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Dificuldades Específicas de Aprendizagem


Linguagem (audição, fala, compreensão, interpretação da leitura; soletrar e expressão escrita), matemática (raciocínio, solução de problemas e cálculo), controlo motor e comunicação (expressão não verbal, défice programação fonológica, gaguez) são as capacidades que mais sofrem o impacto das dificuldades específicas de aprendizagem, que são assim classificadas e explicadas:

► Dislexia: uma perturbação que afecta a leitura e a aprendizagem baseada na linguagem. Frequentemente, os disléxicos têm problemas com ortografia e com capacidades de evocação (de lembrar ou reconhecer) de palavras comuns, o que leva à uma compreensão deficiente dos assuntos. Essas dificuldades resultam tipicamente do défice no componente fonológico da linguagem que é inesperado em relação às outras capacidades cognitivas consideradas na faixa etária. A estes sintomas, acrescentam-se a escrita «mal feita» e dificuldades para compreenderem o que lêem.

► Discalculia: uma perturbação que afecta a aritmética, a matemática, os cálculos. Dificuldade para compreender conceitos matemáticos positivos e negativos, de valor e quantidade, dias, semanas, meses, estações, etc., complicando-se para numerar linhas, realizar tarefas matemáticas de somar e diminuir e para resolver problemas, ainda que simples. Dificuldades no uso de fracções e para estabelecer sequências de informação e de eventos, reconhecer modelos de adição, subtracção, multiplicação e divisão e para trabalhar com os passos das operações aritméticas, para além das dificuldades em organizar os problemas na folha de papel, alinhar os números nas contas e chegar ao fim das divisões longas.

► Disgrafia: perturbação relacionada com a letra manuscrita. Os portadores enfrentam problemas para ‘desenhar’ as letras à medida que as escrevem ou para mantê-las num espaço definido. Tanto a letra de imprensa ou a manuscrita podem acabar ilegíveis, mesmo quando escreve com atenção e devagar. Além disso, misturam o traçado manuscrito com as letras de imprensa, as maiúsculas com as minúsculas, formas, tamanhos e tipos, sendo visível um espaçamento inconsistente. Demonstram dificuldades no planeamento motor e tríade para pegar no lápis é feita muitas vezes de outra forma, não havendo dissociação dos movimentos do pulso com a restante mão. Também apresentam dificuldade para pensar escrever ao mesmo tempo.

► Perturbações do processamento da informação (Disfunção de integração Sensorial): estas são dificuldades relacionadas com a capacidade de processar a informação que recebem através dos sentidos – visão, audição, paladar, olfacto e tacto – apesar de haver integridade na recepção. Estes problemas não estão relacionados com a incapacidade de ver ou ouvir, por exemplo, trata-se unicamente de condições que afectam o modo como o cérebro reconhece, responde, recupera e armazena as informações sensoriais.

Sinais de Alerta para as Dificuldades Especificas de Aprendizagem do tipo Dislexia:


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O Fracasso dos jovens disléxicos frente ao processo de leitura e escrita


Fracasso dos jovens


suas causas, implicações e consequências.



Dentre os distúrbios de aprendizagem, nota-se com maior frequência e intensidade a deficiência na aquisição e desenvolvimento da leitura e da escrita. 



Em nossa prática de consultório, atendendo crianças, adolescentes, jovens adultos, bem como os próprios pais, são comuns as queixas acerca da pouca eficiência do saber ler e escrever. São comuns ainda, queixas de professores sobre estas dificuldades, ou seja, quão pouco eficiente os jovens se encontram em relação à linguagem oral, quão pouco domínio eles dispõem da verbalização adequada como instrumento de comunicação e, o mesmo ocorrendo com o domínio da leitura e da escrita.



Relatos são conhecidos sobre alunos que não aprendem Matemática, História, Ciências, etc., não por serem portadores de dificuldades específicas nas referidas áreas, mas por faltarem-lhes o instrumental básico, na leitura a possibilidade de compreensão, a capacidade para interpretar, abstrair, inferir e estabelecer relações entre os fatos contextuais e na escrita o domínio da língua (da micro à macro estrutura), a capacidade para relacionar os dados e redigi-los de forma clara e coerente, respeitando os manejos gramaticais pertinentes e básicos à redação.



