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PSICOPEDAGOGIA SISTÊMICA NA INSTITUIÇÃO PARA CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM



Não podemos ainda esquecer da força sistêmica. O sistema tem uma força brutal. Se colocarmos uma criança mais frágil num sistema onde ela vai ser engolida, isso não pode ser bom em hipótese alguma, ela não tem recursos para lidar com este sistema, ela não pode fazer frente à força desse sistema
Como você está vendo o trabalho Psicopedagógico atualmente?
A psicopedagogia está ganhando um espaço muito grande, muito forte e muito bom. Contamos com bons cursos de especialização, consistentes, abarcando uma base teórica ampla. Esses cursos também contemplam a formação clínica, com prática e supervisão. Assim, o profissional adquire condições de desenvolver um trabalho de excelência.
Ao mesmo tempo, noto nas escolas, nas empresas e nas clínicas um espaço aberto para o psicopedagogo. Tenho conhecimento de empresas, que operam na área de RH, solicitando psicopedagogos para o corpo de profissionais.
A psicopedagogia vem se consolidando como área de conhecimento, como área de atuação, trabalhando interdisciplinarmente e fazendo as pessoas compreenderem que aprender não é algo necessariamente ligado ao ensino sistematizado, à escola. "Aprender é algo que se faz o tempo todo, durante toda a vida. Depois que deixamos de fazer as coisas por reflexos, tudo o que fazemos demanda aprendizagem. Aprendemos nas empresas, aprendemos nas instituições, aprendemos nas escolas, aprendemos com as famílias e nas famílias", o que amplia muito o campo do psicopedagogo.
O psicopedagogo nas empresas já é uma realidade?
Tenho notícias de que isso é uma realidade. O profissional integrando equipes multidisciplinares, dentro de empresas, na área de relações humanas, trabalhando com as questões relacionais, com as questões da organização que aprende, com a visão compartilhada. Para as culturas orientais, aprender significa estudar e praticar constantemente. Creio ser este o espírito das organizações que pretendem atingir grandes mudanças .
Atualmente estou lendo um livro muito interessante chamado "A Quinta Disciplina", que foi escrito por um Administrador (Senge, P.M., Ed. Best Seller, 1999), e tem por base o pensamento sistêmico. Ele afirma a questão da necessidade da aprendizagem das e nas relações: um profissional não pode só conhecer ou dominar o seu campo de trabalho. Ele precisa conhecer como se processam as relações, ter um razoável domínio pessoal, ter uma visão compartilhada e promover a aprendizagem em equipe. Creio que são requisitos plenamente tangíveis para um psicopedagogo, tendo em vista a pluralidade de sua formação.
Você tem duas publicações na área da psicopedagogia, do que elas tratam?
O primeiro livro é a minha monografia, apresentada como exigência para a conclusão do curso de especialização em Psicopedagogia, para a PUC-SP. Foi publicada pela Editora Lemos e chama-se "Ensinando a Ensinar". Ele traz um pouco da minha experiência adquirida em uma escola, que atende crianças com dificuldades de aprendizagem. Foi um trabalho desenvolvido com uma equipe de professores, com o objetivo de estimular as reflexões sobre o trabalho com estes alunos. É um livro com suporte teórico voltado para a psicanálise. No primeiro capítulo, falo um pouco sobre o "autorizar-se a ensinar", utilizando o conceito bioniano (W.Bion) de autoridade interna. Em outro capítulo do livro volto-me "a quem se ensina ?"; qual o objetivo de entender melhor este aluno com qual vou trabalhar, através do olhar da psicologia genética e da psicanálise.
No terceiro capítulo, proponho uma Psicopedagogia sistêmica, com o intuito de observar que os processos educacionais, que envolvem os sujeitos dentro de uma escola, estão inter-relacionados e se influenciam mutuamente. Ao perceber a escola como sistema, deixamos de colocar o foco no aluno com dificuldade e o redestribuimos por todos os subsistemas envolvidos.
No segundo livro "Psicopedagogia: um Enfoque Sistêmico - Terapia Familiar nas Dificuldades de Aprendizagem" da editora Empório do Livro, fui a organizadora. Escrevo com outras quatro psicopedagogas e terapeutas familiares.
Pretendemos falar um pouco sobre a dificuldade de aprendizagem iluminada pelas teorias da Terapia Familiar Sistêmica. As autoras propõe uma articulação entre a teoria sistêmica que embasa a terapia familiar e os pressupostos teóricos da Psicopedagogia.
No primeiro capítulo é dada uma noção geral do que é a Teoria Sistêmica, Cibernética de Primeira Ordem, Cibernética de Segunda Ordem, trazendo um aporte teórico para o leitor que não é da área. Nos outros capítulos, por intermédio de atendimentos clínicos, vamos tentando estabelecer relações entre o atendimento familiar e o psicopedagógico. A preocupação das autoras é a de estar mostrando a importância da família, da escola, do contexto social, das redes mais amplas, para o entendimento da dificuldade de aprendizagem.
Qual a vantagem do Enfoque Sistêmico no olhar psicopedagógico? 
Penso que para melhor compreendermos as questões da aprendizagem, elas devem ser consideradas sistemicamente. O que vem a ser isso? A escola, a família do aluno, ele próprio, os professores, são todos integrantes de um sistema que formam uma unidade e tendem para a manutenção de um equilíbrio. Ao olharmos esses subsistemas de forma circular estaremos nos responsabilizando, e a todos os envolvidos, nos processos de aprendizagem e nas possíveis rupturas que possam aí surgir.
Dentro da minha experiência, trabalhando com alunos com a queixa de dificuldade de aprendizagem, pude perceber que embora essa possa ser uma condição ligada a múltiplos fatores internos do sujeito, ela está sobremaneira sustentada pelo meio familiar, escolar, social, no qual o sujeito está inserido.
A circularidade, enquanto propriedade dos sistemas, evita que sejamos presos pela cômoda possibilidade de eleger uma única causa para o problema.
E quanto à Instituição, o que o olhar Sistêmico propicia?
Tão importante quanto ter um modelo é perceber que ele não passa de uma metáfora. Assim, quando se fala em olhar sistêmico na Instituição isso é apenas um recurso que nos auxilia a ordenação de uma realidade complexa, possibilitando definições operacionais, lógicas e pragmáticas.
O que este modelo nos permite é perceber como as questões do aprender e do saber operam de uma forma relacional e circular. Tanto quem aprende como quem ensina, estão ambos implicados e mutuamente responsáveis pelos/nos resultados. Colocar tanto o ensinante quanto o aprendente, quanto às famílias de ambos, assim como os terapeutas envolvidos neste processo, a escola, o próprio contexto social, implicados e co - responsáveis pela mesma situação. Desta forma tiramos o foco da criança, deixamos de olha-la como bode expiatório, e redistribuímos o sintoma (no caso, as dificuldades de aprendizagem), por todos os envolvidos.
Na Escola Winnicott, como funciona isso na prática?
Em nosso trabalho, pretendemos por na prática esses ensinamentos, dentre outros expedientes, através da formação de redes de apoio.
Trabalhamos a pessoa do professor, a família deste professor (não no sentido de trazer a família deste profissional para dentro da escola, mas sim, quais os mandatos, valores e crenças, quais os mitos que permeiam a família do professor, inclusive o que o levou a escolher essa profissão, que sentido na sua história de vida faz com que apareçam dificuldades com determinados alunos e facilidades com outros).
Trabalhamos com os terapeutas que atendem nossos alunos. Trabalhamos com as famílias dos alunos, através de palestras, encontros, orientações.
Enquanto direção e coordenação, estamos igualmente implicados nesta situação de aprendizagem, inseridos que estamos no mesmo sistema.
O trabalho em rede permite uma melhor apreensão do contexto, clarificando a natureza do problema e as respostas que devem ser fornecidas.
O que se propõe e se espera do profissional em uma escola com crianças com dificuldade de aprendizagem, a formação deverá ser diferenciada? 
Acredito que sim. Temos aqui no Colégio Winnicott reuniões semanais, com 2 horas de duração, onde são desenvolvidos trabalhos teóricos e práticos.
O aporte teórico visa trazer informação para os professores, uma vez que temos da 5ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, professores especialistas de áreas (as classes de 1ª. à 4ª série são comandadas por psicopedagogos).
Estes professores normalmente não detém um conhecimento da área da psicopedagogia, criando uma necessidade de trazer até eles, textos de psicanálise, lingüística, filosofia, pedagogia, teoria sistêmica, entre outros.
Damos ainda, especial atenção à formação da pessoa desses profissionais, desenvolvendo dinâmicas psicodramáticas, que visam favorecer seu auto-conhecimento.
A maior parte de nossos profissionais faz ou fez terapia. Considero que é uma das condições básicas para se trabalhar com alunos, sobretudo aqueles que apresentam dificuldade no aprendizado.
Quais são os problemas mais comuns encontrados na população de crianças com problemas de aprendizagem?
Quando fiz minha tese de mestrado "As dificuldades de Aprendizagem à Luz das Relações Familiares: um ensaio sistêmico" ocorreu-me fazer uma pesquisa, no colégio, acerca das " dificuldades" que mais apareciam como queixa inicial.
À primeira vista, os problemas emocionais emergiram como maioria. Depois, com um olhar mais detalhado e mais atento, pude perceber que as dificuldades se sobrepõe. Na verdade, você nunca tem uma única causa, mas um conjunto de situações que favorecem o aparecimento e a manutenção do sintoma (aqui entendido como dificuldade de aprendizagem). Na maioria das vezes, há um entrelaçamento de vários fatores (por exemplo: neurológicos, genéticos, cognitivos, familiares, sociais, escolares, etc..) que precisam ser compreendidos sistemicamente.
Esse movimento me permitiu observar o papel fundamental dos sistemas envolvidos, em especial o da família, que foi o alvo de minha pesquisa e poder concluir que seja qual for a etiologia da dificuldade de aprendizagem o apoio do sistema familiar é decisivo para a condução do processo.
