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Derrame Cerebral e engasgos


Pacientes podem apresentar engasgos após derrame


Depois de um derrame o paciente pode apresentar engasgos, um déficit na deglutição chamado de disfagia. A pessoa engole porém de forma errada, o organismo reage para se proteger evitando que o alimento, água caia nos pulmões. O paciente precisa de um acompanhamento fonoaudiológico para aprender exercícios e manobras facilitadoras para engolir sem correr o risco de adquirir  pneumonia broncoaspirativa que pode levar a óbito.
Geralmente o trabalho é iniciado dentro do próprio hospital. Depois poderá dar continuidade no consultório de um fonoaudiólogo e se tem dificuldades de locomoção o atendimento poderá ser domiciliar.

A Manobra de Heimlich
Método pré-hospitalar de eliminar a obstrução das vias aéreas superiores causada por corpo estranho.
 



Teste para verificar a deglutição

  • Engole somente com os lábios fechados?
  • O queixo fica com furinhos quando engole?
  • Faz movimentos com a cabeça para ajudar a engolir?
  • Quando engole, sobram alimentos na boca?
  • Engasga freqüentemente?
  • Coloca a língua entre os dentes?
  • Tem dificuldade de engolir algum alimento? Qual?
Se a resposta for sim para uma ou mais perguntas, procure um fonoaudiólogo!



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A Psicopedagogia pode intervir, mediar, auxiliar!



A National Research Council, uma organização norte-americana, reuniu especialistas para definir quais são as competências necessárias que os estudantes devem ter no século 21.

Educadores, psicólogos e economistas fizeram pesquisas buscando entender o que se espera que os estudantes alcancem nos seus ciclos escolares, nos seus futuros trabalhos e em outros aspectos da vida.

Tais competências for

 am divididas em três grandes domínios. O primeiro deles é o cognitivo, que é aquele que envolve estratégias e processos de aprendizado, criatividade, memória, pensamento crítico; é o que está relacionado à aprendizagem mais tradicional. Segundo os autores, essa é a dimensão em que se tem uma oferta mais farta de pesquisas e, por isso, há claras evidências de que o bom desempenho nessa área traz bons resultados posteriores na vida do aluno.

Os outros dois domínios, muito menos estudados, são o intrapessoal e o interpessoal. O intrapessoal tem relação com a capacidade de lidar com emoções e moldar comportamentos para atingir objetivos. Já o interpessoal envolve a habilidade de expressar ideias, interpretar e responder aos estímulos de outras pessoas.




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Estresse: seus aspectos positivos e negativos para a aprendizagem




O estresse e o nosso corpo
Ouvimos a palavra estresse com muita frequência e provavelmente a maioria de nós já tenha usado este termo para designar algumas sensações não lá muito agradáveis. Geralmente dizemos que estamos estressados quando estamos muito nervosos e cansados, consequentemente perdemos a paciência com facilidade e não conseguimos nos concentrar em nada. Muitas vezes estas sensações estão associadas a um nó na garganta, falta de sono, dor no estômago além de vários outros “mal estares”. Na verdade, como veremos ao longo deste texto, essas sensações são sintomas do estresse, mais especificamente do estresse crônico.
Se o que chamamos de estresse são seus sintomas, então qual é a definição de estresse? Além disso, o que leva uma pessoa a ficar estressada, qual a sua causa?  Existem outros níveis de estresse além do estresse crônico?  O estresse pode afetar a aprendizagem? De que forma?
Buscaremos responder estas e outras perguntas que surgirão durante este percurso. Para começar, precisamos entender como pesquisadores chegaram a suas conclusões sobre esse tema e também precisamos ter algumas noções básicas sobre o funcionamento do nosso organismo, incluindo o funcionamento do sistema nervoso.
Walter Cannos
Na década de 30 do século passado, Walter Cannon buscou compreender o que acontece em nosso corpo durante nossas reações emocionais. Boa parte de seus resultados está baseado em estudo com animais de laboratório. Cannon observou que ao enfrentar situações de perigo, além de expressar o sentimento de medo, o organismo passa por profundas alterações internas. Que alterações são essas? Dilatação das pupilas, aumento da taxa respiratória, aumento da frequência cardíaca, diminuição do fluxo sanguíneo na pele, aumento do fluxo sanguíneo nos músculos, aumento da liberação de adrenalina, eriçamento dos pelos, dentre outras alterações orgânicas [1].
Frases que utilizamos em nosso cotidiano expressam algumas dessas reações. Quem já não utilizou as expressões: “amarelou de medo” ou “fiquei todo arrepiado” ou ainda “meu coração quase saiu pela boca”?  Quando alguém “amarela de medo” isso ocorre por que há uma diminuição do fluxo sanguíneo na pele; “ficar todo arrepiado” em uma situação de perigo é o que, em linguagem técnica, é chamado de eriçamento dos pelos e quando temos a sensação do “coração quase sair pela boca” é decorrência do aumento da frequência cardíaca. E quando dizemos: “que adrenalina!” para nos referirmos a algo excitante? Que reação corpórea está por trás desta expressão? Já, chegaremos a ela.
Conforme acompanhamos, as emoções estão intimamente ligadas a alterações no funcionamento padrão de nosso organismo. O que gera estas alterações? Esta alterações são geradas pela ação do sistema nervoso autônomo simpático (SNAS) e de outras regiões do sistema nervoso que discutiremos um pouco mais adiante. Quando, por exemplo, nos deparamos com um sujeito nos apontando uma arma e nos obrigando a passar a bolsa a despeito de levarmos um tiro, o SNAS entra em ação e temos as reações descritas acima (dilatação das pupilas, aumento da taxa respiratória, aumento da frequência cardíaca,etc.).
O sistema nervoso autônomo é uma parte do sistema nervoso periférico. O sistema nervoso periférico é a porção do sistema nervoso que se localiza fora da coluna vertebral e da caixa craniana, estando distribuído por todo o corpo.
A parte do sistema nervoso que se encontra dentro da caixa craniana e da coluna vertebral é o sistema nervoso central, que é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal respectivamente. A parte do sistema nervoso que se localiza fora da caixa craniana e da coluna vertebral é o de sistema nervoso periférico. Fonte da figura: http://www.webciencia.com/11_29snp.jpg

