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Teste para TDAH


Se os itens de desatenção da parte A (1 a 9) E/OU os itens de hiperatividade-impulsividade da parte B (1 a 9) tiver várias respostas marcadas como Freqüentemente ou Muito Freqüentemente, existem chances do indivíduo ser portador de TDAH (pelo menos 4 em cada uma das partes).

Não podemos esquecer que outros critérios são necessários para se fazer o diagnóstico. Por isso é muito importante saber que não podemos fazer diagnóstico de TDAH apenas com os sintomas descritos no ASRS-18.

Outros critérios precisam ser levados em conta como:

Critério A: Sintomas do questionário.

Critério B: Alguns desses sintomas devem estar presentes desde precocemente (para adultos, antes dos 12 anos).

Critério C: Existem problemas causados pelos sintomas acima em pelo menos 2 contextos diferentes (por ex., no trabalho, na vida social, na faculdade e no relacionamento conjugal ou familiar).

Critério D: Há problemas evidentes por conta dos sintomas.

Critério E: Se existe um outro problema (tal como depressão, deficiência mental, psicose, etc.), os sintomas não podem ser atribuídos exclusivamente a ele.

Entretanto, existem outros sintomas comuns observados com freqüência na prática clínica diária e que não constam na lista de sintomas do DSM-IV, como os listados abaixo:

1- Baixa auto-estima.

É comum adolescentes e adultos com TDAH terem uma impressão muito ruim sobre si mesmos. Eles têm a impressão correta de que não desenvolveram todo o seu potencial. Notam que são diferentes, que não conseguem acompanhar o grupo na escola pela desatenção, inquietude, irritabilidade e impulsividade, sendo geralmente vítimas de retaliação ou apelidos. Eles geralmente têm depressão, o que aumenta mais a baixa auto-estima. Muitos adultos não têm uma capacidade bem desenvolvida de perceber a si mesmos, com uma impressão que não condiz com a realidade.

2- Sonolência diurna.

Mesmo após uma boa noite de sono. É visto em crianças, jovens e adultos e a família fica surpresa como pessoas tão agitadas conseguem dormir como pedra , até no banco de trás do carro, por exemplo.

3- Pavio curto.

A capacidade de não explodir ou de não engolir sapo mesmo quando estas atitudes seriam necessárias, fica muito diminuída pela impulsividade e irritabilidade que o TDAH acarreta.

4- Necessidade de ler mais de uma vez para fixar o que leu.

Fazem uma leitura automática , ou seja, lêem sem entender a idéia global ou sem memorizar os temas importantes, apesar de compreenderem as palavras.

5- Dificuldade em levantar e se ativar para começar o dia.

6- Adiamento crônico das coisas.

7- Mudança de interesse o tempo todo. No início, as coisas são muito empolgantes e interessantes e logo se tornam chatas.

8- Intolerância a situações monótonas ou repetitivas.

9- Busca freqüente por coisas estimulantes, diferentes (buscadores crônicos)

10- Variações freqüentes de humor.

Russell Barkley, pesquisador de referência mundial em TDAH, descreve em seu recente livro as queixas mais freqüentes de adultos portadores de TDAH :

1) Desempenho escolar/ocupacional fraco relacionado com:

Deficiências na atenção prolongada para leitura, trabalho burocrático, palestras, etc.

Pouca compreensão da leitura

Aborrecimento fácil com tarefas ou materiais tediosos; Pouca organização, planejamento e preparação Procrastinação até iminência de prazos; Impaciência subjetiva; Pouca capacidade de iniciar e manter esforços em tarefas desinteressantes; Distração fácil quando o contexto exige concentração; Dificuldade para permanecer em um espaço ou contexto confinado, como reuniões prolongadas; Impulsividade nas decisões; Grande dificuldade para trabalhar sem supervisão; Grande dificuldade para escutar instruções com cuidado; Pouca capacidade de seguir instruções ou tarefas; Mudanças de trabalho impulsivas e freqüentes, demissões freqüentes; Baixas notas acadêmicas envolvendo habilidade; Atraso freqüente para o trabalho/compromissos Sentido fraco de tempo, uso do tempo deficiente; Dificuldade para pensar de forma clara e para usar julgamento sensato; Auto-disciplina geralmente fraca; Menos capacidade de perseguir objetivos do que outras pessoas.

2) Poucas habilidades interpessoais

Dificuldades para fazer amigos.

Problemas maritais significativos, maior probabilidade de se divorciar Comentários impulsivos a outras pessoas Sentimento súbito de raiva ou frustração Abuso verbal para com outras pessoas Descumprimento de compromissos Considerado autocentrado e imaturo pelos outros Não costuma considerar importantes as necessidades ou atividades de outros Pouca capacidade de ouvir Dificuldade para manter amizades ou relacionamentos íntimos

3) Problemas emocionais:

Auto estima baixa Distimia Temperamento impaciente Propensão a perturbação emocional Desmoralização com fracassos crônicos, geralmente desde a infância Transtorno de ansiedade generalizada Pouca regulação das emoções

4) Comportamento anti-social:

Transtorno de personalidade anti-social pleno Dependência/abuso de substâncias Mente e furta com mais freqüência Histórico de agressão física contra outras pessoas Maior probabilidade de realizar atividades ilícitas

5) Problemas com o comportamento adaptativo

Dificuldades crônicas no emprego Geralmente, menos formação educacional do que outras pessoas em seu nível de capacidade cognitiva Dificuldades financeiras, não quitação de contas no prazo, compras impulsivas e dívidas excessivas Maus hábitos na direção, acidentes de trânsito, multas, suspensões carteira com freqüência Considera-se menos adequado na paternidade/maternidade quando tem filhos Dificuldade para organizar/manter a casa.

Pouca capacidade para cuidar do lar

Rotinas pessoais e familiares mais caóticas Menos preocupações com a saúde, descuido com exercícios, dieta, controle peso Estilo de vida sexual mais arriscado Menor chance de usar contraceptivo no ato sexual, maior % gravidez precoce e DST Mais parceiros sexuais que pessoas não portadoras de TDAH (Russell A. Barkley & cols, 2008)

Vemos como são abrangentes os sintomas do TDAH no adulto, o que torna o seu diagnóstico um desafio, exigindo a presença de profissionais experientes para tanto.

Em 2011, talvez já tenhamos os critérios oficiais para o diagnóstico do TDAH em adultos, com o lançamento da DSM-V.

Conclusão:

A investigação científica sugere que os sintomas de TDAH podem persistir na idade adulta, com um impacto significativo nas relações interpessoais, na carreira profissional e mesmo na segurança pessoal dos indivíduos que apresentam esse transtorno. Por ser essa doença freqüentemente mal compreendida, muitos portadores não são corretamente tratados e, como conseqüência, nunca chegam a atingir seu potencial máximo.

Em parte, isso se deve ao fato de que esta doença é de difícil diagnóstico, especialmente em adultos. A Escala de Auto-Avaliação de TDAH em Adultos (ASRS V1.1) e seu sistema de classificação foram desenvolvidos em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Grupo de Trabalho sobre TDAH em Adultos, que incluiu a seguinte equipe de psiquiatras e pesquisadores: Lenard Adler, Médico Professor Associado de Psiquiatria e Neurologia Escola Médica da Universidade de Nova York Ronald Kessler, PhD Professor, Departamento de Planejamento de Cuidados de Saúde (Health Care Policy) Escola Médica da Universidade de Harvard Thomas Spencer, Médico Professor Associado de Psiquiatria Escola Médica da Universidade de Harvard A ASRS pode ser usada como um instrumento de diagnóstico de pacientes adultos com TDAH.

As informações provenientes deste diagnóstico poderão indicar a necessidade de uma avaliação clínica mais aprofundada. As perguntas da ASRS V1.1 são compatíveis com os critérios diagnósticos do DSM-IV e referem-se às manifestações dos sintomas de TDAH em adultos. O conteúdo do questionário reflete a importância que o DSM-IV atribui aos sintomas, incapacitação e história clínica para o correto diagnóstico.
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Atuação da Fonoaudiologia na Disfagia


Disfagia é um distúrbio da deglutição, em diferentes fases: preparatória oral, faríngea e esofágica, afetando crianças e adultos. A deglutição acontece de forma imprecisa e lenta, com diferentes alimentos. Não é uma doença e sim um sintoma de um AVC, ou , um traumatismo craniano; como por exemplo.


É também definida como uma dificuldade em deglutir ou uma sensação de comida "presa" na garganta ou no esôfago. As causas incluem a obstrução mecânica e os distúrbios na motilidade dos músculos da cavidade oral, da faringe ou esôfago. É útil distinguir a disfagia causada por doenças que afetam a orofaringe daquela que é devida a distúrbios esofágicos.

A disfagia orofaríngea pode ser causada por uma obstrução mecânica, mas geralmente resulta de motilidade no comportamento de origem neuromuscular.

Os pacientes podem apresentar uma regurgitação nasal e tosse durante a deglutição, como resultado de uma anormalidade na transferência do bolo alimentar da cavidade oral para o esôfago. Freqüentemente, existe evidência de um distúrbio neurológico generalizado, sendo a disfagia um deles e, possivelmente, a única manifestação.

A disfagia esofágica é mais freqüentemente devida a uma obstrução mecânica. Em muitos pacientes, é possível distinguir uma causa mecânica de uma anormalidade na motilidade através da obtenção de uma história cuidadosa.

Tipicamente, a obstrução mecânica é caracterizada inicialmente pela disfagia a sólidos e líquidos. A sua rápida progressão sugere fortemente um processo neoplásico.

Em contraste com a disfagia devida à obstrução mecânica, os distúrbios da motilidade esofágica estão geralmente associados a disfagia a líquidos e sólidos desde o seu estabecimento.

Os pacientes com comportamento da motilidade esofágica podem apresentar dor torácica e descobrir manobras, como deglutir repetidamente e a valsalva, que alivia a disfagia.

A progressão rápida não é um aspecto proeminente da disfagia devida a uma motilidade anormal. Pirose, perda de peso, regurgitação da comida, tosse e chiado ocorrem tipicamente com a obstrução esofágica, mas podem estar associados a uma motilidade anormal.

Os principais sintomas são:
» tosse, durante ou após deglutição ou "voz molhada";
» pigarro durante ou após deglutição;
» modificação na dieta (consistência, quantidade);
» presença de sialorréia;
» variação de peso;
» incoordenação respiratória enquanto dorme;
» mudança na postura de cabeça durante alimentação;
» utilização de algum medicamento.

As causas mais comuns da disfagia são problemas neurológicos como:
» AVC (acidente vascular cerebral) e TCE (traumatismo crânio encefálico);
» doença de Parkinson;
» mal de Alzheimer;
» miastenia grave;
» disfagia muscular;
» esclerose lateral amiotrófica (ELA);
» paralisia cerebral.A Reabilitação Fonoaudiológica trata-se de restabelecer a função normal, ou compensatória, fazendo com que o paciente consiga se alimentar normalmente e reduzindo a probabilidade da utilização ou indicação do uso de sonds para a alimentação; acontecendo em 2 níveis:1. A reabilitação propriamente dita, pode ser feita através das técnicas
» passivas e ativas 2. O gerenciamento das alterações de deglutição e treinamento junto ao paciente e familiares.

