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Funções Cerebrais Superiores


Introdução

Louise Bérubé [1] define as atividades nervosas superiores ou funções cerebrais superiores como as capacidades que mobilizam: (a) um sistema de organização da informação perceptual, (b) a rememoração da aprendizagem anterior, (c) os mecanismos córtico-subcorticais que sustentam o pensamento e (d) a capacidade de tratar duas ou mais informações ou eventos simultaneamente. Estas características separam nossa espécie das demais porque no homem elas alcançaram um desenvolvimento tal que lhe permite, em boa medida, modificar o ambiente e as circunstâncias em que vive de tal forma como nenhuma outra espécie o faz. Até onde sabemos, o animal mais próximo neste sentido é o chimpanzé, que é apto para ajudar-se com um pau com o objetivo de alcançar um fruto. Se esta atitude o aproxima qualitativamente do homem, a diferença quantitativa continua sendo abismal a favor deste último. Esta propriedade se inicia filogeneticamente faz uns oito milhões de anos, mediante sucessivas evoluções; progressivamente, e em um lapso temporal relativamente curto, houve um aumento da sua capacidade craniana até que o homem atual possui cerca de três vezes aquela capacidade original. Provavelmente este desenvolvimento decorreu da necessidade de responder adequadamente a ambientes hostis e prover-se de diferentes alimentos. As funções cerebrais superiores cresceram em paralelo com o aumento do tamanho cerebral e terminaram conferindo à nossa espécie as particularidades que hoje a caracterizam e a diferenciam das outras espécies [2].
O córtex cerebral é o assento anátomo-funcional das mais importantes funções intelectuais ou superiores do indivíduo. O córtex não só contém os corpos neurais principais que suportam as funções consideradas “simples” (em contraposição às superiores), como as motoras, sensitivo-motoras, auditivas ou visuais, mas também integram funções muito elaboradas como a memória, a linguagem, o raciocínio abstrato ou atividades gestuais. As funções cerebrais superiores não se encontram localizadas em centros isolados do cérebro, mas se acham integradas em grupos de regiões que formam uma rede cerebral baseadas em interconexões neurais, isto é, as funções cerebrais têm uma distribuição interconectada, formando uma rede integrada. Ao contrário das funções chamadas inferiores que têm centros ou áreas mais definidas, tais como a mobilidade, sensibilidade, área visual etc. Ainda que, cada vez fique mais evidente que o córtex cerebral não funciona como área autônoma, mas sim como um todo integrado e relacionado com estruturas sub-corticais, não é menos certo que em situações patológicas, lesões muito seletivas de áreas ou zonas críticas produzem manifestações específicas e/ou quase específicas, recordemos, aqui, a lesão na base da terceira circunvolução frontal que produz alteração específica que se denomina “afasia motora de broca”.
Funções cerebrais superiores:
1. Praxia [2]
É a capacidade de executar movimentos aprendidos, simples ou complexos, em resposta a estímulos apropriados, visuais ou verbais (ex. linguagem gestual, execuções musicais, representações gráficas, habilidades motoras etc.). Apraxia é impossibilidade de executar tais movimentos coordenados, embora não haja comprometimento da motricidade e da sensibilidade, ou seja, do sistema executor. Neste caso, a deficiência está nos planejadores (responsáveis pelas seqüências de comandos que produzem os movimentos voluntários complexos) e/ou nos controladores (que zelam pela execução correta dos comandos motores) do SNmotor. Dependendo do tipo de apraxia, podem-se encontrar lesões nos córtices temporais, parietais, occipitais e/ou corpo caloso.

2. Gnose [2]

É conhecimento obtido por meio da elaboração de experiências sensoriais. Cada experiência se confronta com outras já adquiridas, e desta confrontação surge o reconhecimento de aspectos comuns e particulares que a singularizam. As agnosias (dificuldade de realizar tal função) são classificadas segundo o canal sensorial  que se utiliza. Por exemplo, dificuldade ou incapacidade de reconhecer (1) objetos pelo tato – Agnosia Tátil ou Asteriognosia; (2) ruídos, palavras ou música – Agnosia Auditiva; ou ainda, (3) a Agnosia Somestésica, caracterizada pela falta de reconhecimento de partes do seu próprio corpo ou mesmo partes inteiras do espaço extra-corporal. Tais agnosias geralmente apresentam-se em pacientes com lesões do lóbulo parietal. Já as lesões parieto-occipitais (uni ou bilaterais) provocam as Agnosias Visuais as quais implicam, fundamentalmente, falhas ou defeitos no reconhecimento de objetos ou imagens.

3. Linguagem e Fala [2]

A linguagem é um código de sons ou gráficos que servem para a comunicação social entre os seres humanos; qualquer meio sistemático de comunicar idéias ou sentimentos através de signos convencionais, sonoros, gráficos, gestuais etc. A linguagem é formada por 3 componentes básicos: gramática, semântica e sintaxe. A gramática é o componente que organiza os elementos, como os fonemas, morfemas, palavras, frases etc. e os processos de formação, construção, flexão e expressão desses elementos. A semântica é o componente da linguagem que dá significado às palavras; e a sintaxe é o componente do sistema lingüístico que determina as relações formais que interligam os constituintes da sentença, atribuindo-lhe uma estrutura. O assento anátomo-funcional da linguagem está no hemisfério esquerdo em 98% dos destros e em 70% dos canhotos. A atividade majoritária da linguagem se concentra nas chamadas Zonas de Broca, Wernicke, Exner, e supramarginais. Investigações com Ressonância Magnética Funcional demonstraram que também na linguagem ordinária há alguns componentes que são processados no hemisfério direito sobretudo o “tom humoral” e o “tom afetivo”. As afasias (ou agnosia verbal) são caracterizadas pela perda ou transtorno da produção (afasia de expressão tipo broca), compreensão (afasia de compreensão ou de wernicke), ou ambas as coisas (afasia total ou global), da linguagem falada ou escrita. Ou ainda,  dificuldade para nomear os objetos (afasia nominativa)  ou incompreensão da fala de seus interlocutores (afasia receptiva).

4. Atenção

É um mecanismo de focalização dos canais sensoriais ou cognitivos; capaz de facilitar a ativação de certas vias ou regiões cerebrais de modo a colocar em 1º plano a sua operação, e em 2º plano a operação de outras regiões. A atenção sensorial ou percepção seletiva se dá quando focalizamos a atividade cerebral em estímulos sensoriais (um ruído, uma luz); este mecanismo funcionaria como um facilitador da respostas neurais que ocorrem tanto nas áreas sensoriais quanto nas áreas associativas. Quando a atividade cerebral é focalizada em um processo mental, como um cálculo matemático, uma lembrança, um pensamento, ela é denominada atenção mental ou cognição seletiva. Este mecanismo funcionaria como modulador das informações processadas pelo córtex pré-frontal dorsolateral e seria realizado prioritariamente pelo córtex cingulado anterior (ver funções executivas mais adiante). Comprometimentos pré-frontais e parietais posteriores de distinta etiologia podem levar a uma deficiência atencional (hipoprosexia) caracterizada clinicamente pela facilidade e freqüência com a qual estímulos irrelevantes interferem no processo atencional.

