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Terapia de Fala II – Componentes articulatórios dos fonemas


A seguir uma descrição dos principais requisitos para a produção de cada fonema e de algumas estratégias para a instalação de sua aquisição.
Componentes articulatórios dos fonemas
  • p ,b, m
O elemento comum e básico para a articulação destes sons é a oclusão da boca. osmúsculos da mastigação fecham a mandíbula de forma que os dentes posteriores ficam próximos, mas não juntos uns dos outros, permitindo a ampliação do espaço intra-oral e facilidade de trabalho para o orbicular, que deverá manter os lábios unidos. Para o /p/ e /b/ deve haver perfeita oclusão da passagem para a rinofaringe, enquanto para o /m/ o ar flui, em parte, por ela. A posição de língua não é importante nesta articulação, variando com o fonema que segue estes sons.
  • k, g
O aspecto essencial para a produção destes sons é o contato entre a parte posterior da língua e o palato, de forma a constituir-se uma barreira ao ar expirado. Isto é conseguido pelo alargamento e elevação do terço posterior da língua. O ponto de contato entre esse órgão e o palato varia de acordo com a vogal que segue estes sons, assim como a abertura e configuração dos lábios é influenciada por elas. Para o /k/ a passagem para rinofaringe está fechada, enquanto para o /g/ está aberta.
  • t, d, n, ƞ
O aspecto básico para a articulação destes sons é a formação de uma câmara na porção superior da cavidade bucal, tendo como limite inferior a língua em contato com as paredes internas dos dentes superiores. O  lugar exato de contato entre a línua e o palato não é básico para a produção destes fonemas, que podem inclusive ser produzidos com a ponta da lígua fora do limite das arcadas ou apoiada atrás dos incisivos inferiores, efetuando-se a oclusão com o dorso da língua.
  • s, z
As condições articulatórias essenciais para a produção destes sons é a criação de certas circunstâncias que possibilitem a produção de um turbilhão de grande velocidade no momento da expiração. Para a formação deste turbilhão, é necessário que o ar, contido em uma câmara formada pela parte posterior da língua e palato, seja pressionado por um estreito canal formado pela região anterior do palato e o dorso da língua sobre a qual se produz um sulco longitudinal, até colidir com a superfície cortante dos dentes incisivos. A mandíbula está afastada o suficiente para facilitar o escape do ar. oas lábios assumem a configuração requerida pela vogal que seguem estes sons.
  • ʃ, Ʒ
As condições mínimas articulatórias para a realização destes fonemas são semelhantes às anteriores, com exceção do sulco sobre o dorso da língua, que se aplana em virtudes do movimento de retração e alargamento de sua região anterior. Desta forma, a superfície do atrito do ar com a região das pregas alveolares passa ser maior e mais acentuada.
  • f, v
o contato labiodental é produzido por um pequeno movimento para dentro do lábio inferior. O contato entre lábio inferior e dentes superiores é débil, permitindo o escape do ar entre ambos. Nestas produções, apenas o contato entre lábio inferior e dentes superiores é pertinente.
  • l, ʎ
Na realização destes sons, a posição da mandíbula e dos lábios varia de acordo com a vogal que os sucede. O aspecto essencial nestas realizações é a obstrução central da saída do ar que se dá pela região lateral. As regiões da língua e do palato que entram em contato não são relevantes para a produção.
  • r, R
O aspecto básico requerido para a realização destes fonemas é o bloqueio da corrente aérea em um determinado porto da cavidade bucal, através do contato da língua com o palato e a interrupção momentânea desse bloqueio pela pressão aérea que se forma atrás dele. O caráter de vibração é obtido pelo número de sucessão destes movimentos. Assim sendo, é essencial para estas realizações: o bloqueio da corrente aérea expiratória, a pressão formada por ele, o rompimento do bloqueio e o reinício do mesmo após a redução da pressão.
Bibliografia
Spinelli VP, Massari IC, Trenche MCB. Temas em Fonoaudiologia. 9ª ed.
São Paulo: Loyola; 1989. Cap. Distúrbios Articulatórios.
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Psicomotricidade e Desenvolvimento Infantil

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A Evolução do Desenho Infantil

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Saúde Mental e Fonoaudiologia


Muito interessante a experiência da colega Kelem! A Fonoaudiologia mais uma vez se expandindo cada vez mais!!! Sabemos que a Psicanálise e a Fonoaudiologia andam juntas há 30 anos!

Título  ATUAÇÃO DA FONOAUDIOLOGIA EM SAÚDE MENTAL - EXPERIÊNCIA DO CAPSI ÁGUA VIVA – Fonoaudióloga Kelem Darc de Santana

Entre as diretrizes da Reforma Psiquiátrica, destaca-se a de \" garantir espaços de promoção de saúde mental, estimulando a criação de grupos de convivência e de oficinas terapêuticas na comunidade, trabalhando de modo interdisciplinar e investindo na saúde mental de crianças e adolescentes\". \"Goiânia se caracteriza por ser uma cidade de população predominantemente jovem. Segundo o Censo de 2000 (IBGE), 68.4% da população tem idade inferior a 34 anos e  destes, 39.1% estão na faixa etária de 0-19 anos)\". Com o fim de atender a esta demanda está o fonoaudiólogo que, no caso deste CAPSi trabalha com algumas finalidades: - esclarecer acerca do desenvolvimento de linguagem; contribuir para a conscientização sobre a necessidade de cada etapa deste desenvolvimento, estimulando e criando situações de desafio e de promoção do potencial da criança e do adolescente; propiciar momento de reflexão acerca das práticas educativas que envolvem tanto a relação pais e filhos, quanto as ações institucionais envolvidas com a criança e o adolescente, com vistas à sua inclusão social e desenvolvimento de sua cidadania. Para tanto, os atendimentos são realizados preferencialmente em grupos como de estimulação de linguagem, de estimulação cognitiva, de comunicação, de aprendizagem, além de oficinas abertas e grupos de família e, mediante a necessidade, de maneira individualizada e personalizada. O trabalho fonoaudiológico é ainda incrementado por projetos ligados à infância e juventude que ultrapassam os limites físicos da unidade, em geral coordenados por fonoaudiólogos e psicólogos. Vê-se, portanto, a consonância com o modelo assistencial em saúde mental, cuja diretriz e princípio do Ministério da Saúde com vistas à Reforma Psiquiátrica é a universalização da atenção básica. No parágrafo 133 do relatório da III Conferencia Nacional de Saúde Mental fica aprovada a seguinte proposta: Garantir acesso do portador de transtornos mentais ao tratamento de FONOAUDIOLOGIA na Rede Básica de Saúde.