A adrenalina exerce praticamente os mesmos efeitos sobre nosso organismo que os causados pela estimulação simpática, porém, seus efeitos duram de cinco a dez vezes mais. Então quando dizemos “que adrenalina!” para nos referirmos a fortes emoções, estamos, sem saber, nos referindo aos efeitos causados pelo aumento da atividade e excitabilidade de todo nosso corpo gerados por esta substância [2].
Voltando a nosso exemplo, quando estamos expostos a uma situação de perigo como um assalto, não é à toa que temos todas as reações proporcionadas pelo SNAS. Existe uma finalidade muito clara para que o organismo reaja dessa forma:
1. Nossas pupilas dilatam possibilitando uma melhor acuidade visual nesse momento em que enxergar melhor pode aumentar nossas chances de sobrevivência;
2- A taxa respiratória também aumenta ocasionando um aumento na absorção de oxigênio pelos pulmões e consequentemente uma maior  oxigenação para as nossas células.
3- O fluxo sanguíneo da superfície do corpo, ou seja, da pele, diminui. Em caso de ferimentos, sangraremos menos e também haverá uma maior disponibilidade de sangue para o funcionamento de nossos órgãos internos;
4- O fluxo sanguíneo nos músculos aumenta ocasionando uma maior capacidade muscular caso “decidamos” lutar ou fugir; os pelos eriçam, neste caso, como  consequência de uma herança evolutiva que não tem mais função nos seres humanos, mas tinha em nossos ancestrais e continua tendo em outros animais: parecer maior para suas presas ou seus predadores. Você já observou como um gato se arrepia todo quando está prestes a ser atacado por um cachorro?
Hans Selye
Você deve estar se perguntando: Mas o que tudo isso tem a ver com o estresse? Logo chegaremos lá, mas antes disso precisamos avançar um pouco mais em nosso trajeto pelo tempo e falar dos resultados de um outro pesquisador: Hans Selye.
Capa do livro "The Stress of Life" de Hans Selye
Hans Selye era médico e pesquisador, nasceu em Viena e desenvolveu a maior parte de seu trabalho no Canadá. Ele ficou intrigado com um fato a respeito de seus pacientes: vários deles, independente da doença que apresentavam, tinham um aspecto em comum: haviam passado por situações extremamente difíceis em suas vidas antes de adoecerem ou durante o desenvolvimento da doença; tinham perdido entes queridos; perdido o emprego; encontravam-se em dificuldades financeiras ou tinham passado por algum tipo de violência entre outras situações não muito fáceis de suportar [3]. Com base nesta observação Selye levantou a seguinte questão: Situações de forte tensão podem predispor o indivíduo a uma maior fragilidade e consequentemente aumentar a possibilidade de se adquirir ou desenvolver os mais variados tipos de doenças?
Agora podemos começar a responder as questões propostas no início deste texto. Selye deu sequência a suas investigações e em 1950 denominou este estado de tensão de stress. Stress é um termo oriundo da língua inglesa e é utilizado na mecânica para designar a tensão entre as peças de uma máquina. Em português esta terminologia foi adaptada para a palavra estresse. Selye descobriu que quando estamos sob a ação de agentes estressores, nosso organismo reage desencadeando uma reação em cadeia coordenada pelo eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (eixo HPA).
Vamos definir estas regiões do nosso corpo começando pelo hipotálamo. O hipotálamo localiza-se dentro da caixa craniana, em uma posição central. Esta região do nosso encéfalo é essencial para o bom funcionamento de muitas funções do nosso corpo dentre elas: apetite; ingestão de líquido; controle da temperatura corporal. Vamos nos ater aqui, a apenas uma de suas funções. O hipotálamo sintetiza substâncias que atuam sobre a pituitária, (também denominada de hipófise) e possibilita que esta outra estrutura encefálica libere vários hormônios na corrente sanguínea, inclusive o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). Este hormônio vai atuar sobre o córtex das glândulas supra-renais.  Sob a ação do ACTH o córtex da supra-renal libera cortisol na corrente sanguínea. O cortisol é um hormônio que tem a função de mobilizar reservas de energia em nosso corpo e uma das formas de mobilizar energia se dá por meio da disponibilização de glicose no sangue. O cortisol possibilita que nosso organismo esteja de certa forma, mais potente para que possamos reagir às situações que nos estão causando tensão além de aumentar nossa capacidade de memória e nossa capacidade de cicatrização. Outra questão interessante é que muitas vezes infecções são curadas quando estamos sob estresse porque o cortisol também age sobre o sistema imunológico, potencializando-o [4, 5].
Eixo HPA. Frente ao agente estressor, o hipotálamo estimula a pituitária a liberar o hormônio adrenocorticotró­pico (ACTH) para a circulação geral. O ACTH estimula a liberação de cortisol pelo córtex das supra-renais. Fonte da figura: http:cti.itc.virginia.edu
O estresse positivo e o estresse negativo
As teorias atuais sobre o estresse foram desenvolvidas com base nos resultados de Cannon e Selye, ou seja, têm como pressuposto básico que quando estamos frente a situações que deflagram perigo, nosso corpo reage de forma a haver uma ativação do sistema nervoso autônomo simpático e do eixo HPA [6]. Podemos perceber que o estresse pode não ser algo tão ruim quanto o pintam por aí. Agora podemos definir o que é o estresse: o estresse é um conjunto de respostas orgânicas que tem a função de proporcionar maiores possibilidades de sobrevivência quando enfrentamos os perigos da vida cotidiana. Como já exposto, o estresse aumenta nossa acuidade visual, aumenta nossa força física, melhora nossa memória, aumenta a capacidade de cicatrização, potencializa o sistema imunológico, dentre várias outras mudanças.  Podemos concluir então que a resposta de estresse tem uma função não só importante quanto necessária para a manutenção da nossa vida. Se nosso corpo não produzisse a resposta de estresse seriamos muitíssimo mais vulneráveis aos perigos cotidianos.
Você também deve ter percebido que há uma informação desencontrada em tudo o que dissemos até agora: E os doentes de Selye? Não passaram por situações extremamente estressantes e em consequência ficaram doentes? A resposta encontra-se embutida na própria questão. Os doentes de Selye passaram por situações extremamente estressantes. Cabe agora fazer uma diferenciação muito importante. Existem níveis de estresse, níveis adequados para possibilitar respostas necessárias a nossa sobrevivência e níveis exacerbados que são prejudiciais a nossa sobrevivência. É importante ter clareza quanto a estes aspectos.
Quando estamos constantemente expostos a agentes estressores as respostas que inicialmente nos eram favoráveis começam a nos prejudicar. De que forma isto ocorre?   Imagine as seguintes situações:
1- Retomando o exemplo que já utilizamos: Você está sob a mira da arma de um assaltante.
Com base no que vimos até agora tente responder o que ocorre no seu organismo frente a esta situação.
Compare a sua resposta com esta: Seu coração acelera, suas pupilas dilatam, sua respiração também fica mais acelerada, você fica arrepiado, fica pálido, seus vasos sanguíneos diminuem o calibre, sua força aumenta, sua memória fica mais aguçada, sua capacidade de cicatrização e de combate a infecções também aumentam. Tudo isso possibilita que você tenha um maior sucesso para reagir ao ataque ou fugir. Certo?
Ok, agora vamos para a segunda situação.
2- Você esteve sobre a mira da arma do assaltante acima enquanto passava por uma determinada rua que você costumava passar sempre no mesmo horário e nunca lhe havia passado nada até então. Provavelmente a próxima vez que você passe por este mesmo local seu organismo responderá da mesma forma que respondeu durante o assalto, mesmo que você saiba que a probabilidade do mesmo fato ocorrer no mesmo local e na mesma hora seja bastante improvável.
