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Como se constrói a Linguagem na criança?


 


Desde pequenos já existe a comunicação, mas esta não é feita por meio oral. A linguagem é um sistema de símbolos culturais internalizados, e é utilizada com o fim último de comunicação social. Assim como no caso da inteligência e do pensamento, o seu desenvolvimento passa também por períodos até que a criança chegue a utilização de frases e múltiplas palavras.

Ao nascer, a criança não entende o que lhe é dito. Somente aos poucos começa a atribuir um sentido ao que escuta. Do mesmo modo acontece com a produção da linguagem falada. O entendimento e a produção da linguagem falada evoluem.

Existem diferentes tipos de linguagem: a corporal, a falada, a escrita e a gráfica. Para se comunicar a criança utiliza, tanto a linguagem corporal ( mímica, gestos, etc.) como a linguagem falada. Lógico que ela ainda não fala, mas já produz linguagem. Vamos ver como!

O desenvolvimento da linguagem se divide em dois estádios: pré – lingüístico, quando o bebê usa de modo comunicativo os sons, sem palavras ou gramática; e o lingüístico, quando usa palavras.

No estádio pré – lingüístico a criança, de princípio, usa o choro para se comunicar, podendo ser rica em expressão emocional. Logo ao nascer este choro ainda é indiferenciado, porque nem a mãe sabe o que ele significa, mas aos poucos começa a ficar cheio de significados e é possível, pelo menos para a mãe, saber se o bebê está chorando de fome, de cólica, por estar se sentindo desconfortável, por querer colo etc. è importante ressaltar que é a relação do bebê com sua mãe, ou com a pessoa que cuida dele, que lhe dá elementos para compreender seu choro.

Além do choro, a criança começa a produzir o arrulho, que é a emissão de um som gutural, que sai da garganta, que se assemelha ao arrulho dos pombos. O balbucio ocorre de repente, por volta dos 6-10 meses, e caracteriza – se pela produção e repetição de sons de consoantes e vogais como “ma – ma – ma – ma”, que muitas vezes é confundido com a primeira palavra do bebê.

No desenvolvimento da linguagem, os bebês começam imitando casualmente os sons que ouvem, através da ecolalia. Por exemplo: os bebês repetem repetidas vezes os sons como o “da – da – da”, ou “ma – ma – ma – ma”. Por isso as crianças que tem problema de audição, não evoluem para além do balbucio, já que não são capazes de escutar.

Por volta dos 10 meses, os bebês imitam deliberadamente os sons que ouvem, deixando clara a importância da estimulação externa para o desenvolvimento da linguagem. Ao final do primeiro ano, o bebê já tem certa noção de comunicação, uma idéia de referência e um conjunto de sinais para se comunicar com aqueles que cuidam dele.

O estádio lingüístico está pronto para se estabelecer. Sendo assim, contando com a maturação do aparelho fonador da criança e da sua aprendizagem anterior, ela começa a dizer suas primeiras palavras.

fala lingüística se inicia geralmente no final do segundo ano, quando a criança pronuncia a mesma combinação de sons para se referir a uma pessoa, um objeto, um animal ou um acontecimento. Por exemplo, se a criança disser apo quando vir a água na mamadeira, no copo, na torneira, no banheiro etc., podemos afirmar que ela já esta falando por meio de palavras. Espera – se que aos 18 meses a criança já tenha um vocabulário de aproximadamente 50 palavras, no entanto ainda apresenta características da fala pré – lingüística e não revela frustração se não for compreendida.

Na fase inicial da fala lingüística a criança costuma dizer uma única palavra, atribuindo a ela no entanto o valor de frase. Por exemplo, diz ua, apontando para porta de casa, expressando um pensamento completo; eu quero ir pra rua. Essas palavras com valor de frases são chamadas holófrases.

A partir daqui acontece uma “explosão de nomes”, e o vocabulário cresce muito. Aos 2 anos espera – se que as crianças sejam capazes de utilizar um vocabulário de mais de cem palavras.