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Cuidados com a Voz!


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Teste de ATM - veja se você possui uma disfunção!


TESTE DE ATM

Questionário de triagem recomendado para DTM segundo a Academia de dor Orofacial:
1) Voce tem dificuldade, dor, ou ambas, ao abrir sua boca, por exemplo, ao bocejar?
 sim       não

2) Sua mandíbula fica presa, travada ou sai do lugar?
 sim       não

3) Você tem dificuldade, dor, ou ambas, ao mastigar, falar ou usar seus maxilares?
 sim       não

4) Você percebe ruídos na articulação de seus maxilares?
 sim       não

5) Seus maxilares ficam rígidos, apertados ou cansados com regularidade?
 sim       não

6) Você tem dor nas ou ao redor das orelhas, têmporas ou bochechas?
 sim       não

7) Você tem cefaléia, dores no pescoço ou nos dentes com freqüência?
 sim       não

8) Você sofreu algum trauma recente na cabeça, pescoço ou maxilares?
 sim       não

Confira o resultado:
Se vc marcou 'sim' nas questões 1, 3, 5, 6 e 7: existe a possibilidade de Desordens Extracapsulares.

Se vc marcou 'sim' nas questões 1, 2, 4 e 8: existe a possibilidade de Desordens Intracapsulares.

Se você marcou questões que indiquem a presença de patologias tanto intra como extra capsulares, é possível que você possua as duas patologias.
Esse teste não indica a existência de problemas.
Havendo a possibilidade de alguma desordem, agende uma consulta com um especialista.
Ele fará o diagnóstico sobre suas condições e indicará o tratamento adeqüado.

Informações gerais sobre Dtm e Dor Orofacial em forma de perguntas e respostas.
1- Qual o perfil de um paciente portador de dor de cabeça relacionada à DTM (disfunção temporomandibular) e dor orofacial?

R- O paciente portador desta disfunção é um portador de dor crônica, devido a demora de anos para procurar ajuda, alguns relatam que já acostumaram a viver com a dor, em virtude dos sinais e sintomas serem um tanto subjetivos podendo estar ligados a outros problemas médicos como: depressão, otológicos, enxaqueca, dificuldade visual. Estes pacientes quando me procuram geralmente relatam uma verdadeira “via sacra” à procura de tratamento, são atendidos por todos e ao mesmo tempo por ninguém, estão perdidos, sem direção e desamparados, e o pior, continuam levando a vida acompanhados de suas dores e segundo o relato de alguns: uma vida sem cor, uma vida em branco e preto. No aspecto psicológico observamos que este paciente dificilmente consegue colocar limites nos outros, apresenta dificuldade no dia a dia em: dizer não, em delegar tarefas aos outros (pois imagina que ninguém poderia fazer melhor que ele), em dedicar um pouco de tempo para si mesmo, enfim este tipo de paciente tem que aprender a dosar com equilíbrio e a viver um pouco mais para a realização de seus desejos, objetivos e sonhos e não tanto em função dos outros.
2- Se eu me encaixar neste perfil, o que devo fazer para ficar livre da dor?

R- Em primeiro lugar, o paciente deverá ter “vontade” de se curar, não se conformar em sentir dor, e, procurar ajuda. Esta patologia não escolhe classe social, sexo, nem idade. O correto é procurar um profissional especialista em DTM e Dor orofacial, que estará apto a realizar um diagnóstico diferencial de todas as outras dores que se manifestam nesta área, tratar o que for de seu âmbito ( dores de cabeça relacionadas à ATM e aos músculos da mastigação ), e encaminhar o que não for para outros especialistas. E só um profissional especializado pode entender os mecanismos da dor e interpretá-la nos seus aspectos subjetivos, pois esses são os mais importantes a serem considerados no diagnóstico elaborado pelo profissional, pois a dor, sendo subjetiva, tem sua intensidade variada de acordo com o individuo, com seu estado emocional e com a sua doença . Portanto, a capacidade em diagnosticar, tratar e controlar as dores que se manifestam no complexo orofacial, principalmente no caráter crônico e no controle das dores originadas nos músculos da mastigação e na articulação temporomandibular é de responsabilidade deste profissional especialista em DTM e DOF.
3. Qual é a atuação do especialista em Disfunção Temporomandibular (DTM) e Dor Orofacial?

R- O cirurgião dentista, especialista em DTM e Dor Orofacial, recebe um treinamento intensivo com o objetivo de diagnosticar e tratar os casos de dores agudas e controlar de uma maneira mais eficiente os casos de dores crônicas, que se originem e se manifestem no complexo orofacial. Este profissional deverá estar também habilitado a realizar o diagnóstico diferencial de outras patologias que possam gerar dor neste segmento.
4. O que é um diagnostico diferencial?

R- Na maioria das vezes em um quadro doloroso pode existir uma sobreposição de sintomas oriundos das mais diversas áreas do organismo. Detectá-los, e entender o complexo mecanismo envolvido neste quadro, deverá ser o objetivo a ser atingido. Sempre o diagnóstico trará conseqüências ao paciente, tranqüilizadoras ou não. Portanto realizá-lo com um profissional especializado na área e sendo o mesmo bem conduzido, ajudará o paciente a atingir seus objetivos no tratamento.
5. Qual é a relação da oclusão dental e as DTMs?

R- Na literatura atual, vários estudos foram realizados com a finalidade de se determinar a real contribuição da oclusão para o desenvolvimento da DTM, entretanto os resultados destes estudos tem se mostrado controversos.
Dados atuais mostram com clareza que em cerca de somente 3 % dos pacientes com DTM, o fator causal da doença está relacionado à sua oclusão.
6. Qual é o perfil do paciente com DTM?

R- Alguns autores chegam a dizer que esta é uma doença própria das mulheres em fase reprodutiva (15 a 45 anos). Há em média uma proporção de 9 mulheres para cada homem. Sua incidência anual é baixa, cerca de 1% à 2% por ano (estimativa Sueca); se extrapolarmos para o Brasil deveremos ter cerca de dois milhões e meio a três milhões de novos pacientes com DTM por ano. Sua prevalência é maior, pois a DTM é uma patologia de longa duração. Um grande número dos pacientes com DTM que nos procura relatam uma verdadeira “via sacra” a procura de tratamento, este paciente se sente perdido sem saber onde se tratar, com quem se tratar, e o pior, não sabem nada sobre a doença para a qual procuram tratamento. Relata-nos o uso de dispositivos oclusais, colocação ou troca de próteses, tratamento ortodônticos ou ortopédicos, uso inadequado de medicamentos e até cirurgias. Muitos destes procedimentos são realizados de maneira correta dentro das especialidades, porém sem nenhum efeito em relação à DTM. No aspecto psicológico observamos algumas características peculiares na maioria dos pacientes como dificuldade em: dizer não, delegar tarefas aos outros, dedicar um pouco mais de tempo para si mesmo, ter algum hobby, impor limites aos outros, não se sobrecarregar, etc.
7. Quais são os sinais e sintomas mais comuns em pacientes com DTM?