Isto nos abre espaço para falar sobre uma situação bastante comum: muitas vezes os estressores são imaginários ou internos. Estes estressores nos acompanham o tempo todo. Imagine uma outra situação: Você morre de medo de barata, apesar de saber que o perigo que uma barata possa lhe oferecer seja mínimo, praticamente inexistente, mesmo assim ela desencadeia toda aquela forte reação fisiológica e emocional que descrevemos a pouco. A barata, nesse caso pode ser um estressor interno, só de pensar nela você tem todas aquelas reações. Imagine também que após ter sido assaltado você tenha adquirido pavor de andar pela rua desacompanhado, a situação assalto tornou-se um estressor interno. Se você estiver constantemente com medo da barata ou de ser assaltado a cada passo que da na rua e a cada momento que um estranho se aproxima, seu organismo deflagrará todas aquelas reações constantemente.
Nesta situação as reações que trabalhavam a seu favor passam a ser prejudiciais: os efeitos da ação do SNAS e do eixo HPA começam a causar prejuízos devido a uma hiper exposição do organismo a seus efeitos.  Isto é bastante lógico.
1- seu coração está constantemente acelerado, o que pode vir a causar problemas cardíacos;
2- os vasos sanguíneos ficam constantemente constrictos, o que dificulta a circulação sanguínea podendo levar a problemas circulatórios;
3- muito da sua energia está sendo gasta para manter este estado hiperfuncionante do seu corpo podendo faltar energia para outros processos necessários para seu organismo;
4- pode-se também desenvolver diabete em consequência da quantidade exacerbada de liberação de glicose no sangue;
5- sua memória pode começar a falhar, lembre-se que sua memória, em situações de estresse fica aguçada devido à ação do cortisol, mais especificamente da ação do cortisol sobre o hipocampo. Esta é uma das estruturas encefálicas responsáveis pela memória, porém muito cortisol pode levar a lesões das células do hipocampo e consequentemente dificuldades com a memorização;
6- a capacidade de cicatrização e do combate a infecção também sofre suas consequências devido a super ativação.
Este quadro clínico caracteriza o que chamamos de doenças psicossomáticas. Dessa forma, algumas doenças psicossomáticas desenvolvem-se em decorrência do estresse crônico [5].
O estresse e a aprendizagem
Ao longo do texto, várias das questões postas foram respondidas. Falta uma: de que forma o estresse pode afetar a aprendizagem? Esta questão é de fundamental importância no contexto escolar. Vamos supor que um aluno tenha uma prova para ser realizada, se ele não estudar provavelmente não será bem sucedido na avaliação. Há neste caso o perigo dele tirar uma nota baixa e a possibilidade de tirar uma nota baixa pode se constituir em um estímulo estressor. Seguindo nossa linha de raciocínio, se for um estresse agudo e relativamente moderado, este estado pode lhe proporcionar algumas vantagens, neste caso específico, o estado de estresse, dentre seus outros efeitos possibilita memorizar melhor o que está sendo estudando. Por outro lado, se a resposta de estresse for muito intensa e constante por parte desse aluno, ou seja, se ele por um motivo ou por outro for intensamente acometido pelo agente estressor-prova, poderá haver uma situação oposta: falha no sistema de memória e consequentemente um menor rendimento na avaliação. Quem já não passou por ambas as situações?
Agora imagine uma criança que esteja o tempo todo sob estresse independente do motivo que a possa estar levando a este estado. Provavelmente além de uma menor capacidade de memória esta criança também pode estar sujeita a desenvolver todos os demais sintomas do estresse crônico que, como pudemos acompanhar, não ajuda em nada a aprendizagem e a saúde em geral.
A maioria dos estudos sobre o estresse na escola tem o professor como foco principal, relativamente poucos estudos foram feitos buscando-se entender e determinar os fatores que levam a criança ao estresse dentro deste contexto [7]. Aqui enfatizaremos aspectos do ambiente acadêmico que se constituem em fatores determinantes de estresse crônico para o aluno, mas precisamos ter em mente que esta criança também está sob influência constante do meio externo ao ambiente escolar e que muitas vezes se apresenta como contexto estressante. Vale ressaltar que o número de crianças com estresse crônico vem aumentando [8] e está sendo diagnosticado em crianças bem pequenas [7].
A escola é um ambiente em que fatores estressores podem estar presentes com relativa frequência sem que haja a consciência de sua existência por parte do corpo docente ou da direção e consequentemente os alunos não são preparados para controlá-lo ou enfrentá-lo [7].
Entre os estressores, a família pode constituir-se em um fator relevante para tornar a escola um ambiente estressante.  Ainda há pais que apresentam a escola a seus filhos como local de punição e de castigo. Outras vezes a influência dos pais se dá em relação a uma matéria específica, por exemplo: pais que são professores podem exercer uma cobrança excessiva e tornarem-se figuras estressoras para seus filhos. Crianças com dificuldades de interagir socialmente com colegas e com os professores podem apresentar rebaixamento de seu autoconceito e estresse [9,10].
Em relação ao próprio aluno podem-se determinar três possíveis causadores de estresse: a motivação para a aprendizagem da disciplina, a autopercepção de seu potencial para aprendê-la e seu desempenho na matéria. A desarticulação entre estes componentes pode ser desencadeadora de estresse [8].
Alguns dos fatores geradores de estresse que estão mais associados às disciplinas são: professor da matéria, metodologia utilizada, sistema de avaliação. Além disso, há disciplinas que adquirem a fama de difíceis. Também há docentes que fortalecem esta idéia e em muitos casos utilizam técnicas punitivas para controlar suas classes. O aluno, muitas vezes, acaba associando estas contingências à disciplina e pode passar a apresentar dificuldades na matéria nos anos subsequentes e até mesmo por toda sua vida [7].
Procedimentos em sala de aula que exercem extrema pressão sobre o aluno também pode gerar estresse. Há pesquisas mostrando que há prejuízo na leitura e compreensão do texto quando a atividade é exercida em situações de pressão de tempo [11].
Em todas as matérias há conteúdos que para serem assimilados fazem-se necessárias aprendizagens anteriores. Se o aluno não possui esta base para a compreensão do que está sendo trabalhado, muito provavelmente não atingirá uma aprendizagem satisfatória e estar em contato com novas informações pode torna-se por si só um fator estressor.
Agora vamos nos ater a alguns fatores que podem desencadear estresse crônico no corpo docente. O estresse entre os professores também é algo bastante comum, o que vem prejudicar tanto seu desempenho profissional quanto o desempenho do aluno. Pesquisas mostram que não ter os equipamentos necessários, falta de qualificação, fatores administrativos e condições de trabalho [10] são fontes de estresse entre os professores.  Outros fatores também se constituem em fortes estressores entre estes profissionais, tais como: baixos salários, classes numerosas, desvalorização social da profissão [5].
Com base no que expomos até o presente momento fica evidente que é necessário pensar em estratégias para minimizar a exposição tanto do aluno quanto do corpo docente a fatores estressantes [5]. Muitas vezes aprender a identificar quais são os fatores que estão desencadeando o processo de estresse já muda muitíssimo a situação [5].  A partir do momento que temos consciência sobre o que se constitui em estímulos estressores para cada um de nós, temos a possibilidade de enfrentá-los de uma maneira muito mais efetiva.
É importante ressaltar que o que pode se constituir em um estímulo estressor para uns podem não o ser para outros, cabe ao  professor perceber o que pode estar desencadeando respostas de estresse dentro da sala de aula  e buscar diminuir ou anular estes estímulos estressores. Passamos, dessa forma, a ter mais uma ferramenta para trabalhar contra o fracasso escolar possibilitando que os alunos tenham menos medo de fatores, situações e contextos que possam estar contribuindo para que a aprendizagem seja menos efetiva.