Um exemplo que cito na minha dissertação: o estudo de uma criança com síndrome de X Frágil (alteração cromossômica caracterizada pela mutação do cromossoma X do par sexual XY. Atinge pessoas do sexo masculino e caracteriza entre outros por sintomas como: dificuldade para entender conceitos abstratos, depressão ou hiperatividade, traços de autismo, lentidão de raciocínio). No caso a que me refiro, a criança vem de uma família funcional, onde o pai e mãe tem muita clareza para lidar com a situação, propiciando desta forma, que a criança desenvolva seu potencial. Apesar das dificuldades próprias do quadro, outras variáveis favoráveis estavam presentes e se faziam notar, oferecendo um bom desenvolvimento para a aquisição da aprendizagem.
Estudei também o caso de um jovem, com queixa de abandono escolar em virtude de drogadicção, proveniente de uma família disfuncional (onde as funções familiares ou não são claras ou não existem. Famílias onde não existem hierarquia, fronteiras, onde filhos e pais são "iguais"). Embora ele apresentasse a capacidade cognitiva preservada, sua condição emocional não permitia que ele fizesse uso de suas competências. Assim, o fator emocional comprometia o cognitivo, o relacional, o social, que por sua vez impediam sua aprendizagem.
Novamente voltamos para questão sistêmica: as situações não devem ser analisadas isoladamente, porque na realidade, o todo não é a soma das partes.
Qual é o limite do Psicopedagogo na prática do atendimento psicopedagógico?
Aí entramos numa questão muito interessante que é a psicopedagogia como área de interseção, como um conhecimento multi e interdisciplinar.
Delimitar o campo de atuação de um profissional é antes de tudo preocupar-se com a qualidade do trabalho e a respectiva competência para executá-lo. Daí a importância da regulamentação dos cursos de especialização, dos estágios, da supervisão. Falando em limite da prática profissional, fala-se em Ética e em responsabilidade; em (re)conhecimento de seus próprios limites pessoais.
O psicopedagogo por ter uma formação pluralista pode estar apto a exercer práticas diferentes. Explicando melhor: o Psicopedagogo que é também fonoaudiólogo, pode trabalhar com os distúrbios da fala. O que é psicanalista está apto a fazer interpretações. O que é psicólogo pode fazer terapia, e assim por diante. O psicopedagogo que tenha uma formação em terapia familiar está apto a atender também a família. Cada um na sua área, tendo em comum a preocupação com a aprendizagem.
Creio que o que se pode destacar aqui é a possibilidade de se procurar parcerias e trabalhar em redes que ofereçam um atendimento adequado aos nossos clientes.
A idéia de "Rede de Apoio", no Brasil ainda é nova, mas em outras locais, como EUA e Europa, ela já é largamente utilizada. Trata-se de um conjunto de pessoas, que de maneira formal ou informal vinculam-se entre si. Ela diz respeito aos processos dessa interação social que são estabelecidos pelos indivíduos em seu cotidiano. Muitas são as redes que se pode dispor: a Igreja, a comunidade social, o clube, o sistema de saúde, profissionais de outras áreas, entre outros. Cabe a nós, saber tecer os nós de rede que beneficiem nosso trabalho e o atendimento ao nosso cliente/aluno.
Como ilustração cito um trabalho que apresentei no IV Congresso de Terapia Familiar - RJ, cujo tema era: Flexibilizando as tramas das Lealdades Familiares: relato de um atendimento. Descrevo o caso de uma família que atendi, onde o apoio de uma rede mais ampla, no caso de uma igreja evangélica foi decisivo para o andamento do processo terapêutico. O Paciente Identificado veio com diagnóstico de psicose e naquele momento a família não dispunha de recursos internos para ajudá-lo. Era um grupo pobre de contatos, que vivia isolado e com padrões de comunicação muito empobrecidos. A partir do momento que esse rapaz começou a fazer contato com este grupo social, que foi incorporado no coro, que passou a fazer amizades, pode-se observar uma significativa mudança nos padrões relacionais dele e de todo o grupo.
Fica aqui uma sugestão desse recurso como aliado do atendimento psicopedagógico.
Quais são os danos neste tipo de família, já que temos observado o aumento desta síndrome por causa do medo e a violência na sociedade nos dias atuais? 
As trocas ficam empobrecidas. Não há investimento de novos recursos, a família se fecha em si, evitando trocas com o meio exterior. Usamos um termo emprestado da física para nomear o fenômeno: entropia
Em relação à sociedade de hoje, percebermos as famílias cada vez mais isoladas. Há sessenta anos atrás, era comum a família extensa, composta por pais, irmãos, tios, avós, morando na mesma casa ou próximos. Hoje encontramos um grande número de famílias mono-parentais, distantes de sua família de origem e com pouco apoio de redes mais amplas.
Muitas famílias estão se restringindo a suas casas, num convívio empobrecido, de parcos recursos emocionais, porque não há troca. A mãe sozinha (ou o pai) não tem amparo, não tem continência, chega um momento onde ela/ele não tem mais o que dar para os filhos, porque não recebe nada, está isolada/o da sua família de origem, está distante de amigos, está distante de um contexto social mais amplo.
Também observamos famílias, que têm uma criança diferente, comprometida por uma questão física ou emocional; estas também costumam isolar-se; fecham-se, ou por vergonha ou por dificuldade em lidar com a situação perante os amigos, perante a sociedade. Não saem com as crianças, não querem se expor. São famílias que realmente não conseguiram trabalhar o luto de ter uma criança diferente do desejado. 
Como reagem famílias de crianças que estudam em escolas "especiais"? 
Como já mencionei, percebo a necessidade de elaboração do luto por se ter um filho diferente daquele que se imaginava.
Normalmente, quando as famílias chegam para nós, percebe-se uma diferença muito interessante: as famílias que vem procurando vaga para crianças até a 4ª série, em sua maioria, ainda está naquele período em que não aceitou bem a dificuldade da criança, ainda tem a esperança de que um dia ela irá para uma escola "normal".
Existe a vergonha porque a criança precisa de uma escola diferente; eles querem ver como é " a cara dos outros alunos", aparece o preconceito.
Por outro lado, os pais do Ensino Médio (antigo Colegial), são pais com maior tranqüilidade em aceitar aquele filho diferente, já trilharam um caminho vêem a possibilidade de continuar. Percebe-se uma aceitação maior, não existe mais a questão do preconceito, na sua maioria estabeleceram um relacionamento mais amplo dentro da comunidade.
Pode-se observar uma clara analogia entre a aceitação de um filho diferente e as fases que Bowby descreveu para a aceitação do luto: sentimentos como raiva, ansiedade e medo, a família está desorganizada internamente, tendem a esconder essas crianças do mundo externo, da realidade. Depois disso vai existindo um salto qualitativo onde os pais começam a trabalhar melhor esta idéia e vão passando para uma fase de maior aceitação, de mais organização.
Temos experiências de crianças que entraram nas série inicias e ficam até o 3o ano do Ensino Médio. Assim podemos observar por muitos anos estas famílias e perceber este processo de mudança, de maneiras diferentes de se relacionar com o sujeito, com o mundo, com a comunidade. Obviamente que esta divisão que estou fazendo não é rígida e nem tenho a pretensão de generalizar. Serva apenas para efeito de elucidação.
Como você vê a questão da inclusão?
A idéia da inclusão é muito interessante. Leio muito sobre como isso é feito em outros países, como Itália e França, onde esse trabalho já é bastante conhecido.
Na prática, infelizmente a inclusão aqui no Brasil não responde tão positivamente como em outras experiências que se lê nos relatos de outras localidades.
Na minha visão, existem dois momentos bem diferentes: o primeiro é aquela tentativa de inclusão onde se coloca uma criança diferente em uma classe "normal", de crianças ditas "normais", e esse diferente fica absolutamente ilhado e isolado, muitas vezes, servindo de chacota para outras crianças, tendo sua auto-estima rechaçada pelos amigos, vivenciando uma experiência que acaba sendo muito ruim para ambos os lados.
O que se vê , com freqüência, são profissionais designados para lidar com essas turmas que não tem o devido preparo para trabalhar as diferenças, para aceitar as diferenças e portanto, para fazer uma inclusão real.
Num segundo momento podemos considerar outros casos onde existe uma inclusão mais frutífera: algumas crianças ditas "normais" interagindo com outras que apresentam alguma diferença e todas participando por exemplo de uma aula de natação, uma aula de equoterapia (terapia com o auxílio do cavalo), uma aula de música, ou seja, onde a capacidade intelectual não seja tão valorizada, tão necessária e que marque esta diferença.
Se reunirmos crianças com potenciais diferentes e exigir delas atividades onde ambas estejam em condições de dar, essa inclusão é perfeita. Como, por exemplo, no jogo de futebol que nossos alunos participam. O que é exigido é uma boa capacidade motora, o respeito às regras, aos limites e todos os benefícios que os jogos podem trazer para a aprendizagem.
Quem trabalha em uma escola que atende crianças com dificuldades de aprendizagem, sabe da preocupação de se estar reunindo num grupo, patologias e/ou necessidades extremamente diversas. É algo que temos que olhar com muita atenção, com muito critério.
Aqui no Winnicott, muitas vezes, deixamos de atender alunos que tinham o perfil da escola porque naquele momento não havia um grupo que pudesse acolhe-los bem. Não adianta colocarmos crianças com muitas diferenças entre si e não viabilizarmos um atendimento profícuo. Ainda que tenhamos a preocupação com o "individualizado", em algum momento teremos que ter um denominador comum, se não, porque é que estamos agrupando?
Falar em inclusão é muito interessante, mais uma inclusão feita com bom senso, com critério, com respeito e responsabilidade.
Não podemos ainda esquecer da força sistêmica. O sistema tem uma força brutal. Se colocarmos uma criança mais frágil num sistema onde ela vai ser engolida, isso não pode ser bom em hipótese alguma, ela não tem recursos para lidar com este sistema, ela não pode fazer frente à força desse sistema. Questiono a inclusão neste sentido.
Estamos lidando com gente, isto não é reversível, não dá para apagar e fazer de novo, é uma responsabilidade muito séria com o sujeito, com as famílias, com a comunidade, com todos os envolvidos.
Acho que há uma questão que deve ficar para nós, enquanto educadores e psicopedagogos: para que estamos fazendo essa inclusão? qual o objetivo?