A leitura e escrita são processos muito complexos e as dificuldades podem ocorrer de maneiras diversas. Além disso, temos a aquisição da leitura e escrita como fator fundamental e favorecedor dos conhecimentos futuros; é uma ferramenta essencial, ou mesmo a estrutura mestra onde serão alicerçadas as demais aquisições. É apoio para as relações interpessoais, para a comunicação e leitura de seu mundo interno e externo. 



Uma criança que não tenha solidificado realmente sua alfabetização, poderá se tornar frustrada diante da educação formal, terá deficitário todo seu processo evolutivo de aprendizagem, apresentará baixo rendimento escolar e pouco a pouco sua auto estima estará minada, podendo manifestar ações reativas de comportamento anti-social, bem como levá-la ao desinteresse e muitas vezes até a evasão escolar. 



O problema da dificuldade na leitura e na escrita pode ainda decorrer em outros secundários, que acabarão se tornando tão ou mais graves daqueles originais que produziram a ineficiência da alfabetização.



Diante deste fato, objeto de queixas de educadores, pais e profissionais ligados à área, torna-se difícil distinguir onde se encontra a falha, seja de ordem da dinâmica individual, seja de ordem do meio, ou seja, devido à síndrome psicossocial, onde estão envolvidas as três vertentes ao mesmo tempo: o indivíduo, a escola e a comunidade.



A fronteira determinante destes aspectos é frágil e tênue; muito se tem discutido e pesquisado, todavia são apontadas poucas conclusões efetivas e menor parece ser a possibilidade para ações preventivas a todas as implicações do universo da aprendizagem. 



Iniciando pela análise da dinâmica do indivíduo, este terá sucesso na aquisição da leitura e escrita dependendo da evolução maturativa e equilibrada dos aspectos fisiológico, emocional, intelectual e social.



Consideramos um indivíduo realmente alfabetizado não apenas quando mecanicamente decodificar sons e letras, isto é, quando puder transpor os sons para as letras (ao escrever) e das letras para os sons (ao ler), mas de forma efetiva quando tiver automatizado o processo, sem precisar recorrer a todo instante aos passos necessários a esta atividade; e sobretudo quando puder se utilizar desta habilidade para obter outros conhecimentos; para assimilar e montar esquemas internos que o permitam transformar os elementos brutos da realidade e que possa operacionalizar o processo contínuo de sua própria alfabetização (já que ela não é um fim em si mesma), e da aprendizagem enquanto um todo. 



Ajuriaguerra aponta que enquanto este processo permanece no limiar do voluntário, seu desenvolvimento é irregular e forçado; quando se automatiza, a leitura e a escrita se tornam fáceis, livres e muito rápidas.



A aquisição depende da oralidade, da aprendizagem da fala, que na criança parece evoluir a partir da compreensão da linguagem (linguagem interna) para a efetiva expressão da mesma (fala). Chomski coloca que não basta: “Penso, logo existo”, mas “Falo, logo penso, logo existo!”. 



Para desenvolver os estágios superiores da linguagem: a compreensão da palavra impressa (a leitura) e a expressão da palavra impressa (a escrita), a criança precisa (além de ter sedimentado de forma harmoniosa as etapas da oralidade), ser capaz de articular todos os sons da língua, o que normalmente se determina aos seis anos (observadas as diferenças maturacionais de cada indivíduo). Requer ainda a ampliação e domínio do universo vocabular. 



Outra etapa necessária que precisa ser vencida é a capacitação para analisar as palavras em seus segmentos subsilábicos, isto é analisar os sons, que as compõem. Esta possibilidade é a chamada consciência linguística ou fonológica. Sabemos que até os seis anos, observando sempre as características individuais, a criança só consegue segmentar palavras em sílabas, a partir desta idade passa a poder segmentá-las nas unidades mínimas: as vogais e consoantes; quando essa habilidade ocorrer podemos afirmar que a criança passa a ter uma consciência metalinguística da mesma, a consciência fonológica, que a permite analisar a palavra mais eficientemente. 