http://nucleotavola.com.br/revista/

BIBLIOGRAFIA
[1] CANNON, W.B. Bodily Changes in the pain, Hunger and hange. New York: Ampleton, 1929.
[2] GUYTON, A. C. Anatomia e Fisiologia do Sistema Nervoso. Editora Interamericana Ltda, Rio de Janeiro, 1977. p.249.
[3] SELYE, H. The Stress of Life. New York: McGrawHill, 1956. Rev. ed. 1976.
[4] BEAR, M. F.; CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Artmed Editora, Porto Alegre, 2002. p.504.
[5] MELLO FILHO, J. Psicossomática hoje. Artmed Editora S.A . Porto Alegre, 1992.p.119.
[6] PINEL, J.  Biopsicologia. Artmed Editora S.A. Porto Alegre, 2005. P. 460.
 [5] Parte superior do formulário
[7] WITTER, G. P. Estresse e desempenho nas matérias básicas.
Revista Estudos de Psicologia, n. Vol. 14, N. 2, Maio/Agosto/1997, p. 3-10, 1997.
[8] LIPP, M.N. & MALAGRIS,L.N. Manejo do estresse. In: Psicoterapia comportamental e cognitiva e de transtornos psiquiátricos.  Editorial Psy II. Campinas, 1995.
[9] MERRELL, K.W. et al. The relationship between social behavior and self-concept in school settings.  Psychology in Schools, 30 (4): 293-298, 1993.
[10] BANDURA, a. Social foundations of thought and action: a social cognitive theory. Printice-Hall, New Jersey, 1986.
[11] WALCZYK, J.J.Testing a compensatory-encoding model. Reading Research Quarterly,  30 (3): 396-408, 1995.WITTER, G.P. Estresse e desempenho nas matérias básicas: variáveis relevantes. In: Estudos de Psicologia, 4 (2): 3-10, 1997.
[12] HEINHOLD, H.H. O estresse do professor primário. Anais do I simpósio sobre o estresse e suas implicações. Campinas: PUCCAMP, 54-61, 1994.
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Funções Cerebrais Superiores


Introdução

Louise Bérubé [1] define as atividades nervosas superiores ou funções cerebrais superiores como as capacidades que mobilizam: (a) um sistema de organização da informação perceptual, (b) a rememoração da aprendizagem anterior, (c) os mecanismos córtico-subcorticais que sustentam o pensamento e (d) a capacidade de tratar duas ou mais informações ou eventos simultaneamente. Estas características separam nossa espécie das demais porque no homem elas alcançaram um desenvolvimento tal que lhe permite, em boa medida, modificar o ambiente e as circunstâncias em que vive de tal forma como nenhuma outra espécie o faz. Até onde sabemos, o animal mais próximo neste sentido é o chimpanzé, que é apto para ajudar-se com um pau com o objetivo de alcançar um fruto. Se esta atitude o aproxima qualitativamente do homem, a diferença quantitativa continua sendo abismal a favor deste último. Esta propriedade se inicia filogeneticamente faz uns oito milhões de anos, mediante sucessivas evoluções; progressivamente, e em um lapso temporal relativamente curto, houve um aumento da sua capacidade craniana até que o homem atual possui cerca de três vezes aquela capacidade original. Provavelmente este desenvolvimento decorreu da necessidade de responder adequadamente a ambientes hostis e prover-se de diferentes alimentos. As funções cerebrais superiores cresceram em paralelo com o aumento do tamanho cerebral e terminaram conferindo à nossa espécie as particularidades que hoje a caracterizam e a diferenciam das outras espécies [2].
O córtex cerebral é o assento anátomo-funcional das mais importantes funções intelectuais ou superiores do indivíduo. O córtex não só contém os corpos neurais principais que suportam as funções consideradas “simples” (em contraposição às superiores), como as motoras, sensitivo-motoras, auditivas ou visuais, mas também integram funções muito elaboradas como a memória, a linguagem, o raciocínio abstrato ou atividades gestuais. As funções cerebrais superiores não se encontram localizadas em centros isolados do cérebro, mas se acham integradas em grupos de regiões que formam uma rede cerebral baseadas em interconexões neurais, isto é, as funções cerebrais têm uma distribuição interconectada, formando uma rede integrada. Ao contrário das funções chamadas inferiores que têm centros ou áreas mais definidas, tais como a mobilidade, sensibilidade, área visual etc. Ainda que, cada vez fique mais evidente que o córtex cerebral não funciona como área autônoma, mas sim como um todo integrado e relacionado com estruturas sub-corticais, não é menos certo que em situações patológicas, lesões muito seletivas de áreas ou zonas críticas produzem manifestações específicas e/ou quase específicas, recordemos, aqui, a lesão na base da terceira circunvolução frontal que produz alteração específica que se denomina “afasia motora de broca”.
Funções cerebrais superiores:
1. Praxia [2]
É a capacidade de executar movimentos aprendidos, simples ou complexos, em resposta a estímulos apropriados, visuais ou verbais (ex. linguagem gestual, execuções musicais, representações gráficas, habilidades motoras etc.). Apraxia é impossibilidade de executar tais movimentos coordenados, embora não haja comprometimento da motricidade e da sensibilidade, ou seja, do sistema executor. Neste caso, a deficiência está nos planejadores (responsáveis pelas seqüências de comandos que produzem os movimentos voluntários complexos) e/ou nos controladores (que zelam pela execução correta dos comandos motores) do SNmotor. Dependendo do tipo de apraxia, podem-se encontrar lesões nos córtices temporais, parietais, occipitais e/ou corpo caloso.