5. Memória

A memória se define como a faculdade do cérebro que permite registrar experiências novas e recordar outras passadas. Dito em outros termos, é a capacidade de incorporar, armazenar e evocar informações de forma clara e efetiva.
Se podem distinguir três fases ou seqüências: (a) aprendizagem: recepção e registro da informação, (b) armazenamento (ou consolidação): computa sua codificação cerebral e (c) recordação: evocação e reconhecimento das informações outrora armazenadas.
A. Memória Imediata Também chamada de memória de curto prazo ou memória de trabalho. Este tipo de memória mantém durante alguns segundos, no máximo alguns minutos, a informação que está sendo processada no momento; sua capacidade é limitada (aproximadamente sete itens) e as informações são mantidas por processos de atenção e ensaio. Esta espécie de memória diferencia-se das demais por não deixar traços e não produzir arquivos. A memória imediata é processada, fundamentalmente, pelo córtex pré-frontal (porção mais anterior do lobo frontal).
B. Memória Operacional Também chamada de memória de curta-duração ou memória de trabalho ou memória recente. Este tipo de memória retém as informações durante um período de tempo cuja duração é determinada pelo lapso temporal interposto entre o momento da aquisição da informação e aquele no qual sua evocação deixa de ser útil ou necessária; sua capacidade não é limitada a um número específico de itens. Este gênero de memória deixa traços e produz arquivos os quais, em determinado momento, podem ser “apagados” ou então “transferidos” definitivamente para o sistema de memória de longo prazo. Esta classe de memória depende dos respectivos sítios de processamento sensoriais – de acordo com a origem perceptual da informação – e de estruturas do lobo temporal, em especial da formação hipocampal além dos corpos mamilares (diencéfalo).
C. Memória de Longo Prazo Também chamada de memória remota. Este é um sistema de memória permanente. As informações são armazenadas após o processo de consolidação. Fazem parte deste sistema os subsistemas: declarativo ou explícito e o não-declarativo ou implícito.
C.1. Memória Declarativa ou Explícita: Neste sistema existe acesso consciente ao conteúdo da informação, onde são armazenadas as informações sobre as pessoas, os lugares e os eventos da vida diária. O processo de consolidação das informações depende das estruturas do lobo temporal medial (hipocampo, o córtex entorrinal, o córtex parahipocampal e o córtex perirrinal), diencéfalo e respectivos sítios de processamento sensoriais; é o tipo de memória prejudicada nos pacientes amnésicos. Este sistema está subdividido em: Memória Episódica: reúne as memórias para eventos, sendo autobiográfica e Memória Semântica: reúne as memórias para fatos e conhecimentos gerais acerca do mundo.
C.2. Memória Não-Declarativa ou Implícita: Também chamada de memória de procedimento ou procedimental. As informações deste sistema são adquiridas gradualmente ao longo de diversas experiências; As informações processadas neste sistema resultam da experiência, porém, a evocação é expressa como uma mudança no comportamento, não como uma lembrança (recordação); sendo assim, só pode ser evidenciada por meio do desempenho. Depois de tornada automática, não há acesso consciente ao conteúdo da informação e o processo é independente da atenção. O processo de consolidação não depende das estruturas do lobo temporal, mas sim da repetição da tarefa, o que provoca a ativação repetida nos sítios de processamento sensoriais. Os subsistemas da memória não-declarativa estão associados a diferentes estruturas do sistema nervoso: habilidades e hábitos associam-se aos núcleos basais, pré-ativação ao neocórtex, condicionamento clássico simples relaciona-se à amígdala nas respostas emocionais e ao cerebelo nas respostas da musculatura esquelética, a aprendizagem não-associativa, por seu turno, vincula-se às vias reflexas.
Amnésia é a incapacidade parcial ou total de reter e evocar informações.  Qualquer processo que interfira com a formação de uma memória a curto-prazo ou a sua fixação em memória de longo prazo resulta em amnésia. Amnésia Retrógrada (Distúrbio de Evocação): Incapacidade de recordar acontecimentos ocorridos antes do estabelecimento do distúrbio. Amnésia Anterógrada (Distúrbio de Retenção): Incapacidade de armazenar novas informações. Pessoas que tenham lesões nas estruturas temporais mediais apresentam a chamada amnésia orgânica, ou síndrome amnésica ou amnésia do LTM:
· Caracterizada por uma amnésia anterógrada.
· Amnésia retrógrada em graus variados, mas restrita aos anos, meses ou dias que antecederam o agente amnésico; a memória para eventos remotos se mantém intacta.
· Deficiência na formação de novas memórias: memória operacional e memória declarativa  (episódica e semântica).
·  As memórias não declarativas e a memória imediata estão preservadas.
6. Funções Executivas ou Funções Intelectuais Superiores

O termo funções executivas (FE) designa os processos cognitivos de controle e integração destinados à execução de um comportamento dirigido a objetivos, necessitando de sub-componentes como atenção, programação e planejamento de seqüências, inibição de processos e informações concorrentes e monitoramento. São funções de mais alta hierarquia e estão asseguradas pelo funcionamento normal dos lóbulos frontais com os setores multimodais da parte posterior do cérebro.
figura 1
figura 1
O lobo frontal, particularmente a região pré-frontal, tem sido relacionado com essas funções. O córtex pré-frontal (situado anteriormente às regiões motoras) ocupa cerca de ¼ do córtex humano, o que em termos relativos representa a maior proporção entre todos os animais. O CPF estabelece conexões recíprocas com praticamente todo o encéfalo: todas as áreas corticais, vários núcleos do tálamo e núcleos da base, o cerebelo, a amígdala, o hipocampo e o tronco encefálico. Tal variedade de conexões possibilitaria tal região a exercer funções de controle coordenação geral das funções mentais e do comportamento. Pode-se reconhecer três grandes regiões funcionais; cujo funcionamento conjunto seriam responsáveis pelas atividades intelectuais superiores (ver Figura 1):
(A) a região dorsolateral (CPFdorsolateral) [DL], recebe informações que entram através dos sistemas sensoriais e chegam a ele por meio de abundantes conexões aferentes provenientes das áreas corticais sensoriais e associativas; sua função seria de comparar as informações novas com aquelas armazenadas na memória de longo-prazo.
(B) a região cingulada anterior (córtex cingulado anterior) [CA] seria o responsável pela focalização nas informações que chegam ao CPF dorsolateral (atenção mental ou cognição seletiva), ou seja, ele filtraria ou modularia informações processadas pelo CPF dorsolateral.
(C) a região ventromedial [VM], encarregado de adequar os dados do presente que vêm sendo processados pelo CPFdorslateral, com os objetivos de longo, médio e curto prazo estabelecidos pelo indivíduo, e com as demais circunstâncias pessoais e sociais envolventes. Assim, o CPFventromedial seria responsável pelo planejamento dos comportamentos necessários para a concretização dos objetivos, estaria envolvido com o planejamento de ações, do raciocínio e com o ajuste social do comportamento em conjunto com o córtex órbito-frontal [OF].
Envelhecimento [3]