Entre os 2 e 3 anos as crianças começam a adquirir os primeiros fundamentos de sintaxe, começando assim a se preocupar com as regras gramaticais. Usam, para tanto, o que chamamos de super – regularização, que é uma aplicação das regras gramaticais a todos os casos, sem considerar as exceções. É por isso que a criança quer comprar “pães”, traze – los nas “mães”. Aos 6 anos a criança fala utilizando frases longas, tentando utilizar corretamente as normas gramaticais.

Chomsky defende a ideia de que a estrutura da linguagem é, em grande parte, especificada biologicamente (nativista). Skinner afirma que a linguagem é aprendida inteiramente por meio de experiência (empirista). Piaget consegue chegar mais perto de uma compreensão do desenvolvimento da linguagem que atenda melhor a realidade observada. Segundo ele tanto o biológico quanto as interações com o mundo social são importantes para o desenvolvimento da linguagem (interacionista).

Dentro da óptica interacionista, da qual Piaget é adepto, o aparecimento da linguagem seria decorrência de algumas das aquisições do período sensório – motor, já que ela adquiriu a capacidade de simbolizar ao final daquele estádio de desenvolvimento da inteligência. Soma – se a isso a capacidade imitativa da criança. As primeiras palavras são intimamente relacionadas com os desejos me ações da criança.

O egocentrismo da criança pré – operatório também se faz presente na linguagem que ela exibi. Desse modo, ela usa frequentemente a fala egocêntrica, ou privada, na qual fala sem nenhuma intenção muita clara de realmente se comunicar com o outro, centrada em sua própria atividade. É como se a criança falasse em voz alta para si mesma. Contudo ela também usa a linguagem socializada, que tem como objetivo se fazer entendida pelo interlocutor.

Já de acordo com Vygostisky “não basta apenas que a criança esteja ‘exposta’ à interação social, ela deve estar ‘pronta’, no que se refere à maturação, desenvolver o (s) estágio (s) para compreender o que a sociedade tem para lhe transmitir:

  • Sensório – motor, de 0 a 18/24 meses, que precede a linguagem;

  • Pré – operatório, de 1;6/2 anos a 7/8 anos, fase das representações, dos símbolos;

  • Operatório – concreto, de 7/8 a 11/12 anos, estágio da construção da lógica;

  • Operatório – formal, de 11/12 anos em diante, fase em que a criança raciocina, deduz, etc. “

Para fazer uma síntese do que torna fácil ou difícil de aprender para a criança, apresentamos o quadro abaixo:

A LÍNGUA É FÁCIL QUANDO

A LÍNGUA É DIFÍCIL QUANDO

É real e natura

É artificial

É integral

É dividida em pedaços

Faz sentido

Não faz sentido

É interessante

É chata e desinteressante

Faz parte de um acontecimento social  

Esta fora de um contexto

Tem utilidade social         

Não possui valor social

Tem propósito para a criança

Não tem finalidade para a criança

A criança a utiliza por opção

É imposta por outra pessoa

 Após essas considerações esperamos ter ajudado a compreender um pouco mais da complexidade que é o mundo da fala infantil.

Seria importante apenas ressaltar o quanto os estudos contribuíram para as diferentes contribuições no âmbito dos estudos da fala infantil. O quanto as crianças conseguem antes mesmo de 1 ano transmitir a noção de fala. Bem como todo o processo vivido por ela no intervalo de tempo de zero a 6 anos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SAMPAIO, Fátima Silva. Linguagem na Educação Infantil. Fortaleza, SEDUC, 2003 pp. 12 – 18.

FARIAS, Maria Cílvia Queiroz. Linguagem na Educação Infantil. Fortaleza, SEDUC, 2003 pp. 12 – 18.

FROTA, Ana Maria Monte Coelho. Formação de educadores infantis Desenvolvimento Infantil: a criança de 0 a 6 anos. IMEPH pp. 19 – 21.  

DEL RÉ, Alessandra. Aquisição da Linguagem. São Paulo, 2006. pp. 13 – 44.

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Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem. Saiba o que é!

 O que é Distúrbio Específico de Linguagem (DEL)?