Ainda sob o viés do indivíduo, temos como outro aspecto importante para garantir este processo, que a criança tenha um nível suficiente de habilidades específicas como: o desenvolvimento da motricidade geral, da integração sensório-motora (esquema corporal, lateralidade, sentido de direção, conceito de direita e esquerda, ritmo, orientação espaço-temporal), das habilidades perceptivo-motoras (visão, audição, memória,...). 



Estas capacidades precisam ser estimuladas, já que contribuem para a viabilização do processo da leitura e escrita, ou impõem-se como impedimento para a aquisição do mesmo.



O atraso específico na leitura pode ser de natureza de déficit cognitivo, especificamente na esfera da capacidade verbal. A. F. Jorm (em Psicologia das Dificuldades em Leitura e Ortografia) postula que um componente particular parece estar associado às dificuldades de leitura, é a capacidade de lidar com informações fonológicas na memória.



Outro aspecto que merece ser analisado refere-se à compreensão do texto. Sabe-se que há uma estreita relação entre a capacidade da leitura mecânica e a possibilidade de compreensão, assim sendo a criança que apresenta pouca eficiência na leitura, consequentemente apresentará dificuldades severas na compreensão do que lê. 



Por outro lado há indivíduos que mesmo não apresentando deficiência na identificação das palavras, ou seja, mesmo podendo traduzir literalmente as idéias propostas no texto, manifestam dificuldades para compreendê-lo, para estabelecer uma análise inferencial e crítica. São os leitores com déficits específicos de compreensão, encontrados não somente no Ensino Fundamental e Médio, mas também e principalmente nos cursos Universitários e em adultos já formados.



Sobre os aspectos mais relativos à escrita, temos que, assim como na aquisição da fala a linguagem receptiva antecede a expressiva, no sistema visual a leitura antecede a escrita. Desta feita, a maior parte dos distúrbios da expressão da palavra impressa, a escrita, é decorrente da ineficiência da leitura, entretanto há indivíduos que mesmo sendo bons leitores apresentam distúrbios na expressão escrita. 



Devemos estabelecer as diferentes situações-problemas que podem ocorrer na escrita, o primeiro grupo seria composto pelas crianças e jovens, que apresentam deficiências na discriminação e associação fonema/grafema, ou seja, aqueles que não sistematizaram efetivamente o processo da escrita mecânica, como seria esperado pela suas faixas etário-acadêmicas, tendo tido escolaridade favorecedora e recursos cognitivos adequados. Esse grupo apresentará deficiências na aquisição da linguagem escrita, decorrendo em falhas ortográficas como trocas por confusões visuais e/ou auditivas, omissões e acréscimos (de letras ou sílabas), poderá ainda apresentar fragmentações e junções de palavras.



O segundo grupo caracterizaria os jovens que dominam o código do grafar, todavia apresentam dificuldades para compor um texto, para se expressarem no papel. São aqueles que não conseguem transmitir para a escrita sua ideação ou seus conhecimentos adquiridos através de suas vivências e interações no meio. São indivíduos que na oralidade denotam e expressam criatividade, expressam ainda um mundo imaginário explorado e desenvolvido, assim como manifestam domínio do conteúdo informativo e conseguem estabelecer correlações adequadamente, todavia expressam total incapacidade para lidar com as estruturas necessárias para escrever. 



Se estas dificuldades não forem trabalhadas acarretarão vivências frustrantes e limitadoras no processo geral evolutivo da aprendizagem, isto é, a criança ou o jovem que não encontre suporte e continência para sua notação gráfica deficiente, desestimulam-se frente aos fracassos que vivenciam, levando-os ao desinteresse, à impotência na forma de se expressarem e de se comunicarem por escrito. Eles fatalmente passam a escrever cada vez menos, limitando seu imaginário e potencialidade criativa, temendo as punições que sofrerão frente aos seus erros ortográficos.