Elizabeth Polity - Psicopedagoga, terapeuta familiar, Mestre em educação, doutoranda em psicologia. Diretora do Colégio Winnicott. Diretora da APTF
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A Importância do Psicopedagogo ( para quem não sabe até onde ele atua!)





A Psicopedagogia constitui-se em uma justaposição de dois saberes - psicologia e pedagogia - que vai muito além da simples junção dessas duas palavras. Isto significa que é muito mais complexa do que a simples aglomeração de duas palavras, visto que visa a identificar a complexidade inerente ao que produz o saber e o não saber. É uma ciência que estuda o processo de aprendizagem humana, sendo o seu objeto de estudo o ser em processo de construção do conhecimento.

Surgiu no Brasil devido ao grande número de crianças com fracasso escolar e de a psicologia e a pedagogia, isoladamente, não darem conta de resolver tais fracassos. O Psicopedagogo, por sua vez, tem a função de observar e avaliar qual a verdadeira necessidade da escola e atender aos seus anseios, bem como verificar, junto ao Projeto Político-Pedagógico, como a escola conduz o processo ensino-aprendizagem, como garante o sucesso de seus alunos e como a família exerce o seu papel de parceira nesse processo.

Considerando a escola responsável por grande parte da formação do ser humano, o trabalho do Psicopedagogo na instituição escolar tem um caráter preventivo no sentido de procurar criar competências e habilidades para solução dos problemas. Com esta finalidade e em decorrência do grande número de crianças com dificuldades de aprendizagem e de outros desafios que englobam a família e a escola, a intervenção psicopedagógica ganha, atualmente, espaço nas instituições de ensino.

O presente artigo, que surgiu da preocupação existente com nossa prática como educadora e de nossa crença de que cada um constrói seus próprios conhecimentos por meio de estímulos, tem justamente o objetivo de fazer uma abordagem sobre a atuação e a importância do Psicopedagogo dentro da instituição escolar.

2. A Formação do Psicopedagogo e a Regulamentação da Profissão

No Brasil, a formação do psicopedagogo vem ocorrendo em caráter regular e oficial desde a década de 70 em instituições universitárias de renome. Esta formação foi regulamentada pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) em cursos de pós-graduação e especialização, com carga horária mínima de 360h. O curso deve atender às exigências mínimas do Conselho Federal de Educação quanto à carga horária, critérios de avaliação, corpo docente e outras. Não há normas e critérios para a estrutura curricular, o que leva a uma grande diversificação na formação.

Os cursos de psicopedagogia formam profissionais aptos a trabalhar na área clínica e institucional, que pode ser a escolar, a hospitalar e a empresarial. No Brasil, só poderão exercer a profissão de psicopedagogo os portadores de certificado de conclusão em curso de especialização em psicopedagogia em nível de pós-graduação, expedido por instituições devidamente autorizadas ou credenciadas nos termos da lei vigente - Resolução 12/83, de 06/10/83 - que forma os especialistas, no caso, os então chamados "especialistas em psicopedagogia" ou psicopedagogos.

A lei que trata do reconhecimento da profissão de psicopedagogo está na câmara dos deputados federais. Psicopedagogos elaboraram vários documentos nos anos de 1995 e 1996, explicitando suas atribuições, seu campo de atuação, sua área científica e seus critérios de formação acadêmica, um trabalho que contou com a colaboração de muitos.

O psicopedagogo possui a Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp) como elo de interlocução. A ABPp iniciou com um grupo de estudos formado por profissionais preocupados com os problemas de aprendizagem, sendo que, atualmente, também busca o reconhecimento da profissão.

É do Deputado Federal Barbosa Neto o projeto de reconhecimento desse profissional (Projeto de Lei 3124/97). De início, o deputado propôs uma sondagem entre os políticos da época (1996) sobre a aceitação ou não do futuro projeto. Nesse período, o MEC organizava a nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB), promulgada em dezembro do mesmo ano.

 A data que formalizou a entrada do Projeto de Lei é 14 de maio de 1997. Em 24 de junho desse mesmo ano, a ABPp assumiu, em visita à câmara, o reiterar do projeto junto às lideranças políticas do país, do que resultou a sua aprovação no dia 03 de setembro de 1997 pela Comissão de Trabalho de Administração e Serviço Público.

Após esta aprovação, o projeto foi encaminhado à 2ª Comissão, que é a de Educação, Cultura e Desporto, acontecendo, então, em 18 de junho de 1998 e 06 de junho de 2000, audiências para aprofundamento do tema.  A aprovação nessa comissão ocorreu em 12 de setembro de 2001, após um trabalho exaustivo da relatora Marisa Serrano, do Deputado Federal Barbosa Neto e dos psicopedagogos que articularam tal discussão no Brasil.