É uma dificuldade persistente para adquirir e desenvolver a fala e a linguagem. Aparentemente a criança possuiu todas as condições para falar, mas ela não consegue ou apresenta muita dificuldade neste processo. 
Houve recentemente, uma mudança na terminologia e o DEL passou a ser nomeado como TDL - Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem. 

O atraso no aparecimento da linguagem oral pode, muitas vezes, ser o sinal de problemas auditivos, ou falta de estímulos ou ainda pode ser o sinal de transtornos mais globais no desenvolvimento como o Autismo e a Deficiência Intelectual.

No entanto, esse atraso pode ser o indício de um quadro denominado de Distúrbio Específico de Linguagem/Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (Specific Language Impairment, SLI/ Developmental  Language Disorder /DLD), ou seja, aparentemente a criança possui todas as condições de desenvolver a linguagem e a fala, mas este desenvolvimento não ocorre conforme o esperado.

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos revelam que cerca de 7 em cada 100 crianças saudáveis apresentam algum grau de dificuldade de aquisição e de desenvolvimento da linguagem (Leonard, 2000).

Os pais começam a perceber problemas no desenvolvimento lingüístico da criança por volta dos dois ou três anos de idade: algumas crianças não falam, ou demoram para iniciar a produção das primeiras palavras ou são lentas para aprender novas palavras (vocabulário restrito) ou ainda não conseguem combinar palavras para formar frases.

As dificuldades podem ser variadas, a depender da gravidade do quadro e podem persistir até a idade adulta. Existem casos mais graves, que dificilmente irão desenvolver uma “fala normal”, como existem casos mais leves, nos quais a manifestação mais comum pode ser a dificuldade em adquirir os sons da língua (apresentam trocas de sons na fala).

O diagnóstico precoce e correto é fundamental – para que seja traçado um planejamento terapêutico específico para cada caso e também para que tanto os familiares quanto os professores possam receber esclarecimentos e orientações sobre o problema.

O diagnóstico inicial é feito por exclusão, ou seja, primeiramente tem que ser investigado se existe algum problema auditivo, se a dificuldade é específica da área da linguagem ou se outros aspectos do desenvolvimento da criança também estão alterados, se existe algum problema emocional grave, se em casa está faltando estímulos para o desenvolvimento da fala e da linguagem.

Se todas essas causas forem excluídas e a partir de testes específicos, for confirmada uma alteração no processo de desenvolvimento da fala e da linguagem, daí sim, podemos estar diante de um quadro de DE:/TDL. 

Sinais indicativos ("Red Flags"): 
 O aparecimento da fala é lento ou atrasado;
 A compreensão pode ser normal ou pode estar alterada; 
 Dificuldade em combinar palavras para formar frases; 
 Presença de alterações fonológicas (troca de sons na fala); 
 Presença de alterações morfossintáticas: não consegue estruturar adequadamente uma frase, dificuldade com verbos, preposições;
 Flexionamento verbal e nominal ausente ou inadequado; 
 Dificuldade na organização seqüencial das palavras nas frases (inverte a ordem das palavras); 
 Fala ininteligível – os familiares não conseguem entender o que a criança está falando; 
 Vocabulário restrito – dificuldade para aprender novas palavras; 
 Pode aparecer disfluências, como hesitações, repetições de silabas e de palavras (sinais parecidos com uma gagueira); 
 Não conseguem relatar fatos, recontar uma história; 
 Dificuldade para compreender piadas, duplo sentido; 
 Apresentar sérias dificuldades para aprender a leitura e escrita – transtornos de aprendizagem; 
 Se há problemas semelhantes na família;

O DEL/TDL pode gerar conseqüências para o processo de aprendizagem da escrita e leitura – estas crianças geralmente não conseguem se alfabetizar na idade prevista e possuem sérias dificuldades para acompanhar as atividades em sala de aula. Não conseguem compreender a relação entre o som e a escrita. A aquisição e o desenvolvimento da linguagem oral são determinantes para o aprendizado da leitura e escrita.