Outro fator que causa fracasso neste processo seriam as crianças portadoras da Dislexia Evolutiva, que significa, segundo Galaburda e Aboitz, uma condição clínica, caracterizada pela dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita nos indivíduos de inteligência e estado psiquiátrico normais, que têm tido boas oportunidades de educação e oportunidades sócio-culturais adequadas, havendo correlação neurológica subjacente e que manifestam muitos dos sintomas e das deficiências aqui descritos.



Em relação às demais atividades psíquicas envolvidas diretamente com este processo, temos, por exemplo, a forma como a criança organiza seu pensamento, as suas características de personalidade, o como ela investe afetivamente no meio e, principalmente qual a função que a linguagem representa enquanto veio de comunicação.



A psicanálise através de Freud, coloca o quanto os aspectos inconscientes influenciam a aprendizagem e o quanto nossa harmonia psíquica capacita ou prejudica esta atividade. 



Se a nossa psique é o veio através do qual se dá nossa relação com o mundo, e, se é através dela que tomamos contato com o meio e o introjetamos, estando este aparelho como o chama Bion, em confusão ou conflitado em termos emocionais, terá alterada e prejudicada esta interiorização. 



Se uma criança, por exemplo, não teve em princípio um bom vínculo com a mãe, ou sua substituta, poderá desenvolver relações desfavoráveis em seu processo geral de aprendizagem e especificamente com a aquisição da linguagem oral, da leitura e escrita, podendo ser esta a sua forma de expressão de sintomas reativos manifestos. A linguagem, neste caso, poderá estar cumprindo uma função de alerta de que a comunicação, entre ela (a criança) e o mundo, está prejudicada.



Entendemos que além das possibilidades linguísticas, perceptivas, motoras e cognitivas, além dos métodos, dos recursos didáticos, aprender implica em um sujeito que busca a aquisição do conhecimento, e significa sempre uma experiência emocional. Assim sendo, um indivíduo que não tenha motivação, não se estimulará para a aquisição de habilidades tão complexas que exigirão capacidade para frustração adequada, possibilidade para seguir os padrões fixos e sistemáticos que o processo da leitura e escrita requer. 



Dos aspectos relativos à dinâmica do meio, podemos apontar a falta de escolarização ou a privação cultural do meio; a própria marginalização do sujeito com dificuldades pelo ensino comum, sofrendo este a pecha de incompetente e desajustado, desfocando a responsabilidade da “Instituição-escola” para o indivíduo, a superlotação das salas de aula, que impedem a individuação dos alunos. 



Outros fatores relativos ao meio que interferem na qualidade da aquisição da leitura e escrita, tais como a inadequação de métodos específicos às particularidades dos educandos, a pouca eficiência na utilização de metodologia baseada nas diferentes necessidades e dificuldades que os indivíduos apresentam, a aplicação de currículos sem fundamentação teórica, não sendo respeitados os reais níveis etários e possibilidades instrumentais dos alunos, o que acarreta em exigências aquém ou além da competência deles.



A pouca ou ineficiente estimulação dos professores, ou mesmo as relações educador/educando estabelecidas de forma conflitada, a inabilidade dos educadores para observar e detectar as reais deficiências manifestadas pelos seus alunos, o que impede a possibilidade de diagnóstico e tratamentos precoces e preventivos.



Em relação à família observam-se as altas ou baixas expectativas que são projetadas nos filhos, muitas vezes por desconhecimento da capacidade dos mesmos, ou ainda por projeções baseadas inconscientemente em suas próprias experiências escolares, causando-lhes vivências impotentes e baixa estima, quando não conseguem corresponder. 



É bastante comum referências de pais sobre similaridades de história de fracassos na leitura e escrita suas e de seus filhos, estabelecendo desta forma uma identificação de modelos atávicos. 



Finalizando, podemos concluir a relevância primordial de se ter o conhecimento do sujeito em seu processo evolutivo de aprendizagem, e, sobretudo focar a atenção em sua unidade, observando os aspectos individuais (sejam eles cognitivos ou afetivo-emocionais), os familiares e os da comunidade como um todo, já que esse todo compõe o universo de cada um. 