R- Dor de cabeça e/ou na face, sons e/ou dor ao abrir/fechar a boca, dificuldade de abrir a boca ao acordar, sensação de cansaço e/ou dor ao mastigar, bocejar e ao acordar, travamento ao abrir/fechar a boca, alteração brusca na oclusão dental, realizar movimentos não lineares ao abrir/fechar a boca e alguns tipos de zumbido nas orelhas, entre outros.
8. Como é a atuação do especialista em DTM em pacientes portadores de zumbido na orelha? 

R- Alterações da musculatura da mastigação podem alterar estruturas anatômicas que estão relacionados diretamente com a orelha média e o sistema auditivo. Diante dessas alterações devemos atuar de maneira multidisciplinar, ou seja, com profissionais de áreas afins (neuro ou otorrino) objetivando assim a melhora de nosso paciente.
9. Como é o atendimento em uma clínica interdisciplinar no tratamento de pacientes com DTM?

R- Nosso atendimento prioriza o paciente portador de DTM e dor orofacial ,portanto de maneira interdisciplinar ,ou seja, os profissionais das diversas áreas da saúde que atuam nesta área interagem quando necessário com o intuito de cada um contribuir com o conhecimento inerente à sua área com a finalidade de melhor conduzir os diversos tratamentos. Por exemplo, um médico reumatologista no acompanhamento de um paciente com artrite reumatóide e que apresente comprometimento das ATMs e dos músculos da mastigação. ou um neurologista no caso do paciente que além da DTM também apresente uma migrânia (enxaqueca). O especialista em DTM irá conduzir o tratamento relativo às ATMs e aos músculos da mastigação, tendo os outros especialistas médicos, nestes casos, o reumatologista e o neurologista dando o suporte necessário em relação às outras comorbidades.
10. Qual é a abordagem atual no tratamento e controle dos pacientes com DTM?

R- O tratamento mais adequado é sem duvida aquele baseado em um correto diagnóstico e esse diagnóstico deverá ser realizado por um profissional com conhecimento da natureza multifatorial dos fatores etiológicos contribuintes, pois a etiologia das DTMs, apesar de não estar ainda totalmente compreendida, deve ser encarada como de natureza multifatorial e dinâmica. A partir deste conceito devemos considerar o fato da possibilidade de atuação de vários fatores contribuintes, agindo ao mesmo tempo no mesmo paciente. Geralmente as terapias conservadoras e reversíveis devem sempre fazer parte do plano de tratamento inicial. Na atualidade, onde milhares de pacientes sofrem de dores na cabeça, face e pescoço, a importância de estudos nessa área se reflete na responsabilidade que nós, profissionais da área médica temos frente a essas situações.
O fato de não existir uma alta taxa de mortalidade em pacientes sofredores de dor orofacial não invalida a alta taxa de diminuição da qualidade de vida desses pacientes, estando a depressão associada à cronicidade da dor.
Embora se trate de uma doença que pode causar dores de cabeça terríveis durante anos, o tratamento para esta doença quando bem diagnosticada apresenta resultados satisfatórios. Com uma avaliação clínica bem realizada, que conste de técnicas específicas de diagnóstico nas quais o especialista em DTM irá explorar e analisar de uma maneira ordenada as queixas de dor de cabeça do paciente recomendando o tratamento necessário não só na sua área como também encaminhando o paciente para outros profissionais. Geralmente o tratamento é conservador, feito por meio de terapias caseiras, exercícios, compressas, fisioterapia específica, relaxamento muscular, controle da ansiedade e depressão. Na maioria dos casos é necessária a interação de uma equipe multidisciplinar, para o melhor entendimento e condutas específicas nas áreas de, neurologia, psicologia, reumatologia, otorrinolaringologia, endocrinologia e fisioterapia. O especialista em DTM deve estar apto a diagnosticar todas as dores orofaciais, tratando as que estejam relacionadas a sua área de atuação e a encaminhar o paciente quando o tratamento demandar a intervenção de outro profissional de saúde, onde de uma maneira conjunta e simultânea avaliarão os pacientes e só então realizão o tratamento.
11- Quais seriam os possíveis fatores contribuintes na etiologia da DTM?

R- Poderíamos citar como fatores contribuintes: traumatismos, hábitos posturais, hábitos parafuncionais, fatores genéticos, condicionamento físico, qualidade do sono, nutrição, consumo de água, consumo de álcool, consumo de cafeína, fatores psicológicos, gênero, respiração inadequada, dor etc.
12- Como a dor poderia ser um fator contribuinte na etiologia da DTM e não um sintoma da doença?

R- Até a pouco tempo, a dor era considerada como um sintoma de alguma disfunção ou doença. Poderia ser também confundida por um sinal de uma disfunção muscular ou articular. Entretanto ,hoje se sabe que o estímulo constante da dor profunda (por ex. dores musculares, dor pulpar, articular, cefaléias, neuropáticas e articulares) é um fator estimulante do SNC(Sistema Nervoso Central) e através desse mecanismos pode causar alguns tipos de alterações , como: co contração protetora , dor miofascial, alodinia, dor referida etc.
12- O que é o Bruxismo? E como posso saber se tenho esse problema?

R- Se você acorda e os músculos da sua mandíbula estão doloridos ou com dor de cabeça, você pode estar sofrendo de bruxismo - um ranger ou um forte apertar dos dentes. O bruxismo pode fazer os dentes ficarem doloridos e, às vezes, partes dos dentes são literalmente desgastados. Eventualmente, o bruxismo pode acarretar a destruição do osso circunvizinho e do tecido da gengiva. O Bruxismo também pode levar a problemas que envolvam a articulação da mandíbula, (como a disfunção temporomandibular - DTM).Para muitas pessoas, o bruxismo é um hábito inconsciente. Estas pessoas podem nem mesmo perceber que estão fazendo isto, até que alguém comente que elas fazem um horrível som de ranger de dentes enquanto estão dormindo. Para outras pessoas, é quando fazem um exame dental rotineiro e descobrem que seus dentes estão desgastados ou o esmalte de seu dente está rachado.Outros potenciais sinais de bruxismo incluem dor na face, na cabeça e no pescoço. Seu dentista, especialista em DTM e Dor Orofacial, será capaz de fazer um diagnóstico preciso e determinar se a origem da dor facial é causada por bruxismo ou pelos outros sintomas acima descritos.
13- Qual a sua opinião sobre a terapia medicamentosa na DTM e na dor orofacial? 