1. O número de neurônios começa a diminuir a partir dos 30 anos. O número perdido, toda­via, é somente uma pequena porcentagem do número total de células encefálicas, e não prejudica as funções cognitivas.
2. A velocidade de condução do impulso dimi­nui ao longo de um axônio; quantidades de neurotransmissores são reduzidas; o número de locais receptores diminui nas sinapses. Essas alterações resultam em uma progressiva lentidão das respostas e dos reflexos.
3. Enquanto uma diminuição da memória de curto prazo pode causar alguns esquecimentos, a maior parte da memória – o estado de alerta, as funções intelectuais e a criatividade – permanece intacta. Alterações graves das funções cognitivas geralmente se devem a doenças relacionadas com a idade, como a arterioesclerose; ou ainda, a Doença de Alzheimer, doença degenerativa do encéfalo que ocorre geralmente em pessoas idosas. Essa doença é caracterizada pela perda progressiva da memória e prejuízo da função intelectual. Evidências sugerem atrofia encefálica, especialmente dos lobos frontal e temporal.
Referências Bibliográficas
[1] Louise Bérubé (1991). En terminologie de neuropsychologie et de neurologie du compartament. Montreal: Les Edicions de la Cheneeliére Inc.
[2] Roberto Rodríguez Rey (2004). Funciones Cerebrales Superiores. Facultad de Medicina – Universidad Nacional de Tucumán – Argentina. http://www.fm.unt.edu.ar/ds/Dependencias/Neurologia/Funciones%20Cerebrales%20Superiores2.PDF (acessado em 31/05/2008).
[3] Herlihy, B. & Maebius, NK. (2002). Anatomia e Fisiologia do corpo humano saudável e enfermo. Barueri: Ed. Manole.
Bibliografia
Lent, R (2001). Cem Bilhões de Neurônios – Conceitos fundamentais de neurociências. São Paulo: Editora Atheneu.
Bear, MF; Connors, BW & Paradiso, MA (2002). Neurociências: desvendando o sistema nervoso. 2.ed, Porto Alegre: Editora Artmed.


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Atividades de Coordenação Motora Fina

 


1) Pintura com os dedos - Trabalhar mobilidade dos dedos


2) Furador de papel (flores,estrelas,coração)- trabalhar fortalecimento muscular no dedo indicador depois realizar uma colagem com os desenhos.


3) Labirinto- colocar dentro saco ziploc com fita adesiva e gel de cabelo com bolinhas de gude.Trabalhar dedo indicador o caminho com a bolinha de gude.


4) Colocar moedas dentro do cofrinho -trabalhar o dedo indicador e polegar.


5) Colar os adesivos de bolinha dentro das
bolinhas desenhadas no papel.


6) Transferir os cereais(arroz,feijão,milho) de uma vasilha para potes de iogurte com colher sem deixar derramar.Pode brincar faz de conta-inventar uma receita e nomear os ingredientes e depois escolher os nomes das pessoas da familia ou da escola para oferecer a comidinha. 


7) Brincadeira com areia- colocar com as mãozinhas a areia dentro do funil e balde.


8) cartelas com as letras e colocar o pregador de roupa na letra representada.Trabalhar fortalecimento muscular dedo indicador e polegar.


9) Escrever as letras com o dedo indicador -trabalhar os movimentos do dedo para sentido e direção correta das letras.


10) Escrever as letras do alfabeto com cola colorida e passar o dedo indicador em cima da letrinha.Pode confeccionar cartões com as letras com texturas diferentes(emborrachado,lixa,espuma) -Trabalhar a percepção tátil e os movimentos do dedo indicador -preparação para escrita. Depois pode brincar com criança,falar uma palavra com a letra(associação).


11) Pegar objetos pequenhos com palitinho de japonês ou de cabelo(colocar uma gominha para facilitar os movimentos abrir e fechar) e transferir os objetos para vasilha.


12) Jogo de pinos ou Resta um -Trabalhar os movimentos pinça fina indicador e polegar para encaixe dos pinos.



13) Pegar bolinhas de algodão com pegador de saladas o de macarrão e colocar dentro dos potes.Trabalhar o movimento abrir e fechar com movimentos do dedo indicador e polegar.Depois,a criança pode contar a quantidade de bolinhas no pote ou noção quantidade(muito/pouco).


14) Colorir o desenho dentro do limite no plano vertical -trabalhar fortalecimento muscular na parte ombro e braço.
Fonte:  http://autismovivenciasautisticas.blogspot.com
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Dificuldade para engolir é sintoma, não doença!


Problemas para engolir alimentos líquidos e sólidos atingem todas as idades. Mas chamada disfagia orofaringica não é uma condição em si, mas um sintoma de outros problemas de saúde. “A disfagia é a dificuldade de levar os alimentos da boca até o estômago. Apesar da ideia comum de que esse transporte é algo simples – é só engolir – esse processo de deglutição envolve vários orgãos do corpo, já que engolir algo não se dá pela força da gravidade mas dos movimentos peristálticos que empurram o alimento para o estômago”, explica Roberta Gonçalves, fonoaudióloga que coordena o Departamento de Disfagia da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa).

“A disfagia não é só uma questão que envolve mastigação, mas também orgãos das vias aéreas superiores, que dividem suas funções com a respiração também. O principal perigo da disfagia é quando líquidos e sólidos se desviam do seu caminho natural e vão parar no pulmão”, completa Roberta que é pesquisadora ligada à Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Marília.

Aumento do risco de morte
A disfagia pode levar, por exemplo, à infecções diversas no pulmão. Entre elas está o risco de pneumonia. As infecções nas vias aéreas superiores – das quais faz parte o pulmão – são uma das principais causas de óbito em idosos hospitalizados. Mas a idade não é um determinante. Bebês também podem ter problemas de disfagia, e correm os mesmos riscos de morte de idosos.
“Crianças pequenas que têm muitos problemas respiratórios, como gripes e resfriados constantes e pneumonias, podem não ter doenças pulmonares, mas sim algum tipo de disfagia. Pais que afirma que seus filhos ‘estão sempre resfriadinhos’ precisam estar atentos para condiçoes não diagnosticadas – como síndrome genéticas – que podem estar levando a esse quadro de problemas respiratórios”, alerta a especialista.

Disfagia em adultos pode estar relacionada com câncer de cabeça e pescoço
Algumas condições de saúde estão associadas diretamente à disfagia ou problemas de deglutição. No caso dos Acidentes Vasculares Cerebrais (o AVC ou o popular “derrame”) a disfagia é encontrada em 97% dos casos. O AVC é mais comum em indivíduos adultos ou idosos, especialmente aqueles com vida sedentária, tabagistas e cuja alimentação passa longe da saudável (com grande consumo de gorduras saturadas, por exemplo).
Outras condições neurológicas, também mais incidentes em pessoas mais velhas, estão associadas à deglutição comprometida. A Doença de Alzheimer e o Parkinson, são exemplos. “Engolir é um ato involuntário que é controlado pelo cérebro. Qualquer problema neurológico, especialmente aqueles que compromentem a movimentação e o controle dos músculos, pode causar a disfagia”, diz a especialista.
Adultos que estão fora da faixa de risco para essas doenças neurodegenerativas, mas que sofreram algum tipo de trauma encefálico (como aqueles em acidentes automobilísticos) também têm um alto risco de desenvolver a disfagia.
Já quando o assunto são os câncer de cabeça e pescoço – uma lista longa que pode atingir vários orgãos nessa região – a disfagia está presente em 100% dos casos.
“Se há essa dificuldade de engolir e ela está se agravando, com engasgos frequentes ou desvio do alimento, pode haver um câncer de cabeça e pescoço se instalando”, observa Roberta.