Importante ainda ressaltar que educadores por vezes, iniciam precocemente o processo de aquisição da leitura e escrita, sem dar a devida estimulação às habilidades, o que acarretará em prejuízo à aquisição. Além disso, se estas habilidades cognitivas se apresentam deficitárias, o estarão, antes mesmo da criança iniciar o processo de alfabetização, assim sendo, uma avaliação precoce possibilitará o diagnóstico e o tratamento e desta forma teremos uma alternativa de prevenção para evitar futuros transtornos acumulativos que decorrerão dessas deficiências já constatadas. 



A observação e o encaminhamento da criança pelo educador atento favorecem ainda o planejamento de métodos adequados e específicos para a aquisição da leitura e escrita das crianças com suas características próprias, além de possibilitar as orientações de escolas mais adequadas e que possam ser continentes a essas crianças. 





Tânia Freitas



tania@abcdislexia.com.br 





FONTE DE PESQUISA

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Um outro ponto de vista sobre a medicalização da educação!

A matéria intitulada “Estudantes ou pacientes?”, sobre os transtornos da aprendizagem, pode representar uma visão parcial sobre o tema, não compartilhada por muitos estudiosos. No entendimento do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) isso pode proporcionar uma compreensão simplista e equivocada sobre um problema que afeta um número considerável de crianças e adolescentes.
O espaço “Coluna Livre” publica artigos de opinião produzidos por leitores do Portal Aprendiz. O texto “Um outro ponto de vista sobre medicalização da educação” é de autoria da presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), Bianca Queiroga, da vice-presidente da instituição, Carla Girodo, e do diretor tesoureiro do CFFa, Jaime Zorzi.
Esses casos tratam não só de educação, mas também de saúde. Como fonoaudiólogos, lidamos diretamente com eles. Por isso nossa preocupação em mostrar uma outra visão do problema. Assim, comentaremos trechos da matéria de maneira a confrontar esses dois pontos de vista. No terceiro parágrafo é dito: “O que se tem visto nos últimos dez anos é o retorno das explicações biológicas para justificar defasagens no aprendizado. A chamada medicalização da educação é definida por especialistas de educação, psicologia e pediatria como um processo que transforma questões coletivas e sociais em questões individuais e biológicas, mais especificamente, em doença”.
Neste trecho a matéria engloba em uma única categoria as dificuldades escolares e os transtornos de aprendizagem, como a dislexia e o TDAH. As dificuldades escolares estão presentes em 40% da população em idade escolar no Brasil. Tais dificuldades podem ser decorrentes de vários fatores, entre eles os aspectos envolvidos no próprio ato de ensinar (didática, métodos de ensino, recursos pedagógicos e outros) e os aspectos sociais ou ambientais. Sobre estes últimos, destacamos a importância da participação da família no processo de aprendizagem.
De modo diferente, os transtornos de aprendizagem, de origem biológica como apontado na matéria, têm uma prevalência muito inferior, cerca de 4% da população em idade escolar. De acordo com dados publicados pelo IBGE em 2010, o Brasil tem cerca de 190 milhões de habitantes, dos quais quase 45 milhões de crianças em idade escolar. Se considerarmos a prevalência reservada de 4% de crianças e jovens com dislexia ou outros transtornos de aprendizagem, ainda assim, estaremos diante de 1,8 milhões de brasileiros nessa condição.