R- Alguns profissionais da área são contra medicação, durante a terapia. Eu entendo que quando tratamos pacientes com dor temos que ter critérios muito rígidos para a medicação desses pacientes.

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A atuação do Fonoaudiólogo Escolar na Prevenção do Bullying



O Fonoaudiólogo escolar é um profissional que atua na prevenção de diversos problemas vinculados ao desenvolvimento da linguagem, além da possibilidade de orientar os demais profissionais da educação sobre os processos da fala e da escrita.
O Fonoaudiólogo também promove ações que visam uma eficiente relação comunicativa no ambiente escolar. E por se tratar de um profissional da comunicação ele pode realizar projetos com o intuito de incentivar o diálogo e o respeito, entre os alunos e professores, através de oficinas de comunicação, que estimulem a compreensão das diferenças, tanto raciais quanto socioeconômicas e neuromotoras, existentes entre a comunidade escolar.
Toda a busca por melhorias na comunicação dentro das escolas é fundamental, visto que muitos problemas se dão devido à falta de diálogo e respeito às diferenças do outro. E um dos principais problemas visto atualmente no meio educacional tem sido o Bullyng.
O Bullyng é um tema bastante polêmico e tem sido alvo de discussões na sociedade, o que é positivo, desde que não fique somente na discussão, mas que passe para a busca de uma melhor compreensão sobre o problema, e é claro, alcançarmos soluções para findá-lo. Para muitas pessoas este tipo de problema já existe há algum tempo, mas só agora deram um nome específico para ele.
O termo Bullyng vem do inglês “bully “que significa valentão, mas pode ser facilmente identificado como intimidação, humilhação e ameaça.
Quando pensamos na escola queremos encontrar um lugar agradável e inspirador e não um ambiente intimidador e violento, mas para que o nosso desejo seja uma realidade, é preciso que a sociedade como um todo não fique apenas nas palavras, mas que também comece a intervir para melhorias do âmbito escolar, e como primeiro passo é fundamental que haja um diálogo coerente entre a sociedade, a escola e a família dos alunos.
A comunicação é essencial na vida de todos nós, e quando pensamos em Bullyng, logo vem a nossa mente a idéia de uma criança que ao sofrer este tipo de humilhação encontra dificuldades em se comunicar com a família ou com os professores sobre as intimidações pelo qual está sofrendo, seja por medo, vergonha ou simplesmente por não ter com a família esta liberdade para se comunicar e dizer como se sente. Por outro lado, encontramos outra pessoa que embora esteja errada em agredir e humilhar seu próximo, talvez esteja fazendo-o, para chamar atenção para si, o que claro, não justifica as agressões, mas mostra que as dificuldades de comunicação e diálogo entre família e escola são fatores que influenciam a harmonia que tanto desejamos para o ambiente escolar.
O Fonoaudiólogo escolar é um profissional que pode auxiliar na prevenção do Bulling nas escolas, através da sua intervenção nas relações comunicativas, além de oferecer aos professores, orientações de como se comunicar melhor com seus alunos sem dar evasões para possíveis intimidações.
O Fonoaudiólogo pode orientar os professores quanto à necessidade de atenção a cada aluno e em sua interação com os demais, com o objetivo de que haja cada vez menos barreiras comunicativas entre ele e o aluno, e entre os próprios alunos. Estas são apenas algumas sugestões de ações que visam um ambiente escolar sem Bullyng, mas com interação e diálogo entre todos.

Fonte: www.fonoaudiologia.org.br

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Próteses Auditivas



As próteses auditivas são sistemas de amplificação sonora miniaturizados , utilizados para auxiliar pessoas com perdas auditivas a ouvir melhor os sons ambientais . são comumente conhecidas como aparelhos para surdez. Eles consistem em um microfone, um amplificador e um fone, podendo conter também sistemas de compressão, filtros e chips de programação.
Elas são recomendadas para pessoas com perdas auditivas neuro-sensoriais e para pessoas com perdas de transmissão que não podem ser operadas, ou apresentam problemas complexos que não podem ser resolvidos por procedimentos cirúrgicos.
Essa indicação inclui as situações de risco dos pacientes com um único ouvido socialmente utilizável, nos quais se prefere não indicar cirurgia. As próteses auditivas são recomendadas para pessoas com perdas auditivas leves, moderadas ou intensas, desde que se sintam confortáveis com o seu uso. Não existem limites rígidos de indicação no que diz respeito ao grau de perda auditiva, com exceção das perdas profundas, em que as próteses usualmente não trazem benefícios sociais satisfatórios . De forma geral recomenda-se próteses auditivas para as pessoas que apresentam perda auditiva de mais de 40dB no melhor ouvido.
Ainda existem muitos preconceitos sociais com relação as próteses auditivas , o que faz com que pessoas que delas necessitam tenham acanhamento em usá-las . Na verdade, usar próteses auditivas é como usar óculos. Algumas pessoas têm a falsa impressão de que a sua surdez pode passar despercebida, na verdade, a surdez aparece muito mais do que as próteses auditivas. A adaptação de próteses auditivas, contudo, pode ser muito complexa, e exige a participação de um otologista ou fonoaudiólogo dedicado. Ela não deve ser feita por vendedores ou representantes comerciais.