Em 20 de setembro de 2001, houve mais um avanço político com a aprovação do Projeto de Lei 10891, da autoria do Deputado Estadual (SP) Claury Alves da Silva. O Projeto de Lei 10891 "autoriza o poder Executivo a implantar assistência psicológica e psicopedagógica em todos os estabelecimentos de ensino básico público, com o objetivo de diagnosticar e prevenir problemas de aprendizagem".

Atualmente, o Projeto de Lei que regulamenta a profissão do Psicopedagogo está na Comissão de Constituição, Justiça e Redação para ser aprovado. Quando aprovado, irá para o Senado onde terá que passar por três comissões: Trabalho, Educação e Constituição, Justiça e Redação para, finalmente, ser sancionado pelo Presidente da República.

No momento, a profissão de Psicopedagogo, tendo em vista o trabalho de outras gestões da  ABPp ( Associação Brasileira de Psicopedagogia ) e dessa última, tem amparo legal no Código Brasileiro de Ocupação. Isto quer dizer que já existe a ocupação de Psicopedagogo, porém, isso não é suficiente. Faz-se necessário que esta profissão seja regulamentada.

3. Áreas de Atuação do Psicopedagogo

O psicopedagogo pode atuar em diversas áreas, de forma preventiva e terapêutica, para compreender os processos de desenvolvimento e das aprendizagens humanas, recorrendo a várias estratégias objetivando se ocupar dos problemas que podem surgir.

Numa linha preventiva, o psicopedagogo pode desempenhar uma prática docente, envolvendo a preparação de profissionais da educação, ou atuar dentro da própria escola. Na sua função preventiva, cabe ao psicopedagogo detectar possíveis perturbações no processo de aprendizagem; participar da dinâmica das relações da comunidade educativa a fim de favorecer o processo de integração e troca; promover orientações metodológicas de acordo com as características dos indivíduos e grupos; realizar processo de orientação educacional, vocacional e ocupacional, tanto na forma individual quanto em grupo.

Numa linha terapêutica, o psicopedagogo trata das dificuldades de aprendizagem, diagnosticando, desenvolvendo técnicas remediativas, orientando pais e professores, estabelecendo contato com outros profissionais das áreas psicológica, psicomotora. fonoaudiológica e educacional, pois tais dificuldades são multifatoriais em sua origem e, muitas vezes, no seu tratamento. Esse profissional deve ser um mediador em todo esse processo, indo além da simples junção dos conhecimentos da psicologia e da pedagogia.

O psicopedagogo pode atuar tanto na Saúde como na Educação, já que o seu saber visa compreender as variadas dimensões da aprendizagem humana. Da mesma forma, pode trabalhar com crianças hospitalizadas e seu processo de aprendizagem em parceria com a equipe multidisciplinar da instituição hospitalar, tais como psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e médicos.

No campo empresarial, o psicopedagogo pode contribuir com as relações, ou seja, com a melhoria da qualidade das relações inter e intrapessoais dos indivíduos que trabalham na empresa.

4. O Psicopedagogo na Instituiçao Escolar

Diante do baixo desempenho acadêmico, as escolas estão cada vez mais preocupadas com os alunos que têm dificuldades de aprendizagem, não sabem mais o que fazer com as crianças que não aprendem de acordo com o processo considerado normal e não possuem uma política de intervenção capaz de contribuir para a superação dos problemas de aprendizagem.

Neste contexto, o psicopedagogo institucional, como um profissional qualificado, está apto a trabalhar na área da educação, dando assistência aos professores e a outros profissionais da instituição escolar para melhoria das condições do processo ensino-aprendizagem, bem como para prevenção dos problemas de aprendizagem.

Por meio de técnicas e métodos próprios, o psicopedagogo possibilita uma intervenção psicopedagógica visando à solução de problemas de aprendizagem em espaços institucionais. Juntamente com toda a equipe escolar, está mobilizado na construção de um espaço adequado às condições de aprendizagem de forma a evitar comprometimentos. Elege a metodologia e/ou a forma de intervenção com o objetivo de facilitar e/ou desobstruir tal processo.

Os desafios que surgem para o psicopedagogo dentro da instituição escolar relacionam-se de modo significativo. A sua formação pessoal e profissional implicam a configuração de uma identidade própria e singular que seja capaz de reunir qualidades, habilidades e competências de atuação na instituição escolar.

A psicopedagogia é uma área que estuda e lida com o processo de aprendizagem e com os problemas dele decorrentes. Acreditamos que, se existissem nas escolas psicopedagogos trabalhando com essas dificuldades, o número de crianças com problemas seria bem menor.

Ao psicopedagogo cabe avaliar o aluno e identificar os problemas de aprendizagem, buscando conhecê-lo em seus potenciais construtivos e em suas dificuldades, encaminhando-o, por meio de um relatório, quando necessário, para outros profissionais - psicólogo, fonoaudiólogo, neurologista, etc. que realizam diagnóstico especializado e exames complementares com o intuito de favorecer o desenvolvimento da potencialização humana no processo de aquisição do saber.

Segundo Dembo (apud FERMINO et al, 1994, p.57), "Evidências sugerem que um grande número de alunos possui características que requerem atenção educacional diferenciada". Neste sentido, um trabalho psicopedagógico pode contribuir muito, auxiliando educadores a aprofundarem seus conhecimentos sobre as teorias do ensino-aprendizagem e as recentes contribuições de diversas áreas do conhecimento, redefinindo-as e sintetizando-as numa ação educativa. Esse trabalho permite que o educador se olhe como aprendente e como ensinante.

 Além do já mencionado, o psicopedagogo está preparado para auxiliar os educadores realizando atendimentos pedagógicos individualizados, contribuindo para a compreensão de problemas na sala de aula, permitindo ao professor ver alternativas de ação e ver como as demais técnicas podem intervir, bem como participando do diagnóstico dos distúrbios de aprendizagem e do atendimento a um pequeno grupo de alunos.

Para o psicopedagogo, a experiência de intervenção junto ao professor, num processo de parceria, possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora, principalmente se os professores forem especialistas nas suas disciplinas. Não só a sua intervenção junto ao professor é positiva. Também o é a sua participação em reuniões de pais, esclarecendo o desenvolvimento dos filhos; em conselhos de classe, avaliando o processo metodológico; na escola como um todo, acompanhando a relação professor e aluno, aluno e aluno, aluno que vem de outra escola, sugerindo atividades, buscando estratégias e apoio.

Segundo Bossa (1994, p.23),
... cabe ao psicopedagogo perceber eventuais perturbações no processo aprendizagem, participar da dinâmica da comunidade educativa, favorecendo a integração, promovendo orientações metodológicas de acordo com as características e particularidades dos indivíduos do grupo, realizando processos de orientação. Já que no caráter assistencial, o psicopedagogo participa de equipes responsáveis pela elaboração de planos e projetos no contexto teórico/prático das políticas educacionais, fazendo com que os professores, diretores e coordenadores possam repensar o papel da escola frente a sua docência e às necessidades individuais de aprendizagem da criança ou, da própria ensinagem.

O estudo psicopedagógico atinge seus objetivos quando, ampliando a compreensão sobre as características e necessidades de aprendizagem de determinado aluno, abre espaço para que a escola viabilize recursos para atender às necessidades de aprendizagem. Para isso, deve analisar o Projeto Político-Pedagógico, sobretudo quais as suas propostas de ensino e o que é valorizado como aprendizagem. Desta forma, o fazer psicopedagógico se transforma podendo se tornar uma ferramenta poderosa no auxílio de aprendizagem.
5. A Intervenção do Psicopedagogo Junto à Família
O conhecimento e o aprendizado não são adquiridos somente na escola, mas também são construídos pela criança em contato com o social, dentro da família e no mundo que a cerca. A família é o primeiro vínculo da criança e é responsável por grande parte da sua educação e da sua aprendizagem.

É por meio dessa aprendizagem que a criança é inserida no mundo cultural, simbólico e começa a construir seus conhecimentos, seus saberes. Contudo, na realidade, o que temos observado é que as famílias estão perdidas, não estão sabendo lidar com situações novas: pais trabalhando fora o dia inteiro, pais desempregados, brigas, drogas, pais analfabetos, pais separados e mães solteiras. Essas famílias acabam transferindo suas responsabilidades para a escola, sendo que, em decorrência disso, presenciamos gerações cada vez mais dependentes e a escola tendo que desviar de suas funções para suprir essas necessidades.