2. Gnose [2]

É conhecimento obtido por meio da elaboração de experiências sensoriais. Cada experiência se confronta com outras já adquiridas, e desta confrontação surge o reconhecimento de aspectos comuns e particulares que a singularizam. As agnosias (dificuldade de realizar tal função) são classificadas segundo o canal sensorial  que se utiliza. Por exemplo, dificuldade ou incapacidade de reconhecer (1) objetos pelo tato – Agnosia Tátil ou Asteriognosia; (2) ruídos, palavras ou música – Agnosia Auditiva; ou ainda, (3) a Agnosia Somestésica, caracterizada pela falta de reconhecimento de partes do seu próprio corpo ou mesmo partes inteiras do espaço extra-corporal. Tais agnosias geralmente apresentam-se em pacientes com lesões do lóbulo parietal. Já as lesões parieto-occipitais (uni ou bilaterais) provocam as Agnosias Visuais as quais implicam, fundamentalmente, falhas ou defeitos no reconhecimento de objetos ou imagens.

3. Linguagem e Fala [2]

A linguagem é um código de sons ou gráficos que servem para a comunicação social entre os seres humanos; qualquer meio sistemático de comunicar idéias ou sentimentos através de signos convencionais, sonoros, gráficos, gestuais etc. A linguagem é formada por 3 componentes básicos: gramática, semântica e sintaxe. A gramática é o componente que organiza os elementos, como os fonemas, morfemas, palavras, frases etc. e os processos de formação, construção, flexão e expressão desses elementos. A semântica é o componente da linguagem que dá significado às palavras; e a sintaxe é o componente do sistema lingüístico que determina as relações formais que interligam os constituintes da sentença, atribuindo-lhe uma estrutura. O assento anátomo-funcional da linguagem está no hemisfério esquerdo em 98% dos destros e em 70% dos canhotos. A atividade majoritária da linguagem se concentra nas chamadas Zonas de Broca, Wernicke, Exner, e supramarginais. Investigações com Ressonância Magnética Funcional demonstraram que também na linguagem ordinária há alguns componentes que são processados no hemisfério direito sobretudo o “tom humoral” e o “tom afetivo”. As afasias (ou agnosia verbal) são caracterizadas pela perda ou transtorno da produção (afasia de expressão tipo broca), compreensão (afasia de compreensão ou de wernicke), ou ambas as coisas (afasia total ou global), da linguagem falada ou escrita. Ou ainda,  dificuldade para nomear os objetos (afasia nominativa)  ou incompreensão da fala de seus interlocutores (afasia receptiva).

4. Atenção

É um mecanismo de focalização dos canais sensoriais ou cognitivos; capaz de facilitar a ativação de certas vias ou regiões cerebrais de modo a colocar em 1º plano a sua operação, e em 2º plano a operação de outras regiões. A atenção sensorial ou percepção seletiva se dá quando focalizamos a atividade cerebral em estímulos sensoriais (um ruído, uma luz); este mecanismo funcionaria como um facilitador da respostas neurais que ocorrem tanto nas áreas sensoriais quanto nas áreas associativas. Quando a atividade cerebral é focalizada em um processo mental, como um cálculo matemático, uma lembrança, um pensamento, ela é denominada atenção mental ou cognição seletiva. Este mecanismo funcionaria como modulador das informações processadas pelo córtex pré-frontal dorsolateral e seria realizado prioritariamente pelo córtex cingulado anterior (ver funções executivas mais adiante). Comprometimentos pré-frontais e parietais posteriores de distinta etiologia podem levar a uma deficiência atencional (hipoprosexia) caracterizada clinicamente pela facilidade e freqüência com a qual estímulos irrelevantes interferem no processo atencional.