Este distúrbio também pode desencadear problemas sócio-emocionais: geralmente são crianças que acabam se isolando dos amigos, apresentam um prejuízo no processo de socialização. Existem até pesquisas que mostram que estas crianças são depressivas. Por serem inteligentes, elas possuem percepção de suas dificuldades.

Quais as causas deste quadro?
Pesquisas atuais indicam que estas crianças podem ter um funcionamento anormal da área cerebral responsável pelo processamento da linguagem. Ou seja, o cérebro destas crianças, parece não ser apto para aprender e para processar a linguagem. Pesquisas americanas mostram ainda, que a influência genética parece se relacionar com a organização das áreas cerebrais responsáveis pela linguagem. Este funcionamento anormal não é detectado em exames convencionais para o estudo do cérebro, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética (em geral, estes exames são normais).

O que os pais e professores podem fazer?
Podem ficar atentos quanto aos marcos de desenvolvimento da linguagem, como por exemplo: com 1 ano as crianças já começam a falar as primeiras palavras (papai , mamãe); com 1 ano e meio elas já conseguem juntar duas palavras e a partir dos 2 anos, as crianças já começam a formar pequenas frases.

Quando isso não acontecer é importante que os pais busquem uma orientação profissional. Até mesmo nas creches e escolas, os professores podem observar estes marcos de desenvolvimento.

Se existe também alguém na família que teve ou tem algum problema de linguagem ou aprendizagem é mais um sinal para os pais prestarem atenção. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhores oportunidades de tratamento poderão ser oferecidas.

Infelizmente, a realidade aqui no Brasil tem revelado que muitas destas crianças acabam não sendo diagnosticas ou são diagnosticadas de forma incorreta. Muitas vezes, são confundidas com crianças com surdez ou com crianças Autistas ou com Deficiência Intelectual. Conhecer este quadro é de extrema importância para todos os profissionais que trabalham com crianças como Fonoaudiólogos, Psicólogos, Pediatras, Professores, etc.

Fonte: www.atrasonafala.com 

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Bebê: Desenvolvimento da Linguagem

Helena com 5 meses balbucia e solta gritinhos para chamar atenção!!!

De acordo com BEE (1996) e PAPALAIA & OLDS (2006), a linguagem pode ser definida como um sistema arbitrário de símbolos que nos permite falar, e compreender, uma infinita variedade de mensagens. Ela é governada por regras e é muito criativa.

A fala pré-linguística, a qual precede a primeira palavra, inclui choro, arrulhos, balbucio e imitação de sons da língua. Os neonatos são capazes de distinguir os sons da fala: aos seis meses, os bebês já aprenderam os sons básicos de sua língua.

Antes de dizerem sua primeira palavra, os bebês usam gestos, que incluem apontar, gestos sociais convencionais, gestos representacionais e simbólicos.

Aos nove ou 10 meses, os bebês começam a compreender a fala com significado. Durante o segundo ano de vida, a criança já começa a falar a língua da cultura. A primeira palavra tipicamente aparece em algum ponto entre 10 e 14 meses, iniciando a fala linguística. As primeiras palavras isoladas podem ser holofrases, as quais expressam um pensamento completo numa única palavra (PAPALIA & OLDS, 2006).

Diferente da fala pré-linguística, a fala linguística não está diretamente ligada à idade cronológica. Uma “explosão de nomes” ocorre tipicamente em algum ponto entre 16 e 24 meses de idade.

Historicamente, duas teorias antagônicas acerca de como as crianças adquirem a linguagem são a teoria da aprendizagem (a qual enfatiza o papel do reforço e a imitação) e o inatismo (o qual sustenta que as pessoas têm uma capacidade inata para adquirir a linguagem). Atualmente, a maioria dos psicólogos do desenvolvimento afirma que as crianças têm uma capacidade inata para aprender a linguagem e que ela é ativada e estimulada pela maturação, pelo desenvolvimento cognitivo e por certas experiências ambientais (PAPALIA & OLDS, 2006).

Influências específicas no desenvolvimento da linguagem incluem fatores genéticos, temperamento e interação social.