Três parágrafos a seguir são creditadas à professora de pediatria da Unicamp Maria Aparecida Moysés as seguintes afirmações: “a medicalização vem ocorrendo no mundo todo, em escala crescente e em todas as instâncias da vida, mas as áreas que têm sofrido mais violentamente esse processo são a educacional e a do comportamento.
Quando um problema coletivo é medicalizado, isenta-se de responsabilidades todas as instâncias que respondem por esse problema, a começar pelas autoridades, as instituições e as próprias famílias, e localiza-se o problema no indivíduo. A medicalização tende a acalmar conflitos e esse é um dos motivos pelos quais ela se dissemina tanto”.
Ao tratar todos os problemas de aprendizagem de forma conjunta, a professora nega a importância do diagnóstico e do acompanhamento especializado para crianças com transtornos da aprendizagem, assim como todos os esforços de pesquisadores nacionais e internacionais que dedicam suas vidas ao estudo do tema. A nosso ver, trata-se de uma perspectiva simplista e reducionista dos problemas de aprendizagem.
O trecho Falta de provas inicia dizendo que os “diagnósticos dos supostos transtornos de aprendizagem são feitos por meio de análise clínica. Porém, relatos cada vez mais comuns apontam que meia hora de conversa no consultório é suficiente para se chegar a uma dessas doenças”. Essa informação está equivocada. O diagnóstico baseia-se não só em observações clínicas, mas também em testes padronizados e validados cientificamente. Além disso, o diagnóstico deve acontecer a partir de uma equipe multidisciplinar formada por médico, psicólogo (neuropsicólogo), fonoaudiólogo e especialista em psicopedagogia. Não há como dar o diagnóstico em meia hora através de conversa, mas apenas por meio de evidências clínico científicas.
Mais adiante a matéria traz: “Maria Aparecida diz que até hoje ‘não foi comprovada a existência de uma doença neurológico-psiquiátrica que comprometa a aprendizagem’”. Para ela, esse fenômeno da “psiquiatrização” dos problemas educacionais ilustra, na verdade, a falta de capacidade da escola e da família em lidar com as novas formas com que crianças e jovens se relacionam com o mundo. “Sem falar nos interesses comerciais que estão por trás”, aponta.
Mais uma vez ela faz uma afirmação equivocada. Na verdade, os transtornos de aprendizagem de origem neurológica existem e são relatados na literatura científica do mundo inteiro.
Além dos aspectos expostos, vale salientar que a prescrição de medicamentos só ocorre em casos de diagnóstico de transtorno do déficit de atenção. A matéria não deixa claro, mas não há medicação para a dislexia. Contudo, as crianças disléxicas necessitarão de diagnóstico e de acompanhamento especializado para que possam se desenvolver como as outras de sua idade. Infelizmente não acreditamos que os professores, por mais preparados que estejam, possam dar conta da questão.
No Reino Unido, Canadá e Estados Unidos, programas de identificação precoce auxiliam a escola a desenvolver, com as famílias e as crianças, estratégias de ensino para potencializar a aprendizagem. Nesses países, o acompanhamento de crianças com dislexia e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) está incluído na legislação que rege a política de necessidades educativas especiais.
Assim, tendo esclarecido que dificuldades escolares e transtornos de aprendizagem são coisas distintas, não negamos a importância de investimentos voltados à melhoria da educação brasileira como um todo, mas defendemos que as crianças com dislexia ou TDAH necessitam ser “vistas” e “incluídas” nesse processo, para que de fato seja possível assegurar o seu direito à educação, com todas as adaptações e ajustes necessários.
Temos no Brasil pesquisadores de diferentes especialidades, incluindo fonoaudiólogos, que se dedicam ao estudo do tema.