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Check List de Dislexia em adultos (Ian Smythe, adaptado por Jardini, 2003)

Check List de dislexia em adultos


Você responderia sim para:

1. Quando escrevendo você evita usar uma palavra porque não consegue saber sua ortografia?
2. Tem dificuldade para preencher formulários, gabaritos?
3. Tem dificuldade para ler livros?
4. Tem dificuldade em falar línguas estrangeiras, pronunciar palavras estrangeiras?
5. Tem dificuldade para entender línguas estrangeiras?
6. Tem problemas para soletrar o alfabeto?
7. Tem problemas para soletrar palavras sem erros?
8. É difícil entender jogos de palavras, trocadilhos, piadas?
9. Tem problemas com várias instruções ao mesmo tempo?
10. Confunde-se com recados telefônicos?
11. Perde números ao repeti-los?
12. Pronuncia errado palavras longas, na fala ou na leitura?
13. Esquece o nome das pessoas quando acaba de ser apresentado?
14. Perde a linha ao ler, tendo que usar os dedos ou a régua como apoio?
15. Comete erros na cópia?
16. Na escola, prefere instruções verbais, por desenho e diagramas, do que orais?
17. Pulando uma palavra na leitura, fica com a visão perturbada?
18. Sua velocidade de leitura é lenta?
19. Comete erros quando pensa rápido e fala rápido?
20. Tem dificuldade ao realizar tarefas que envolvam destreza manual?
21. É desajeitado?
22. Confunde ao escrever palavras de significado semelhante, como estante e armário?
23. Confunde palavras semelhantes na escrita, como mamadeira, madeira?
24. Acha difícil usar palavras na conversação, achar a palavra certa?
25. Troca ao falar palavras como mesa e cadeira, palavras de conteúdo semântico semelhante?
26. Quando lê troca palavras que possuem alguma semelhança, como obter por conseguir, médico por enfermeira?
27. Organiza seus pensamentos no papel de forma ruim?
28. Tem a caligrafia ruim?
29. É o último a ser convocado no time esportivo?
30. Tem dificuldade com as orientações direita/esquerda?
31. Tem dificuldade com leitura de mapas?
32. Ao organizar-se enfrenta problemas, sendo bagunceiro?
33. Perde chaves freqüentemente?
34. Esquece datas, horários e compromissos com freqüência?
35. Tem dificuldade em realizar cálculos sem ajuda dos dedos?
36. Tem idéias de soluções raras para os problemas, idéias criativas e inovadoras?
37. Tem dificuldade para memorizar tabuadas?
38. Quando lê em voz alta, acha mais difícil de compreender?

Resultados do Chek List

Observamos em nossa prática diária que os indivíduos ditos "normais" não respondem afirmativamente às questões anteriores, ou uma minoria delas, normalmente menos do que 9 questões. Quanto mais questões forem assinaladas, maior é a chance do indivíduo apresentar a dislexia. Temos observado que entre 10 e 15 respostas afirmativas, o grau da patologia pode apresentar-se leve, podendo ter passado desapercebido pelos pais e professores, mas que certamente causou ou ainda causa algum desconforto ao indivíduo. Respostas entre 15 e 25 questões assinaladas podem mostrar um grau moderado de dislexia, onde o indivíduo ressente-se de seu desempenho lexical e tenha talvez recebido atendimento, não necessariamente em área específica da leitura e escrita, como por exemplo, terapia psicológica. Acima de 25 respostas afirmativas teremos fortes indícios da presença da dislexia e os portadores certamente tiveram ou têm grandes dificuldades com a língua portuguesa e a vida escolar, evitando leituras, principalmente em público. Muitos relatam discriminações, inadequações, rejeição e fortes sentimentos de incapacidade, escolhendo profissões aquém de seu real valor. Certamente encontraram soluções para seus problemas ou ainda beneficiar-se-ão com o tratamento reabilitativo, voltado para suas queixas atuais.
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Método das Boquinhas


O Método Fonovisuoarticulatório, carinhosamente apelidado de Método das Boquinhas, utiliza-se além das estratégias fônicas (fonema/som) e visuais (grafema/letra), as articulatórias (articulema/Boquinhas). Seu desenvolvimento foi alicerçado na Fonoaudiologia, em parceria com a Pedagogia, que o sustenta, sendo indicado para alfabetizar quaisquer crianças e reabilitar os distúrbios da leitura e escrita. Parte das reflexões deste método foi proporcionada pelo contato com o “Programa de Mejoramiento de la Calidad y Equidad de la Educación” (MECE) – “Programa das 900 Escolas”, desenvolvido no Chile desde 1990, indicado pela UNESCO e estendido a outros países (Guttman, 1993). Sua fundamentação encontra-se também nos estudos de Dewey (1938), Vygotsky (1984, 1989), Ferreiro (1986), Watson (1994), entre outros, cujas idéias são resumidas numa percepção holística frente à alfabetização, tendo a visão da linguagem, como ponto focal da aprendizagem.

O ponto de partida do ser humano na aquisição de conhecimento reside na boca, que produz sons – fonemas, que são transformados em fala, meio de comunicação inerente ao ser humano. Para aquisição da leitura e escrita é necessário que os fonemas sejam decodificados/codificados em letras (grafemas), como é feito no processo fônico, trabalhando diretamente nas habilidades de análise fonológicas (Dominguez, 1994) e consciência fonológica e fonêmica (Capovilla e Capovilla, 2002; Santos e Navas, 2002), fator primordial e sine qua non no processo de alfabetização (Cardoso-Martins et al., 2005). Esse processo, bastante abstrato, deve ser favorecido por meio de intervenção pedagógica, mas por vezes torna-se incompreensível e dificultoso para alguns aprendentes.

Assim, acrescentamos os pontos de articulação de cada letra ao ser pronunciada isoladamente (articulemas, ou boquinhas), baseados nos princípios da Fonologia Articulatória – FAR, que preconiza a unidade fonético-fonológica, por excelência, o gesto articulatório (Browman e Goldstein, 1986; 1990; Albano, 2001), favorecendo a compreensão do processo de decodificação, por mecanismos concretos e sinestésicos, isto é, com bases sensoriais. Desta forma, a aquisição da leitura e escrita passaria a ser acessível a quaisquer tipos de aprendentes, de maneira simples e segura, pois bastaria uma única ferramenta de trabalho – a boca.

Mas não se trata somente de um método cinestésico, em que a chave da aprendizagem reside no movimento, como descrito por Fernald (1943), que usa o traçado das letras aliado aos sons, enfatizando a memória da sequência visual, nem somente um método fônico como os descritos por Hegge, Kirk e Kirk (1936) como fono-grafo-vocal ou o ITA (Initial Teaching Alphabet) (Pittman, 1963), ou o VAK (visual-auditivo-cinestésico), apresentado por Gilingham e Stillman (1973), em que há a associação do som ao nome das letras, usado em programas de educação especial, principalmente para surdos.

A proposta do Método das Boquinhas aproximou-se da posição teórica rotulada por distintos autores como "construtivismo" (Bednar et al., 1993), Coll et al. (1990; 1993), Ferreiro (1986), enquanto define a aprendizagem como um processo ativo no qual o significado se desenvolve sobre a base da experiência - que aqui se apresenta como a consciência fonoarticulatória, uma ferramenta segura e concreta para o aprendizado da leitura e escrita -, e o aluno construiria uma representação interna do conhecimento e estaria aberto à troca, uma vez que todos aprenderiam pela mesma ferramenta, ou seja, a boca.

A partir dos passos iniciais da aquisição da leitura e escrita – fator indispensável à continuidade escolar e regulador de sucesso e manutenção da autoestima, o Método das Boquinhas estimula a criança a usar, lidar e pensar a língua escrita a partir da boca. Esse mecanismo a auxiliará, futuramente, a desenvolver um automonitoramento e outras destrezas metacognitivas importantes para construir textos significativos, interpretá-los, identificar a informação mais importante, sintetizar e gerar perguntas (Cooper, 1993). Mas essas aquisições só serão possíveis, a partir da alfabetização, que confere ao indivíduo igualdade e condições de adaptação ao seu meio.

Os primórdios desse trabalho foram publicados em artigos científicos e apresentados em Congressos de Fonoaudiologia e Psicopedagogia (Jardini e Vergara, 1997; Jardini e Souza, 2002). Atualmente a obra Boquinhas conta com sete livros publicados, sendo os dois iniciais, Fundamentação Teórica (Jardini, 2003, em processo de atualização) e Caderno de Exercícios (Jardini, 2008), específico para sanar as trocas de letras e melhorar a qualidade da leitura; indicado para crianças e adultos já alfabetizados. Um livro de estudos clínicos, Passo a Passo (Jardini, 2004, 2009), propõe reflexão, análise e tratamento de casos que apresentam dificuldades e distúrbios de leitura e escrita.

A proposta dos livros Boquinhas na Educação Infantil(Jardini e Gomes, 2007) é trabalhar com a aquisição da leitura e escrita, em estágios iniciais desse desenvolvimento, com crianças de 4 a 6 anos, propiciando um trabalho preventivo de aquisição da linguagem. É fundamental que o educador conheça de maneira simples e prática os sons da fala (fonemas) e suas respectivas Boquinhas (articulemas), bem como os processos de consciência fonológica, fonêmica, processamento auditivo e visual, coordenação visuomotora, orientação visuoespacial e desenvolvimento cognitivo, para que possa promover com segurança o início do aprendizado da leitura e escrita e, porventura, lidar de maneira pedagógica, com seus desequilíbrios. Essa abordagem tem contribuído de maneira significativa para que a saúde (incluindo fala, voz e linguagem geral) dos alunos e educadores se mantenha, sendo observada por melhorias na autoestima e qualidade de vida, evitando-se desta forma, o excesso de encaminhamentos às clínicas de aprendizagem, ou seja, a patologização do ensino (Collares e Moysés, 1992;1993).

A proposta dos livros Alfabetização com Boquinhas (aluno e professor) (Jardini e Gomes, 2008), oferece aos educadores condições de formalizar o processo de aquisição da leitura e escrita a partir de pressupostos da fala, tornando a alfabetização simples e possível em curto espaço de tempo. São abordados todos os aspectos da leitura, bem como produção e interpretação de textos. Nesses volumes, o educador encontrará atividades e exercícios para o trabalho pedagógico com qualquer tipo de crianças e adultos, visando à aquisição da leitura e escrita.