A comunicação entre cuidadores e crianças é essencial para o desenvolvimento da linguagem. O valor de ouvir uma linguagem direta e simples (fala dirigida à criança, ou “língua de mãe”) não está claro, embora os bebês mostrem preferência pela mesma. Perguntas e elaboração são mais eficazes do que a fala diretiva, tanto na conversação quanto na leitura em voz alta.

Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO 
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Aquisição da Linguagem Infantil



A aquisição da linguagem é o processo pelo qual a criança aprende sua língua materna. E através da linguagem a criança tem acesso, antes mesmo de começar a falar, a valores, crenças e regras, adquirindo os conhecimentos de sua cultura. A medida que a criança se desenvolve e cresce, seu sistema sensorial, incluindo a audição e a visão, se tornam mais apurados e refinados e, desta forma, ela alcança um nível linguístico e cognitivo mais elevado.
Para falar, são necessários dois aspectos:
1. Aspectos físicos:
  • - Possuir o centro de linguagem íntegro (sistema nervoso central)
  • - Possuir o aparelho fonador íntegro (estruturas envolvidas no processo de fala: musculatura orofacial e órgãos fonoarticulatórios como língua, lábios, pregas vocais)
2. Aspectos do meio ambiente:
  • Escutar, aguardar e observar o que a criança tem à manifestar: gestos, vocalizações e olhares, procurando dar sentido a esses comportamentos.
  • Estímulos do meio ambiente  e meio social na qual a criança esta inserida.
  • Oferecer segurança física e afetiva.

A linguagem corresponde ainda a uma das habilidades mais especiais e significativas dos seres humanos, envolve o desenvolvimento de quatro sistemas interdependentes:
  • Pragmático, que se refere ao uso comunicativo da linguagem num contexto social;
  • Fonológico, envolvendo a percepção e a produção de sons para formar palavras;
  • Semântico, respeitando as palavras e seu significado;
  • Gramatical, compreendendo as regras sintáticas e morfológicas para combinar palavras em frases compreensíveis.
Os sistemas fonológicos e gramaticais conferem à linguagem a sua forma.
No desenvolvimento da linguagem, duas fases  podem ser reconhecidas:
  • Pré-lingüística, em que são vocalizados apenas fonemas (sem palavras)- até aos 11-12 meses de idade;
  • Lingüística, momento em que a criança começa a falar palavras isoladas com compreensão.
A criança vai progredindo nesta escala de complexidade no processo de aquisição, que é contínuo, devendo ocorrer de forma ordenada e sequencial.

 estágios de desenvolvimento de aquisição da linguagem / FALA
A trajetória do desenvolvimento da linguagem se dá  passando pelos seguintes estágios (de uma forma aproximada, tendo em vista a singularidade de cada criança):
  • 0 a 6 meses: gritos e choros;       
  • 6 a 11 meses: vocalizações com entonação ritmo e tom (balbucio);
  • 1 ano a 1ano e 6 meses: primeiras palavras (simplificadas) e imitações;
  • 1 ano e 6 meses a 2 anos: frases (simples compostas de 2 palavras), crescimento do vocabulário e fala com trocas;
  • 2 anos a 2 anos e 6 meses: fala esta em aperfeiçoamento, e aumento do vocabulário;
  • 2 anos e 6 meses a 3 anos: expansão das frases (4 elementos), fala ainda em desenvolvimento e começa a narrar fatos;  
  • 3 anos a 4 anos: fala (já produz de 50 a 70% dos sons corretos), entonação adequada ao uso, criança brinca com a linguqgem e as frases estão estruturadas;
  • 4 anos a 4 anos e 6 meses: compreensão de comandos mais complexos (ordens verbais), bom vocabulário, fala (produz 90% dos sons corretos) e frases com elementos diferenciados (narrar);
  • Mais de 4 anos e 6 meses: fala (todos os sons estão adquiridos, frases bem estruturadas e narrativa eficiente).
É importante ressaltar que devemos estar atentos a intenção comunicativa das crianças, isto é, à intenção de comunicar-se e expressar-se. Esta intenção pode ser demonstrada através da linguagem não oral por mudanças na mímica facial, utilização de gestos, produção de sons de forma contextualizada, etc.