A escola, como observa Sarramona (apud IGEA, 2005, p 19), veio ocupar uma das funções clássicas da família que é a socialização: A escola se converteu na principal instituição socializadora, no único lugar em que os meninos e as meninas têm a possibilidade de interagir com iguais e onde se devem submeter continuamente a uma norma de convivência coletiva ....

Considerando o exposto, cabe ao psicopedagogo intervir junto à família das crianças que apresentam dificuldades na aprendizagem, por meio, por exemplo, de uma entrevista e de uma anamnese com essa família para tomar conhecimento de informações sobre a sua vida orgânica, cognitiva, emocional e social.

O que a família pensa, seus anseios, seus objetivos e expectativas com relação ao desenvolvimento de seu filho também são de grande importância para o psicopedagogo chegar a um diagnóstico.

Vale lembrar o que diz Bossa (1994, p.74) sobre o diagnóstico:
O diagnóstico psicopedagógico é um processo, um contínuo sempre revisável, onde a intervenção do psicopedagogo inicia, segundo vimos afirmando, numa atitude investigadora, até a intervenção. É preciso observar que esta atitude investigadora, de fato, prossegue durante todo o trabalho, na própria intervenção, com o objetivo de observação ou acompanhamento da evolução do sujeito.

Na maioria das vezes, quando o fracasso escolar não está associado às desordens neurológicas, o ambiente familiar tem grande participação nesse fracasso. Boa parte dos problemas encontrados são lentidão de raciocínio, falta de atenção e desinteresse. Esses aspectos precisam ser trabalhados para se obter melhor rendimento intelectual. Lembramos que a escola e o meio social também têm a sua responsabilidade no que se refere ao fracasso escolar.

A família desempenha um papel decisivo na condução e evolução do problema acima mencionado, pois, muitas vezes, não quer enxergar essa criança com dificuldades, essa criança que, muitas vezes, está pedindo socorro, pedindo um abraço um carinho, um beijo e que não produz na escola para chamar a atenção para o seu pedido, a sua carência. Esse vínculo afetivo é primordial para o bom desenvolvimento da criança.

Concordamos com Souza (1995, p.58) quando diz que
... fatores da vida psíquica da criança podem atrapalhar o bom desenvolvimento dos processos cognitivos, e sua relação com a aquisição de conhecimentos e com a família, na medida em que atitudes parentais influenciam sobremaneira a relação da criança com o conhecimento.

Sabemos que uma criança só aprende se ela tem o desejo de aprender. E para isso é importante que os pais contribuam para que ela tenha esse desejo.

Existe um desejo por parte da família quando a criança é colocada na escola, pois  da criança é cobrado que seja bem-sucedida. Porém, quando esse desejo não se realiza como esperado, surgem a frustração e a raiva que acabam colocando a criança num plano de menos valia, surgindo, daí, as dificuldades na aprendizagem.

Para Boszormeny (apud Polity, 2000),
uma criança pode desistir da escola porque aceita uma responsabilidade emocional, encarregando-se do cuidado de algum membro da família. Isso se produz, em resposta à depressão da mãe e da falta de disponibilidade emocional do pai que, de maneira inconsciente, ratifica a necessidade que tem a esposa, que seu filho a cuide.

A intervenção psicopedagógica também se propõe a incluir os pais no processo, por intermédio de reuniões, possibilitando o acompanhamento do trabalho realizado junto aos professores. Assegurada uma maior compreensão, os pais ocupam um novo espaço no contexto do trabalho, abandonando o papel de meros espectadores, assumindo a posição de parceiros, participando e opinando.
6. Considerações Finais
A profissão do psicopedagogo não está regulamentada, mas se encontra na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, na Câmara dos Deputados Federais, para ser aprovada. Enquanto isso, a formação do psicopedagogo vem ocorrendo em caráter regular e oficial em  cursos de pós-graduação oferecidos por instituições devidamente autorizadas ou credenciadas.

A psicopedagogia surgiu da necessidade de melhor compreensão do processo de aprendizagem, comprometido com a transformação da realidade escolar, na medida em que possibilita, mediante dinâmicas em sala de aula, contemplar a interdisciplinaridade, juntamente com outros profissionais da escola.

O psicopedagogo estimula o desenvolvimento de relações interpessoais, o estabelecimento de vínculos, a utilização de métodos de ensino compatíveis com as mais recentes concepções a respeito desse processo. Procura  envolver a equipe escolar, ajudando-a a ampliar o olhar  em torno do aluno e das circunstâncias de produção do conhecimento, ajudando o aluno a superar os obstáculos que se interpõem ao pleno domínio das ferramentas necessárias à leitura do mundo.

A aprendizagem humana é determinada pela interação entre o indivíduo e o meio, da qual participam os aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Dentro dos aspectos biológicos, a criança apresenta uma série de características que lhe permitem, ou não, o desenvolvimento de conhecimentos. As características psicológicas são conseqüentes da história individual, de interações com o ambiente e com a família, o que influenciará as experiências futuras, como, por exemplo, o conceito de si próprio, insegurança, interações sociais, etc.

Nesse contexto, é pertinente concluir que:

  • É fundamental que a criança seja estimulada em sua criatividade e que seja respondida às suas curiosidades por meio de descobertas concretas, desenvolvendo a sua auto-estima, criando em si uma maior segurança, confiança, tão necessária à vida adulta;
  • ­É preciso que os pais se impliquem nos processos educativos dos filhos no sentido de motivá-los afetivamente ao aprendizado. O aprendizado formal ou a educação escolar, para ser bem-sucedida não depende apenas de uma boa escola ou de bons programas, mas, principalmente, de como a criança é tratada em casa e dos estímulos que recebe para aprender;
  • É preciso entender que o aprender é um processo contínuo e não cessa quando a criança está em casa.

As mudanças políticas, sociais e culturais são referenciais para compreender o que acontece nas escolas e no sistema educacional. O psicopedagogo deve saber interpretar e estar inteirado com essas mudanças para poder agir e colaborar, preocupando-se com que as experiências de aprendizagem sejam prazerosas para a criança e, sobretudo, que promovam o desenvolvimento.

Portando, a psicopedagogia, pode fazer um trabalho entre os muitos profissionais, visando à descoberta e o desenvolvimento das capacidades da criança, bem como pode contribuir para que os alunos sejam capazes de olhar esse mundo em que vivem, de saber interpretá-lo e de nele ter condições de interferir com segurança e competência. Assim, o psicopedagogo não só contribuirá com o desenvolvimento da criança, como também contribuirá com a evolução de um mundo que melhore as condições de vida da maioria da humanidade.
7. Referências 
BRASIL. Projeto de Lei 10.891. Disponível emhttp://www.psicopedagogiaonline.com.br. Acesso em 25 de julho de 2005.
BOSSA, Nádia. A Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994.
FERMINO, Fernandes Sisto; BORUCHOVITH, Evely; DIEHL, Tolaine Lucila Fin. Dificuldades de aprendizagem no contexto psicopedagógico.Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. 
IGEA, Benito del Rincón e colaboradores. Presente e futuro do trabalho psicopedagógico. Porto Alegre : Artmed, 2005.
POLITY, E. Pensando as dificuldades de aprendizagem à luz das relações familiares. Disponível em http://www.psicopedagogiaonline.com.br. Acesso em 18 de junho de 2005.
SOUZA, Audrey Setton Lopes. Pensando a inibição intelectual:perspectiva psicanalítica e proposta diagnósticaSão Paulo: Casa do Psicólogo, 1995.
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AS EMOÇÕES E OS ESTILOS DE APRENDIZAGEM NO PROCESSO DE ENSINAR E APRENDER


AS EMOÇÕES E OS ESTILOS DE APRENDIZAGEM NO PROCESSO DE ENSINAR E APRENDER
Isabel Cristina Hierro Parolin