Não só engasgos e problemas de pulmão: disfagia também pode levar à desnutrição
A desnutrição causada pela disfagia é comum em indivíduos idosos e nas crianças. No primeiro caso, o AVC e outras condições neurológicas são um desafio para os familiares e, portanto, quando esses voltam para casa após alguma intervenção hospitalar é preciso dobrar a atenção.
“A alimentação, nesses casos, compreende todo um processo de readequação das rotinas. Os idosos comem mais devagar, engasgam e por ser cansativo ou pelo fato de haver pouco ou nenhum prazer na alimentação eles podem comer cada vez menos. Os cuidadores precisam estar atentos para essa nova dinâmica e sempre ficar atentos ao nível ideal de ingestão alimentar”, diz Roberta.
No caso das crianças, em especial daquelas em idade onde a verbalização ainda não está presente, novamente é preciso atenção redobrada. “Problemas para deglutir causam traumas e essas crianças vão deixando de se alimentar corretamente”, alerta.

Diagnóstico difícil e falta de preparo de profissionais médicos
Além do risco de morte, pode trazer problemas pulmonares e nutricionais a disfagia também aumenta – em muito – os custos de uma internação. Isso porque pessoas com problemas para deglutir podem acabar precisando de sondas de alimentação, um conjunto de aparelhos que evita a total desnutrição do paciente ao custo que pode variar dos R$ 3 aos R$ 4 mil por mês.
Para evitar esse aumento nos custos de internação o ideal é diagnosticar o mais rápido possível a disfagia e contar com um profissional de fonoaudiologia na equipe multidisciplinar que atende pacientes com o risco da disfagia ou com o problema já instaurado.
Mas muitos profissionais médicos e de enfermagem não conseguem reconhecer os primeiros indícios da disfagia. Pior: alguns profissionais de saúde ainda se valem de uma metodologia de diagnóstico precária e datada, ao invés de uma análise clínica acompanhada pelo profissional de fonoaudilogia.
“Há muitos anos atrás o diagnóstico para uma possível disfagia era feita fazendo com que o paciente ingerisse uma certa quantidade de gelatina, um alimento pastoso que é relativamente fácil de engolir. Caso o paciente tivesse acessos de tosse, ele provavelmente estava sofrendo com a disfagia. Primeiro, o método é, convenhamos, arcaico. Segundo, trazia riscos para a saúde do paciente pois, caso ele estivesse com problemas de deglutição a gelatina poderia parar no pulmão, gerando uma infecção”, explica Roberta.
“Os protocolos atuais determinam que a avaliação deve ser feita por uma equipe multidisciplinar e que tenha, necessariamente, um profissional de fonoaudiologia. Isso já é lei inclusive para pacientes com AVC e em maternidades. Mas não para todas as condições que incorrem no risco da disfagia, ainda. Então depende-se muitas vezes da sensibilidade e preparo do profissional médico para pedir presença do fonoaudiólogo. Esperamos que isso mude no curto prazo”, indica Roberta.
“Uma boa avaliação e uma intervenção para a reversão do quadro da disfagia é, comprovado pelos diversos estudos feitos no Brasil – e cujas pesquisas na área é reconhecida mundialmente – a melhor forma de proteger os pacientes de pioras na sua saúde como um todo”, finaliza a pesquisadora.
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por Enio Rodrigo

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Gagueira, audição e motricidade

Pessoas que gaguejam integram som e movimento em parte diferente do cérebro, revela novo estudo.
Ouvir Mozart em alto volume enquanto se recita Shakespeare pode suprimir momentaneamente a gagueira em pessoas que possuem o distúrbio. O fenômeno, mostrado no filme vencedor do Oscar 2011 (veja figura), não foi usado na história apenas como um mero recurso de ficção. Apesar de efêmero, o efeito quase miraculoso obtido a partir do mascaramento auditivo – nome dado à estratégia clínica de indução de fluência em que a pessoa que gagueja fica impedida de escutar o som da própria voz – é real e indica que a integração das funções auditiva e motora desempenha um papel chave na fluência (ou disfluência) da fala.
Lionel Logue aplica a técnica do mascaramento auditivo em Bertie.
Lionel Logue aplicando a técnica do mascaramento auditivo em Bertie em cena do filme O Discurso do Rei. Efeito obtido com a técnica não é ficcional e indica que a integração das funções auditiva e motora desempenha um papel chave na fluência (ou disfluência) da fala. (clique p/ ampliar)
Ao investigar como se dá a integração auditivo-motora no cérebro de pessoas com gagueira, uma nova pesquisa descobriu algo revelador: em adultos que gaguejam desde a infância, os processos que integram som e movimento estão localizados em uma parte diferente do cérebro quando os comparamos com adultos que não gaguejam. A surpreendente descoberta foi publicada na edição de setembro de 2011 da revista científica Cortex.
Dra. Nicole Neef e Dr. Martin Sommer da Universidade de Göttingen, juntamente com a Dra. Bettina Pollok da Universidade de Duesseldorf, estudaram o desempenho de um grupo de adultos que gaguejam, bem como de um grupo controle de adultos que não gaguejam, em um exercício de bater os dedos das mãos em sincronia com um som. Eles então usaram estimulação magnética transcraniana para interferir temporariamente com a atividade cerebral no córtex pré-motor dorsolateral (v. fig.) enquanto os participantes batiam os dedos em sincronia com os cliques que estavam ouvindo.

 Em movimentos que dependem de input auditivo, a integração das funções auditiva e motora ocorre no córtex pré-motor dorsolateral.

Integração auditivo-motora ocorre no córtex pré-motor dorsolateral.
No grupo controle, a perturbação do córtex pré-motor esquerdo prejudicou a sincronia das batidas, mas a perturbação do córtex pré-motor direito não teve nenhum efeito sobre a tarefa. No grupo de adultos com gagueira, o padrão foi invertido: a precisão da batida foi afetada quando o córtex pré-motor direito estava sendo perturbado; perturbar o lado esquerdo não interferiu na execução da tarefa.
Pesquisas anteriores já haviam mostrado que a gagueira estava relacionada a um fluxo de sangue maior que o normal nas áreas motoras e pré-motoras do hemisfério direito durante a fala. Neste novo estudo, a mudança no local de integração das funções auditiva e motora para o lado direito do cérebro ocorreu mesmo em uma tarefa que não envolvia diretamente a fala.
Assim, no cérebro de adultos que gaguejam, parece ter ocorrido uma profunda reorganização de algumas redes neurais, possivelmente compensando sutis alterações na matéria branca nas regiões frontais inferiores do hemisfério esquerdo do cérebro – o hemisfério naturalmente habilitado a processar fala.
Nas palavras dos autores do estudo:
“Esta descoberta indica uma extensa reconexão neuronal das funções relacionadas à temporalização do movimento em pessoas que gaguejam, dando suporte à hipótese de uma abrangente reorganização neurofisiológica do sistema de controle motor em pessoas que gaguejam. Uma vez que, antes do uso de estimulação magnética transcraniana, o desempenho de ambos os grupos na tarefa não diferiu, sugerimos que o envolvimento aumentado do córtex pré-motor dorsolateral direito em pessoas que gaguejam, ao invés de ser um processo contra-adaptativo, representa na verdade um processo de compensação.”
Este estudo lança mais luz sobre a extensão das alterações cerebrais na gagueira do desenvolvimento persistente, mostra que o distúrbio possui assinaturas neurológicas muito distintas e também evidencia que, futuramente, será possível refinar o diagnóstico da gagueira através de exames que vão além da análise da fala do paciente.