Atraso de linguagem / fala
O atraso de linguagem caracteriza-se pela ausência ou retardo no surgimento da linguagem oral, na idade em que isso normalmente ocorre.
Aquisição dos sons
  • 1 ano e 6 meses: p /b /m
  • 2 anos: t /d /n
  • 2 anos e 6 meses: k (cá/ que/ qui) g / ɳ (nh)
  • 3 anos: f / v / s / z
  • 3 anos e 6 meses: ʃ (x/ch) Ʒ ( j/ ge, gi)
  • 4 anos: L / λ (lh) / R (rr) ex: rato / arquifonema r / s (ar / as)
  • 4 anos e 6 meses: r (ex: barata) / grupos consonantais (gr / gl)
  • 5 anos: aquisição completa.

As causas mais freqüentes do atraso de linguagem/ fala são:
  • Estimulação ambiental deficiente
  • Bilingüismo
  • Fatores hereditários
  • Problemas orgânicos
  • Distúrbios emocionais
O atraso de linguagem se manifesta de forma evolutiva e não satisfatória, e a criança apresenta:
  • Vocabulário deficiente para a idade;
  • Dificuldade para estruturar sentenças; 
  • Dificuldade para organizar o pensamento;
  • Dificuldade de compreensão;
  • Dificuldade para relatar fatos, acontecimentos e fatos vivenciados;
  • Narrativa truncada apoiada em gestos;
  • Fala ininteligível geralmente acompanhada de alteração na articulação.
É importante não deixar de considerar o fato de que há uma considerável variação individual nos padrões do crescimento do vocabulário inicial de cada criança, ou seja, nem todas as crianças apresentam as mesmas respostas, em termos de aquisição de linguagem.
O tempo de tratamento varia de uma criança para outra e também de outros fatores como: aceitação e motivação do paciente, ambiente familiar, causa do problema, etc.

Fonte: www.robertabombardi.com.br
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Tabela do Desenvolvimento da Linguagem Infantil


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Desenvolvimento Linguístico

 


 
Quantos pais se questionam sobre se os seus filhos estão a seguir um desenvolvimento linguístico normal? Certamente serão mais do que aqueles que imaginamos.
Muitas vezes somos abordados por estes pais que nos procuram para satisfazer as suas dúvidas. “Será normal ele ainda não fazer isto?”, “Até que idade é que é normal que não se perceba o que o meu filho diz?”. Perguntas normais cujas respostas variam de criança para criança, de família para família.
O desenvolvimento da linguagem não é estanque e, está sujeito a pequenas variações pelo que é necessário olhar para a literatura como uma linha orientadora e não como uma regra obrigatória.
 
Assim, apresentam-se algumas características das etapas de forma a guiar e ajudar os pais durante o desenvolvimento linguísticos das suas crianças.
 