Do ponto de vista de suas dimensões, elas podem ser classificadas como:
  • Próteses juxta-timpânicas (completely in canal - CIC) - introduzidas recentemente, muito pequenas, ficam situadas na parte óssea do meato acústico externo,  muito próximas a membrana timpânica. Em função de sua posição, o efeito de oclusão, que é uma sensação de desconforto acarreta pela oclusão do meato por próteses ou molde é extremamente reduzido.
  • Próteses intrameáticas (in the canal - ITC) - pequenas, totalmente contidas no meato acústico externo. Próteses no pavilhão (in the ear - ITE) - um pouco maiores que as anteriores, ocupando toda a concha do pavilhão e prolongando-se para o meato acústico externo.
  • Próteses retroauriculares (behind the ear) - s ão utilizadas atrás do pavilhão auricular, sendo presas ao meato acústico externo por um molde de acrílico ou silicone. Os sons emitidos pelo fone em seu interior são levados ao meato por um pequeno tubo de plástico preso ao molde.
  • Próteses em óculos - praticamente s ó são utilizadas por pessoas que usam óculos permanentemente. Atualmente e também possível adaptar próteses retroauriculares a óculos.
  • Próteses de bolso - (bady aid - BA) - praticamente abandonados , eram utilizados quando havia necessidade de amplificação intensa. Atualmente esse grau de amplificação já pode ser obtido com próteses retroauriculares. O fone é separado da prótese e preso ao molde; um fio estabelece a comunicação do fone com o circuito de saída do amplificador.
  • Prótese por via óssea - possuem um vibrador em vez de fone, e se destinam exclusivamente a pessoas com atresia dos meatos acústicos externos ou a pacientes com otite média crônica supurada bilateral. Elas são utilizadas em outros pacientes com perdas condutivas em virtude dos vibradores distorcerem os sons; as próteses comuns melhor resultados nesses pacientes. Existem óculos com vibradores nas extremidades das hastes; ou pode-se utilizar uma prótese de bolso ligada a um vibrador ósseo do tipo utilizado pelos audiômetros.
  • Próteses por via óssea ancoradas ao osso - (boné anchored hearing aid - BAHA) - Este tipo de prótese, desenvolvido na Suécia e ainda em fase experimental, utiliza um pino de titânio que é fixado ao osso da região retroauricular. Uma pequena prótese externa e fixada a esse pino, de forma que a vibração se transmite diretamente ao osso, eliminando a perda de energia causada pela pele e tecido subcutâneo nas próteses ósseas convencionais. Essas próteses são particularmente aconselhadas nos casos de atresia do meato acústico externo e em pacientes com mastoidectomia radical bilateral.

Do ponto de vista do grau e da forma de amplificação, existem próteses dos seguintes tipos:
  • Próteses de médio ganho - Destinadas a pessoas com perdas auditivas leves ou moderadas.
  • Próteses de alto ganho - Para pessoas com perdas moderadas ou intensas.
  • Próteses com compressão - Para pessoas que apresentam o fenômeno do recrutamento e que, por isso são muito sensíveis a sons altos. O sistema mais comumente utilizado e o AGC (controle automático de ganho, ou automatic gain control).
  • Próteses programáveis - são próteses em que os ajustes de compressão e filtros são controlados digitalmente por meio de chips programáveis. Estas próteses possuem um pequeno conector, que permite ligá-las a uma unidade programadora, em que os diversos parâmetros são ajustados individualmente para cada paciente. Algumas próteses programáveis permitem a divisão da faixa de frequências sonoras em duas ou três partes, permitindo ajustar graus de compressão diversos em cada uma das partes.  
Como é feita a moldagem do aparelho

O tipo de prótese deve ser cuidadosamente escolhido em função das características de cada paciente e de sua perda auditiva. Atualmente existem computadores para programação e para a medida do ganho real da prótese, mensurado no interior do meato acústico externo do paciente. Essas mensurações tornam a indicação de próteses muito menos empírica do que no passado.
O efeito de oclusão, mencionado anteriormente, é um dos problemas encontrados na adaptação de próteses auditivas. Ele praticamente não existe nas próteses juxta-timpânicas, e pode ser eliminado em outros tipos de próteses através de um orifício de ventilação no molde. Este, contudo, reduz a amplificação, s ó podendo ser utilizado em pacientes com perdas auditivas pequenas. Após a adaptação o paciente necessita de graus variáveis de treinamento auditivo, e precisa ser avaliado periodicamente para avaliar seu desempenho.

Por Prof. Dr. Pedro Luiz Mangabeira Albernaz
Fonte Site Brasil Medicina
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A Fonoaudiologia na Escola



A Fonoaudiologia deve sempre estar presente na equipe multidisciplinar, seja este público ou privado.  O objetivo é colaborar por meio de ações preventivas, orientações aos professores e aos pais com relação aos processos auditivos, fundamentais para o aluno realizar a correlação fonema (som) ao grafema (letra), evitando assim trocas de letras oriundas de falhas na discriminação auditiva. Ex.: p/b, t/d, f/v, ch-x/gj/ , s/z.

Orientando pais e professores quanto aos hábitos: uso de mamadeira, chupeta, dedo, morder objetos, mastigação e deglutição, fazendo assim a relação dos hábitos e das funções de mastigar e deglutir com o crescimento crânio facial, (dos ossos e músculos da face), desenvolvimento da fala e da linguagem e ao processo de aquisição da leitura e escrita.

As crianças estão sendo alfabetizadas mais cedo e é importante que se realize a orientação aos pais das interferências dos hábitos não só na formação dos arcos dentários e músculos oro faciais, como também estimulando o "crescer". Importante frisar que quando há necessidade contamos com o setor de psicologia para orientações mais específicas e encaminhamentos.
A Fonoaudiologia pode sempre contribuir nas atividades lúdicas em sala de aula sempre interligadas ao planejamento do professor, enfatizando processos como atenção, discriminação auditiva, consciência fonológica e linguagem oral.



Importante argumentar que a aprendizagem está relacionada também à postura corporal, incluindo a postura de boca por ser a boca o órgão importante para a mastigação e respiração saudáveis, funções relacionadas à fala e aprendizagem. As crianças podem ser orientadas quanto à mastigação, que funcionalmente é correta com a boca fechada, utilizando mastigação bilateral alternada, não ingerir líquidos ao mastigar, propiciando assim uma mastigação mais eficaz, levando em consideração que a mastigação é um exercício ortopédico funcional fundamental nessa faixa escolar que contribui para o crescimento ósseo facial.

Os professores podem ser orientados com relação à Higiene Vocal e realizadas oficinas de Voz para que eles possam adquirir a comunicação adequada e usá-la em sala de aula.
e músculos oro faciais, como também estimulando o "crescer". Importante frisar que quando há necessidade contamos com o setor de psicologia para orientações mais específicas e encaminhamentos.

A Fonoaudiologia pode sempre contribuir nas atividades lúdicas em sala de aula sempre interligadas ao planejamento do professor, enfatizando processos como atenção, discriminação auditiva, consciência fonológica e linguagem oral.

Importante argumentar que a aprendizagem está relacionada também à postura corporal, incluindo a postura de boca por ser a boca o órgão importante para a mastigação e respiração saudáveis, funções relacionadas à fala e aprendizagem. As crianças podem ser orientadas quanto à mastigação, que funcionalmente é correta com a boca fechada, utilizando mastigação bilateral alternada, não ingerir líquidos ao mastigar, propiciando assim uma mastigação mais eficaz, levando em consideração que a mastigação é um exercício ortopédico funcional fundamental nessa faixa escolar que contribui para o crescimento ósseo facial.