Fonte: www.metododasboquinhas.com.br
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GAGUEIRA INFANTIL: Orientação aos professores


O professor deve ficar atento aos alunos que apresentam problemas na comunicação. Crianças que não gostam de ler na sala de aula, resistem para responder questões, que dizem frequentemente “não sei” quando questionadas sobre algo, podem estar evitando a gagueira.
Fique atento:


- A gagueira é considerada um distúrbio ou transtorno de fluência da fala e tem como características principais repetições de sons, sílabas ou palavras, bloqueios, prolongamentos e pausas durante a conversação.
- Estudos mostram que a gagueira ocorre devido dificuldade do cérebro sinalizar o término de um som ou uma sílaba e passar para o próximo.
-Crianças pré-escolares em fase de aquisição da fala e linguagem podem apresentar disfluência transitória. Tende a desaparecer aos 7 anos e o foco do trabalho é a prevenção e orientações aos pais, criança e escola.

Promovendo a fluência:
• Prestar atenção no conteúdo da fala e não à forma.
• Deixar o indivíduo terminar de falar antes de responder.
• Olhar para o indivíduo durante a conversa.
• Utilizar palavras apropriadas à idade do indivíduo.
• Evitar uso de frases longas /realização de muitas perguntas.
• Encorajar o indivíduo a falar.
Atitudes de impacto negativo:
• Falar ao indivíduo gago para relaxar, ficar calmo, pensar antes de falar.
• Falar para respirar (antes da fala).
• Chamar de gago, criticar ou corrigir a fala.
• Interromper a criança quando está falando.
• Apressar o indivíduo a terminar de falar.

Fonte: http://www.cfligiamotta.com.br/wp/?p=523
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Apnéia do Sono - A importância do tratamento

O QUE É O SONO?

Sono é o nome dado ao repouso que fazemos em períodos de cerca de 8 horas em intervalos de cerca de 24 horas. Durante esse período, nosso organismo realiza funções importantíssimas com consequências diretas à saúde, como o fortalecimento do sistema imunológico, secreção e liberação de hormônios (hormônio do crescimento, insulina e outros), consolidação da memória, isso sem falar no relaxamento e descanso da musculatura.

A IMPORTÂNCIA DO SONO

Passamos cerca de um terço de nossa vida dormindo. Dormir bem é essencial não apenas para ficar acordado no dia seguinte, mas, para manter-se saudável, melhorar a qualidade de vida e aumentar a longevidade. Nosso desempenho físico e mental está diretamente ligado a uma boa noite de sono. O efeito de uma madrugada em claro é semelhante ao de uma embriaguez leve: a coordenação motora é prejudicada e a capacidade de raciocínio fica comprometida, ou seja, sem o merecido descanso, o organismo deixa de cumprir uma série de tarefas importantíssimas. O que nos aconteceria se não dormíssemos?

Em estudo realizado pela Universidade de Chicago – EUA, onze pessoas com idades entre 18 e 27 anos foram impedidas de dormir mais de quatro horas durante seis dias. O efeito foi assustador. No final do período, o funcionamento do organismo delas era comparado ao de uma pessoa de 60 anos de idade. E os níveis de insulina eram semelhantes aos dos portadores de diabetes. Em pesquisas de laboratório, ratos usados como cobaias não aguentaram mais de dez dias sem dormir. A consequência: morte por infecção generalizada.

APNEIA DO SONO

É uma doença grave na qual paradas respiratórias (apneias) ocorrem repetidamente durante o sono. Estas paradas respiratórias provocam inúmeros microdespertares durante o período do sono, que duram poucos segundos e não ficam registrados na memória. É por isso que a pessoa nunca lembra desses microdespertares pela manhã. Quem está ao lado, costuma perceber, sendo muito difícil para o portador de apneia acreditar ou aceitar essa verdade, pois acha que dorme bem e durante toda à noite.

O ronco e simplesmente a tradução sonora que indica diminuição ou estreitamento da via aérea durante a passagem do ar. Se o referido estreitamento torna-se severo, objetiva-se o fechamento ou colapso da via aérea, resultado da apnéia. A apnéia é arbitrariamente definida como parada da respiração ou interrupção do fluxo aéreo por no mínimo 10 segundos. A Hipopnéia é definida como significante diminuição de oxigenação (dessaturação da oxihemoglobina) e/ou despertares transitórios.

As apnéias e hipopnéias são classificadas em três categorias (tipos): central, obstrutiva e mista, sendo as duas últimas as mais freqüentes e comuns.

Apnéia central ocorre como resultado de uma disfunção do sistema nervoso central (SNC) em gerar o devido estímulo para os músculos da caixa torácica, não se iniciando o esforço respiratório.

Apnéia Obstrutiva do Sono (AOS) ocorre quando o esforço respiratório é iniciado mas, o ar não chega a atingir os pulmões em decorrência da obstrução da via aérea. A passagem do ar pela via aérea se estende desde a nasofaringe (palato duro) até a laringe.

Apnéia Mista ocorre quando inicialmente não existe esforço inspiratório mas, subseqüentemente, quando o esforço é iniciado a apnéia persiste em decorrência do colapso da via aérea.


Indivíduos são considerados portadores da Apnéia do Sono quando o índece de Apnéia+Hipopnéia é superior a 5-10 eventos por hora. Usualmente utiliza-se a sigla IAH para refeir-se ao Índice de Apnéia+Hipopnéia.

A função dos microdespertares é de que a pessoa realize algum movimento que a faça voltar a respirar (estratégia utilizada pelo cérebro para manter a pessoa viva) e, em poucos segundos, volte a aprofundar o sono. Porém, em seguida, ocorrerá nova apneia, reiniciando o ciclo, e causando sucessivas interrupções durante todo o período em que a pessoa estiver dormindo. É este o responsável pelo cansaço e sonolência no dia seguinte.

Porém, é importante salientar que no início da doença o indivíduo ainda apresenta disposição, pois os sintomas não aparecem todos juntos. Com o passar do tempo, eles vão se somando e causando a piora no quadro.

Quando dormimos mal uma noite, precisamos de uma semana inteira dormindo bem, para podermos nos recuperar dela. A apneia do sono é a causa de grande maioria das doenças, devido a privação crônica do sono de boa qualidade. Dormir bem é fundamental para a produção de hormônios e outras substâncias.

É correto dizer: o que há nas farmácias como “remédios”, é produzido naturalmente pelo nosso corpo durante o sono, desde que seja um sono reparador. Quando dormimos mal, o sono se torna instável, superficial, insuficiente e de má qualidade, mesmo num período de 8 horas. Assim, não importa somente o número de horas na cama, mas a QUALIDADE DO SONO e QUE ELE SEJA REALMENTE REPARADOR. Para que isso ocorra, é imprescindível RESPIRAR BEM E OXIGENAR O CÉREBRO, O CORAÇÃO E O RESTANTE DO NOSSO ORGANISMO.

O QUE PROVOCA APNEIA?

A Apneia Obstrutiva do Sono é a grande e principal forma de apneia e é provocada por alterações anatômicas como o aumento das adenóides e amígdalas, pólipos nasais e aumento dos cornetos, palato caído e estreitamento da faringe.

Este distúrbio acontece quando a via aérea superior fica bloqueada durante o sono. O bloqueio acontece quando os tecidos do palato mole, da úvula (também conhecida como, campainha) e da garganta entram em colapso e fecham durante o sono, causando o bloqueio da via aérea superior e a ocorrência da apneia. É um problema físico que bloqueia mecanicamente a passagem do ar, e aí está seu grande perigo, pois acontece enquanto a pessoa está dormindo.

Pode ocorrer em qualquer idade, mesmo em pessoas magras ou com peso adequado.

Há muitos anos, achava-se que era uma doença que só ocorria em pessoas obesas e com pescoço grosso. Isso apenas denota o preconceito sobre a forma física, pois a apneia pode ocorrer em qualquer situação e é o que se constata no dia a dia em nossa vasta experiência clínica.


DOENÇA FREQUENTEMENTE CARACTERIZADA POR:

Ronco;
- Paradas na respiração enquanto dorme;
- Sensação de asfixia ou engasgo com o próprio ar ao acordar;
- Sonolência excessiva durante o dia;
- Boca seca;
- Cansaço ao acordar;
- Dor de cabeça;
- Dificuldade em perder peso;
- Ansiedade;
- Irritação;
- Mau hálito;
- Insônia;
- Pressão alta;
- Arritimia cardíaca;
- Angina;
- Impotência;
- Baixa libido;
- Alterações de memória e raciocínio;
- Baixo rendimento nas atividades diárias;
- Amargo na boca;
- Dor de garganta;
- Pele pálida ou azulada (Cianose);
- Sono agitado;
- Urina noturna (ter que levantar várias vezes à noite para urinar).

TRATAMENTO:

A Apneia do sono em estado avançado pode levar a acidentes, depressão e outras complicações. Por isso, é muito importante a prevenção e o tratamento precoce.

TRATAMENTO DA APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO

Como o nome diz, o problema que causa esta doença é a OBSTRUÇÃO da passagem do ar e oxigênio necessários para mantermo-nos vivos, enquanto dormimos. O ar deve seguir livre através do nariz e da garganta até chegar aos pulmões com o volume e pressão corretos. Durante este percurso, os tecidos que se colocarem como bloqueadores, impedirão o fluxo normal da passagem deste ar e serão responsáveis pelo surgimento da apneia. Imagine que com a própria mão, você fecha o nariz e a boca por 30 segundos, umas 20 a 30 vezes por hora. Trazendo riscos e uma péssima qualidade de vida.

Qualquer tratamento médico deve ser muito bem compreendido para se ter SUCESSO. Para resolver a obstrução deve-se reposicionar os tecidos que estão no caminho do ar e do oxigênio.


TRATAMENTO COM CIRURGIA

Ainda nos dias atuais, a grande maioria dos portadores de apneia do sono permanecem sem tratamento. Nos últimos anos isso vem mudando e cada vez mais precocemente as pessoas tem procurado o tratamento médico.

A CIRURGIA É MUITO SIMPLES E DURA EM TORNO DE 30 MINUTOS, O PACIENTE É LIBERADO DO HOSPITAL NO MESMO DIA.


A técnica cirúrgica utilizada consiste no reposicionamento e plástica dos tecidos que estão obstruindo a passagem de ar nas vias aéreas.

TRATAMENTO FONOAUDIOLÓGICO PARA MELHORAR A APNEIA DO SONO.




Exercícios contra a apneia
Terapia alternativa reduz em 60% os sintomas de distúrbio respiratório do sono.