 
                             1 Ano
Compreensão verbal
·         Três palavras no mínimo
·         Entende o não e o seu nome
Expressão verbal
·         Diz a primeira palavra
·         Usa muito a lalação (balbuciar, palrar)
·         Tenta repetir sons produzidos por outros
·         Usa a entoação durante a sua lalação de forma aproximada à fala
·         Direciona gestos e sons para outras pessoas
Articulação
·         Balbucio
Pragmática
·         Grita ou tosse para chamar a atenção
·         Atira objetos que não quer
·         Diz “adeus”
·         Estende os braços para que lhe peguem ao colo
·         Aproxima-se para pedir um objeto
·         Repete as ações que observa
                              2 Anos
Compreensão verbal
·         Compreende aproximadamente 300 palavras
·         Compreende ordens simples
·         Reconhece objetos, pessoas, animais de estimação, familiares e algumas partes do corpo
Expressão verbal
·         Diz palavras isoladas
·         Combina duas palavras na mesma frase
·         Vocabulário de 200 palavras
·         As palavras são majoritariamente substantivos, mas começam a aumentar o número de verbos
·         Omite os artigos e verbos auxiliares das frases
·         Produz sons de animais
Articulação
·         Majoritariamente vogais
·         50% do seu discurso são perceptíveis
Pragmática
·         Bastante comunicativo
·         Gosta de histórias
·         Fala sozinho
·         Provoca, rabuja ou avisa usando gestos e vocalizações
·         Faz diálogos curtos e exprime emoções
·         Começa a usar a linguagem de forma imaginativa
   3 Anos
Compreensão verbal
·         Compreende um vocabulário variado
·         Executa ordens mais complexas com duas ações
·         Identifica categorias de nomes, noções espaciais e objetos pelo uso
·         Mostra interesse nas explicações “porque” e “como”
Expressão verbal
·         Frases telegráficas (frases curtas e segmentadas), com uma média de 4 palavras
·         Vocabulário médio de 900 palavras
·         Descreve ações num livro e experiências imediatas
·         Faz perguntas
·         Usa pronomes pessoais (eu, tu, ele, comigo, contigo, nós, etc.)
Articulação
·         Consolidação das consoantes labiais (/p, b, m/)
·         75% do seu discurso são perceptíveis
·         Redução dos grupos consonânticos, omissões de sílabas ou repetições, anteriorização de consoantes posteriores
Pragmática
·         Fala muito, com diálogos longos
·         Anuncia intenções e respeita a vez
·         Chama a atenção sobre si com palavras como “olá”
4 Anos
Compreensão verbal
·         Vocabulário extenso
·         Entende as relações causais
·         Compreende histórias simples e frases mais complexas
·         Reconhece plurais, pronomes que diferenciam os sexos e adjetivos
Expressão verbal
·         Frases gramaticais
·         Produz de 900 a 1500 palavras
·         Apresenta ainda algumas alterações na estrutura das frases
·         Controla e exerce crítica sobre os outros
·         Completa analogia opostas (ex: o irmão é um menino, a irmã é uma…)
·         Usa frases com ordens e frases compostas
Articulação
·         Consolida as consoantes oclusivas (/p, b, t, d, k, g/)
·         95% do seu discurso são perceptíveis
·         Faz redução dos grupos consonânticos
Pragmática
·         Descreve o passado
·         Gosta de rimas
·         Pede autorização
·         Usa a linguagem para fantasiar e dizer piadas
·         Corrige os outros e auto-corrige-se quando o outro não compreende
   5 Anos
Compreensão verbal
·         Entende palavras mais abstratas
·         Reconhece relações entre palavras
·         Obedece a ordens complexas
·         Compreende frases complexas subordinadas
Expressão verbal
·         Frases complexas com poucos erros gramaticais
·         Consegue definir palavras
·         Produz cerca de 2000 palavras
·         Usa conjunções e preposições
·         Conta histórias sobre si mesmo
Articulação
·         Consolida as fricativas (/f, v, s, z, x, j/)
·         100% do seu discurso são perceptíveis
Pragmática
·         Aprende a manipular através da linguagem
·         Faz pedidos indiretos
·         Narrativas caracterizadas por terem uma sequência de acontecimentos mas sem personagem principal
    6 Anos
Compreensão verbal
·         Compreende sensivelmente tudo o que lhe seja transmitido pelo adulto ou pelo grupo de pares
·         Compreende a noção de oposto, tempo
·         Compreende aproximadamente 13000 palavras
Expressão verbal
·         Usa cerca de 2500 palavras
·         Usa todas as estruturas frásicas, pronomes e verbos irregulares
·         Recorre a adjetivos comparativos e superlativos
·         Relata narrativas fantasiosas
·         Troca informações e conta histórias familiares
·         Nomeia algumas letras do alfabeto
Articulação
·         Discurso passível de ser comparado ao discurso do adulto
Pragmática
·         Narrativas com tema central e personagem principal
·         Faz ameaças e insultos
·         Faz promessas e é capaz de fazer elogios
 
Fonte:  http://fono-audiologia.blogspot.com.br
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