Os professores podem ser orientados com relação à Higiene Vocal e realizadas oficinas de Voz para que eles possam adquirir a comunicação adequada e usá-la em sala de aula.
Ressaltamos que não são realizados atendimentos clinico/terapêutico dentro de instituições educacionais, conforme a Resolução do CFFa n° 309, de 01 de abril de 2005 .
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Doença de Ménière e disfunções vestibulares


Doença de Ménière

Introdução
Em 1861 Prosper Ménière descreveu a doença caracterizada por episódios de vertigem precedidos por zumbido e perda auditiva, e que posteriormente ganharia seu nome. Pode-se denominar Doença de Ménière quando não há causa definida e Síndrome de Ménière quando uma causa pode ser bem estabelecida.

Incidência
A doença de Ménière pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais freqüente em adultos entre 30-50 anos, e é muito rara em crianças. Há uma discreta preponderância em mulheres.

Quadro clínico
A crise típica da doença de Ménière se inicia com uma sensação de pressão no ouvido (como se estivesse descendo a serra) com diminuição da audição e zumbido do mesmo lado. Em seguida vema vertigem com sensação de rotação, desequilíbrio, náusea e vômitos. A crise dura na maioria das vezes de minutos (20-30) a poucas horas. No intervalo entre as crises não há sintomas, emborapossam ocorrer desequilíbrio, zumbido e diminuição da audição com o progredir da doença. No início da doença as crises podem ter sintomas só auditivos (zumbido, diminuição da audição) ou só vestibulares (vertigem e desequilíbrio).

Diagnóstico
O diagnóstico da doença de Ménière se baseia na história, avaliação neuro-otológica e resposta clínica ao tratamento. A Academia Americana de Otolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço formulou os seguintes critérios para diagnóstico definitivo de Doença de Ménière:
  • duas ou mais crises de vertigem rotatória com duração de no mínimo 20 minutos;
  • diminuição da audição em pelo menos uma audiometria;
  • zumbido ou pressão no ouvido
  • exclusão de outras causas.
Alguns exames podem ser solicitados na avaliação do paciente com doença de Ménière.Audiometria e exame otoneurológico são realizados com o intuito de avaliar a função auditiva e vestibular, respectivamente. A eletrocoleografia é um exame que pode confirmar a hidropisiaendolinfática (ver adiante, em mecanismo), mas se for negativo não exclui a possibilidade de doença de Ménière. Exames laboratoriais e a ressonância magnética de encéfalo ou ouvido têm os seguintes objetivos: (1) excluir algumas condições que podem se apresentar com sintomas semelhantes aos da doença de Ménière (2) identificar possíveis causas, caracterizando aí o que é denominado de Síndrome de Ménière.

Mecanismo
O labirinto membranoso é preenchido por um líquido denominado endolinfa. Externamente à membrana do labirinto, entre a membrana e o osso há outro líquido, a perilinfa (ver anatomia). A endolinfa é continuamente produzida e absorvida e admite-se que uma alteração na sua absorção, com conseqüente aumento de sua quantidade, seja o mecanismo da doença de Ménière, o que é denominado de hidropisia endolinfática. Na crise da doença de Ménière ocorre uma ruptura da membrana do labirinto, devido ao excesso de endolinfa e conseqüente comunicação da endolinfa com a perilinfa. Endolinfa e perilinfa têm concentrações de sódio e potássio bastante diferentes e a ruptura da membrana leva a mudança nestas concentrações e uma alteração no estímulo do nervo vestíbulo-coclear, gerando a crise de vertigem e sintomas auditivos.

figura 1. No labirinto comprometido nota- se uma quantidade aumentada de endolinfa (em azul).

Causas
Existem diferentes causas para a hidropisia endolinfática, e nos casos em que a causa é definida denomina-se síndrome de Ménière, e naqueles em que não é definida, doença de Ménière. A causa pode ser: inflamatória (labirintite ou otite média), traumática, auto-imune, relacionada a surdez congênita ou a otoescrelose.

Tratamento
O tratamento da doença de Ménière inclui o alívio dos sintomas durante a crise, a prevenção das crises, e nos casos de causa definida o tratamento da causa. O alivio dos sintomas é realizado com as medicações anti-vertiginosas e a prevenção das crises pode ser obtido com diuréticos e com o uso da betahistina. Ambas as medicações devem ser usadas por período prolongado (meses) e a retirada deve ser orientada pelo médico.
Outras opções de tratamento como injeção intratimpânica de antibiótico e cirurgia têm indicações limitadas.D

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Vertigem Bilateral



Vestibulopatia bilateral

Vestibulopatia bilateral é o comprometimento da função de ambos os labirintos ou de ambos os nervos vestibulares. É uma manifestação rara e acomete de 2 a 4% dos pacientes em ambulatório especializado.
A pessoa com vestibulopatia bilateral não se queixa de vertigem rotatória. A falta da função de ambos os labirintos leva a desequilíbrio, dificuldade para andar principalmente no escuro. Mas a sensação de rotação ocorre quando um dos labirintos funciona de maneira diferente do outro. Como na vestibulopatia bilateral nenhum dois labirintos não funcionam, não há como surgir a sensação de rotação. Além do desequilibrio muitos pacientes se queixam de oscilopsia ao caminhar. Relatam que quando caminham veem tudo balançando, e têm dificuldade para fixar os olhos. Se ao caminhar quiserem ler alguma placa, por exemplo, têm que parar, caso contrário a imagem balança e a leitura se torna impossível.
As causas mais comuns são: antibióticos, doença de Ménière, meningite, encefalites e cerebelites, ataxia episódica tipo 2 e tipo 6, doença automune sistêmica, deficiência de vitamina B12.
O diagnóstico pode ser confirmado com a realização da prova calórica que evidencia diminuição da resposta à estimulação quente e fria em ambos os ouvidos.
O tratamento envolve a correção da etiologia quando possível. A fisioterapia ou fonoterapia vestibular pode ser realizada, mas a melhora é limitada, uma vez que há ausência completa da função vestibular. 
Referências: Tonturas- Diagnóstico e tratamento, uma abordagem prática 
Thomas Lempert; Adolfo Bronstein
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VPPB - Vertigem Posicional Paroxística Benigna, saiba o motivo que a faz surgir!