De 09 a 11 de Julho acontecerá na UNIP o 8° Congresso Brasileiro de Psicopedagogia em São Paulo e sua palestra será sobre “As emoções e os estilos de aprendizagem no processo de ensinar e aprender”.  Em sua opinião, quais as principais mudanças que ocorreram no processo ensino-aprendizagem nestas últimas décadas?
Temos aqui, algumas formas de responder a essa pergunta e me perdoem se pareço promover uma dicotomia entre teoria e prática, contudo, minha experiência tanto em consultório, como consultora e professora me autoriza a destacar alguns pontos:
As pesquisas e a academia avançaram qualitativamente no entendimento de como a aprendizagem acontece, as repercussões da aprendizagem no aprendiz e em seu entorno, no entendimento da relação entre os diferentes estilos de ensinar e as repercussões desse estilo na formação da criança. Diante dos inúmeros avanços, destaco de forma especial a importância do par-educativo: a qualidade da relação vincular entre o sujeito que aprende e ensina. A compreensão de que a aprendizagem acontece num interjogo entre o grupo e para o grupo, se respalda em teorias interessantes e consistentes, que podem vir a viabilizar práticas educativas mais competentes. Dito de outra forma, o entendimento de que o ato de ensinar e de aprender acontecem num processo, que tem uma história social e individual, num clima emocional, com tipificações de um determinado aprendiz, que repercute em uma situação de aprendizagem ou ainda, de não aprendizagem, tem sido para mim, dentre todos os avanços conquistados, o que mais chama atenção.
Outra maneira de responder é afirmar que muito pouco mudou na forma cuja aprendizagem e compreendida e o ensino é encaminhado em um grande número de salas de aula brasileira, apesar de todos os estudos, pesquisas e propostas metodológicas que temos acesso. Muitos professores, ainda “dão” aula e esperam que seus alunos “peguem” essa aula, tal qual ela foi concebida e planejada. Nessa dinâmica, o professor explica como ele articula determinado assunto e o aluno deve entender o raciocínio do professor e reproduzir 60% do que foi explicado em sala de aula. Na continuidade dessa tendência, o silêncio é ícone de atenção e os alunos sentam-se um atrás do outro, “para não conversarem e se distraírem”, o que, aliás, acaba gerando muita queixa de distração e indisciplina, numa espécie de efeito rebote. A partir dessas práticas temos produzido dificuldades com a aprendizagem em uma estatística não desejável e poucas oportunidades de aprendizagem.
Vivemos um desencontro entre os conhecimentos que nos são ofertados para respaldar a prática em sala de aula e o que o professor pratica, quando esta “dando” sua aula. A repercussão social desse distanciamento entre o que se faz e o que se pensa nas salas de aula é o grande número de crianças ditas com Déficits, com dificuldades e necessitando de inclusão escolar, atendimentos fora da escola em forma de aulas particulares e mesmo assim, não aprendendo. (lembro dos índices alcançados pelo Brasil pelo PISA 2007, dentre outras avaliações de resultados equivalentes)
Contudo, não se pode afirmar que nada aconteceu, no entanto, a proximidade entre os avanços teóricos deveriam chegar á prática escolar de forma mais rápida e eficiente. O que lamento é a demora ou a dificuldade dessa aproximação. Parece-me que esta faltando mais políticas públicas; mais ações competentes, diretivas e administrativas; mais verbas; mais consciência e mobilização social; mais parcerias; mais oportunidades para melhores qualificações dos professores; e mais compromisso com a missão social de promover educação de boa qualidade.
Como Henri Wallon contribuiu com a teoria psicogenética nesse processo?
A grande contribuição desse pensador é ele afirmar dentre outras coisas: o que destaco abaixo e que tem ajudado a entender a relação entre o sujeito que aprende e seu ensinante. Destaco:
•“As emoções são as manifestações da afetividade e a expressão dos sentimentos. Têm caráter de visibilidade, e é por meio delas que os educadores podem conseguir pistas do que está acontecendo com seus alunos: respiração, agitação, expressões faciais, olhares etc.”
•“o ser humano é uma síntese entre o ser orgânico e o ser social; todavia, aos poucos, o ser biológico vai dando espaço ao ser social. A inserção cultural, portanto, é determinante para o pleno desenvolvimento da criança.”
•“o movimento é a expressividade das inteligências. Os movimentos revelam a forma, os domínios e a organização dos pensamentos. Toda atividade pressupõe um tônus muscular que lhe é próprio, e cabe ao sujeito aprender a regular a tonicidade em consonância com a natureza da tarefa.”
•“sem o vínculo afetivo não há aprendizagem. Aprender é um investimento que o sujeito empreende e, para que isso ocorra, é necessário um clima emocional que seja favorável a esse esforço.”
(trechos retirados do site WWW.isabelparolin.com.br, texto As emoções e os estilos de aprendizagem)
Como você define aprendizagem?O grupo de pesquisa do qual faço parte (Aprendizagem e Conhecimento na Ação Educativa da PUCPR), que é coordenado pela professora psicopedagoga e doutora Evelise Portilho, elaborou um conceito que me agrada muito e que, por enquanto, atende as minhas necessidades de definir aprendizagem e de encaminhar os processos de aprendizagem.
Entendemos que:
Aprender é desenvolver-se.
Aprendizagem é um processo que envolve vínculos individuais e coletivos que resultam das interações do sujeito com o meio, da ação do cuidador e das articulações entre o saber e o não saber. É um processo permeado, no caso do ser humano, por um clima e um tom sócio-afetivo, que produz instrumentos para mudar a si e ao mundo e vice-versa. É um movimento que envolve o mundo íntimo, a subjetividade, o desejo; e também o contexto no qual se dá. É o processo de conhecer; é o processo de vida que se dá por articulações possíveis e que amplia os domínios cognitivos para conexões cada vez mais complexas.
Aprender é envolver-se.
O que falta nas escolas para um aprendizado mais efetivo?
Novamente me vejo diante de inúmeras possibilidades de resposta (penso em todos os setores da sociedade que se eximem de suas tarefas), todavia a que me ocorre por primeiro é a palavra “compromisso” - Compromisso social com a profissão adotada, compromisso com o outro e com a oportunidade de aprender de um aluno e por fim, compromisso com a repercussão na sociedade da sua falta de compromisso.
Qual a importância do clima emocional na mediação das aprendizagens?
O clima emocional, o tom e a temperatura em que ocorrem as relações, são o que garantem ou inviabilizam uma aprendizagem, uma escuta ou uma reflexão. Exemplifico: Uma jovem, cursando o segundo grau, afirma veementemente: “Odeio matemática!”... (suspira e assopra) “Odeio o professor de matemática!”... (suspira e assopra novamente, mais forte) “Na verdade me odeio!” (fala se movimentando muito e bate no peito) Olhei para a jovem e perguntei: “Você sempre odiou matemática?” “Não! Até a oitava série eu até que gostava, até que ia bem!” O que você odeia no professor de Matemática? Perguntei a ela, seguindo a seqüência do desabafo dela. “Ele é um cretino... Não ensina direito e me faz pensar que sou idiota e burra!” E é por isso que você se odeia? Afirmei, encarando-a. “E você acha pouco?”
Sendo as emoções manifestações da afetividade, o educador que tem maior visibilidade, sensibilidade e afetividade estabelece uma boa relação com seus alunos, promovendo um ambiente propício para a aprendizagem. Se a frase é verdadeira, como podemos analisar o sucesso que algumas escolas obtêm, quando a única preocupação é serem as melhores no ranking, onde não há tempo para se estabelecer uma relação mais afetuosa entre docente e alunos?
Depende do conceito que norteará a concepção de sucesso. Se sucesso for passar no vestibular e se formar, tendo o diploma como bem maior, o conceito de educação é um (que, aliás, não me interessa falar dele). Todavia, se o conceito for de formação de um cidadão competente, integrado e preparado para atender às necessidades sociais, esse “sucesso” é relativo. O bom profissional se caracteriza por uma boa ação, que faça bem a ele e ao outro (Terezinha Rios fala sobre isso) com boas repercussões em nosso contexto. Se fizermos uma análise social, nos diferentes segmentos profissionais, veremos que a Universidade não garante essa boa formação em si mesma. Para dar mais força a essa visão, lembro a força mercadológica, em forma de receitas, medicamento, que tem tido em nossa sociedade dos conceitos em torno da felicidade, da auto-estima, do bem-estar, do equilíbrio, etc.
Em sua experiência profissional, o grande o número de crianças/adolescentes que são encaminhados aos consultórios tendo como queixa problemas de aprendizagem, tem realmente algum problema ou o problema na maioria das vezes é escola?Um grande número de crianças encaminhadas como tendo dificuldades de aprendizagem, na verdade, tem dificuldades com sua aprendizagem. Nesse “com”, vamos ter as dificuldades que a escola tem de ensino com essa criança e as dificuldades que a família tem com o seu filho no enquadramento dele como aprendiz.
Que mensagem deixa aos congressistas, participantes e a todos os psicopedagogos?
Aprendi com a já citada nessa entrevista a Prof.ª Terezinha Rios que o trabalho educativo deve ser de “boa qualidade”, portanto, estendo essa aprendizagem para desejar aos congressistas que tenham a oportunidade de refletir e repensar suas práticas, de reorganizar suas crenças de forma a produzirmos um trabalho que faça bem a si e ao outro. Um trabalho que faça a diferença.