5. Memória

A memória se define como a faculdade do cérebro que permite registrar experiências novas e recordar outras passadas. Dito em outros termos, é a capacidade de incorporar, armazenar e evocar informações de forma clara e efetiva.
Se podem distinguir três fases ou seqüências: (a) aprendizagem: recepção e registro da informação, (b) armazenamento (ou consolidação): computa sua codificação cerebral e (c) recordação: evocação e reconhecimento das informações outrora armazenadas.
A. Memória Imediata Também chamada de memória de curto prazo ou memória de trabalho. Este tipo de memória mantém durante alguns segundos, no máximo alguns minutos, a informação que está sendo processada no momento; sua capacidade é limitada (aproximadamente sete itens) e as informações são mantidas por processos de atenção e ensaio. Esta espécie de memória diferencia-se das demais por não deixar traços e não produzir arquivos. A memória imediata é processada, fundamentalmente, pelo córtex pré-frontal (porção mais anterior do lobo frontal).
B. Memória Operacional Também chamada de memória de curta-duração ou memória de trabalho ou memória recente. Este tipo de memória retém as informações durante um período de tempo cuja duração é determinada pelo lapso temporal interposto entre o momento da aquisição da informação e aquele no qual sua evocação deixa de ser útil ou necessária; sua capacidade não é limitada a um número específico de itens. Este gênero de memória deixa traços e produz arquivos os quais, em determinado momento, podem ser “apagados” ou então “transferidos” definitivamente para o sistema de memória de longo prazo. Esta classe de memória depende dos respectivos sítios de processamento sensoriais – de acordo com a origem perceptual da informação – e de estruturas do lobo temporal, em especial da formação hipocampal além dos corpos mamilares (diencéfalo).
C. Memória de Longo Prazo Também chamada de memória remota. Este é um sistema de memória permanente. As informações são armazenadas após o processo de consolidação. Fazem parte deste sistema os subsistemas: declarativo ou explícito e o não-declarativo ou implícito.
C.1. Memória Declarativa ou Explícita: Neste sistema existe acesso consciente ao conteúdo da informação, onde são armazenadas as informações sobre as pessoas, os lugares e os eventos da vida diária. O processo de consolidação das informações depende das estruturas do lobo temporal medial (hipocampo, o córtex entorrinal, o córtex parahipocampal e o córtex perirrinal), diencéfalo e respectivos sítios de processamento sensoriais; é o tipo de memória prejudicada nos pacientes amnésicos. Este sistema está subdividido em: Memória Episódica: reúne as memórias para eventos, sendo autobiográfica e Memória Semântica: reúne as memórias para fatos e conhecimentos gerais acerca do mundo.
C.2. Memória Não-Declarativa ou Implícita: Também chamada de memória de procedimento ou procedimental. As informações deste sistema são adquiridas gradualmente ao longo de diversas experiências; As informações processadas neste sistema resultam da experiência, porém, a evocação é expressa como uma mudança no comportamento, não como uma lembrança (recordação); sendo assim, só pode ser evidenciada por meio do desempenho. Depois de tornada automática, não há acesso consciente ao conteúdo da informação e o processo é independente da atenção. O processo de consolidação não depende das estruturas do lobo temporal, mas sim da repetição da tarefa, o que provoca a ativação repetida nos sítios de processamento sensoriais. Os subsistemas da memória não-declarativa estão associados a diferentes estruturas do sistema nervoso: habilidades e hábitos associam-se aos núcleos basais, pré-ativação ao neocórtex, condicionamento clássico simples relaciona-se à amígdala nas respostas emocionais e ao cerebelo nas respostas da musculatura esquelética, a aprendizagem não-associativa, por seu turno, vincula-se às vias reflexas.
Amnésia é a incapacidade parcial ou total de reter e evocar informações.  Qualquer processo que interfira com a formação de uma memória a curto-prazo ou a sua fixação em memória de longo prazo resulta em amnésia. Amnésia Retrógrada (Distúrbio de Evocação): Incapacidade de recordar acontecimentos ocorridos antes do estabelecimento do distúrbio. Amnésia Anterógrada (Distúrbio de Retenção): Incapacidade de armazenar novas informações. Pessoas que tenham lesões nas estruturas temporais mediais apresentam a chamada amnésia orgânica, ou síndrome amnésica ou amnésia do LTM:
· Caracterizada por uma amnésia anterógrada.
· Amnésia retrógrada em graus variados, mas restrita aos anos, meses ou dias que antecederam o agente amnésico; a memória para eventos remotos se mantém intacta.
· Deficiência na formação de novas memórias: memória operacional e memória declarativa  (episódica e semântica).
·  As memórias não declarativas e a memória imediata estão preservadas.
6. Funções Executivas ou Funções Intelectuais Superiores

O termo funções executivas (FE) designa os processos cognitivos de controle e integração destinados à execução de um comportamento dirigido a objetivos, necessitando de sub-componentes como atenção, programação e planejamento de seqüências, inibição de processos e informações concorrentes e monitoramento. São funções de mais alta hierarquia e estão asseguradas pelo funcionamento normal dos lóbulos frontais com os setores multimodais da parte posterior do cérebro.
figura 1
figura 1
O lobo frontal, particularmente a região pré-frontal, tem sido relacionado com essas funções. O córtex pré-frontal (situado anteriormente às regiões motoras) ocupa cerca de ¼ do córtex humano, o que em termos relativos representa a maior proporção entre todos os animais. O CPF estabelece conexões recíprocas com praticamente todo o encéfalo: todas as áreas corticais, vários núcleos do tálamo e núcleos da base, o cerebelo, a amígdala, o hipocampo e o tronco encefálico. Tal variedade de conexões possibilitaria tal região a exercer funções de controle coordenação geral das funções mentais e do comportamento. Pode-se reconhecer três grandes regiões funcionais; cujo funcionamento conjunto seriam responsáveis pelas atividades intelectuais superiores (ver Figura 1):
(A) a região dorsolateral (CPFdorsolateral) [DL], recebe informações que entram através dos sistemas sensoriais e chegam a ele por meio de abundantes conexões aferentes provenientes das áreas corticais sensoriais e associativas; sua função seria de comparar as informações novas com aquelas armazenadas na memória de longo-prazo.
(B) a região cingulada anterior (córtex cingulado anterior) [CA] seria o responsável pela focalização nas informações que chegam ao CPF dorsolateral (atenção mental ou cognição seletiva), ou seja, ele filtraria ou modularia informações processadas pelo CPF dorsolateral.
(C) a região ventromedial [VM], encarregado de adequar os dados do presente que vêm sendo processados pelo CPFdorslateral, com os objetivos de longo, médio e curto prazo estabelecidos pelo indivíduo, e com as demais circunstâncias pessoais e sociais envolventes. Assim, o CPFventromedial seria responsável pelo planejamento dos comportamentos necessários para a concretização dos objetivos, estaria envolvido com o planejamento de ações, do raciocínio e com o ajuste social do comportamento em conjunto com o córtex órbito-frontal [OF].
Envelhecimento [3]

1. O número de neurônios começa a diminuir a partir dos 30 anos. O número perdido, toda­via, é somente uma pequena porcentagem do número total de células encefálicas, e não prejudica as funções cognitivas.
2. A velocidade de condução do impulso dimi­nui ao longo de um axônio; quantidades de neurotransmissores são reduzidas; o número de locais receptores diminui nas sinapses. Essas alterações resultam em uma progressiva lentidão das respostas e dos reflexos.
3. Enquanto uma diminuição da memória de curto prazo pode causar alguns esquecimentos, a maior parte da memória – o estado de alerta, as funções intelectuais e a criatividade – permanece intacta. Alterações graves das funções cognitivas geralmente se devem a doenças relacionadas com a idade, como a arterioesclerose; ou ainda, a Doença de Alzheimer, doença degenerativa do encéfalo que ocorre geralmente em pessoas idosas. Essa doença é caracterizada pela perda progressiva da memória e prejuízo da função intelectual. Evidências sugerem atrofia encefálica, especialmente dos lobos frontal e temporal.
Referências Bibliográficas
[1] Louise Bérubé (1991). En terminologie de neuropsychologie et de neurologie du compartament. Montreal: Les Edicions de la Cheneeliére Inc.
[2] Roberto Rodríguez Rey (2004). Funciones Cerebrales Superiores. Facultad de Medicina – Universidad Nacional de Tucumán – Argentina. http://www.fm.unt.edu.ar/ds/Dependencias/Neurologia/Funciones%20Cerebrales%20Superiores2.PDF (acessado em 31/05/2008).
[3] Herlihy, B. & Maebius, NK. (2002). Anatomia e Fisiologia do corpo humano saudável e enfermo. Barueri: Ed. Manole.
Bibliografia
Lent, R (2001). Cem Bilhões de Neurônios – Conceitos fundamentais de neurociências. São Paulo: Editora Atheneu.
Bear, MF; Connors, BW & Paradiso, MA (2002). Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 2.ed, Porto Alegre: Editora Artmed.