Um tratamento pouco convencional pode ajudar boa parte dos portadores da chamada síndrome da apneia obstrutiva do sono a dormir melhor: fazer diariamente uma série de exercícios físicos para fortalecer a musculatura da garganta em torno da língua, do palato mole (parte posterior do céu da boca) e das paredes laterais da faringe. Testada durante três meses em 31 pacientes do Laboratório do Sono do Instituto do Coração (InCor) de São Paulo que sofriam de um grau moderado de apneia, a nova abordagem diminuiu em cerca de 60% os sintomas desse disseminado problema de saúde, caracterizado por breves interrupções na respiração durante o sono que fazem a pessoa despertar momentaneamente mesmo sem se dar conta disso. Um indivíduo recebe o diagnóstico de apneia moderada quando apresenta entre 15 e 30 eventos de falta de ar por hora de sono. Os casos leves têm menos de 15 episódios por hora e os graves, mais de 30.
A redução expressiva no número de episódios de falta de ar é o principal dado que mostra os benefícios da terapia alternativa. Antes de participarem do estudo, os pacientes apresentavam, em média, 22,4 eventos de pausa na respiração por hora durante a noite. Ao fim do experimento, passaram a ter 13,7 interrupções por hora. Outros parâmetros ligados à qualidade geral do sono também melhoraram.
A intensidade e a frequência do ronco, muitas vezes associado à apneia, decresceram. A sonolência diurna regrediu. A circunferência média do pescoço dos voluntários do estudo encolheu cerca de 1 centímetro, abrindo assim mais espaço para o ar entrar e circular no sistema respiratório. “Provavelmente os exercícios também devem ser benéficos para quem tem apneia leve”, explica o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, coordenador do trabalho científico, cujas principais conclusões saíram num artigo publicado na edição de maio deste ano do American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine. Mas nos casos mais graves o tratamento alternativo não deve dar resultados e os doentes terão de continuar usando o CPAP, um aparelho portátil que regulariza a respiração durante o sono.
A ideia de testar o uso de exercícios na região da garganta para combater a apneia foi da fonoaudióloga Katia Guimarães, também autora do estudo científico, que dedicou sua tese de doutorado, defendida no InCor no ano passado, ao tema. Há uns dez anos, quando trabalhava em Botucatu na Universidade Estadual Paulista (Unesp), ela fez estudos em ca­dáveres e verificou que a sensação de ter um “bolo” na garganta, relatada por muitos pacientes com apneia, tinha relação com alterações anatômicas na região da orofaringe. Em seguida, constatou que o movimento constante de certos órgãos da boca poderia alterar a musculatura dessa área e ser benéfico. “Pensei que, por meio de exercícios executados durante o período de vigília, poderíamos melhorar o tônus da musculatura da via aérea superior e diminuir a apneia”, diz a fonoaudióloga.
A estratégia parecia pouco ortodoxa, mas ganhou impulso em 2005 quando o British Medical Journal publicou um artigo muito interessante sobre apneia. No trabalho, pesquisadores suíços mostravam que tocar um instrumento de sopro originário dos aborígenes australianos, o didgeridoo, que lembra um berrante, diminuía os sintomas da apneia. A relação entre as duas abordagens é clara para os pesquisadores. “Esse instrumento parece exercitar os mesmos músculos que a terapia testada no InCor”, comenta Lorenzi Filho.
Embora os primeiros resultados dos estudos sobre o emprego de exercícios bucais contra a apneia sejam promissores, a nova terapia ainda permanece com o status de experimental e não dever ser feita sem o auxílio de uma fonoaudióloga e supervisão médica. Até porque a execução de movimentos errados não produzirá os mesmos efeitos obtidos no trabalho científico. E há diferentes tipos de exercícios a serem feitos, envolvendo a língua, o palato mole, as bochechas, às vezes com o auxílio de uma escova de dentes ou de um dedo.



APNEIA DO SONO PODE SER TRATADA COM APARELHO INTRA-BUCAL



Os distúrbios do sono têm tratamento e cura, sendo que – independente da idade – é possível resolve-los. São várias as formas de tratamento, que passam pela denominada Medicina do Sono e também pela Odontologia do Sono. “Os pacientes realizam exames, seguem orientações e podem inclusive usar aparelhos intra-bucais, que aumentam o espaço da orofaringe e favorecem a respiração adequada, sem a obstrução das vias respiratórias”.

CASOS MAIS GRAVES SEM CIRURGIA O PORTADOR UTILIZA UM APARELHO PARA DORMIR



RECOMENDAÇÕES IMPORTANTES


É importante lembrar que na identificação dos sintomas descritos, o médico deve ser consultado para que seja confirmado ou não o disgnóstico de Apnéia do sono. Uma boa parte da população sofre da doença e não sabe, algo perigoso tendo em vista os riscos que ela oferece a saúde.
Portanto, nada de pensar que é normal roncar ou ter um sono muito agitado. Apnéia é coisa séria e deve ser tratada como tal!




Autor: Marcos Pivetta
Fonte: FAPESP online
http://www.doutorpaulogodoy.com.br/
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Aleitamento Materno e Fonoaudiologia


Ato de amor, a importância do leite materno vai muito além da alimentação do bebê, sendo essencial não só para construir um importante vínculo afetivo com a mãe, como, principalmente, garantir a saúde da criança por toda a vida. E os benefícios não atingem somente o bebê: o ato de amamentar diminui as chances de a mulher desenvolver doenças como câncer de mama e ainda é uma maneira de queimar os quilinhos a mais, adquiridos durante a gravidez.
O leite materno contém todas as proteínas, açúcares, gorduras, vitaminas e água essenciais para a alimentação do bebê, além de ser rico em anticorpos e glóbulos brancos, fundamentais para o fortalecimento do sistema imunológico. Eles protegem a criança contra o desenvolvimento de infecções e doenças como bronquite, pneumonia, meningite e até câncer, além de diminuírem a probabilidade de ela desenvolver obesidade ou diabetes do tipo I, quando adulta.
Mas, além de atuar na constituição e fortalecimento do sistema imunológico do bebê, o leite da mãe traz vários outros benefícios para o desenvolvimento da criança ao longo da vida. O aleitamento materno promove o estabelecimento de uma ligação emocional muito forte entre a mãe e o bebê, o que, conforme estudos comprovaram, facilita o seu desenvolvimento e torna-o mais confiante para relacionar-se com outras pessoas. Outra vantagem é o fato de que mamar no peito melhora a formação da boca e tem papel essencial no alinhamento dos dentes da criança, favorecendo também a fala e a respiração.

Mesmo diante de todos esses benefícios, muitas mulheres ainda deixam de amamentar seus bebês. Algumas, por vaidade, e outras, por não conseguirem, já que muitas vezes há dificuldades em aninhar o bebê junto ao seio e estabelecer uma correta rotina de amamentação, entre outras dificuldades. Nesses casos, como o aleitamento materno é muito incentivado hoje em dia, mas não bem orientado, as mães ficam com uma culpa enorme quando não conseguem amamentar seus filhos. Para evitar que isso aconteça, aí vão algumas dicas sobre o melhor procedimento na hora da amamentação:

- Procure sempre um lugar tranquilo para amamentar, sem que ninguém atrapalhe você e o bebê nessa hora tão importante. A posição ideal para uma boa amamentação é aquela em que o bebê consegue abocanhar toda a aréola do seio materno.
- Se o bebê já berra de fome logo ao acordar, tente acordá-lo um pouquinho antes para que ele não chore de fome, dificultando a pega. Ele estará mais calmo e isso evitará o estresse de ambos na hora da mamada.

- Caso o bebê costume acordar faminto logo depois de ter mamado, uma boa dica é, antes de dar o peito, esvaziá-lo um pouco para retirar o leite anterior, que é constituído basicamente por água. É essa água que mata a sede do bebê, razão pela qual ele nem precisa beber água. Quando o peito é esvaziado, o leite restante é o posterior, mais rico em gordura, que sacia melhor o bebê e permite mais tempo de sono.
- Não mude o bebê de peito sem que ele esvazie completamente o primeiro. Quando isso acontece, ele bebe somente o leite mais fraco, aquele rico em água, e fica com fome logo depois. Por isso, é importante deixá-lo esvaziar todo um peito para depois oferecer o outro, para que ele mame tanto o leite rico em água quanto o rico em gordura.
- Se o peito estiver muito cheio de leite, é bom esvaziá-lo um pouco antes de oferecer ao bebê. Quando as mamas estão muito cheias, o bebê só consegue abocanhar o bico, machucando a mãe.

Atuação Fonoaudiológica

O manejo fonoaudiológico adequado da lactação é um facilitador para a amamentação bem-sucedida em recém-nascidos. A literatura evidencia a importância do acesso das mães de recém-nascidos prematuros a serviços de apoio ao aleitamento materno para que mantenham uma produção láctea suficiente; entretanto, aspectos práticos de estímulo à alimentação com leite humano estão cada vez mais sendo incorporados às rotinas de atendimento de prematuros na maior parte das unidades neonatais.

O incentivo ao aleitamento materno continua sendo um grande desafio em saúde pública, considerando-se o alto índice de desmame precoce. Segundo Bueno, (2004) estes problemas podem ser minimizados através de ações sistematizadas de incentivo ao aleitamento materno incluindo cuidados básicos no aleitamento materno como:

1) Pré-Natal:

O pré-natal é o momento ideal para iniciar o trabalho de preparação para o aleitamento materno, através da formação de grupos de gestantes e atendimento individual. O fonoaudiólogo deve desenvolver dinâmicas de grupo, com a participação ativa das gestantes, buscando trabalhar com o conhecimento que elas têm sobre a amamentação, principais tabus existentes abordando temas como: a anatomia da mama, fisiologia da lactação, cuidados com a mama, nutrição, aspectos emocionais e importância do leite materno para o bebê.

2) Período Peri-Natal:

A equipe hospitalar deve incentivar e promover a amamentação ainda na sala de parto.A mamada na primeira meia-hora após o nascimento, traz vários benefícios: reforça o vínculo mãe-bebê; facilita o início da amamentação, previne problemas na mama; auxilia a involução uterina e protege a criança e a mãe contra infecções hospitalares. Durante o trabalho de visitas às maternidades, realizados por fonoaudiólogos, é fundamental que sejam reforçadas com a mãe as orientações sobre aleitamento, cuidados com as mamas e que a mãe seja orientada a procurar a Unidade de Saúde para realizar o teste do Pezinho e da Orelhinha, consulta pós-parto, vacinação e acompanhamento de mães que apresentam maior risco de desmame (baixa renda, adolescentes, baixa escolaridade).

3) Período Pós-Natal:

- O ideal é que mãe e filho permaneçam em alojamento conjunto.

- Deve-se orientar à mãe sobre os reflexos do bebê que auxiliam a mamar: Reflexo de busca; Reflexo de sucção; Reflexo de deglutição.

- A mãe deve ser orientada sobre como colocar o bebê no peito, as posições que facilitam a mamada, sobre a importância do esvaziamento das mamas, evitando complicações.



Contra-indicações do aleitamento materno

Contra-indicações temporárias

Existem situações que, enquanto não resolvidas, impedem temporariamente as mães de dar o peito aos seus filhos. Um exemplo são as mães com algumas doenças infecciosas, como a varicela, herpes com lesões mamárias, tuberculose não tratada, ou ainda situações em que seja necessário recorrer a certos tipos de medicação. Os bebês, durante esses períodos, devem ser alimentados com leite artificial, por copo ou colher, mas a produção de leite materno deverá ser estimulada e incentivada, a fim de possibilitar a relactação, quando superado o impedimento.