Isabel Cristina Hierro Parolin - Pedagoga pela PUC-PR, Especialista em Psicodrama e Psicopedagogia e Mestre em Psicologia da Educação pela PUC-SP. Atende crianças e jovens em seu processo de aprender ou de não-aprender, assim como a suas famílias, objetivando ações educativas. Consultora institucional, em todo o Brasil, de escolas públicas e privadas. Professora em cursos de pós-graduação em psicopedagogia e áreas correlatas. Pesquisadora do grupo “Aprendizagem e Conhecimento na ação educativa” da PUCPR. Palestrante para pais e professores. Conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia PR-SUL. Participou de eventos educacionais no Japão, Áustria, Bulgária, Alemanha e Espanha. Autora de vários livros e artigos em revistas, jornais e sites relacionados à aprendizagem e à educação.

Fonte: http://www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=117
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Dez dicas para lidar com idosos com Alzheimer

10 dicas para lidar com idosos com Alzheimer
10 dicas para lidar com idosos com Alzheimer

O passado no presente: A maior parte dos doentes com Alzheimer passa a viver no passado, ou seja, a sua memória de longa duração substitui a memória de curto prazo. Isto significa que, embora possam lembrar-se nitidamente do que aconteceu há 30 anos atrás, não se conseguem recordar daquilo que almoçaram há 2 horas atrás. Como contornar esta situação? Não contornando, ou seja, deve-se aproveitar para conversar com o idoso sempre que ele quiser, sobre aquilo que ele quiser.

Curto e simples:
Quando comunicar com um idoso que sofre de perda de memória, faça-o com frases curtas e simples, ou seja, de muito fácil compreensão. Utilize um vocabulário direto, evitando expressões e eufemismos que podem apenas confundir o idoso. Para além disso, faça apenas uma pergunta ou solicitação de cada vez.
Tempo de resposta:
Mesmo com uma comunicação simples, direta e curta, quem vive com a perda de memória necessita de tempo para responder àquilo que lhe foi perguntado ou pedido. Dê ao idoso todo o tempo que precisar para pensar no que lhe foi dito e formular a sua resposta, sem o apressar ou interromper o seu raciocínio. Se vir que pode ser útil, repita o pedido ou a questão.
Repetições, repetições, repetições:
A comunicação com um idoso com perda de memória vai certamente estar recheada de frases e perguntas repetidas. Embora possa ser frustrante para quem está a ouvir, em vez de dizer “ainda agora acabei de te dizer”, tenha paciência e volte a repetir a resposta ou a pergunta, de preferência igual ou muito parecido com a resposta anterior, para evitar confundir o idoso.
Outras formas de comunicação:
Infelizmente, a perda de memória pode afetar a comunicação verbal de um idoso, que pode ter dificuldade em expressar os seus pensamentos ou formular frases completas e coerentes – algumas pessoas até deixam de falar. Se a fala representa um obstáculo na comunicação com um idoso com perda de memória, mune-se de outras formas de comunicar: esteja atento à linguagem corporal e às expressões faciais, tanto do idoso como as suas – evite movimentos bruscos e revirar os olhos, por exemplo. Por vezes, apontar para algum objeto pode facilitar a comunicação, por isso, peça ao idoso para fazer o mesmo quando estiver com dificuldades em transmitir alguma ideia.
Erros e desentendimentos:
Quem sofre de perda de memória nem sempre encontra as palavras certas para comunicar o que pretende, podendo substitui-las por outras que nada têm a ver com o assunto em questão. Esteja sempre muito atento ao desenrolar de qualquer conversa, procurando entender, mesmo por meias palavras, aquilo que o idoso está a tentar comunicar. Recorra a outras formas de comunicação – caso da gestual – se for necessário, mas evite chamar a atenção do idoso ou rir-se dele porque utilizou a palavra errada ou trocou o sentido a uma frase. Fazer isso pode levar a sentimentos de frustração, raiva, tristeza, falta de confiança e dignidade. O que importa é o significado daquilo que está a ser dito e não a forma como é dito: focalize-se nisso.
Mimos e carinhos:
A perda de memória não significa a perda de emoção, por isso, mime o idoso com carinhos especiais. O esquecimento e a dificuldade em comunicar pode frustrar o idoso, levando-o à depressão e ao isolamento, o que significa que precisa, mais do que nunca, do sentimento de pertença e de segurança. Faça-lhe companhia numa das suas atividades preferidas, segure-lhe na mão, faça-lhe uma carícia no rosto ou dê-lhe um abraço forte – são gestos tão ou mais poderosos do que as palavras.
Vigilância atenta:
Cerca de 60% dos doentes com Alzheimer acabam por se perder, vagueando sem sentido e sem conseguir voltar ao seu ponto de partida, devido à perda de memória. Para evitar situações como esta, assegure que não deixa as portas e/ou janelas da casa abertas; se tem receio que o idoso possa vaguear, não lhe peça para ir buscar o correio ou levar o lixo sozinho; não deixe o idoso conduzir ou andar de transportes públicos sozinho.
Personalidade própria:
Apesar da perda de memória, o idoso continua, no fundo, a ser a mesma pessoa, com os mesmos gostos. Só porque a sua memória já não é o que era, não significa que não possa desfrutar de atividades e momentos de lazer que sempre apreciou. Você, melhor do que ninguém, conhece essa pessoa, por isso, faça por honrar a sua personalidade: se o idoso gosta de passear, acompanhe-o; se gosta particularmente de determinado programa televisivo, faça questão de ligar a TV na hora da sua emissão.
Paciência e disponibilidade:
Se cuidar de um idoso já é exigente, lidar de perto com um idoso que sofre de perda de memória pode ser um desafio ainda maior. Depois de uma vida longa e preenchida, a terceira idade, com todos os seus obstáculos, pode ser fonte de depressão e desânimo para muitos idosos, os quais contam com os seus familiares e amigos diretos para os acompanhar nos últimos anos de vida. Esse acompanhamento requer, acima de tudo, disponibilidade e paciência, duas preciosidades para quem luta contra a velhice e as suas vicissitudes. Nunca é demais lembrar que, para conseguir isso com sucesso e saúde, quem cuida de alguém também tem de cuidar de si. 



- jornalismo@cuidardeidosos.com.br
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Dificuldades Específicas de Aprendizagem


Linguagem (audição, fala, compreensão, interpretação da leitura; soletrar e expressão escrita), matemática (raciocínio, solução de problemas e cálculo), controlo motor e comunicação (expressão não verbal, défice programação fonológica, gaguez) são as capacidades que mais sofrem o impacto das dificuldades específicas de aprendizagem, que são assim classificadas e explicadas:

► Dislexia: uma perturbação que afecta a leitura e a aprendizagem baseada na linguagem. Frequentemente, os disléxicos têm problemas com ortografia e com capacidades de evocação (de lembrar ou reconhecer) de palavras comuns, o que leva à uma compreensão deficiente dos assuntos. Essas dificuldades resultam tipicamente do défice no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação às outras capacidades cognitivas consideradas na faixa etária. A estes sintomas, acrescentam-se a escrita «mal feita» e dificuldades para compreenderem o que lêem.

► Discalculia: uma perturbação que afecta a aritmética, a matemática, os cálculos. Dificuldade para compreender conceitos matemáticos positivos e negativos, de valor e quantidade, dias, semanas, meses, estações, etc., complicando-se para numerar linhas, realizar tarefas matemáticas de somar e diminuir e para resolver problemas, ainda que simples. Dificuldades no uso de fracções e para estabelecer sequências de informação e de eventos, reconhecer modelos de adição, subtracção, multiplicação e divisão e para trabalhar com os passos das operações aritméticas, para além das dificuldades em organizar os problemas na folha de papel, alinhar os números nas contas e chegar ao fim das divisões longas.