Fonte - http://portal.aprendiz.uol.com.br/2011/11/18/um-outro-ponto-de-vista-sobre-medicalizacao-da-educacao/
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Sinais de Distúrbios de Aprendizagem


Sinais comuns nos Distúrbios de Aprendizagem
Na educação infantil:
▫ falar mais tarde
▫ pouco vocabulário
▫ problemas para aprender números, letras, cores e formas
▫ dificuldade em seguir ordens e rotinas
▫ agitado, distrai-se facilmente
▫ lentidão para desenvolver a habilidade motora fina
Nos primeiros anos do Ensino Fundamental:
▫ dificuldade para perceber as relações entre letras e sons
▫ erros freqüentes na leitura
▫ lento para aprender novas habilidades e de lembrar fatos
▫ dificuldade na aprendizagem de números e cálculos
▫ impulsivo, com dificuldade de se planejar
▫ coordenação motora pobre
▫ dificuldade em compreender o conceito de tempo
Nos anos posteriores do Ensino Fundamental:
▫ evita ler em voz alta
▫ evita atividades escritas
▫ dificuldade com problemas escritos
▫ troca sequencias de letras nas palavras
▫ dificuldade em se lembrar de fatos
▫ dificuldade em compreender a expressão corporal e facial das pessoas
No Ensino Médio e Superior:
▫ evita atividades de leitura e escrita
▫ dificuldade em resumir idéias e fatos
▫ dificuldade em responder (argumentar) as questões em provas
▫ dificuldades com conceitos abstratos
▫ lentidão na execução de atividades
▫ prejuízo nas habilidades de memória
▫ substitui palavras durante a leitura
Identificação Precoce
Segundo S. Vaughn e L. Fuchs, idealmente todos os alunos – da Educação Infantil até os primeiros anos da Educação Fundamental – deveriam ser triados para potenciais problemas nos níveis acadêmicos e comportamentais. Aqueles estudantes identificados como sendo “de risco” deveriam receber instrução complementar para reduzir o seu déficit na área em que se encontra com baixo desempenho (ex.: linguagem, leitura, matemática, comportamento).
Diversos estudantes poderiam se beneficiar com a identificação precoce, que privilegiaria o foco na identificação em situação de risco ao invés do foco em déficits de longa data vivenciados por estes alunos.
Quando a criança falha em responder adequadamente à instrução, conclui-se que algum déficit inerente, e não o programa instrucional, explique a falta de resposta e que alguma intervenção especial seja necessária.
Atuação do Fonoaudiólogo
O Fonoaudiólogo clínico trabalha junto às crianças, adolescentes e adultos que apresentam Distúrbios de Aprendizagem, buscando desenvolver as habilidades que se encontram prejudicadas.

Fonte: http://www.fonologica.com.br/blog/tag/terapia-fonoaudiologica/

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Principais Distúrbios de Aprendizagem

O que é Distúrbio de Aprendizagem?

Designam-se crianças que apresentam dificuldades de aquisição de matéria teórica, embora apresentem inteligência normal, e não demonstrem desfavorecimento físico, emocional ou social.
Segundo essa definição, as crianças portadoras de distúrbio de aprendizagem não são incapazes de aprender, pois os distúrbios não é uma deficiência irreversível, mas uma forma de imaturidade que requer atenção e métodos de ensino apropriados. Os distúrbios de aprendizagem não devem ser confundidos com deficiência mental.
Considera-se que uma criança tenha distúrbio de aprendizagem quando:


a) Não apresenta um desempenho compatível com sua idade quando lhe são fornecidas experiências de aprendizagem apropriadas;

b) Apresenta discrepância entre seu desempenho e sua habilidade intelectual em uma ou mais das seguintes áreas; expressão oral e escrita, compreensão de ordens orais, habilidades de leitura e compreensão e cálculo e raciocínio matemático.


Além disso, costuma-se considerar quatro critérios adicionais no diagnóstico de distúrbios de aprendizagem. Para que a criança possa ser incluída neste grupo, ela deverá:


a) Apresentar problemas de aprendizagem em uma ou mais áreas;

b) Apresentar uma discrepância significativa entre seu potencial e seu desempenho real;

c) Apresentar um desempenho irregular, isto é, a criança tem desempenho satisfatório e insatisfatório alternadamente, no mesmo tipo de tarefa;


d) O problema de aprendizagem não é devido a deficiências visuais, auditivas, nem a carências ambientais ou culturais, nem problemas emocionais.

Principais distúrbios de aprendizagem:

1-Dislexia
Refere-se à falha no processamento da habilidade da leitura e da escrita durante o desenvolvimento, é um atraso no desenvolvimento ou a diminuição em traduzir sons em símbolos gráficos e compreender qualquer material escrito. São de três tipos: visual, mediada pelo lóbulo occipital fonológica, ediada pelo lóbulo temporal; e mista, com mediação das áreas frontal, occipital, temporal e pré-frontal.

2- Disgrafia


É uma deficiência na linguagem escrita , mais precisamente na qualidade do traçado gráfico , sem comprometimento neurológico e/ou intelectual.
Nas disgrafias, também encontramos níveis de inteligência acima da média ,mas por vários motivos ,apresentam escrita ilegível ou lenta.