Vertigem de posicionamento paroxística benigna

Introdução
A vertigem de posicionamento paroxística benigna (VPPB) é um problema mecânico do labirinto e é a síndrome mais freqüentemente diagnosticada em ambulatório especializado vertigem, correspondendo a 25-35% dos pacientes atendidos. Há uma estimativa de que aos 70 anos 30% dos indivíduos já apresentaram ao menos um ataque de VPPB. Embora a doença tenha caráter benigno, sabe-se que a VPPB aumenta o risco de queda, e especialmente em idosos, estas quedas podem ter graves conseqüências. Uma em cada 10 quedas em idosos leva a ferimentos graves, fraturas ou traumatismos crânio-encefálicos. Dez por cento dos atendimentos e 6% das internações de urgência de idosos são decorrentes de quedas.

Incidência
A VPPB pode ocorrer em qualquer idade, mas acomete principalmente adultos acima de 50 anos com predominância do gênero feminino nos casos idiopáticos (sem causa determinada), enquanto nos pacientes com causa definida, a distribuição de homens e mulheres é semelhante.

Quadro clínico
Tipicamente o paciente com VPPB descreve crises de vertigem rotatória, de curta duração e forte intensidade desencadeados por movimentos rápidos da cabeça, sendo os mais freqüentes os seguintes: levantar da cama pela manhã, deitar e virar na cama, estender o pescoço para olhar para o alto e fletir o pescoço para olhar para baixo.

Diagnóstico
Ao avaliar o paciente, o médico não encontra alteração no exame neurológico, com exceção das manobras de Dix-Hallpike e de posicionamento lateral. Nestas manobras o médico deita rapidamente o paciente, na tentativa de desencadear uma crise típica de vertigem. Ao desencadear a crise, o médico pode observar o nistagmo, um movimento dos olhos causado pela alteração na função do labirinto.
Uma vez observado o nistagmo não há necessidade de exames complementares para o diagnóstico de VPPB. Alguns exames podem ser solicitados pelo médico se houver necessidade de identificar o que causou a VPPB ou se houver outra forma de vertigem.

Mecanismo
Em 1979 foi proposta uma teoria, que posteriormente foi confirmada, de que a VPPB é causada por partículas de carbonato de cálcio – otólitos – que se soltam do utrículo e caem no canal semicircular (ver anatomia).
Em condições normais tanto os otólitos do utrículo, quanto a endolinfa presente no canal semicircular se movem a cada deslocamento da cabeça e geram um estímulo normal do labirinto. Em pessoas com VPPB, a cada movimento da cabeça os otólitos se movem onde não deveriam estar (na endolinfa do canal semicircular), e conseqüentemente atrapalham o funcionamento normal do labirinto. Portanto, pessoas com VPPB têm vertigem durante movimentos da cabeça e ficam praticamente sem sintomas quando estão com a cabeça parada.

figura 1. Durante movimentos da cabeça, otólitos deslocados e flutuando no canal semicircular provocam estímulo anormal e conseqüente vertigem.
Causas
O mecanismo exato pelo qual as partículas saem do utrículo e caem no canal semicircular não é definido na maioria dos casos. Sabe-se que aproximadamente 50% dos casos são idiopáticos (sem causa definida), enquanto trauma e neurite vestibular são as causas mais freqüentes.

Tratamento
Na década de 1970 se preconizava cirurgia para o tratamento da VPPB. A técnica utilizada era a secção do nervo vestibular e sua complicação era a surdez.
Em 1980 Brandt e Daroff propuseram a primeira seqüência de exercícios para tratamento desta síndrome. Desde então foram descritas outras manobras para o tratamento da VPPB, sendo as mais utilizadas a de Semont e a de Epley. O objetivo destas manobras é promover o movimento dos otólitos de volta para o utrículo, o que por sua vez, leva ao desaparecimento da vertigem.

figura 2. Seqüência de movimentos na manobra de Epley. Abaixo e à esquerda está representada  a posição do labirinto durante a manobra e à direita detalhe do canal semicircular posterior e do movimento dos otólitos soltos dentro do canal até retornarem ao utrículo.

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Vertigem e Tontura - Sistema Vestibular e suas alterações


O labirinto

O labirinto é uma estrutura localizada atés de nossas orelhas, em uma cavidade óssea, do osso temporal. Temos dois labirintos, um de cada lado. A função mais conhecida do labirinto é de manter o equilíbrio, mas as informações transmitidas por ele também são importantes para estabilizar a visão e para nossa orientação espacial.
Como todo orgão sensorial, o labirinto transforma um estímulo externo em sinal elétrico para que a informação seja transmitida ao sistema nervoso central. os olhos transformam luz em sinal elétrico e os ouvidos trasnformam as ondas sonoras. o labirinto transforma a informação da posição da cabeça e de movimento em sinal elétrico.
Para cumprir esta função o labirinto tem uma complicada estrutura tridimensional. Como o objetivo é perceber a ação da gravidade e o movimento nas 3 dimensões sua estrutura tem que se adequar a isso.

Anatomia
Pode-se dividir sua estrutura em dois componentes principais: os canais semicirculares, que são como anéis, dispostos em 3 planos (correpondendo aos eixos x,y e z) e duas estruturas planas, o utriculo e o sáculo, que ficam nos planos vertical e horizontal.
Além disso há uma terceira estrutura, a cóclea, reponsável pela audição.
Da cóclea a informação é transmitida através do nervo coclear e do labirinto, através do nervo vestibular. Estes dois nervos se unem para formar o nervo vestíbulo-coclear, o VIII nervo craniano.

                                  

Figura 1. Estruturas do lado direito, vista frontal.

O labirinto é preechido por um liquido denominado endolinfa, e entre a membrana do labirinto e o osso há outro líquido denomnado perilinfa.
Figura 2. Detalhe do labirinto e da cóclea, endolinfa (branco) e perilinfa (azul).
Canais semicirculares
Os canais semicirculares são três estruturas – canal anterior, posterior, horizontal – com formato de uma letra “C”. Estes canais estão dispostos como se fossem três lados adjacentes de um cubo, formando entre si um ângulo de 90º.
As duas extremidades de cada um dos canais semicirculares terminam no utrículo. Enquanto uma delas é aberta promovendo uma comunicação entre o canal semicircular e utrículo, a outra apresenta uma estrutura, a cúpula, composta por uma substância gelatinosa, que fecha a comunicação com o utrículo.
Figura 3. Estruturas do labirinto, e em detalhe a cúpula dos canasis semicirculares.