Contra-indicações definitivas

As contra-indicações definitivas do aleitamento materno não são freqüentes, mas existem. Mães com doenças graves, crônicas ou debilitantes, mães infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (SIDA), mães que necessitem prolongadamente de fármacos nocivos para os bebês, e ainda bebês com certas doenças metabólicas. As mães com hepatite B e hepatite C, porém, podem dar o peito aos seus filhos e só se tiverem fissuras nos mamilos é que devem abster-se de amamentar.

SUCESSO E INSUCESSO NO ALEITAMENTO MATERNO

A maior parte das mulheres poderão amamentar com sucesso desde que devidamente esclarecidas, encorajadas e apoiadas na sua prática. Como processo interativo de satisfação das necessidades físicas e psicológicas do bebê e da mãe, a amamentação bem sucedida depende de uma opção fundamentada em vivências pessoais, sociais e educativas facilitadoras da amamentação, e requer apoio familiar, confiança da mãe na sua capacidade para amamentar e para cuidar do filho, um bebê capaz de mamar eficazmente, que cresce e se desenvolve, e assistência por fonoaudiólogos capazes de atuar de forma motivadora e de ensinar a agir, de modo a tornar a amamentação um êxito e a propiciar prazer em amamentar e em mamar.

O sucesso do aleitamento materno pode ainda ser definido pela qualidade da interação entre mãe e bebê, durante a mamada, pois esta proporciona a oportunidade de contato físico e visual e a vivência da cooperação mútua entre eles.

Um aleitamento materno com sucesso ocasiona, habitualmente, uma boa transferência de leite entre a mãe e o bebê. A transferência de leite refere-se, não à quantidade de leite que a mãe produz, mas à que o bebê obtém, sendo a atuação do bebê particularmente importante na regulação da quantidade de leite que ingere, na duração da mamada e na produção do leite pela mãe.

Em suma, o sucesso do aleitamento materno depende mais do desejo da mãe amamentar o seu filho do que de qualquer outro fator. Porém, é preciso que esta, além de motivada, esteja preparada e disponha de condições para fazê-lo.

PRECOCIDADE NA DECISÃO DE AMAMENTAR

A maioria das mulheres, antes de engravidar, já decidiu a forma de alimentar o seu bebê. Uma decisão tardia pode conduzir ao insucesso no aleitamento materno. Apesar de que um grande número de mulheres começarem por dar o peito, é também verdade que a maior parte delas abandona esta prática no primeiro mês pós-parto.
Com base em estudos que sugerem que, geralmente, a tomada de decisão em amamentar acontece antes, ou no início, da gestação, e que só um pequeno número de mães deixa essa decisão para depois do parto, consideramos que a gravidez é uma boa altura para se preparar a futura mãe para a amamentação. Essa preparação é um processo complexo, dependente de múltiplas variáveis, cujo peso relativo varia provavelmente de pessoa para pessoa, de acordo com a pressão social, o imaginário coletivo e as opiniões pessoais e em que as experiências próprias e as opiniões de pessoas significativas são determinantes, bem como certos fatores perinatais que tanto podem incrementar como debelar as decisões tomadas previamente.
Uma mãe motivada para amamentar antes do filho nascer tem habitualmente mais autoconfiança e descontração a seguir ao nascimento, sendo a possibilidade de sucesso muito maior, se a decisão de amamentar for tomada antes do nascimento. O desejo de amamentar já na gravidez é um sinal positivo para o seu êxito. Apesar das dúvidas, mais freqüentes no primeiro filho, dar de mamar é um ato fácil e acessível a quase todas as mães.
Contudo, se depois de informada a mãe decidir não amamentar, ou se existir alguma contra-indicação válida, não deve, em nenhuma circunstância ser ou sentir-se culpada.
É importante ter a noção de que a decisão de amamentar depende do binômio mãe/filho. Uma das primeiras contra-indicações para amamentar é a mãe não querer. Compete-nos explicar as vantagens, mas se mesmo assim a mãe recusa, há que evitar criar sentimentos de culpa cuja influência se pode refletir negativamente na relação mãe/filho.
Muitas mulheres se sentem pressionadas durante a gravidez a tomar a decisão firme e segura acerca da amamentação.
Os conflitos sobre se serão adequadas como mães, as memórias da maneira como as suas mães davam de mamar aos bebês, as preocupações sobre a forma dos seios, tudo isto pode interferir com uma decisão racional, pelo que habitualmente estimula as mães a tomarem a decisão quando tiverem os bebês nos braços, o que é facilitado pelas reações do bebê e pelo desejo instintivo de o alimentar.
Associada à vontade inata de querer amamentar, é a atitude dos profissionais de saúde que se torna decisiva no suporte de uma mãe que o pretende fazer. Durante a gravidez as dúvidas são muitas e a futura mãe interroga-se muitas vezes se deve ou não dar de mamar, debatendo-se com uma série de sentimentos contraditórios que em nada a ajudam a tomar uma decisão, por um lado desagrada-lhe ficar com os seios flácidos, por outro pensa nas vantagens da amamentação.


CONTATO MÃE-FILHO

O contato precoce, pele com pele, após o nascimento, o alojamento conjunto, assim como a oportunidade do bebê mamar na primeira meia hora pós-parto, são fatores importantes para o sucesso da amamentação. Porque, imediatamente após o parto, o bebê está muito sensível, esse momento deve ser aproveitado para iniciar a vinculação mãe-filho e a primeira adaptação do recém-nascido ao seio. Após o parto, tanto a mãe como o bebê vivem momentos de grande receptividade. É durante este período que se deve proporcionar contato precoce, não tanto com fins nutritivos mas para estabelecer um bom vínculo inicial.
Para que se forme uma ligação mental e nutritiva entre a mãe e o filho, ligação que ambos necessitam, é necessário que o contato ocorra o mais precocemente possível, após o parto.
O contacto precoce entre mãe e filho pode ser um fator importante para o sucesso do aleitamento materno, através da melhor integração e comportamento afetuosos da díade. Assim, a separação mãe-filho logo após o nascimento desperta insegurança materna, dificulta o aleitamento e priva o bebê do carinho e cuidado da sua mãe.
Imediatamente após o parto normal, os reflexos de busca e de sucção do recém-nascido são particularmente vigorosos e a mãe geralmente está ansiosa por ver e tocar o seu filho. Encorajar o contato entre a mãe e o filho e permitir que este sugue a mama será benéfico, reforçará a ligação afetiva mãe-filho e estimulará a secreção láctea.


Fonte: http://www.webartigos.com/articles/8940/1/Aleitamento-Materno/pagina1.html
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A importância da percepção auditiva na Aprendizagem


Desde a mais tenra idade, o bebê começa a mostrar reações aos sons, tais como choro e movimentos corporais. A atenção a estes aspectos tem sido enfatizada inclusive como forma de detecção precoce de alterações auditivas, em algumas maternidades, através de testagem auditiva específica, realizada com recém-nascidos (Triagem Auditiva Neonatal).

No ambiente doméstico também é importante observar as reações do bebê, que, quando ouve bem, desde muito pequeno se assusta, chora ou acorda com sons fortes e súbitos e costuma se acalmar com vozes familiares, como a da mãe, por exemplo.

Na medida em que o bebê vai crescendo, começa a procurar de onde vem os barulhos que escuta, até que, por volta de aproximadamente 6 meses de idade consegue localizar rapidamente de onde eles vem. É também por volta desta idade que as crianças iniciam as brincadeiras com a própria voz e imitam os sons produzidos (fase do balbucio).

Cabe ressaltar que, por volta desta idade, a criança que não ouve bem pode manter-se silenciosa, já que não escuta a própria voz. A partir daí, todo o desenvolvimento da linguagem falada pode ser comprometido, já que a fala ouvida funciona como referência de aprendizagem para a criança, desde bebê até idades mais avançadas, quando, através da escuta do padrão de fala do adulto, vão sendo percebidas as diferenças na fala infantil, que vão sendo adequadas até chegar ao padrão do idioma.

É importante que, na eminência de qualquer dúvida a respeito do assunto, seja consultado o profissional competente, da área de fonoaudiologia, para que se possa afirmar ou descartar este tipo de problema o mais precocemente possível e, caso haja necessidade, possa ocorrer a atuação ou o encaminhamento adequado, com o objetivo de minimizar os danos no desenvolvimento infantil.

Os efeitos destas alterações podem também estender-se à aprendizagem escolar, gerando muitas vezes problemas de aproveitamento, comportamento, atenção e concentração, influindo também no contato interpessoal, já que, muitas vezes, a percepção incorreta de uma palavra pode alterar o entendimento do significado e o andamento do diálogo, como, por exemplo, no caso de alguém falar sobre uma faca e o ouvinte entender que ela está falando sobre uma vaca.
É também importante saber que, muitas vezes, alunos tidos como rebeldes ou distraídos e que inclusive já tenham feito avaliação auditiva, podem apresentar dificuldades específicas de percepção da fala.

Este tipo de alteração pode comprometer a aprendizagem escolar, quanto a aspectos como a leitura, a escrita e a apreensão dos conteúdos que são apenas falados pelo professor e percebidos de forma parcial ou distorcida por essas crianças. Podem surgir também efeitos nas atitudes desses alunos frente à aprendizagem, tais como dispersão, irritabilidade e agitação, associadas à situação escolar.

Nestes casos, o diagnóstico é realizado através de testes específicos, feitos por fonoaudiólogos habilitados, a partir dos quais são feitas as intervenções necessárias para auxiliar a criança no processo de percepção dos sons da fala e orientar a família a esse respeito.

ENTENDENDO A PERCEPÇÃO DA FALA

Para que uma pessoa possa perceber a fala, é necessário que tenha atenção, que reconheça as frases, palavras e sons do idioma ao qual está exposta e conheça seu significado. É preciso também que compare estas informações com os dados que possui na memória e tudo isso ocorre no exato momento em que a mensagem é passada.

Desta forma, não basta ouvir o som, é necessário todo um processo mental para que a fala seja entendida e, algumas vezes, isto não acontece bem assim...
Vários fatores podem fazer com que este entendimento não ocorra de forma adequada, dentre eles alterações físicas (auditivas e neurológicas, por exemplo), alterações emocionais e alterações ambientais (o local onde a criança está não favorece a adequada percepção da fala, devido a excesso de ruídos, por exemplo).

FINALIZANDO

Pediria agora a você que relembrasse o início de nossa “conversa” e gostaria de perguntar-lhe como observa, após estas informações, a forma como seu filho, aluno, amigo, sobrinho, enfim, as pessoas com as quais convive estão ouvindo e percebendo a fala. Será que você agora as “ouve com outros ouvidos”?

Fonte: http://www.artigos.com/artigos/saude/fonoaudiologia/a-importancia-da-percepcao-auditiva-na-aprendizagem-3058/artigo/
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Relato de jovem com Discalculia


Desde que consegue se lembrar, a paulistana Luisa Andrade, que hoje tem 17 anos, não se entendia com os números. As aulas de matemática eram um suplício. Na 3a série, aos 9 anos, experimentou pela primeira vez a vergonha que a acompanharia até o ensino médio. Para tomar a lição dos alunos, a professora costumava pedir para que todos ficassem em pé em cima de suas carteiras e recitassem a tabuada. Só sentava quem acertava a sequência. Era uma tarefa impossível para Luisa, que sempre ficava por último, em pé, sozinha, exposta à risada dos coleguinhas.