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Atividades de Coordenação Motora Fina

 


1) Pintura com os dedos - Trabalhar mobilidade dos dedos


2) Furador de papel (flores,estrelas,coração)- trabalhar fortalecimento muscular no dedo indicador depois realizar uma colagem com os desenhos.


3) Labirinto- colocar dentro saco ziploc com fita adesiva e gel de cabelo com bolinhas de gude.Trabalhar dedo indicador o caminho com a bolinha de gude.


4) Colocar moedas dentro do cofrinho -trabalhar o dedo indicador e polegar.


5) Colar os adesivos de bolinha dentro das
bolinhas desenhadas no papel.


6) Transferir os cereais(arroz,feijão,milho) de uma vasilha para potes de iogurte com colher sem deixar derramar.Pode brincar faz de conta-inventar uma receita e nomear os ingredientes e depois escolher os nomes das pessoas da familia ou da escola para oferecer a comidinha. 


7) Brincadeira com areia- colocar com as mãozinhas a areia dentro do funil e balde.


8) cartelas com as letras e colocar o pregador de roupa na letra representada.Trabalhar fortalecimento muscular dedo indicador e polegar.


9) Escrever as letras com o dedo indicador -trabalhar os movimentos do dedo para sentido e direção correta das letras.


10) Escrever as letras do alfabeto com cola colorida e passar o dedo indicador em cima da letrinha.Pode confeccionar cartões com as letras com texturas diferentes(emborrachado,lixa,espuma) -Trabalhar a percepção tátil e os movimentos do dedo indicador -preparação para escrita. Depois pode brincar com criança,falar uma palavra com a letra(associação).


11) Pegar objetos pequenhos com palitinho de japonês ou de cabelo(colocar uma gominha para facilitar os movimentos abrir e fechar) e transferir os objetos para vasilha.


12) Jogo de pinos ou Resta um -Trabalhar os movimentos pinça fina indicador e polegar para encaixe dos pinos.



13) Pegar bolinhas de algodão com pegador de saladas o de macarrão e colocar dentro dos potes.Trabalhar o movimento abrir e fechar com movimentos do dedo indicador e polegar.Depois,a criança pode contar a quantidade de bolinhas no pote ou noção quantidade(muito/pouco).


14) Colorir o desenho dentro do limite no plano vertical -trabalhar fortalecimento muscular na parte ombro e braço.
Fonte:  http://autismovivenciasautisticas.blogspot.com
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Dificuldade para engolir é sintoma, não doença!


Problemas para engolir alimentos líquidos e sólidos atingem todas as idades. Mas chamada disfagia orofaringica não é uma condição em si, mas um sintoma de outros problemas de saúde. “A disfagia é a dificuldade de levar os alimentos da boca até o estômago. Apesar da ideia comum de que esse transporte é algo simples – é só engolir – esse processo de deglutição envolve vários orgãos do corpo, já que engolir algo não se dá pela força da gravidade mas dos movimentos peristálticos que empurram o alimento para o estômago”, explica Roberta Gonçalves, fonoaudióloga que coordena o Departamento de Disfagia da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa).

“A disfagia não é só uma questão que envolve mastigação, mas também orgãos das vias aéreas superiores, que dividem suas funções com a respiração também. O principal perigo da disfagia é quando líquidos e sólidos se desviam do seu caminho natural e vão parar no pulmão”, completa Roberta que é pesquisadora ligada à Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília.

Aumento do risco de morte
A disfagia pode levar, por exemplo, à infecções diversas no pulmão. Entre elas está o risco de pneumonia. As infecções nas vias aéreas superiores – das quais faz parte o pulmão – são uma das principais causas de óbito em idosos hospitalizados. Mas a idade não é um determinante. Bebês também podem ter problemas de disfagia, e correm os mesmos riscos de morte de idosos.
“Crianças pequenas que têm muitos problemas respiratórios, como gripes e resfriados constantes e pneumonias, podem não ter doenças pulmonares, mas sim algum tipo de disfagia. Pais que afirma que seus filhos ‘estão sempre resfriadinhos’ precisam estar atentos para condiçoes não diagnosticadas – como síndrome genéticas – que podem estar levando a esse quadro de problemas respiratórios”, alerta a especialista.

Disfagia em adultos pode estar relacionada com câncer de cabeça e pescoço
Algumas condições de saúde estão associadas diretamente à disfagia ou problemas de deglutição. No caso dos Acidentes Vasculares Cerebrais (o AVC ou o popular “derrame”) a disfagia é encontrada em 97% dos casos. O AVC é mais comum em indivíduos adultos ou idosos, especialmente aqueles com vida sedentária, tabagistas e cuja alimentação passa longe da saudável (com grande consumo de gorduras saturadas, por exemplo).
Outras condições neurológicas, também mais incidentes em pessoas mais velhas, estão associadas à deglutição comprometida. A Doença de Alzheimer e o Parkinson, são exemplos. “Engolir é um ato involuntário que é controlado pelo cérebro. Qualquer problema neurológico, especialmente aqueles que compromentem a movimentação e o controle dos músculos, pode causar a disfagia”, diz a especialista.
Adultos que estão fora da faixa de risco para essas doenças neurodegenerativas, mas que sofreram algum tipo de trauma encefálico (como aqueles em acidentes automobilísticos) também têm um alto risco de desenvolver a disfagia.
Já quando o assunto são os câncer de cabeça e pescoço – uma lista longa que pode atingir vários orgãos nessa região – a disfagia está presente em 100% dos casos.
“Se há essa dificuldade de engolir e ela está se agravando, com engasgos frequentes ou desvio do alimento, pode haver um câncer de cabeça e pescoço se instalando”, observa Roberta.

Não só engasgos e problemas de pulmão: disfagia também pode levar à desnutrição
A desnutrição causada pela disfagia é comum em indivíduos idosos e nas crianças. No primeiro caso, o AVC e outras condições neurológicas são um desafio para os familiares e, portanto, quando esses voltam para casa após alguma intervenção hospitalar é preciso dobrar a atenção.
“A alimentação, nesses casos, compreende todo um processo de readequação das rotinas. Os idosos comem mais devagar, engasgam e por ser cansativo ou pelo fato de haver pouco ou nenhum prazer na alimentação eles podem comer cada vez menos. Os cuidadores precisam estar atentos para essa nova dinâmica e sempre ficar atentos ao nível ideal de ingestão alimentar”, diz Roberta.
No caso das crianças, em especial daquelas em idade onde a verbalização ainda não está presente, novamente é preciso atenção redobrada. “Problemas para deglutir causam traumas e essas crianças vão deixando de se alimentar corretamente”, alerta.