Veja a entrevista com o Neurocientista MARTIN SOMMER



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Exercícios e manobras para tratamento das disfagias


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Dez coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse



Dez coisas que toda criança com autismo gostaria que você soubesse.
Por Ellen Nottohm
(tradução Geane Barroso)

1) Antes de tudo eu sou uma criança.
Eu tenho autismo. Eu não sou somente "Autista". O meu autismo é só um aspecto do meu caráter. Não me define como pessoa. Você é uma pessoa com pensamentos, sentimentos e talentos. Ou você é somente gordo, magro, alto, baixo, míope. Talvez estas sejam algumas coisas que eu perceba quando conhecer você, mas isso não é necessariamente o que você é. Sendo um adulto, você tem algum controle de como se auto-define. Se quer excluir uma característica, pode se expressar de maneira diferente. Sendo criança eu ainda estou descobrindo. Nem você ou eu podemos saber do que eu sou capaz. Definir-me somente por uma característica, acaba-se correndo o risco de manter expectativas que serão pequenas para mim. E se eu sinto que você acha que não posso fazer algo, a minha resposta naturalmente será: Para que tentar?  

2)A minha percepção sensorial é desordenada.
Interação sensorial pode ser o aspecto mais difícil para se compreender o autismo. Quer dizer que sentidos ordinários como audição, olfato, paladar, toque, sensações que passam desapercebidas no seu dia a dia podem ser doloridas para mim. O ambiente em que eu vivo pode ser hostil para mim. Eu posso parecer distraído ou em outro planeta, mas eu só estou tentando me defender. Vou explicar o porquê uma simples ida ao mercado pode ser um inferno para mim: a minha audição pode ser muito sensível. Muitas pessoas podem estar falando ao mesmo tempo, música, anúncios, barulho da caixa registradora, celulares tocando, crianças chorando, pessoas tossindo, luzes fluorescentes. O meu cérebro não pode assimilar todas estas informações, provocando em mim uma perda de controle. O meu olfato pode ser muito sensível. O peixe que está à venda na peixaria não está fresco. A pessoa que está perto pode não ter tomado banho hoje. O bebê ao lado pode estar com uma fralda suja. O chão pode ter sido limpo com amônia. Eu não consigo separar os cheiros e começo a passar mal. Porque o meu sentido principal é o visual. Então, a visão pode ser o primeiro sentido a ser super-estimulado.  A luz fluorescente não é somente muito brilhante, ela pisca e pode fazer um barulho. O quarto parece pulsar e isso machuca os meus olhos. Esta pulsação da luz cobre tudo e distorce o que estou vendo. O espaço parece estar sempre mudando. Eu vejo um brilho na janela, são muitas coisas para que eu consiga me concentrar. O ventilador, as pessoas andando de um lado para o outro... Tudo isso afeta os meus sentidos e agora eu não sei onde o meu corpo está neste espaço.

3) Por favor, lembre de distinguir entre não poder (eu não quero fazer) e eu não posso (eu não consigo fazer)
Receber e expressar a linguagem e vocabulário pode ser muito difícil para mim. Não é que eu não escute as frases. É que eu não te compreendo. Quando você me chama do outro lado do quarto, isto é o que eu escuto "BBBFFFZZZZSWERSRTDSRDTYFDYT João". Ao invés disso, venha falar comigo diretamente com um vocabulário simples: "João, por favor, coloque o seu livro na estante. Está na hora de almoçar". Isso me diz o que você quer que eu faça e o que vai acontecer depois. Assim é mais fácil para compreender.   

4) Eu sou um "pensador concreto" (CONCRETE THINKER). O meu pensamento é concreto, não consigo fazer abstrações.
Eu interpreto muito pouco o sentido oculto das palavras. É muito confuso para mim quando você diz "não enche o saco", quando o que você quer dizer é "não me aborreça". Não diga que "isso é moleza, é mamão com açúcar" quando não há nenhum a mamão com açúcar por perto e o que você quer dizer é que isso e algo fácil de fazer. Gírias, piadas, duplas intenções, paráfrases, indiretas, sarcasmo eu não compreendo.

5)Por favor, tenha paciência com o meu vocabulário limitado.
Dizer o que eu preciso é muito difícil para mim, quando não sei as palavras para descrever o que sinto. Posso estar com fome, frustrado, com medo e confuso, mas agora estas palavras estão além da minha capacidade, do que eu possa expressar. Por isso, preste atenção na linguagem do meu corpo (retração, agitação ou outros sinais de que algo está errado).
Por um outro lado, posso parecer como um pequeno professor ou um artista de cinema dizendo palavras acima da minha capacidade na minha idade. Na verdade, são palavras que eu memorizei do mundo ao meu redor para compensar a minha deficiência na linguagem. Por que eu sei  exatamente o que é esperado de mim como resposta quando alguém fala comigo. As palavras difíceis que de vez em quando falo podem vir de livros, TV, ou até mesmo serem palavras de outras pessoas. Isto é chamado de ECOLALIA. Não preciso compreender o contexto das palavras que estou usando. Eu só sei que devo dizer alguma coisa.

6)Eu sou muito orientado visualmente  porque a linguagem é muito difícil para mim.
Por favor, me mostre como fazer alguma coisa ao invés de simplesmente me dizer. E, por favor, esteja preparado para me mostrar muitas vezes. Repetições consistentes me ajudam a aprender. Um esquema visual me ajuda durante o dia-a-dia. Alivia-me do stress de ter que lembrar o que vai acontecer. Ajuda-me a ter uma transição mais fácil entre uma atividade e outra. Ajuda-me a controlar o tempo, as minhas atividades e alcançar as suas expectativas. Eu não vou perder a necessidade de ter um esquema visual por estar crescendo. Mas o meu nível de representação pode mudar. Antes que eu possa ler, preciso de um esquema visual com fotografias ou desenhos simples. Com o meu crescimento, uma combinação de palavras e fotos pode ajudar mais tarde a conhecer as palavras.

7)Por favor, preste atenção e diga o que eu posso fazer ao invés de só dizer o que eu não posso fazer.
Como qualquer outro ser humano não posso aprender em um ambiente onde sempre me sinta inútil, que há algo errado comigo e que preciso de "CONSERTO". Para que tentar fazer alguma coisa nova quando sei que vou ser criticado? Construtivamente ou não é uma coisa que vou evitar. Procure o meu potencial e você vai encontrar muitos! Terei mais que uma maneira para fazer as coisas.

8)Por favor, me ajude com interações sociais.
Pode parecer que não quero brincar com as outras crianças no parque, mas algumas vezes simplesmente não sei como começar uma conversa ou entrar na brincadeira. Se você pode encorajar outras crianças a me convidarem a jogar futebol ou brincar com carrinhos, talvez eu fique muito feliz por ser incluído. Eu sou melhor em brincadeiras que tenham atividades com estrutura começo-meio-fim. Não sei como "LER" expressão facial, linguagem corporal ou emoções de outras pessoas. Agradeço se você me ensinar como devo responder socialmente. Exemplo: Se eu rir quando Sandra cair do escorregador não é que eu ache engraçado. É que eu não sei como agir socialmente. Ensine-me a dizer: "você esta bem?".