Os anos se passaram e as situações constrangedoras foram se acumulando, tanto nas salas de aulas quanto em passeios com a turma de amigos. No cinema ou na lanchonete, Luisa nunca soube calcular o troco. Ou ver as horas. O pior momento foi no ensino médio. Durante uma aula de física, a professora pediu para que Luisa, que é loira e vestia uma blusa cor-de-rosa, resolvesse um problema na lousa. Luisa não foi capaz de escrever nada. Ficou lá parada por alguns minutos. A professora, então, disse a ela: “Pode voltar para sua carteira, Barbie”.

Luisa não é preguiçosa. Nem burra. Ela apenas sofre de discalculia, um transtorno de aprendizagem tão comum em salas de aulas quanto a dislexia (o transtorno de aprendizagem de leitura). Quem tem discalculia não possui habilidades matemáticas. Faltam noções de grandeza ou de valor dos números. Essas pessoas não conseguem fazer cálculos e nem sequer decoram a tabuada (leia abaixo o quadro com os principais sintomas). Pesquisas internacionais estimam que entre 5% e 7% da população mundial sofre desse transtorno. Os impactos afetam toda a sociedade. Segundo um estudo britânico, a discalculia gera um prejuízo anual ao país de 2,4 bilhões de libras (ou R$ 5,8 bilhões). Isso porque as pessoas com dificuldades matemáticas tendem a ganhar e gastar menos. Seriam mais propensas a ficar doentes e cometer crimes. Também demandam mais ajuda da escola.

Apesar disso, a discalculia é pouco conhecida. Parte do problema é resultado da tolerância nas escolas para as dificuldades com matemática. “Culturalmente encaramos como algo difícil mesmo”, afirma Thiago Strahler Rivero, pesquisador do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo. “Muitos pais e professores não percebem que há um problema e os alunos podem chegar até a vida adulta sem saber que sofrem deste transtorno.”

Outro obstáculo é o diagnóstico complicado. É preciso uma equipe interdisciplinar, formada por fonoaudiólogo, neuropsicólogo, psicopedagogo e neuropediatra para identificar o transtorno corretamente. No Brasil, apesar da falta de números precisos, há consenso entre especialistas que os diagnósticos de discalculia começam a aparecer com mais frequência nos consultórios clínicos.

A história do diagnóstico de Luisa é ilustrativa. Sua mãe, Mônica Weinstein, é fonoaudióloga e doutora em comunicação humana, mas, até Luisa ter 13 anos, nunca desconfiou que ela tivesse discalculia. Foi a própria Luisa quem percebeu. “Estava assistindo a um documentário na TV que falava sobre transtornos de aprendizagem e de repente ficou claro que aquele era o meu problema”, diz Luisa. “Fui correndo contar para minha mãe.”

Os alunos com discalculia conseguem aprender matemática com atenção individual e técnicas de ensino especiais. Mas poucas escolas têm professores, estrutura, planejamento ou materiais adequados. A Escola Suíço Brasileira de São Paulo fez uma adaptação do conteúdo das aulas e até de materiais. “As atividades em sala de aula e a lição de casa precisam ser diferentes”, diz Birgit Möbus, psicopedagoga da escola. “O mais importante é não isolar esse aluno e cuidar de sua autoestima.”

A mãe de Luisa, Mônica, não teve a sorte de encontrar colégios preparados para educar a filha. O último sugeriu que a menina deixasse a matemática de lado. A menina já havia desenvolvido uma severa anorexia nervosa. Hoje ela estuda com tutores, em casa, e frequenta uma vez por semana o Instituto Individualmente, uma organização não governamental criada pela própria Mônica logo depois do diagnóstico da filha.

O instituto diagnostica e trata alunos com discalculia das redes pública e privada há dois anos. Um deles é Aline Alves Barbosa, de 15 anos. Sua mãe percebeu que poderia haver algum problema de aprendizagem quando ela tinha 12 anos. Durante meses, passou por fonoaudiólogos, psicólogos, neurologistas. Chegou a tomar remédio para tratar um possível deficit de atenção. No instituto, ela é atendida por especialistas em discalculia, que usam softwares importados desenvolvidos para quem não tem habilidades matemáticas. Com os programas, que concretizam os números e as operações matemáticas com imagens, ela aprendeu a ler as horas e a fazer algumas operações básicas, como somar e dividir. Aline ainda odeia as aulas de matemática da escola. “Minha professora atual não quer nem saber do meu diagnóstico”, diz Aline. “Ela explica a lição uma vez só e nunca mais.” Por isso, o desafio do Instituto Individualmente também é preparar as escolas para ensinar essas crianças.

Outros países já incorporaram isso à política oficial. Desde 2000, a Inglaterra investiu US$ 2,3 milhões em pesquisa. Outro tanto para desenvolver softwares para melhorar o aprendizado. Esses programas são usados nas escolas públicas. Segundo um levantamento feito pela consultoria KPMG e uma ONG britânica, essas ações custam caro, mas dão um retorno 12 vezes maior para a sociedade. É só fazer as contas.

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI240671-15228,00.html
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Transtornos Específicos de Aprendizagem (TEA)


O QUE É TRANSTORNO ESPECÍFICO DE APRENDIZAGEM?

De acordo com o Individual with Disabilities Education Act (IDEA, EUA, 2004), o Transtorno Específico de Aprendizagem (TEA) se define por “uma alteração em um ou mais dos processos cognitivos básicos envolvidos no entendimento e / ou no uso da linguagem oral ou escrita, que pode se manifestar numa falta de habilidade para se expressar ou para compreender a fala, para ler, escrever, dominar a ortografia ou realizar cálculos matemáticos”.

Estima-se que 6 % da população mundial em idade escolar tenha um TEA. Esses transtornos persistentes manifestam-se muito cedo na vida e não são decorrentes da falta de oportunidade de aprender, mas naturalmente podem piorar se as condições de ensino forem ruins. O TEA também não decorre de deficiência intelectual nem de doenças adquiridas.

Se não houver uma intervenção planejada e de longo prazo, a defasagem de desempenho na escola aumenta com o passar dos anos, resultando em prejuízos pessoais irreparáveis, tais como: abandono escolar, transtornos psicoafetivos, inadaptação social e subemprego, para citar só alguns. Estatísticas americanas indicam que 40% dos jovens com TEA nos EUA não concluem o ensino médio e que 70% da população carcerária daquele país tem algum grau de transtorno de aprendizagem. Os TEA são classificados em subtipos, dependendo da área da aprendizagem mais afetada: transtorno de leitura, transtorno de expressão escrita, transtorno de habilidades matemáticas, transtorno não-verbal e transtorno de linguagem, entre outros. Na realidade, um indivíduo com TEA nunca será igual a outro: haverá sempre uma interação entre suas parcelas de “dificuldades” e de “aptidões” inatas e as do meio familiar, educacional e sócio-cultural em que ele está inserido, resultando numa trama única. Em muitos casos, existem associações de subtipos no mesmo indivíduo. Cerca de 40% das pessoas com dislexia também apresentam discalculia.

Apesar das especificidades individuais na manifestação de suas dificuldades, crianças e jovens com TEA compartilham o fardo do mau desempenho na escola e, com frequência, são rotulados por pais e professores como preguiçosos, pouco empenhados e incompetentes. Indivíduos com TEA e suas famílias precisam de apoio e orientação profissional para empreenderem suas jornadas.

SINTOMAS CARACTERÍSTICOS

Cada indivíduo é único. As pessoas com Transtornos Específicos de Aprendizagem também se caracterizam por sua singularidade. Elas têm talentos, motivação e capacidade de aprendizagem que são particulares, próprias de cada um deles.

A identificação de indivíduos com TEA é feita por uma equipe multidisciplinar, devido às particularidades de cada caso, o que impossibilita o diagnóstico pela apresentação de um sintoma isolado. Com essa advertência, seguem algumas das manifestações comumente indicativas de transtorno:

• É inteligente, mas não apresenta bom
desempenho acadêmico.

• Tem dificuldade para manter a atenção, parece sempre desconcentrado,
fora do ar.

• Frequentemente é rotulado de preguiçoso, burro, imaturo ou problemático.

• Perde-se com frequência e não tem noção da passagem do tempo.

• Tem melhor desempenho em testes orais do que escritos.

• Aprende melhor pela experiência prática, pela demonstração, pela observação
e com apoio visual. Pensa mais com imagens e emoções do que com sons
e palavras.

• Sente-se inferiorizado, burro, sem auto-estima; tenta esconder suas dificuldades
com subterfúgios; frustra-se com facilidade.

• Confunde letras, palavras, números, sequências e explicações verbais.

• Frequentemente tem talento para a arte, o teatro, a música e o esporte
e é bastante criativo.

• Pode contar em voz alta, mas tem dificuldade para contar objetos, para estimar
medidas, para resolver problemas matemáticos, para lidar com dinheiro
e para ver horas no relógio.

• Tem excelente memória para eventos biográficos de longo prazo, mas memória
muito ruim para sequências ou informações que não foram experimentadas.

• Seus erros e sintomas pioram dramaticamente na presença de confusão
no ambiente e quando é apressado ou submetido a stress emocional.

Extraído de Davis (2000).


TIPOS MAIS COMUNS


Dislexia

A dislexia tem origem neurobiológica e caráter permanente. Caracteriza-se pela falta de fluência da leitura e pela pouca habilidade de decodificação e pelo pouco domínio ortografia. Indivíduos com dislexia podem apresentar:

• leitura lenta e hesitante, trocas de sequências,
acréscimos, inversões e omissões de letras;

• falha na compreensão e interpretação do material
lido; • fuga de situações que envolvam leitura;

• escrita espelhada e ou lenta, com repetição de
letras, sílabas ou palavras;

• escrita rasurada, com trocas visuais, auditivas e espaciais, além de omissões,
inversões e acréscimos.


Discalculia


A discalculia tem origem neurobiológica e caráter permanente. Caracteriza-se pela dificuldade para o entendimento e pelo bloqueio ao acesso rápido a conceitos e fatos numéricos básicos. Indivíduos com discalculia podem apresentar:

• dificuldade para entender conceitos numéricos simples (tais como o local/o valor)
e para fazer uso das quatro operações;

• falta de conhecimento intuitivo sobre números (valor e relação entre os números),
dificuldade de lidar com dinheiro e de dizer as horas no relógio, imprecisa
percepção de tempo de espaço;

• problemas para aprender, evocar e ou usar fatos e procedimentos numéricos
(ex.: tabuada, divisões complexas); • mecanicismo e ausência de confiança
ao emitir respostas, mesmo as respostas estejam corretas ou que esses
alunos as tenham obtido por um método correto.