Diagnóstico difícil e falta de preparo de profissionais médicos
Além do risco de morte, pode trazer problemas pulmonares e nutricionais a disfagia também aumenta – em muito – os custos de uma internação. Isso porque pessoas com problemas para deglutir podem acabar precisando de sondas de alimentação, um conjunto de aparelhos que evita a total desnutrição do paciente ao custo que pode variar dos R$ 3 aos R$ 4 mil por mês.
Para evitar esse aumento nos custos de internação o ideal é diagnosticar o mais rápido possível a disfagia e contar com um profissional de fonoaudiologia na equipe multidisciplinar que atende pacientes com o risco da disfagia ou com o problema já instaurado.
Mas muitos profissionais médicos e de enfermagem não conseguem reconhecer os primeiros indícios da disfagia. Pior: alguns profissionais de saúde ainda se valem de uma metodologia de diagnóstico precária e datada, ao invés de uma análise clínica acompanhada pelo profissional de fonoaudilogia.
“Há muitos anos atrás o diagnóstico para uma possível disfagia era feita fazendo com que o paciente ingerisse uma certa quantidade de gelatina, um alimento pastoso que é relativamente fácil de engolir. Caso o paciente tivesse acessos de tosse, ele provavelmente estava sofrendo com a disfagia. Primeiro, o método é, convenhamos, arcaico. Segundo, trazia riscos para a saúde do paciente pois, caso ele estivesse com problemas de deglutição a gelatina poderia parar no pulmão, gerando uma infecção”, explica Roberta.
“Os protocolos atuais determinam que a avaliação deve ser feita por uma equipe multidisciplinar e que tenha, necessariamente, um profissional de fonoaudiologia. Isso já é lei inclusive para pacientes com AVC e em maternidades. Mas não para todas as condições que incorrem no risco da disfagia, ainda. Então depende-se muitas vezes da sensibilidade e preparo do profissional médico para pedir presença do fonoaudiólogo. Esperamos que isso mude no curto prazo”, indica Roberta.
“Uma boa avaliação e uma intervenção para a reversão do quadro da disfagia é, comprovado pelos diversos estudos feitos no Brasil – e cujas pesquisas na área é reconhecida mundialmente – a melhor forma de proteger os pacientes de pioras na sua saúde como um todo”, finaliza a pesquisadora.
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por Enio Rodrigo

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Gagueira, audição e motricidade

Pessoas que gaguejam integram som e movimento em parte diferente do cérebro, revela novo estudo.
Ouvir Mozart em alto volume enquanto se recita Shakespeare pode suprimir momentaneamente a gagueira em pessoas que possuem o distúrbio. O fenômeno, mostrado no filme vencedor do Oscar 2011 (veja figura), não foi usado na história apenas como um mero recurso de ficção. Apesar de efêmero, o efeito quase miraculoso obtido a partir do mascaramento auditivo – nome dado à estratégia clínica de indução de fluência em que a pessoa que gagueja fica impedida de escutar o som da própria voz – é real e indica que a integração das funções auditiva e motora desempenha um papel chave na fluência (ou disfluência) da fala.
Lionel Logue aplica a técnica do mascaramento auditivo em Bertie.
Lionel Logue aplicando a técnica do mascaramento auditivo em Bertie em cena do filme O Discurso do Rei. Efeito obtido com a técnica não é ficcional e indica que a integração das funções auditiva e motora desempenha um papel chave na fluência (ou disfluência) da fala. (clique p/ ampliar)
Ao investigar como se dá a integração auditivo-motora no cérebro de pessoas com gagueira, uma nova pesquisa descobriu algo revelador: em adultos que gaguejam desde a infância, os processos que integram som e movimento estão localizados em uma parte diferente do cérebro quando os comparamos com adultos que não gaguejam. A surpreendente descoberta foi publicada na edição de setembro de 2011 da revista científica Cortex.
Dra. Nicole Neef e Dr. Martin Sommer da Universidade de Göttingen, juntamente com a Dra. Bettina Pollok da Universidade de Duesseldorf, estudaram o desempenho de um grupo de adultos que gaguejam, bem como de um grupo controle de adultos que não gaguejam, em um exercício de bater os dedos das mãos em sincronia com um som. Eles então usaram estimulação magnética transcraniana para interferir temporariamente com a atividade cerebral no córtex pré-motor dorsolateral (v. fig.) enquanto os participantes batiam os dedos em sincronia com os cliques que estavam ouvindo.

 Em movimentos que dependem de input auditivo, a integração das funções auditiva e motora ocorre no córtex pré-motor dorsolateral.

Integração auditivo-motora ocorre no córtex pré-motor dorsolateral.
No grupo controle, a perturbação do córtex pré-motor esquerdo prejudicou a sincronia das batidas, mas a perturbação do córtex pré-motor direito não teve nenhum efeito sobre a tarefa. No grupo de adultos com gagueira, o padrão foi invertido: a precisão da batida foi afetada quando o córtex pré-motor direito estava sendo perturbado; perturbar o lado esquerdo não interferiu na execução da tarefa.
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que a gagueira estava relacionada a um fluxo de sangue maior que o normal nas áreas motoras e pré-motoras do hemisfério direito durante a fala. Neste novo estudo, a mudança no local de integração das funções auditiva e motora para o lado direito do cérebro ocorreu mesmo em uma tarefa que não envolvia diretamente a fala.
Assim, no cérebro de adultos que gaguejam, parece ter ocorrido uma profunda reorganização de algumas redes neurais, possivelmente compensando sutis alterações na matéria branca nas regiões frontais inferiores do hemisfério esquerdo do cérebro – o hemisfério naturalmente habilitado a processar fala.
Nas palavras dos autores do estudo:
“Esta descoberta indica uma extensa reconexão neuronal das funções relacionadas à temporalização do movimento em pessoas que gaguejam, dando suporte à hipótese de uma abrangente reorganização neurofisiológica do sistema de controle motor em pessoas que gaguejam. Uma vez que, antes do uso de estimulação magnética transcraniana, o desempenho de ambos os grupos na tarefa não diferiu, sugerimos que o envolvimento aumentado do córtex pré-motor dorsolateral direito em pessoas que gaguejam, ao invés de ser um processo contra-adaptativo, representa na verdade um processo de compensação.”
Este estudo lança mais luz sobre a extensão das alterações cerebrais na gagueira do desenvolvimento persistente, mostra que o distúrbio possui assinaturas neurológicas muito distintas e também evidencia que, futuramente, será possível refinar o diagnóstico da gagueira através de exames que vão além da análise da fala do paciente.

Veja a entrevista com o Neurocientista MARTIN SOMMER



www.gagueiraonline.com.br
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Exercícios e manobras para tratamento das disfagias


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