A ‘letra feia’ (disgrafia) está ligada à dificuldades para recordar a grafia correta para representar um determinado som ouvido , ou elaborado mentalmente.

A criança ,escreve devagar ,retocando as letras , e realizando de forma inadequada as uniões entre as mesmas.

Normalmente as amontoa ,com o objetivo de esconder os erros ortográficos.

Assim como a dislexia ,a disgrafia também está relacionada à má organização de espaço temporal, fazendo com que uma organização de caderno, por exemplo, seja ‘inexistente’.(usa espaços inadequados entre as palavras, margens inexistentes, letras deformadas, escrita ascendente ou descendente ,etc).

3- Discalculia


A discalculia, é a dificuldade ou a incapacidade de realizar atividades aritméticas básicas, tais como quantificação, numeração ou cálculo.
A discalculia é causada por disfunção de áreas têmporo–parietais, muito compatível com o exame clínico do TDAH.

Vale lembrar que alguns indivíduos têm menos aptidão para matemática do que outros, e nem por isso pode-se diagnosticá-los como se tivessem discalculia.

A discalculia está quase sempre associada à quadros de dislexia e do TDAH. (onde se encontram indivíduos com QI acima da média.)
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Dificuldades X Distúrbios de Aprendizagem

Conforme (Fonseca: 1995) distúrbio de aprendizagem está relacionado a um grupo de dificuldades específicas e pontuais, caracterizadas pela presença de uma disfunção neurológica.
Já a dificuldade de aprendizagem é um termo mais global e abrangente com causas relacionadas ao sujeito que aprende, aos conteúdos pedagógicos, ao professor, aos métodos de ensino, ao ambiente físico e social da escola.
Já em (Ciasca e Rossini: 2000) as autoras defendem que a dificuldade de aprendizagem é um déficit específico da atividade acadêmica, enquanto o distúrbio de aprendizagem é uma disfunção intrínseca da criança relacionada aos fatores neurológicos.

Os fatores neurológicos citados pelos autores, significa que essas dificuldades estão relacionadas na aquisição e no uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas que se referem as disfunções no sistema nervoso central. Não podemos também deixar de considerar que as dificuldades de aprendizagem muitas vezes podem ocorrer concomitantemente com outras situações desfavoráveis, como: alteração sensorial, retardo mental, distúrbio emocional, ou social, ou mesmo influências ambientais de qualquer natureza.
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DISTÚRBIOS DE LINGUAGEM, APRENDIZAGEM E ATUAÇÃO EM ÂMBITO EDUCACIONAL

Grande demanda na fonoaudiologia concentra-se nas alterações encontradas na oralidade, principalmente na infância ou idade pré-escolar, como no caso dos distúrbios específicos da linguagem e nos transtornos globais do desenvolvimento. As alterações de linguagem também estão presentes nas dislexias e outros distúrbios de aprendizagem, os quais requerem grande atenção uma vez que nestes casos a alfabetização e o domínio da linguagem escrita em geral também estarão comprometidos. Complementarmente, encontramos as alterações de linguagem decorrentes de quadros neurológicos, principalmente na idade adulta, como é o caso das afasias/ apraxias adquiridas e outros transtornos neurológicos evolutivos. Os distúrbios da linguagem oral, da linguagem escrita e da aprendizagem, em todas as suas manifestações, representam um grande campo de trabalho, nem sempre bem explorado. De modo especial tais distúrbios aproximam o fonoaudiólogo das áreas do desenvolvimento infantil e da aprendizagem escolar. Dessa forma, faz-se necessário que ele se prepare para um trabalho que também vá além da abordagem clínica e tenha uma conotação educacional e desenvolvimentista. Esta perspectiva pode vir a contribuir significativamente para novos enfoques na área da aquisição da leitura e da escrita e da abordagem também no campo educacional, dos problemas deste tipo de aprendizagem. Conseqüentemente, com esta capacitação, busca-se também ampliar as possibilidades de atuação profissional do fonoaudiólogo.
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A Divulgação da Fonoaudiologia!

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