► Disgrafia: perturbação relacionada com a letra manuscrita. Os portadores enfrentam problemas para ‘desenhar’ as letras à medida que as escrevem ou para mantê-las num espaço definido. Tanto a letra de imprensa ou a manuscrita podem acabar ilegíveis, mesmo quando escreve com atenção e devagar. Além disso, misturam o traçado manuscrito com as letras de imprensa, as maiúsculas com as minúsculas, formas, tamanhos e tipos, sendo visível um espaçamento inconsistente. Demonstram dificuldades no planeamento motor e tríade para pegar no lápis é feita muitas vezes de outra forma, não havendo dissociação dos movimentos do pulso com a restante mão. Também apresentam dificuldade para pensar escrever ao mesmo tempo.

► Perturbações do processamento da informação (Disfunção de integração Sensorial): estas são dificuldades relacionadas com a capacidade de processar a informação que recebem através dos sentidos – visão, audição, paladar, olfacto e tacto – apesar de haver integridade na recepção. Estes problemas não estão relacionados com a incapacidade de ver ou ouvir, por exemplo, trata-se unicamente de condições que afectam o modo como o cérebro reconhece, responde, recupera e armazena as informações sensoriais.

Sinais de Alerta para as Dificuldades Especificas de Aprendizagem do tipo Dislexia:


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Higiene Oral da Criança com Paralisia Cerebral




Com qualquer criança, uma boa saúde oral depende de alguns cuidados diários a ter, tais como: a higiene oral(escovagem dos dentes).
No entanto, na criança com paralisia cerebral, pelas alterações inerentes à patologia de base, estas apresentam muitas vezes difucldades no comer e no beber e são estas mesmas que requerem maior atenção no que se trata à saúde oral, porque:

- apresentam um padrão respiratório predominantemente oral, o que leva as gengivas a ficarem muito secas, provocando irritação e possiveis hemorragias;

- têm dificuldades de alimentação e a necessidade de usar uma dieta pastosa, que por sua vez reduz a estimulação dos dentes e gengivas;

- necessitam de ingerir, em alguns casos, medicamentos anti-convulsivos que podem causar o crescimento anormal das gengivas por cima dos dentes;

- as alterações sensoriais e as alterações do tónus muscular caracteristicos de um quadro de paralisia cerebral, pode tornar a atividade de lavar os dentes muito dificil;

- a utilização de dietas ricas em açúcar, contribui para o aparecimento de cáries precoces nestas crianças.

- a ausência do controlo da saliva irá resultar num pobre fornecimento de saliva dentro da boca, não a mantendo limpa e humedecida,

Por isso, é fundamental incentivar precocemente a lavagem das gengivas e dos dentes a estas crianças, ajudando os pais a cumprirem este objetivo, tendo sempre em conta que para além do aspeto da saúde oral a higiene oral traduz-se também numa abordagem terapêutica. Pois estimula, normalizando a sensibilidade e tonus intra-oral e facilitando posturas das estruturas orais mais adequadas a alimentação. ajudando a criança a tolerar alimentos com diferentes texturas e consistências dentro da boca.

O procedimento para a higiene oral deverá ser o seguinte:
• para as crianças sem dentição, deve-se limpar as gengivas e retirar os resíduos alimentares com uma compressa. Esta pode ser embebida em tantum verde ou apenas em água. Os movimentos na gengiva com a compressa devem ser rotativos, no sentido do relógio, do meio para trás, nas gengivas internas e externas. Não nos podemos esquecer que os dentes necessitam de gengivas sãs para os suportar;
• nas crianças com dentição, os movimentos executados com a escova nos dentes, interior e exteriormente, são basicamente os mesmos que se fazem com a compressa;
•a pressão é variável conforme a criança (+ sensibilidade + pressão / – sensibilidade – pressão) e com rapidez.
Outros aspetos a ter em conta são:

- Utilizar uma escova com um tamanho adequado à sua boca e de pelos mais macios, para não provocar dor;

- procurar a ajuda de especialistas sempre que necessário e surgirem dúvidas


Fonte: http://terapiadafalaedesenvolvimento.blogspot.com.br/
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O Dom da Dislexia


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A Toxina Botulínica no Paralítico Cerebral




A toxina botulínica é um agente paralizante produzido pela bactéria Clostridium botulinum, causadora do botulismo. A principal ação dessa droga é bloquear a liberação do neurotransmissor acetilcolina, responsável pela contração muscular, secreção salivar e das glândulas sudoríparas. A Toxina Botulínica pode ser usada no tratamento da paralisia cerebral, de modo a possibilitar uma melhor qualidade de vida nestes pacientes.


Aproveitando essa propriedade, essa toxina foi sintetizada em laboratório para o tratamento da espasticidade, certos tipos de distonia, algumas cefaléias crônicas, sialorréia (salivação excessiva) e hiperidrose (sudorese excessiva).

A paralisia cerebral é uma lesão do cérebro provocada, principalmente, pela falta de oxigenação das células cerebrais. Ela pode ocorrer durante a gestação, na hora do parto ou mesmo durante o processo de amadurecimento do bebê. A alteração do tônus muscular, ou espasticidade, é a conseqüência mais comum da paralisia e acontece em 75% dos casos. Este distúrbio consiste na contração excessiva da musculatura e provoca dificuldades funcionais graves dos movimentos, posturas anormais e dor, tornando os portadores dependentes da ajuda de outras pessoas para atividades como a alimentação, higiene e locomoção.
Esta doença não é reversível, mas com tratamento médico é possível amenizar a dor e devolver à criança a qualidade de vida perdida. Um dos procedimentos mais utilizados atualmente na reabilitação destes pacientes é a aplicação da Toxina Botulínica Tipo A, o famoso BOTOX®, muito conhecido por seu uso estético para atenuar as rugas. A substância é aplicada no músculo afetado e relaxa a musculatura, bloqueando a atividade motora involuntária. Com isso, além de reduzir a dor, a técnica melhora a movimentação dos membros afetados e, com todo o processo de reabilitação, que inclui uma equipe multidisciplinar, muitas crianças conseguem voltar a andar, retomar as atividades do dia-dia e, o mais importante de tudo, brincar e estudar.
O tratamento é disponibilizado pelo SUS, coberto por planos de saúde regulamentados pela Lei 9656/98 e oferecido também por algumas entidades de assistência à criança com paralisia cerebral.

Saiba mais sobre BOTOX® 

Derrame cerebral, paralisia cerebral e traumatismo craniano eventualmente ocasionam seqüelas que causam contrações ou movimentos involuntários nos músculos acometidos. Entretanto, apesar dos contínuos avanços da medicina, muitas patologias/lesões não têm cura definitiva. 

Dessa forma, os esforços concentram-se em encontrar modos de reduzir a intensidade dos sintomas. Graças à ação bloqueadora da contração muscular, BOTOX® tem sido considerado pelos especialistas como a melhor opção terapêutica não-invasiva utilizada com esse fim. O tratamento dessas patologias com a toxina botulínica tipo A pode ser obtido gratuitamente em hospitais credenciados e centros de reabilitação do Brasil. 

Para as indicações aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), BOTOX® é aplicado diretamente no músculo comprometido, inibindo a liberação da acetilcolina (neurotransmissor químico responsável pela contração muscular). BOTOX® relaxa a musculatura no local em que é aplicado. 

O que é espasticidade? 

A causa mais freqüente da espasticidade em crianças é a paralisia cerebral. Em adultos, a espasticidade é ocasionada por derrames (acidente vascular cerebral), traumatismo craniano, lesões medulares e esclerose múltipla, entre outras patologias que afetam o sistema nervoso central. 

O objetivo principal da injeção de toxina botulínica tipo A (BOTOX®) é a redução do tônus do músculo ou do grupo de músculos espásticos, tratando a espasticiade. A espasticidade pode ser tratada com procedimentos sistêmicos (uso de medicamentos via oral), ou com procedimentos cirúrgicos (rizotomias e neurectomias) ou procedimentos locais por meio de bloqueios químicos com fenol e/ou toxina botulínica. 
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