, deduz, etc. “

Para fazer uma síntese do que torna fácil ou difícil de aprender para a criança, apresentamos o quadro abaixo:

A LÍNGUA É FÁCIL QUANDO

A LÍNGUA É DIFÍCIL QUANDO

É real e natura

É artificial

É integral

É dividida em pedaços

Faz sentido

Não faz sentido

É interessante

É chata e desinteressante

Faz parte de um acontecimento social  

Esta fora de um contexto

Tem utilidade social         

Não possui valor social

Tem propósito para a criança

Não tem finalidade para a criança

A criança a utiliza por opção

É imposta por outra pessoa

 Após essas considerações esperamos ter ajudado a compreender um pouco mais da complexidade que é o mundo da fala infantil.

Seria importante apenas ressaltar o quanto os estudos contribuíram para as diferentes contribuições no âmbito dos estudos da fala infantil. O quanto as crianças conseguem antes mesmo de 1 ano transmitir a noção de fala. Bem como todo o processo vivido por ela no intervalo de tempo de zero a 6 anos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SAMPAIO, Fátima Silva. Linguagem na Educação Infantil. Fortaleza, SEDUC, 2003 pp. 12 – 18.

FARIAS, Maria Cílvia Queiroz. Linguagem na Educação Infantil. Fortaleza, SEDUC, 2003 pp. 12 – 18.

FROTA, Ana Maria Monte Coelho. Formação de educadores infantis Desenvolvimento Infantil: a criança de 0 a 6 anos. IMEPH pp. 19 – 21.  

DEL RÉ, Alessandra. Aquisição da Linguagem. São Paulo, 2006. pp. 13 – 44.

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