COMO LIDAR COM A SITUAÇÃO

Embora muitas crianças e jovens com TEA sejam bastante criativos e inteligentes, suas dificuldades na escola resultam em muito sofrimento. Quanto mais precoce, intensiva e especializada for a natureza da intervenção que receberem, melhores serão os resultados.

Não existe receita para o tratamento dos TEA. Cada indivíduo precisa ser estudado em suas particularidades. Não obstante, já se sabe, comprovadamente, que alguns fatores contribuem para um bom resultado:

• apoio incondicional da família e da escola.

• avaliação, diagnóstico e acompanhamento
de longo prazo por equipe interdisciplinar
especializada (fonoaudiólogos, psicólogos,
psicopedagogos, educadores, médicos), com
revisão da prioridade de abordagem de cada especialidade, sempre que
necessário. É muito importante que a equipe interdisciplinar se reúna e discuta
o caso em conjunto. Não é suficiente passar em consultas isoladas com cada
um dos diversos especialistas e ouvir diagnósticos e previsões distintos.
É necessário constituir uma equipe integrada, que avalie e trate a criança
ou o jovem com TEA e compartilhe a definição de algumas metas mensuráveis
para o acompanhamento da intervenção. Em alguns casos, quando há presença
de outras condições associadas ao TEA, como o transtorno do déficit de atenção
e hiperatividade (TDAH) ou como um transtorno de ansiedade, por exemplo, pode
haver necessidade de medicação. Por isso, o acompanhamento com médico
neuropediatra ou psiquiatra é importante.

• escola que esteja disposta a realizar as adaptações acadêmicas de acordo com
o grau da dificuldade da criança ou do jovem e a trabalhar em parceria com
a equipe interdisciplinar e com a família.

• frequência a ambientes promotores de resiliência psicológica e de senso de
pertencimento. Pesquisas indicam que alunos com transtornos de aprendizagem
têm mais sucesso no ensino superior quando desenvolvem sólidas habilidades
para expressar suas vontades e ideias. Dentre as habilidades metacognitivas
importantes de serem estimuladas nos alunos com TEA, poderíamos citar:

• conhecimento da sua forma de aprendizagem;

• habilidade de articular suas necessidades de aprendizagem;

• habilidade para comunicar essas necessidades aos outros.


O PAPEL DOS PAIS

Para poder ajudar um filho(a) com TEA, os pais precisam entender a natureza de suas dificuldades. O primeiro passo é providenciar uma avaliação diagnóstica interdisciplinar e realizar uma parceria de longo prazo com uma escola disposta e com condições de buscar e testar opções alternativas para o sucesso do aluno com TEA. Além disso, os pais precisam contar com o apoio e a orientação de profissionais especialistas na área da aprendizagem para, juntos, pais, escola e profissionais, discutirem e planejarem a melhor abordagem para o desenvolvimento acadêmico, emocional e social de seu filho.

O TEA é uma condição perseverante e manifesta-se cedo na vida escolar. A busca de ajuda e o apoio para a superação dessas dificuldades têm que vir inicialmente dos pais e, quanto mais cedo, melhor.


O PAPEL DA ESCOLA

Assim que houver a suspeita de que um aluno apresenta um TEA, a escola deve pedir à família o seu encaminhamento para uma avaliação diagnóstica interdisciplinar, incentivar a adesão ao tratamento proposto e providenciar o acompanhamento do desenvolvimento acadêmico desse aluno. Esse acompanhamento precisa ser consistente e afirmativo; os professores devem ser informados sobre a natureza da dificuldade do aluno e estimulados a desenvolver estratégias pedagógicas diferenciadas que favoreçam sua aprendizagem e que minimizem o impacto negativo de suas dificuldades no ambiente escolar. Se não houver progresso na aprendizagem da criança, será necessária uma revisão da abordagem proposta pela escola. O fato de esses alunos terem dificuldades em habilidades importantes para o domínio da leitura, escrita e cálculo não significa que não devam apresentar progressos em sua aprendizagem.

Um plano individualizado para cada ano letivo deve ser discutido entre a direção, a coordenação, os professores, os pais e os profissionais especialistas da área da aprendizagem, para garantir que o aluno tenha acesso às adaptações logo no início do ano. Sempre que possível, o aluno deve ser convidado a participar desse planejamento para que tenha conhecimento das metas que estão sendo propostas para ele a cada ano. A escola e a família são parceiras na busca de estratégias para que essa meta seja alcançada.

Os tópicos a seguir são algumas sugestões de estratégias e adaptações para alunos com TEA; naturalmente, cada caso deve ser analisado em sua individualidade, e a abordagem vai variar em função do tipo do transtorno e de sua severidade. A existência de um TEA, seu tipo e sua severidade precisam ser definidos no relatório da avaliação interdisciplinar da aprendizagem e serão monitorados no acompanhamento interdisciplinar de cada caso. Podemos afirmar, sem exagero, que todos os alunos com TEA necessitarão de adaptações pedagógicas e ou curriculares em algum momento de suas vidas acadêmicas. Alguns deles precisarão desse apoio apenas por um período de tempo; outros, até a conclusão do ensino médio ou do ensino superior; e alguns, durante toda a sua vida profissional. Devemos nos lembrar sempre de que não podemos punir um indivíduo por ter sua própria forma de aprender.

Em geral, a abordagem do TEA pela escola deve ser: preventiva, individualizada, multissensorial e sequencial.

Seguem algumas sugestões. A coordenação deve...:

• informar os professores de todas as disciplinas sobre o fato de o aluno
apresentar TEA e discutir com cada um dos educadores quais estratégias serão
empregadas.

• permitir a gravação da aula ou a participação de um tutor para ajudar a tomar
notas.

• oferecer ao aluno com TEA um tempo extra para completar as tarefas e as
avaliações. O TEA rouba o tempo das pessoas e as acomodações lhes devolvem
esse tempo.

• evitar sobrecarga da memória de trabalho, designando tarefas que estejam dentro
das habilidades dominadas.

• designar um “tutor” ou “tradutor” para acompanhar o aluno individualmente,
na escola e fora dela.

• certificar-se de que o aluno entendeu a matéria ensinada, solicitando-lhe que
explique o assunto oralmente para o professor ou tutor, em situação individual.

• permitir que o aluno acompanhe seu progresso, observando que fatos ele já
domina e quais conteúdos ainda precisam ser aprendidos.

• dar tempo extra para o aluno processar a informação.

• informar a família constantemente sobre a evolução da criança e sobre as
adaptações aplicadas e seus resultados.

POLÍTICAS PÚBLICAS

Existe amparo legal constitucional para as necessidades educacionais específicas dos alunos portadores de transtornos funcionais específicos de aprendizagem, entre eles a dislexia e a discalculia. Esses transtornos também são reconhecidos e caracterizados no Dicionário de Especialidades Médicas (DSM IV) e no Código Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde (CID 10 da OMS).

Fonte: www.individualmente.com.br
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TDAH e o Papel do Ambiente Familiar


Já foi aqui mencionado que um adulto que interage pela primeira vez com uma criança com TDAH pode ficar surpreendido e um pouco desorientado devido a seu comportamento irregular e descontínuo, inclusive nas manifestações de afeto. As pessoas que não vivem com uma criança hiperativa com frequência tentam interpretar a causa do seu problema atribuindo-a aos pais, acusados, na maioria das vezes, de não terem sabido transmitir as boas normas de comportamento. Das observações clínicas emerge que os pais das crianças com TDAH são particularmente diretivos e impõem regras com maior empenho se comparados com os que não tem filhos com TDAH. Nesse ponto, vem, espontânea, a pergunta sobre quais seriam as verdadeiras responsabilidades dos pais na ocorrência do distúrbio e, por outro lado, quanto seria a criança provocar certos comportamentos nos pais. Para tentar dar uma resposta ao problema, vamos nos reportar ao que foi experimentado nos Estados Unidos.

BARKLEY SELECIONOU DOIS GRUPOS-AMOSTRA DE CRIANÇAS COM TDAH E AMBOS FORAM SUBMETIDOS A UM TRATAMENTO FARMACOLÓGICO COM METILFENIDATO (O PSICOESTIMULANTE USADO PARA O TDAH). NA REALIDADE, SOMENTE UM DOS DOIS GRUPOS USAVA O FÁRMACO; O OUTRO GRUPO ERA DADO UM PLACEBO (UM FÁRMACO SEM QUALQUER PRINCÍPIO ATIVO), SEM QUE FOSSE INFORMADO SOBRE ISSO. DEPOIS DE ALGUNS DIAS DO INÍCIO DA EXPERIÊNCIA, AS CRIANÇAS COM TDAH, QUE TINHAM COMEÇADO A VERDADEIRA TERAPIA FARMACOLÓGICA, APRESENTAVAM MELHORA EVIDENTE DO PONTO DE VISTA DA CONCENTRAÇÃO E DO COMPORTAMENTO. AS MÃES, POR SUA VEZ, DAVAM MENOS ORDENS, REPREENDIAM ESSAS CRIANÇAS MENOS FREQUENTEMENTE, E HAVIAM ASSUMIDO UMA POSTURA MENOS TENSA E DESCONFIADA DIANTE DELAS. DESDE O MOMENTO EM QUE FOI INICIADA A TERAPIA FARMACOLÓGICA, TAMBÉM O RELACIONAMENTO MÃE-FILHO TINHA REGISTRADO UMA MELHORA SENSÍVEL.
O MESMO NÃO ACONTECEU COM AS FAMÍLIAS DAS CRIANÇAS QUE TINHAM TOMADO O PLACEBO, CUJOS COMPORTAMENTOS PERMANECERAM, SUBSTANCIALMENTE, SEM VARIAÇÃO. DESSES RESULTADOS PODE-SE DEDUZIR QUE AS POSTURAS NEGATIVAS DOS GENITORES, EM ESPECIAL AS DAS MÃES, SÃO, PROVAVELMENTE, EXPRESSÃO DE DESCONFORTO DEVIDO AOS COMPORTAMENTOS DESORGANIZADOS E PERTUBADORES DO FILHO, E NÃO SÃO A VERDADEIRA CAUSA DELES.

Embora tais resultados sejam claramente favoráveis a uma visão uniderecional do problema (de que os filhos com TDAH determinam alguns comportamentos negativos dos pais)outros estudiosos, como, por exemplo, Eric Taylor (do Instituto de Psiquiatria de Londres), consideram que seja mais apropriada uma visão bidirecional: ambos os atores (pais e filhos) desempenham um papel tanto na geração como na alimentação daqueles comportamentos. Taylor, afirma, por exemplo que uma mãe deprimida pode ser em parte responsável pelos comportamentos pertubadores do filho com TDAH. Alguns comportamentos da criança seriam, portanto, uma resposta ao pouco calor afetivo, possível em uma mãe com depressão.