9)Tente encontrar o que provoca a minha perda de controle.
Perda de controle, "chilique", birra, mal-criação, escândalo, como você quiser chamar, eles são mais horríveis para mim do que para você. Eles acontecem porque um ou mais dos meus sentidos foi estimulado ao extremo. Se você conseguir descobrir o que causa a minha perda de controle, isso poderá ser prevenido - ou até evitado. Mantenha um diário de horas, lugares pessoas e atividades. Você encontrar uma seqüência pode parecer difícil no começo, mas, com certeza, vai conseguir. Tente lembrar que todo comportamento é uma forma de comunicação. Isso dirá a você o que as minhas palavras não podem dizer: como eu sinto o meu ambiente e o que está acontecendo dentro dele.

10)Se você é um membro da família me ame sem nenhuma condição.
Elimine pensamentos como "Se ele pelo menos pudesse…" ou "Porque ele não pode…" Você não conseguiu atender a todas as expectativas que os seus pais tinham para você e você não gostaria de ser sempre lembrado disso. Eu não escolhi ser autista. Mas lembre-se que isto está acontecendo comigo e não com você. Sem a sua ajuda a minha chance de alcançar uma vida adulta digna será pequena. Com o seu suporte e guia, a possibilidade é maior do que você pensa. Eu prometo: EU VALHO A PENA.
E, finalmente três palavras mágicas: Paciência, Paciência, Paciência. Ajuda a ver o meu autismo como uma habilidade diferente e não uma desabilidade. Olhe por cima do que você acha que seja uma limitação e veja o presente que o autismo me deu. Talvez seja verdade que eu não seja bom no contato olho no olho e conversas, mas você notou que eu não minto, roubo em jogos, fofoco com as colegas de classe ou julgo outras pessoas? É verdade que eu não vou ser um Ronaldinho "Fenômeno" do futebol. Mas, com a minha capacidade de prestar atenção e de concentração no que me interessa, eu posso ser o próximo Einstein, Mozart ou Van Gogh. Eles também tinham autismo, uma possível resposta para alzaheim o enigma da vida extraterrestre -
O que o futuro tem guardado para crianças autistas como eu, está no próprio futuro. Tudo que eu posso ser não vai acontecer sem você sendo a minha Base. Pense sobre estas "regras" sociais e se elas não fazem sentido para mim, deixe de lado. Seja o meu protetor seja o meu amigo e nós vamos ver ate onde eu posso ir.
CONTO COM VOCÊ!!!

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Desvio Fonético e Fonológico


Disturbio articulatório é quando o problema é só na articulação do som.
Disturbio fonológico é um distúrbio de lingg, a criança consegue produzir o som mas não o emite na comunicação.

Desvio Fonético e Fonológico: as trocas na fala
Marcadores: Fala
Esta dificuldade é mais conhecida como "trocas na fala", pois caracteriza-se pelas trocas, omissões, inversões e acréscimos de fonemas durante a fala. O atraso na aquisição fonológica, ou seja, na linguagem oralizada pode resultar neste quadro. Classificam-se em: desvio fonético, desvio fonológico e desvio fonético-fonológico.

Aquisição fonológica do português:
A ordem de aquisição dos fonemas pela criança ocorre naturalmente de acordo com o grau de dificuldade. Os últimos fonemas a serem adquiridos são as líquidas, principalmente a líquida não lateral r, que tende a ser adquirida pela criança após os quatro anos. Este fonema é o último por que depende de um ato motor complexo que é a vibração de língua. Veja a ordem de aquisição dos fonemas abaixo:

Plosivas: p, t, k, b, d, e g ---------- 1ano e 6 meses - 1 ano e 8 meses

Nasais: m, n e ñ ---------- 1 ano e 6 meses - 1 ano e 8 meses

Fricativas: v, f, s, z, S, Z ---------- 1 ano e 8 meses - 2 anos e 10 meses

Líquidas: l, R, lh, r ---------- 3 anos - 4 anos e 2 meses

Os fonemas geralmente são adquiridos nesta ordem, porém a idade ilustrada para esta aquisição é a penas uma média. Muitas crianças conseguem pronunciar estes fonemas mais precocemente e sem dificuldades, enquanto outras demoram um pouco mais, apresentando certas dificuldades que devem ser trabalhadas de preferência antes da alfabetização.
A criança deverá adquirir todos os fonemas até os quatro anos, no mais tardar quatro anos e meio. Aos cinco, se as trocas persistem já passa a ser considerada uma "patologia da fala". Desta forma, fica evidente uma maior dificuldade no tratamento da fala. Por isso o ideal é iniciar a observação desta criança antes dos cinco anos, a fim de encaminhá-la a um especialista mais precocemente. Isto garantirá resultados mais satisfatórios, sem correr o risco de comprometer o aprendizado escolar.

Desvio Fonético
É uma alteração miofuncional oral, ou seja, um comprometimento motor que possui uma causa orgânica. Por exemplo: a perda de um dente pode fazer com que os sons de alguns fonemas se alterem durante sua produção; a presença de freio lingual curto, mais conhecido como "língua presa", impede a movimentação adequada da língua para a produção de certos fonemas; a mal oclusão dentária; além disso, a própria incoordenação dos movimentos dos músculos da face pode ocasionar dificuldades na fala.

Desvio Fonológico
É uma desorganização no sistema de sons da criança, não tendo nenhuma relação com comprometimentos orgânicos que afetem a produção da fala. Crianças com desvio fonológico apresentam alterações no seu desenvolvimento fonológico sem causa aparente.
Caracteriza-se pela fala espontânea quase ininteligível, com linguagem bem desenvolvida e ausência de anormalidades anatômicas ou fisiológicas nos mecanismos de produção da fala.

Desvio Fonético-Fonológico
Ocorre quando existe a presença de alteração motora e falta de compreensão dos fonemas durante a fala.


As Perturbações Articulatórias 

As alterações articulatórias podem ser de dois tipos: orgânicas e funcionais.  Os problemas dizem-se fonéticos quando se localizam exclusivamente a nível da produção de fala (i.e., planeamento e execução dos movimentos articulatórios) e fonémicos quando o sistema fonológico se encontra alterado ou inadequado. Neste último caso, a pessoa é capaz de produzir sons mas fá-lo de forma inconsistente, imatura ou inventada. Os erros reflectem uma aprendizagem incompleta das regras de uso tendo, portanto, uma base linguística.
Para uma eficaz intervenção nas perturbações de fala é necessário, por um lado, identificar qual destes dois tipos se trata e, por outro lado, fazer uma avaliação cuidada da situação. Para o correcto diagnóstico é necessário recolher informação relativa a aspectos como os factores estruturais (e.g., desvios orgânicos da língua e de outras estruturas anatómicas), a existência de dificuldades de coordenação motora (i.e., avaliar a acção simultânea e sucessiva de contracções musculares) e sensoriais (i.e., avaliar a existência de problemas auditivos e proprioceptivos), ao desenvolvimento da linguagem (e.g., averiguar se houve atraso na aquisição dos grandes marcos da linguagem e ver se há problemas a outros níveis como o sintáctico, o lexical, o morfológico e o semântico) e a factores ambientais (factores que possam ter dificultado ou impeçam a aquisição dos sons; e.g., língua materna dos pais, idade dos pais, factores emocionais, modelos parentais, dinâmica familiar) ou evolutivos (e.g., desenvolvimento motor da criança, doenças prolongadas, inteligência, imitação do comportamento de crianças amigas com problemas de articulação, problemas emocionais). Para além destes aspectos, é necessário identificar-se os erros articulatórios propriamente ditos.
Através da análise de amostras de fala espontâneas e de respostas a testes de articulação é importante identificar quais são os sons que o paciente produz incorrectamente, que tipo de erros dá e onde estes se localizam (e.g., em que estrutura silábica, em posição inicial, medial ou final de palavra). É preciso igualmente identificar algumas palavras-chave (i.e., palavras específicas onde o paciente consegue articular correctamente o fonema- problema), quais as produções correctas após estimulação auditiva e visual forte, contexto fonémicos e silábicos relevantes e contextos comunicacionais (e.g., tipo de situaço comunicativa, velocidade do enunciado, tipo de material comunicativo).