Urículo e sáculo
O utrículo e o sáculo são os dois outros órgãos do labirinto. No utrículo e no sáculo existe uma substância gelatinosa denominada mácula, e aderidos à mácula existem partículas de carbonato de cálcio, chamadas de otólitos. Devido aos otólitos, o utrículo e o sáculo são também denominados órgãos otolíticos

Como funciona o labirinto


Assim como os olhos são estimulados por diferentes espectros luminosos, o ouvido pelo som, o labirinto é estimulado por movimento ou por mudança na posição da cabeça. As informações provenientes do labirinto são transmitidas pelo nervo vestibular e distribuídas através de vias especificas até algumas regiões do tronco encefálico, cerebelo, tálamo, córtex e medula espinhal.

Figura 1.  Esquema da via do labirinto até as estruturas do sistema nervoso central.

Movimentos de rotação, como virar-se, deitar-se, levantar-se, olhar para cima e para baixo, estimulam os canais semicirculares; e movimentos lineares, como subir e descer de elevador, estar em veículo em movimento, estimulam o utrículo e o sáculo (ver anatomia).

Como funcionam os canais semicirculares
Os canais semicirculares têm formato de anéis e em uma das extremidades há uma estrutura denominada cúpula. Há ainda dentro dos canais semicirculares, um líquido, denominado endolinfa. Devido à lei da inércia, cada movimento da cabeça, e por consequência do canal semicircular,provoca inicialmente um movimento da endolinfa no sentido contrário. Este movimento da endolinfa, provoca uma inclinação da cúpula. A inclinação da cúpula é então percebido pelas células do labirinto, que transformam esta informação de movimento em sinal elétrico, que pode ser transmitido às outras estruturas do sistema nervoso central.
                                                      
Figura 2. Funcionamento dos canais semicirculares.
Detalhe mostra a inclinação da cúpula durante rotação da cabeça.


Como funcionam o utrículo e o sáculo
O utrículo e o sáculo sinalizam a posição da cabeça em relação à gravidade (se vertical, horizontal ou inclinada, por exemplo). Também são capazes de perceber acelerações lineares, como por exemplo, se estamos subindo ou descendo em um elevador, ou se o estamos indo para frente e para trás em um veículo. para que isso ocorra, há uma mudança na pressão exercida pelos otólitos (cristais de cálcio) localizados acima da mácula (camada gelatinosa). Esta mudança na pressão é percebida pelas células do labirinto, que então transformam essa informação em sinal elétrico.

                    
Figura 3. Funcionamento do utriculo e do sáculo. Detalhe mostra a inclinação da mácula durante a inclinação da cabeça. 

Parte da complexidade do estudo e avaliação do sistema vestibular se deve ao fato de que ele não atua sozinho, e em todas as suas funções há auxílio de outros sistemas. As três funções principais do sistema vestibular e dos sistemas que o auxiliam são:
  1. manutenção do equilíbrio,
  2. estabilização da visão estável durante movimentos da cabeça e dos olhos,
  3. percepção de movimento na orientação espacial.
Figura 4. Vias do sistema vestibular.
Em amarelo, reflexo vestíbulo-espinhal, manutençõa do equilíbrio;
em vermelho, reflexo vestíbulo-ocular, manutenção na imagem na retina;
e em verde, via vestíbulo-cortical, percepção do espaço e de movimento.

1. Manutenção do equilíbrio
O estímulo do labirinto atinge a medula espinhal para estabilizar a posição da cabeça no espaço e em relação ao tronco, e para manter o indivíduo em pé. Estímulos labirínticos levam a diferentes padrões de ativação na musculatura cervical e dos membros, e têm o objetivo de manter o equilíbrio e prevenir quedas. Nesta função participam também a visão e a sensibilidade proveniente das articulações e músculos (ver figura 4, em amarelo).

2. Estabilização da visão
A informação proveniente do labirinto atinge as estruturas que controlam os movimentos oculares, desencadeando um reflexo denominado vestíbulo-ocular. A função do reflexo vestíbulo-ocular é estabilizar a imagem na retina durante movimentos rápidos da cabeça. Quando um indivíduo caminha sua cabeça oscila para cima e para baixo e é o reflexo vestíbulo-ocular que o possibilita ler uma placa ou reconhecer uma pessoa que vem em sua direção. Se o reflexo vestíbulo-ocular não funcionasse seria como andar segurando uma filmadora e observando a imagem que oscila de acordo com seus passos. Nesta função participam também outros sistemas que controlam os movimentos oculares (ver figura 4, em vermelho).

3. Orientação espacial e percepção do movimento
Os estímulos provenientes do labirinto atingem o córtex cerebral e geram informações a respeito da orientação espacial e da percepção de movimento. Ao contrário de áreas cerebrais relacionadas avisão, audição, olfato e sensibilidade, não se acredita que exista uma região no córtex responsável exclusivamente pela informação vestibular (do labirinto). Para percepção da cor de um objeto, por exemplo, a visão é a única informação necessária, mas para  percepção espacial e de movimento participam além das informações do labirinto, as informações visuais e sensitivas, o que torna essa função desde o princípio multissensorial (ver figura 4, em verde).

Principais doenças do sistema vestibular
O termo labirintite é muito comum e muitas pessoas (leigos e médicos) a usam como sinônimo de qualquer problema do labirinto. Mas neste caso o correto seria dizer labirintopatias, ou seja,doenças do labirinto. Labirintite, ao pé da letra, é inflamação no labirinto, que pode ocorrer, mas não é a doença mais comum que afeta o labirinto. Existem várias doenças que comprometem o labirinto e os sintomas de todas estas doenças são muito semelhantes: a pessoa tem vertigem, náusea, às vezes vomita, tem desequilíbrio e pode cair. No entanto é muito importante a identificação da doença específica que está acometendo o labirinto, pois cada doença tem sua causa e seu tratamento específico. Uma vez que a causa é identificada, há na maioria das vezes um bom prognóstico, ou seja, há resolução do quadro em grande parte dos casos.
No ambulatório especializado em Distúrbios Vestibulares da Divisão de Neurologia Clínica do Hospital das Clínicas de São Paulo, é realizada uma monitorização constante dos pacientes e um banco de dados com os principais diagnósticos é periodicamente atualizado. Entre 1100 pacientes atendidos observou-se a frequência de doenças apresentada no gráfico abaixo.
 
Uma parte destes dados foi publicada em 20051, e este trabalho brasileiro evidenciou as mesmas freqüências das doenças observadas na literatura2.

Referências:
1. Kanashiro AMK, Pereira CB, Melo ACP, Scaff M. Diagnóstico e tratamento das principais síndromes vestibulares. Arq Neuropsiquiatr 2005;63:140-144.
2. Brandt T. Vertigo, its multisensory syndromes, 2nd Ed. London: Springer Verlag, 1999



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