Já foi mencionado que também uma vida familiar desorganizada, sem regras, ou na qual os pais apresentam estresse e problemas conjugais, pode fazer surgir nas crianças problemas de atenção ou de hiperatividade. Uma família equilibrada e bem estruturada está em condições de fornecer aos aos filhos um crescimento tranquilo. Se isso é verdade para todas as crianças, é mais verdade ainda para aquelas que têm TDAH, cujo comportamento fica particularmente exposto às influências externas (comportamento não auto-regulado). Regularidade no estilo de vida e coerência na educação são dois elementos essenciais para o desenvolvimento de uma criança.
Consideramos a hipótese mais plausível seja aquela segundo a qual a maioria das crianças já nasce com uma predisposição para desenvolver um TDAH, que depois se estrutura e se alimenta com base no ambiente de crescimento. Isto, somando à educação dada pelos pais, contribui para modelar a personalidade e o comportamento da criança. A predisposição para desenvolver um TDAH não é uma condição patológica, uma doença que precisa ser curada, mas, sim, um dos numerosos traços do temperamento ou da personalidade que vêm herdados dos pais, como o peso, a altura, a inteligência, a cor dos olhos e dos cabelos, ou as habilidades de leitura. A capacidade de regular o próprio comportamento é, portanto, uma dimensão peculiar de cada pessoa, que a distingue das outras, isso não implica, obviamente, que o TDAH não possa ser tratado, mas que deve enfrentado com as estratégias e as terapias corretas.

Fonte: Crianças desatentas e hiperativas
Gian Marco Marzocchi
Edições Loyola
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TDAH e Dislexia - Novos resultados genéticos


Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Dislexia são doenças complexas da infância que freqüentemente ocorrem conjuntamente, ou seja, se uma criança está enfrentando problemas com a leitura, ela tem mais chance de ter TDAH e crianças com TDAH tem mais chance de apresentarem problemas na leitura do que crianças da mesma idade que não apresentam TDAH.

No entanto, a razão para essa correlação permanece desconhecida. Um novo estudo publicado na última edição especial da revista Cortex, dedicado a "dislexia do desenvolvimento e disgrafia", sugeriu que os distúrbios têm influências genéticas comuns.

Os pesquisadores analisaram 457 pares de gêmeos no Learning Disabilities Colorado Research Center (CLDRC) em um estudo sobre as causas da deficiência de leitura, TDAH e distúrbios relacionados. Dr. Erik Willcutt e colegas compararam grupos de gêmeos com e sem Dislexia e TDAH, usando uma variedade de testes para medir a capacidade cognitiva geral, habilidades de leitura, velocidade de processsamento e linguagem. Os resultados foram analisados para determinar a influência genética na associação entre os transtornos. O uso de gêmeos idênticos, que compartilham todos os seus genes, e gêmeos não-idênticos, que compartilham apenas a metade dos genes, permitiu aos pesquisadores distinguir entre influências genéticas e ambientais sobre as habilidades cognitivas dos participantes.

Os resultados mostraram que tanto a Dislexia como o TDAH são doenças complexas, influenciado por muitos fatores; TDAH foi associado com uma reduzida capacidade de inibir as respostas (impulsividade), já as dificuldades de leitura foram associadas com vários déficits na linguagem e memória. No entanto, ambos os transtornos foram associados com uma velocidade de processamento lenta. As análises revelaram ainda uma correlação significativa entre a genética da Dislexia e TDAH, ou seja, uma criança portadora de um dos distúrbios foi mais propensa a apresentar sintomas do outro distúrbio. Os autores do estudo sugerem que a eficiência de processamento de informações pode ser um marcador útil sobre a conexão entre os dois distúrbios.

E Este estudo reforça nossos conhecimentos prévios sobre o tema, já que era conhecido no meio acadêmico a relação entre impulsividade e TDAH e déficits na linguagem e na memória e Dislexia. Em ambos os transtornos as crianças apresentaram déficits na velocidade em que processam as informações e os dois compartilham alguns genes, explicando porque as crianças podem apresentar com frequência os Dislexia e TDAH ao mesmo tempo.

Fonte: www.transtornosdeaprendizado.com.br
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Hiperatividade - Como lidar?

Conforme a Enquete que postei no blog, a que venceu em maior número de votos foi o tema Crianças desatentas e hiperativas, como ajudá-las? Irei postar abaixo as maiores perguntas feitas com esse tema, com suas respectivas respostas. Espero que tirem proveito da matéria e deixem seus comentários caso necessitem!


O que é Hiperatividade?

A hiperatividade é um sintoma que não tem definição precisa aceita unanimemente, mas todos concordam que compromete de modo marcante o comportamento do indivíduo, pois interfere nas suas relações sociais, familiares e no seu trabalho.
A hiperatividade é um desvio comportamental, caracterizado pela excessiva mudança de atitudes e de atividades, acarretando pouca consistência em cada tarefa a ser realizada. Portanto, isto incapacita o indivíduo para se manter quieto por um período de tempo necessário para que possa desenvolver as atividades comuns do seu dia-a-dia. Este padrão de comportamento se mostra incompatível com a organização do seu ambiente e com determinadas circunstâncias. Crianças e adolescentes hiperativos são frequentemente considerados pessoas inconvenientes.

Quais as manifestações da Hiperatividade?

Evidenciam-se, de modo isolado ou associado, as seguintes características:

- crianças que se mantêm em constante movimento;
- mexem em tudo, sem motivo e sem propósitos definidos;
- dificuldade para se envolverem em brincadeiras;
- são muito impacientes e mudam de atividade com frequência;
- levantam-se da cadeira, quando em sala de aula, em momentos inapropriados;
- não conseguem permanecer sentadas para assistir a um programa de TV, como um desenho animado;
- mal ficam sentadas à mesa durante a refeição;
- apresentam incapacidade para focar a atenção em qualquer atividade durante um período de tempo necessário para tal. Há certa tendência para desviar a sua atenção para outros estímulos que são impróprios para aquele determinado momento;
- falam demasiadamente;
- distraem-se com muita facilidade e, frequentemente, não conseguem terminar as tarefas propostas para o período preestabelecido;
- a tarefa escolar prolongada é o indicador mais evidente para se detectar a acentuação da hiperatividade.

A partir de quando se percebe que a criança é hiperativa?

A hiperatividade pode ser notada em várias fases do desenvolvimento da criança, seja quando lactente, pré-escolar, escolar ou adolescente. Mas o mais comum e mais fácil de diagnosticar é no período pré-escolar, visto que nesta fase a criança mostra mais sua inquietude em relação as tarefas propostas à ela.

Quais são as evidências do comportamento hiperativo do lactente?

No lactente podem ser evidenciadas algumas características, tais como:
- muito chorão e sem causa aparente
- inquieto
- apresenta dificuldade para conciliar o sono
- período de sono curto
- voracidade ao mamar
- cólicas abdominais frequentes e exageradas
- denota persistente desconforto e insatisfação


As alterações comportamentais do lactente são transitórias?
As manifestações anteriormente citadas podem desaparecer após alguns meses, mas podem persistir sem interrupção até a idade pré-escolar ou mesmo além deste período. Há vezes em que os pediatras solicitam às mães uma dose extra de tolerância, mas com frequência encontramos, no consultório, mães estafadas e irritadas, por conta de noites maldormidas durante vários meses. Devido ao desgaste físico e emocional, estas mães se tornam intolerantes e impacientes, comprometendo de maneira marcante a relação afetiva com a criança e o equilíbrio de todo o ambiente doméstico.

Um lactente tranquilo pode se tornar hiperativo em épocas posteriores da sua vida?
A hiperatividade pode se manifestar ou pode ser notada só no período pré-escolar ou mesmo no período escolar. Há, portanto, crianças que apresentavam comportamento mais tranquilo em outras fases da sua vida e, de modo súbito, tornaram-se hiperativas. Nesses casos devemos considerar os fatores emocionais e ambientais como possíveis determinantes do quadro.

Quando se considera o pré-escolar hiperativo?

Quando há sinais claros de:

- inquietude;
- impaciência;
- espírito destrutivo;
- fala muito e rápido;
- baixa tolerância à frustração;
- sem noção de perigo;
- não se fixa muito num só brinquedo;
- distrai-se com muita facilidade;

Como se manifesta a hiperatividade nos escolares?

- ao brincar, não conseguem se fixar, durante algum tempo, numa determinada atividade;
- mudam, rapidamente, de uma atividade para outra, pois se desinteressam com muita facilidade;
- são muito presentes, isto é, são aquelas crianças que estão sempre em todos os lugares, tal é a hiperatividade;
- trocam de brinquedo frequentemente, por não se satisfazerem por muito tempo com o mesmo;
- espírito destrutivo com objetos e brinquedos;
- não conseguem ficar sentados à mesa durante a refeição;
- assistem televisão por tempo limitado, e mesmo assim inquietos;
- falam muito e mudam de assunto rapidamente, sem mesmo concluir o pensamento anterior;
- dificuldade para acatar ordens.

Quais são as características do adolescente hiperativo?


- impaciência;
- inquietude;
- falta de adaptação social;
- falta de energia para executar as tarefas;
- baixa auto-estima;
- auto-imagem negativa;

Como se identifica a hiperatividade na escola?

O comportamento destoante em relação às outras crianças é o ponto básico da identificação do hiperativo:
- movimentam-se excessivamente na sala de aulas;
- atrapalham a dinâmica das aulas;
- falam muito com os outros colegas;
- não prestam atenção e não conseguem se concentrar nas atividades;
- interrompem a professora com frequência;
- interferem de modo impróprio e inoportuno nas conversas dos outros alunos;
- tumultuam a classe com brincadeiras fora de hora;
- apresentam iniciativas descontroladas;
- o desempenho global nas diversas atividades encontram-se em nível aquém da média do seu grupo.

Por que os pais não percebem este quadro em casa?


Nem sempre os pais conseguem perceber as diferenças comportamentais, especialmente quando não têm outros filhos. Muitas vezes acreditam tratar-se de uma fase transitória, e, com isso, tornam-se mais tolerantes. A acomodação, por parte dos pais, a este tipo de comportamento faz com que não percebam o quanto este se desvia do padrão tolerável. Devemos considerar, também, que os pais não mostram à criança quais são os seus verdadeiros limites e, com isso, muitas vezes elas ficam expostas a situações adversas, inclusive de perigo. Parece, por vezes, haver inversão dos papéis, e, que os pais é que estão sendo educados pelos filhos. Por outro lado, há, também, pais que não querem admitir que o seu filho apresenta algum comprometimento comportamental, e consideram as queixas em relação ao seu filho como sendo uma questão pessoal de antipatia ou de intolerância. Quando a queixa inicial é por parte da escola a primeira providência é mudar de escola. Após a segunda ou terceira mudança acabam se convencendo que é necessária uma avaliação especializada. Esta não aceitação por parte dos pais retarda o diagnóstico e, por consequência, o tratamento.

MAIS INFORMAÇÕES NO PRÓXIMO POST... AGUARDEM!!!

Livro de ajuda: No Mundo da Lua

Fonte: Hiperatividade Abram Topczewski
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