Os erros articulatórios mais frequentes são as omissões, as substituições, as distorções, as adições e as inversões. No caso específico das substituições, chama-se a atenção para o facto de a substituição de um fonema por outro depender da semelhança entre ambos, quer a nível da sonoridade, quer a nível dos movimentos (e.g., articular /p/ em vez de /t/ mas raramente articular /p/ em vez de /l/). Para além de se delimitarem os erros articulatórios é necessário identificar-se as regras fonológicas que estão por detrás desses erros. Esta identificação das regras subjacentes aos erros articulatórios pode ser feita através de uma análise dos traços distintivos, através de uma análise de acordo com o sistema tradicional de classificação dos sons da fala, ou através de uma análise aos processos fonológicos aplicados.

• Traços Distintivos
Os traços são propriedades de sons e caracterizam-se por serem binários (presentes (+) vs. Ausentes (-)). Quando determinados traços servem para diferenciar um som da fala de outro designam-se por distintivos. O leitor interessado encontra em Mira-Mateus, Andrade, Viana e Villalva (1990) uma revisão dos vários traços distintivos. Aqui, e para exemplificar, falaremos apenas de quatro traços distintivos: o nasal (que tem a ver com a ressonância nasal), o contínuo (bloqueio mínimo da corrente de ar), o estridente (som de fricção), e o sonoro (funcionamento das cordas vocais)
Em casos de perturbações articulatórias, a identificação de traços comprometidos pode ser de extrema utilidade pois permite ao terapeuta trabalhar directamente esses traços ao invés de incidir sobre os diversos fonemas que se caracterizam pela sua presença. Considere, por exemplo, o caso de um paciente incapaz de produzir os fonemas /s, z, f, v/. Ao invés de ensinar a correcta articulação de cada um dos quatro sons, o terapeuta pode intervir apenas no traço distintivo que é comum aos mesmos. No exemplo dado, o traço distintivo ausente é a estridência. Assim, a intervenção poderia passar por treinar o paciente a sibilar, a assobiar e a estridência. Assim, a intervenção poderia passar por treinar o paciente a sibilar, a assobiar e a produzir zumbidos e por usar técnicas específicas de reconhecimento do traço da estridência de imitação.

Sistema Tradicional de Classificação dos Sons da Fala
A classificação dos fonemas consonânticos é feita através de quatro características fundamentais: o ponto de articulação, o modo de articulação, o vozeamento e a nasalidade. Já a classificação das vogais é feita através da região de articulação, do grau de abertura, da intensidade, da posição labial e da nasalidade.
À semelhança da abordagem anterior, pode ser útil identificar qual a característica que se encontra ausente em caso de dificuldades articulatórias. Por exemplo, se o paciente tiver dificuldade em articular fonemas cujo ponto de articulação seja o alveolar, a intervenção pode ser mais eficaz se se centrar especificamente no ensino de gesto articulatório correspondente(i.e., levar a ponta da língua a tocar, ou a aproximar-se, dos alvéolos).

• Processos Fonológicos
Os processos fonológicos são processos naturais que as crianças usam para simplificar os padrões de fala do adulto. Estes processos fonológicos têm a ver com o tipo de erros articulatórios presentes na articulação de palavras. Exemplos são a omissão de um segmento sonoro (e.g., dizer /peto/ em vez de PRETO), a substituição de um som por outro (e.g., dizer /piSAmA/ em vez de PIJAMA), a inversão, ou metátese (e.g., /kurkudilo para CROCODILO), a adição (e.g., /f6lor/ para FLOR) e a assimilaço (e.g., /nAniS/ para NARIZ). O leitor interessado encontra em Castro e Gomes (2000) os principais processos fonológicos observados em crianças portuguesas entre os 3 e os 5 anos de idade.
Considere o caso de um paciente que substitui sistematicamente os sons /S/ e /Z/ por /s/ e /z/, respectivamente. Por exemplo, em palavras como CHAPÉU e MÁGICO o paciente produz /sApEw/ e /maziku/, respectivamente. O tipo de desvio observado é a anteriorização. Neste caso, a intervenção pode passar pela técnica do bombardeamento auditivo (e.g., no início e final de cada sessão, o terapeuta lê listas de palavras que contenham o som alvo) e pelo treino conceptual. O treino conceptual consiste em estabelecer contrastes mínimos com significado de forma a levar o paciente a perceber que a alteração de um som por outro altera o significado da palavra (e.g., /masu/ vs. /maSu/, /Zelu/ vs. /zelu/).



Canongia, M. B. (2000). Intervenção precoce em fonoaudiologia. Rio de Janeiro: Revinter.
Dockrell, J., & McShane, J. (2000). Crianças com dificuldades de aprendizagem: Uma abordagem cognitiva (A. Negreda, Trad.). Porto Alegre: ArtMed Editora. (Edição original de 1993)
Lowe, R. I. (1996). Fonoaudiologia. Avaliação e intervenção: Aplicações na patologia da fala (M. A. G. Domingues, Trad.). Porto Alegre: Artes Médicas. (Ediço original de 1994)
Van Riper, C., & Emerick, L. (1997). Correço da linguagem. Uma introdução à patologia da fala e à audiologia (8ª ed.; M. A. G. Domingues, Trad.). Porto Alegre: Artes Médicas. (Edição original de 1990)
Yavan, M. Hernandorena, C. M., & Lamprecht, R. R. (2002). Avaliação fonológica da criança.
Reeducação e terapia (2ª reimpr.) Porto Alegre: Artes Médicas


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Os principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantis

Eles são caricatos, infantis e irreais. Porém diversos personagens infantis, das histórias em quadrinhos ou dos desenhos animados têm, na fala, características bastante humanas. E muitos deles poderiam dar um pulinho no consultório de um fonoaudiólogo para melhorar seus problemas de comunicação (que muitas vezes causam muita confusão). Afinal, não é porque se é um porquinho, um pato ou um coelho que é preciso conviver com estas condições relativamente simples de serem resolvidas.
A convite do portal “O que eu tenho?”, a fonoaudióloga Débora Befi, coordenadora do Departamento de Linguagem da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia e pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), esqueceu por alguns momentos que eles são personagens fictícios e analisou os principais problemas fonoaudiológicos em personagens de desenhos animados infantis.
cebolinha Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantisEles não trocam a letra, trocam o som
Cebolinha e Hortelino Troca-Letras estão separados por uma longa distância geográfica (sem contar que vivem em épocas diferentes, dependendo de suas aventuras). Mas estes dois personagens têm problemas fonoaudiológicos em comum. Ambos trocam, de forma similar, o som do “r” pelo “l”.
“No caso do Cebolinha talvez seja mais compreensível, pois este tipo de troca ou confusão de sons é comum até certa idade. Até os quatro anos é perfeitamente normal ocorrer este problema, pois a criança está aprendendo a articular os sons da fala. Entre os quatro e os seis anos esse tipo de confusão de grupos consonantais já deveria estar sumindo. O Cebolinha está um pouco atrasado neste desenvolvimento, mas ainda é possível reverter este processo”, analisa Débora.
hortelino Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantis“A dificuldade de vibração de ponta de língua, por exemplo, para produzir o “r” , na hora de falar, são estratégias bastantes simples que, com o auxílio de um profissional de fonoaudiologia, podem ter remissão rapidamente. Já no caso do Hortelino é mais difícil, pois ele já é um adulto. Vai precisar de mais tempo, mas também é possível esta readaptação da fala”, diz.
Um problema nos músculos da língua
patolino Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantisPatolino e Frajola são outros dois personagens com um problema em comum. Ambos têm o chamado ceceio, uma condição caracterizada por um tônus muscular mais fraco, ou seja, os músculos da língua não se fortaleceram o suficiente durante a fase de desenvolvimento e, em consequência disso, pode haver projeção da língua durante a fala.
Além da projeção da língua, estes dois personagens podem ter problemas de deglutição (dificuldade para engolir alimentos). Talvez por isso o Frajola tenha tanta dificuldade de dar cabo de seu alimento predileto, o Piu-Piu (cuja fala infantilizada é provavelmente mais um problema para um psicólogo do que para o fonoaudiólogo).
frajola Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantis“O ceceio anterior – projeção da língua entre os dentes da frente – faz com que a produção de alguns sons (“s”, por exemplo), seja distorcida, no caso do Patolino. A saliva, que também é em parte controlada pelo movimento da língua, pode acabar saindo junto com o ar. Já o Frajola tem uma espécie de ceceio lateral, então o ar escapa por debaixo da língua nas laterais, parecendo que há um “xê” perdido em algumas palavras”, observa Débora.
A reabilitação da força muscular e readequação da mastigação/deglutição são alguns aspectos que ajudam a reverter quadro.
Sem vírgulas nas frases
ligeirinho Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantisO mexicano Ligeirinho pode ser facilmente classificado como ansioso. Mas como ele não parece exatamente estressado o tempo todo – levando as situações problemáticas que enfrenta com bastante bom humor – então o mais provável é que ele tenha uma alteração de fluência pelo aumento da velocidade de fala que pode comprometer o entendimento do que ele diz.
“Não há causa determinada para essa alteração de velocidade, pode até ser uma característica dele enquanto falante. Talvez o núcleo familiar seja de pessoas que falem rápido e ele só repete o modelo. Atividades específicas para promoção da fluência com profissional especializado podem ser o suficiente para ele”, indica a fonoaudióloga.
Os campeões falam fino
mickey Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantisMickey, um campeão em vendagens de produtos ligados à sua imagem, pode ter um problema similar a outro campeão, o lutador Anderson Silva. A fala afinada pode ter origem em um simples atraso de muda vocal.
“A voz se forma a partir de um conjunto de estruturas. Pulmão, cordas vocais, garganta, boca, língua são as principais. A voz fina, muitas vezes, pode ser decorrente de características da própria laringe. Outra causa, até certa idade, é um atraso na muda vocal. A muda vocal se dá na adolescência – caracterizada pela voz de ‘taquara rachada’ exatamente por esse motivo – mas em alguns casos podem demorar um pouco mais para se adequar, ou então não se adequar de maneira nenhuma e conviver com esse tom de voz. O Anderson Silva, pode ter uma dessas características, não se pode afirmar, deveria ser avaliado por um especialista. Já o Mickey é difícil ter uma ideia da sua idade real, então não é possível ter certeza ainda. Apenas um especialista, a partir de testes em consultório poderia dar um diagnóstico mais preciso. Mas acho difícil isso acontecer”, brinca Débora.
Dessa vez o coelho não escapa
pernalonga 2 Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantisPernalonga não poderia ficar fora dessa. O coelho é extremamente inteligente e tem um discurso que convence qualquer um. Mas a voz anasalada é característica de pessoas popularmente conhecidas como fanhosas.
“É uma condição que pode ser causada por problemas anatômicos, ou ainda, uma dificuldade de movimentação do chamado ‘véu palatino’, que veda o nariz quando falamos evitando o escape do ar. O problema se caracteriza pelo escape dos sons orais através do nariz, criando uma sonoridade reconhecida pela maioria das pessoas. Normalmente, a reabilitação fonoaudiológica é bastante eficiente para auxiliar na solução do problema”, afirma a especialista.
Alguns problemas podem ser muito graves
donald Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantisUm personagem que pode estar em maus lençóis é o irritadiço Pato Donald. A especialista aponta que o problema que atinge a fala de Donald pode ser uma conjunção de fatores.
“Primeiro me parece que o Donald tem uma alteração bastante grave na voz. Pode ser, inclusive, um nódulo vocal. A voz é muito rouca e muito forçada – o que agrava o quadro. Além disso, há a questão de fluência alterada, ou seja, pela velocidade excessiva da fala. O Donald seria caso para uma avaliação por uma equipe multidisciplinar em regime de urgência”, diz a fonoaudióloga.
Outro que poderia ter algum problema mais complexo seria o Coiote Coió, um dos maiores consumidores de produtos Acme e cuja fixação pelo Papa-Léguas lhe rende galos na cabeça o tempo todo. “Ele ouve, mas não fala. Isso pode ser um indicativo de um problema complicado também, afinal a comunicação e a fala, em humanos, é algo natural. O que me faz ficar mais tranquila é que, no final das contas, ele é apenas um coiote, então não falar não é exatamente um problema”, brinca a especialista.
gaguinho Principais problemas fonoaudiológicos de personagens infantisPo-po-por hoje é só
O Gaguinho tem um problema fonoaudiológico nada difícil de descobrir. A gagueira, que pode se caracterizar pela repetição de sons, sílabas, bloqueios, longas pausas, entre outras características. Por ser muito impactante do ponto de vista social a gagueira não deveria ter graça alguma. 

Brincadeira, mas nem tanto
O texto acima, claro, é uma brincadeira. Afinal o que faz os desenhos infantis serem engraçados é a suspensão da realidade e a aceitação da caricatura dentro do contexto das histórias.
Mas os problemas analisados são reais e vários deles podem comprometer a convivência social ou criar traumas em pessoas que não sabem a quem recorrer para reverter seu quadro.
Os profissionais indicados para avaliar melhor estes problemas da fala são os profissionais de fonoaudiologia e os médicos otorrinolaringologistas, cuja especialidade de nome gigantesco também pode avaliar – encaminhar para outros especialistas – a maioria dos problemas citados.


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